TA – Capítulo 101 – 3Lobos

TA – Capítulo 101

Classe Lendária

Ao comparar as traduções e os livros originais, Lucien aprendeu mais sobre como ler Sylvanas e agora podia compreender uma grande parte do livro Astrologia e Elementos Mágicos, embora ainda com alguma dificuldade.

Vários métodos mais eficientes para meditar eram fornecidos em Astrologia e Elementos Mágicos. Aprendendo uma lição com o que aconteceu com a bruxa, Lucien decidiu manter a sua meditação atual, por enquanto, antes de entender completamente como os outros métodos funcionavam.

Uma coisa no livro chamou a atenção de Lucien. Por um longo tempo, Lucien estava incomodado com uma pergunta: embora o princípio da conjuração silenciosa pudesse ser explicado pela mudança na frequência da vibração do poder espiritual, então como, de acordo com o livro, seria possível lançar um feitiço sem o uso de qualquer reagente mágico depois construir a estrutura mágica correspondente ao feitiço na própria alma, com os quatro elementos fundamentais, terra, fogo, ar e água?

Pegando Orbe de Ácido, por exemplo, de onde é que viria o ácido se nenhum enxofre fosse utilizado durante a conjuração?

Inspirado pelo livro, Lucien fez algumas hipóteses ousadas de que os quatro elementos fundamentais neste mundo poderiam ser entendidos como as quatro forças fundamentais na Terra. Havia uma razão pela qual a terra, fogo, vento e água estavam sendo respeitados como os elementos mais importantes, uma vez que parecia que poderiam ser capazes de construir todas as estruturas mágicas, quanto trabalhados em conjunto. Todas as propriedades físicas e químicas neste mundo eram manifestações externas dos elementos fundamentais ou das interações entre eles. Assim sendo, a conjuração sem qualquer material ou reagente poderia fazer sentido.

Se as hipóteses estiverem corretas, o mundo poderia ser muito parecido com a Terra em um nível micro. Nesse caso, as “fadas mágicas” que Lucien tinha lido a respeito, que supostamente existiam neste mundo, seriam provavelmente “partículas mágicas”. No entanto, tudo isso eram hipóteses de Lucien agora. Ele sabia que precisava realizar mais experimentos para provar se eram verdadeiras ou não.

Astrologia e Elementos Mágicos introduzia a maioria dos feitiços na escola de Astrologia e também Elemental, e alguns feitiços básicos de outras escolas, de primeiro ao quinto círculo.

No antigo império mágico, todos os feitiços podiam ser divididos em duas categorias: a maioria deles eram feitiços básicos, dos quais as estruturas mágicas foram reconhecidas pelo império e poderiam ser dominados por todas as pessoas; o resto deles eram feitiços originais, que foram criados pelos grandes feiticeiros da história, por conta própria.

Felizmente, alguns dos feitiços únicos foram apresentados no livro.

Virando a página, Lucien viu um capítulo intitulado “Duas Classes Lendárias”, e de repente ele ficou animado. No entanto, conforme ele tentou ler mais, Lucien descobriu que o capítulo estava muito além de sua compreensão atual. Muitas palavras usadas não eram sequer Sylvanas, e as duas estruturas mágicas extremamente complicadas quase fritaram o cérebro dele.

No entanto, Lucien ainda tinha uma vaga ideia sobre o que as duas classes lendárias eram: um era Dominador Elemental e o outro era Profeta, e ascender a qualquer uma das duas classes requereria uma grande quantidade de materiais mágicos extremamente raros e um enorme círculo mágico. Além disso, cada escola de magia tinha mais de uma classe lendária.

O último capítulo do livro trazia as fórmulas para muitas poções diferentes. Depois de dar uma olhada nelas, Lucien removeu seu poder espiritual do livro em sua biblioteca espiritual para descansar.

Depois de procurar pelo Astrologia e Elementos Mágicos, Lucien escolheu analisar o feitiço Escudo Estelar, a fim de se aprimorar para se tornar um feiticeiro de primeiro círculo.

Em contraste com as magias de nível aprendiz, cujas estruturas internas eram bidimensionais, feitiços de primeiro círculo eram bem mais complicados, visto que eram tridimensionais. Lucien progrediu de uma forma muito lenta, tentando compreender a constituição baseado em suas próprias hipóteses.

Toda aquela leitura cautelosa acabou por deixar o cérebro de Lucien esgotado. No final da noite, ele ficou acordado em sua cama macia, incapaz de dormir.

Então, ele se levantou e entrou em sua sala de prática. Sentado na frente de seu piano, Lucien colocou as mãos no teclado.

Ele já vinha aprendendo música por mais de quatro meses agora, e se acostumou a usar o piano para relaxar. No mundo da música, Lucien não tinha nada com o que se preocupar. No mundo da música, ele se sentia seguro.

As mãos de Lucien estavam se movendo livremente no teclado. Depois de pressionar a última tecla, aplausos súbitos chegaram da janela.

Rapidamente, Lucien se virou, alerta. Era Natasha, de pé na varanda externa, vestindo um terno preto.

— Alteza, — disse Lucien, — só para constar, isso não é a porta da frente.

Natasha acenou com a mão de forma casual e riu:

— Vamos lá, meu historiador. Você não se lembra que quase todos os cavaleiros nos livros que você leu iam ver suas damas amadas se esgueirando por suas janelas? O Sr. Bake me disse que você tem uma memória muito boa.

— Eles são apenas romances fictícios… — Lucien deixou Natasha entrar. — Então, a que devo a honra desta visita tão tardia, alteza?

— Bem… só dei uma paradinha aqui. Eu visitei a Silvia agora há pouco e ela vive neste mesmo bairro. — Natasha entrou na sala de prática de Lucien, — Uma bela apresentação, Lucien. Isso foi um improviso? Parecia triste.

— Sim, foi um improviso, — respondeu Lucien. — Eu estava apenas… pensando no meu passado.

— Entendo. Eu sei que você sofreu muito antigamente, Lucien. — Natasha concordou, séria, — O que você acabou de tocar é muito bonito, bonito como o luar. Eu acho que você deveria escrevê-la, para que possa transformar em uma sonata completa no futuro.

Lucien estava um pouco envergonhado, pois parte das notas que ele tocou vieram da famosa Sonata ao Luar, escrita por Ludwig van Beethoven. Ele também ficou impressionado com a percepção aguçada de Natasha com relação a música.

— Como está indo a sua obra, alteza? A serenata para a senhorita Silvia? — Lucien mudou de assunto.

— Hum… Sabe de uma coisa… — Natasha revirou os olhos de uma maneira sensual, tentando esconder seu constrangimento, — Eu acho que eu não consigo fazer isso. Eu tentei… Eu juro.

Lucien ergueu as sobrancelhas e inclinou a cabeça, esperando pela real intenção de Natasha ao aparecer na casa dele tão tarde.

— Eu passei para ver se você ainda estava acordado — Natasha continuou, — porque eu queria saber como está indo a sua serenata. Sabe, a que você até já nomeou, Para Silvia.

— Agora eu entendi tudo, alteza. — Lucien sorriu, — Está quase pronta.

A melodia da serenata era gentil e alegre como um riacho puro. Aquela era definitivamente uma serenata venerando uma mulher jovem e bonita. Embora não fosse necessário nenhum dedilhado sofisticado ou habilidade sensacional para toca-la, a serenata cativou o coração de Natasha instantaneamente.

— Um rondo… entendo. — Natasha assentiu levemente e aproveitou a beleza da música.

Em seguida, a serenata entrou em uma seção mais clara no superdominante. Após essa parte, a peça terminou suavemente com a mesma melodia do início, com uma cadência autêntica.

Depois de retirar as mãos do teclado, Lucien notou que Natasha estava com o queixo apoiado na mão direita.

— Como você se sente sobre esta serenata, alteza? — perguntou Lucien.

— Muito bonita… muito elegante. Na verdade, o que eu estou pensando é… — Natasha boiou na maionese.

— Hum? — Lucien olhou para ela.

— Como é que você tem uma compreensão tão profunda sobre serenatas, Lucien? — perguntou Natasha, pensativa, — Quero dizer… você nunca teve uma namorada. Você fica imaginando as coisas?

Lucien engasgou.

Vermillion
Domina Inglês e Português. Spymaster nas horas vagas.
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