TA – Capítulo 60 – 3Lobos

TA – Capítulo 60

Lucien de Terno

Embora esse não fosse seu plano original, Lucien concordou.

— Sem problema, Sr. Victor.

Contanto que ninguém suspeitasse que ele estivesse envolvido com feitiçaria ou heresia, Lucien não se importava se algumas pessoas o acusassem de plagio.

Em muitos livros religiosos da biblioteca, a música era comparada a um tesouro que Deus deu às pessoas, a arma mais poderosa que as pessoas tinham para lutar contra as dificuldades. Assim, a música sempre foi considerada como um símbolo de luz e esperança, sem nenhuma relação com as trevas e o mal.

Além disso, pelos livros que ele leu e as conversas que teve com Lott, Felícia e Heródoto, Lucien percebeu uma barreira entre a igreja e os nobres. Embora os nobres ainda reverenciassem a Deus, a ideia de que a religião e o governo deveriam trabalhar separadamente começava a surgir em Aalto, a cidade onde a igreja dominava quase tudo.

Portanto, Lucien tinha certeza de que a igreja não suspeitaria facilmente de um novo músico da associação, que tinha um relacionamento próximo tanto com os nobres quanto com a igreja.

A única preocupação de Lucien era que ele precisaria passar pela inspeção de segurança no futuro, quando fosse convidado a participar de concertos ou festas. No entanto, Lucien acreditava que, contanto que ele fosse relativamente famoso, a inspeção de segurança sobre ele seria rara ou mesmo nem existiria.

Rhine pegou uma pilha de papel e uma caneta bico de pena de cima da mesa e os entregou a Lucien.

Lucien pegou a caneta. Antes que ele tivesse a chance de escrever qualquer coisa, ele de repente espirrou. Seu cabelo ainda estava molhado, e várias gotas de água caíram sobre o papel.

Victor percebeu que as roupas de Lucien ainda estavam molhadas.

— Você não trouxe um guarda-chuva?

O rosto de Felícia ficou um pouco corado, já que ela podia ver o corpo definido de Lucien debaixo da camisa molhada.

— Eu trouxe, mas a chuva estava forte demais. Eu corri até aqui, — respondeu Lucien.

Victor ficou comovido.

— Vamos encontrar algumas roupas secas primeiro, Lucien. Eu tenho vários trajes aqui. Alguns deles deve servir.

— Posso ir adiantando parte do trabalho para você, — Rhine se apressou. Ele tirou a pena da mão de Lucien. — Vá e troque suas roupas.

Naquele momento, os dedos de Rhine tocaram a mão de Lucien. Lucien percebeu surpreendentemente que a mão de Rhine era ainda mais fria do que a dele.

No vestiário, Lucian secou o cabelo e vestiu um conjunto de roupas de Victor, uma camisa branca, um blazer e calças pretas, e sapatos de couro. Naquele momento, somando o cabelo preto e os olhos escuros, ele parecia novo em folha. No espelho, ele viu um jovem bem arrumado.

— Olhe para você, Lucien! Você ficou muito bem neste terno! — Victor acenou com satisfação.

Vendo Lucien em um terno decente, Felícia, Lott e Heródoto sentiram que Lucien parecia mais confiável agora. Julgar uma pessoa pela aparência não acontecia só na Terra.

— Lucien, venha aqui e verifique se esta parte que o Sr. Rhine escreveu está correta, — pediu Victor.

Quando Lucien passou por Lott, ele lhe disse em voz baixa, com um sorriso superficial e educado:

— Espero que possamos trocar ideias com mais frequência no futuro.

— Claro, — respondeu Lucien educadamente também.

Ouvindo sua conversa, Felícia mordeu os lábios com seus dentes brancos e tomou uma decisão difícil:

— Lucien, eu gostaria de me desculpar. Lamento que eu estivesse sendo grossa com você por causa do meu preconceito. Espero que possamos nos dar bem e nos ajudar no futuro. — Seu rosto corou de novo.

Somente Heródoto ainda estava de pé, do outro lado, com a cabeça abaixada e os olhos fixos nos pés, sem dizer nada.

— Sem problema, Felícia. — Lucien concordou e então caminhou em direção a Rhine e Victor.

Às três horas da tarde, Felícia viu que a carruagem do Barão Othello parou na frente do edifício da associação.

Victor parecia muito satisfeito.

— Ótimo trabalho, pessoal! Somos um grupo tão eficiente, não somos? A emoção que senti pela música ainda está reverberando em minha mente. Embora a revisão ainda não tenha sido concluída, o resto do trabalho está bastante detalhado. Sinto que está pronto para ser registrado na associação agora. E eu não acho que a mudança da lista será um problema.

Lucien sabia que sua atuação ainda não havia sido muito habilidosa, e assim ele acreditava que foram suas emoções infundidas em sua atuação que comoveram seus ouvintes.

Seguindo Victor, Lucien chegou a um dos quartos no terceiro andar, onde um senhor de idade usando óculos estava sentado.

— Você terminou uma obra nova, Victor? — perguntou o homem mais velho.

— Joseph, não fui eu, é do meu aluno, Lucien. Queremos registrar a excelente obra dele, — Victor respondeu e depois o apresentou a Lucien, — Este é o Sr. Joseph, um crítico de música sênior muito experiente. O Sr. Joseph conhece a maioria das obras musicais no mundo, incluindo as de outras espécies não-humanas, como a música élfica. Ao mesmo tempo, o Sr. Joseph também é um pastor em treinamento. Ele saberá se você está plagiando ou se é realmente seu próprio trabalho. Depois disso, o Sr. Joseph registrará a sua obra com uma marca temporal usando o seu poder como pastor. Qualquer trabalho que venha depois e que seja semelhante ao seu trabalho, será considerado como plágio.

— Há quanto tempo você está aprendendo música com Victor? — Ajustando seus óculos, Joseph perguntou. — Um rapaz muito promissor, hun…

— Bem… em torno de… três meses. — Lucien sentiu um pouco de vergonha.

— Você só pode estar brincando comigo. — Os olhos de Joseph se encheram de surpresa. — Três meses?

— Dê uma olhada na obra primeiro, por favor. — Victor não disse mais nada, mas ficou parado com um sorriso no rosto.

— Está bem. Vamos ver o que temos aqui. — Joseph achou mesmo que era uma piada.

Logo o sorriso no rosto de Joseph foi substituído por um olhar sério. Sua mão esquerda estava batucando o ritmo enquanto ele cantarolava as notas da música, como se tivesse entrado em um mundo completamente novo, ou uma história fascinante.

Cerca de dez minutos depois, com um longo suspiro, Joseph disse a Victor com entusiasmo:

— Que excelente trabalho! Isso me lembra os anos em que eu estava ajudando os cavaleiros a lutar contra as criaturas malignas na Cordilheira Sombria. Oh, todos aqueles anos, com coragem, com fé e esperança…

— Eu lhe disse, Joseph. — Victor ficou orgulhoso.

— Eu… eu ainda não posso acreditar nisso. Você disse que é uma obra do seu aluno… desse jovem rapaz? — Os óculos de Joseph estavam pendendo sobre o nariz.

— Lucien é um jovem que teve uma vida dura, — disse Victor. Então ele compartilhou algumas das histórias de Lucien com Joseph.

— Bem… acho que então nossa associação terá outro músico talentoso. — Joseph ficou muito impressionado, mas ainda achou inacreditável. Ele se virou e disse a Lucien, — Se você quer provar ainda mais seu potencial, continue trabalhando em novos temas musicais. Em média a cada dois anos você precisa ter algo novo para mostrar ao público.

Em dois anos… eu já terei saído de Aalto, — Lucien pensou enquanto observava Joseph deixando uma marca temporal com seu poder de pastor nas partituras.

— Sua obra tem um nome? Agora é uma espécie de tendência. — Joseph ergueu a cabeça.

— Destino.

Depois que Victor e Lucien terminaram o registro, eles vieram ao escritório do diretor. Antes de entrar no escritório, Victor de repente sorriu.

— Mal posso esperar para ver a reação de Othello a isso.

Lucien percebeu que fazia um par de meses desde a última vez que viu aquele sorriso brilhante no rosto de Victor.

Vermillion
Domina Inglês e Português. Spymaster nas horas vagas.
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