PA – Capítulo 40 – 3Lobos

PA – Capítulo 40

O Resultado da Evolução é Outro…

 

 

Lutero caiu em um lugar que não podia ser pior — ele caiu bem na entrada do prédio. Quando Sanji e Marcie correram até onde ele tinha caído, uma multidão já tinha se juntado ao redor dele, obstruindo a passagem principal. Na multidão, já haviam pessoas tentando sair — falando palavrões, gritando furiosamente com as outras pessoas para saírem do caminho, outros que estavam curiosos para saber o motivo da bagunça, enquanto alguns sinalizavam pedindo ajuda… Era um completo caos.

Porém, na situação atual, Sanji não se importava nem um pouco. Agarrando as pessoas pelo colarinho da camisa, ela empurrava qualquer um que estivesse em seu caminho. Não demorou muito, com a Sanji indo na frente e ignorando todas as reclamações, e ela e a Marcie finalmente chegaram ao centro da muvuca.

Elas viram o Lutero caído ao chão, com o rosto pálido, e seus olhos fechados enquanto seu corpo tremia. Suas roupas estavam sujas e tinha marcas de pegadas em sua calça, provavelmente porque ele foi pisoteado quando caiu. Jinfeng já estava no local, sabe-se lá há quanto tempo, e estava agachado ao lado do Lutero:

— Por favor deem um pouco de espaço. Alguém acabou de desmaiar, parem de se amontoar aqui!

Como ele era alguém importante, um executivo, as palavras dele logo surtiram efeito. As pessoas na multidão rapidamente passaram a mensagem para frente, e não demorou até que a muvuca se dispersasse. Marcie rapidamente agradeceu com um sorriso.

— Executivo Chen, quando você chegou aqui? Muitíssimo obrigada.

Sanji acenou com a cabeça agradecida e puxou o Lutero, colocando o braço dele ao redor do seu ombro. Ao ver Sanji ajudar o Lutero, Jinfeng se levantou e limpou a poeira da calça. Diante de ambas as mulheres, ele disse:

— Deve estar tudo bem agora, já que vocês duas estão aqui. Tem uma enfermaria no prédio 38, pode levar ele lá. Não se preocupem com o jantar, eu vou pedir para alguém levar para vocês.

— Obrigado. Mas ele vai ficar bem, é apenas uma pequena condição crônica! — Sem explicar em detalhes, Sanji rapidamente falou: — Nós vamos levar ele de volta para o quarto para descansar.

Jinfeng respondeu com um aceno simples e saiu sem dizer nada.

— O Executivo fala todo pomposo, mas eu não achei que ele seria uma pessoa tão responsável, — Marcie falou enquanto colocava o outro braço do Lutero ao redor do ombro dela. Sanji concordou com o que a Marcie falou.

Não era fácil para as duas andarem no sentido contrário da multidão saindo para jantar, sendo empurradas por todo mundo e até mesmo tiveram que recuar algumas vezes. De saco cheio, Sanji começou a empurrar grosseiramente as pessoas sem se preocupar em ser educada. Com muito esforço, eles chegaram ao cubículo do Lutero.

Depois de colocar o Lutero na cama, as duas mulheres cansadas finalmente tiveram tempo de respirar. Elas se sentaram no chão e começaram a conversar enquanto esperavam o Lutero acordar.

— Hoje de manhã minha habilidade também evoluiu. — Sanji sorriu. — Eu acho que nossa experiência nesse Glitch foi um incentivo bem grande.

Marcie concordou antes de suspirar melancolicamente:

— Eu nem sei se as minhas habilidades vão evoluir…

Marcie sempre foi a mais fraca entre os três — as unhas só podiam ser usadas para tirar sangue e eram completamente inúteis para qualquer outra coisa já que elas eram mais frágeis que vidro quebradiço. Sempre que eles tiveram algum problema, ela teve que pegar qualquer coisa para usar como arma antes de conseguir ajudar. Honestamente, mesmo que ela fosse um pouco mais forte que uma pessoa normal, ela não era nenhum mestre de artes marciais.

Ao longo do último mês, Sanji percebeu uma lei natural sobre suas novas habilidades: as habilidades precisavam ser estimuladas exatamente como facas que precisam ser afiadas. As presença, aqui no Oásis, de pós-humanos cujas habilidades não evoluíram depois da evolução inicial era uma confirmação adicional. A vida deles provavelmente era estável ​​ou segura demais…

— Talvez você precise usar sua habilidade com mais frequência, — sugeriu Sanji. — Eu acabei de conhecer outros dois pós-humanos. Talvez eles deixem que você extraia o sangue deles para analisar.

Depois disso ela contou o que tinha acontecido na parte da manhã sem ocultar nenhum detalhe — do walkie-talkie sendo levado, a Yu sendo estranhamente rígida, e até mesmo como os membros do Oásis usaram um medicamento para induzir o desenvolvimento da habilidade de resistência ao calor.

— Não sei se é paranoia da minha parte, mas acho que devemos ter cuidado, — concluiu Sanji.

— É claro, não é óbvio? — alguém respondeu friamente.

Antes mesmo que ela percebesse, o seu corpo já tinha reagido à anormalidade daquelas palavras e ela tinha se arrepiado toda. Com expressões assustadas, Marcie e Sanji se viraram.

Lutero já estava acordado, se apoiando na cama com um braço. Com uma sobrancelha levantada, ele olhou para as duas indiferentemente. Sanji nunca tinha visto o Lutero com aquela expressão. O seu rosto ainda era o mesmo, mas ainda assim, com um único olhar, ele parecia uma pessoa completamente diferente. Ele não tinha mais aquele comportamento imaturo e animado, ao invés disso, parecia um bloco de gelo. Anteriormente, Lutero poderia ser descrito como um rapaz que falava até pelos cotovelos, mas a pessoa à frente dela era como uma coisa… vestindo um ser humano. Humano, mas sem humanidade.

Com seu tom pouco característico, ele parecia bastante diferente do normal:

— Por que vocês duas estão me olhando assim? — Enquanto ele dizia isso, ele observava suas próprias mão e dedos, como se fosse algo extremamente novo. A sala estava cheia de uma atmosfera estranha, já que ninguém tinha respondido mesmo depois de um longo período de tempo.

Marcie engoliu em seco. Sanji ouviu o barulho claramente, já que o quarto estava dolorosamente quieto. Marcie agarrou seu próprio cabelo como se tivesse uma enorme dor de cabeça murmurou:

— Argh! — Com um olhar agonizante em seu rosto, ela falou: — Então, você é o próximo!

— O que… o que? O que você quer dizer? — Sanji não fazia idéia do que estava acontecendo.

Ignorando a confusa Sanji, Lutero se sentou segurando o queixo em uma mão enquanto um sorriso zombeteiro tomou conta do seu rosto.

— Plantação com ciclo de crescimento reduzido para 30 dias? Isolamento térmico? Medicamento que pode induzir habilidades? Não me diga que vocês acreditam em toda essa porcaria exatamente como esse rebanho de porcos idiotas aqui? — Mesmo que ele falasse com um tom gentil, sua observação mordaz parecia cheia de malícia. — Você está com tanto medo dos degenerados que ficou burra? Você não percebe o que isso implica?

Sanji olhou fixamente para o Lutero. Mesmo sem ativar seus Sentidos Aguçados, ela sabia dizer que além do rosto, ela não sabia mais quem estava na frente dela. Inevitavelmente, uma pergunta escapou de seus lábios:

— Quem é você?

Desta vez, antes que “Lutero” pudesse responder, Marcie respondeu com raiva, quase resmungando:

— Ji, deixa eu te apresentar… A sétima personalidade do Lutero, Sétimo.

Atordoada, Sanji continuou encarando o Lutero em choque.

Lutero — não, Sétimo olhou para a Sanji e curvou seus lábios para cima em um sorriso, quase como se estivesse dando uma esmola a um mendigo.

— Lutero não vai sair por um bom tempo, é melhor você se acostumar comigo por aqui.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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