PA – Capítulo 34 – 3Lobos

PA – Capítulo 34

O Oásis da Terra Ardente

 

 

O Glitch finalmente acabou. Sanji suspirou cheia de emoções complexas.

Pelo fato deles terem participado do Glitch três vezes, parecia que muito tempo tinha se passado. No entanto, os raios do sol só iluminaram a região após eles terem dirigido por uma hora. Eles tinham acordado às 10 da noite e o sol nascia entre as 5 e 6 da manhã, o que significava que o grupo da Sanji ficou por volta de seis horas dentro do Glitch.

E apesar de tudo, ela ainda não conseguia entender por que a mulher cometeria suicídio no final… Sanji estava perplexa sobre isso.

Depois que eles ouviram o tiro, ela voltou para o apartamento da Xiaoyun com o Li e ficou espantada com a cena sangrenta. Mesmo que ela tivesse uma vaga impressão que o Li tivesse algo a ver com isso, era inegável que eles só ouviram o tiro depois que eles já tinham saído do prédio. Da mesma forma, era um fato que a mulher se matou usando sua própria habilidade.

Li agiu muito naturalmente, mesmo com a Sanji olhando, ele tirou uma lâmpada pequena e segurou em cima do cadáver. Subitamente, o corpo reagiu à lampada emitindo várias luzes amarelas de tempos em tempos que foram todas absorvidas pela lâmpada. Sanji tinha suas dúvidas quanto a situação e perguntou algumas vezes, mas o Li sempre se esquivava das perguntas habilidosamente.

De qualquer forma, o que aconteceu, aconteceu. É melhor não saber muito sobre pessoas perigosas. O mais importante agora é lidar com o presente…

E com isso, ela finalmente conseguiu parar de pensar sobre o assunto.

O caminhão desacelerou. Com a Sanji liderando o caminho, eles dirigiram o comboio até o distrito industrial. O lugar onde eles tinham chegado era o novo bairro industrial que tinha sido bem planejado. Edifícios cinzas de cinco andares estavam organizados em linha, cada um em seu local atribuído. Mesmo com mais de um mês de erosão devido ao calor, as fábricas pareciam bem mais duráveis que os edifícios na cidade.

Enquanto Sanji olhava distraída para a placa na entrada do distrito industrial, ela se lembrou do que o Li tinha falado antes dele ir embora na noite anterior.

— Nós estamos indo embora agora. Afinal de contas, Minbo ainda está a solta por ai… — Li sorriu agradavelmente mostrando seus dentes brancos, — Tomem cuidado.

— Você não falou que queria um favor em troca? — Sanji não tinha se esquecido desse fato.

— Bom, eu ainda não sei o que eu quero. Vamos considerar que vocês me devem um favor… — Li disse suavemente, — Só não se esqueça.

— É claro que nós não esqueceremos! Mano Li, mano Hei, nós nos safamos desse problema graças a vocês dois. Se vocês precisarem de ajuda, é só falar! — Lutero se aproximou, agradecendo com sinceridade. Marcie estava ao lado dele concordando com gratidão.

Sanji era a única que parecia preocupada com a situação. Dever um favor para alguém era uma coisa, mas dever um favor para o Li era uma coisa completamente diferente. Entretanto, algo ainda a intrigava: depois de 14 meses, eles seriam aleatoriamente enviados para qualquer um dos milhares de mundos paralelos existentes. Se eles nunca mais se encontrassem durante toda a sua vida, as ações do Li teriam sido em vão?

Como se ele tivesse lido a mente dela, Li cerrou os olhos e falou inesperadamente:

— Certo, tem outra coisa que eu quero falar para vocês. Vocês sabem que existe algo chamado visto? Se vocês encontrarem um cônsul, vocês podem conseguir um visto e viajar para o próximo mundo juntos. Assim, vocês não vão se separar.

Lutero imediatamente buscou conselhos:

— Esse era o nosso plano, mano Li, você tem alguma dica de como achar esse cônsul?

— Eu não sei nada ao certo, mas tudo que eu posso falar é que vocês têm mais chances onde as pessoas se juntam, — Li falou enquanto seu olhar passava pela Sanji. Ele continuou, sorrindo. — É realmente estranho, mas uma vez que uma pessoa recebe um visto pela primeira vez, eles serão registrados na base de dados compartilhada de todos os cônsules, é quase como uma rede compartilhada de um sistema. Se você juntar itens suficientes para fazer uma troca, você pode encontrar outra pessoa através de um cônsul.

Certo. Então, esta é uma dívida que nós teremos que pagar…

Sanji pensou consigo mesma antes de perguntar de repente:

— De qualquer forma, quem é responsável por esses cônsules? É possível que organizações existam dentro desses mundos apocalípticos?

— Não. O cônsul é um tipo de habilidade de uma pessoa que evoluiu. Geralmente, uma pessoa não ganha outras habilidades depois de desenvolver a habilidade de cônsul. Entretanto, um cônsul não pode emitir um visto para ele mesmo, então eles precisam que outros cônsules emitam o visto para eles. Você pode dizer que essa habilidade só beneficia os outros e não próprio o usuário. É por isso que, normalmente, pessoas que possuem essa habilidade usam os vistos que eles podem emitir em troca de suprimentos e proteção.

Os três novatos ouviram admirados.

— Beleza, boa sorte para todos vocês! Tentem procurar lugares cheios de pessoas! — Li se virou e se afastou enquanto falava isso, acenando com um braço em um gesto de despedida. Antes do Hei começar a andar, ele olhou para os três. Sua postura rígida e séria pareceu um pouco mais suave.

— Vocês são muito fracos. Ninguém vai socorrer vocês da próxima vez.

Depois de falar isso friamente, ele seguiu o companheiro dele. Com alguns pulos e corridas, ambos desapareceram dentre os edifícios.

Sentindo uma gama de emoções complicadas, os três continuaram com as suas preparações para continuar a viagem. Dito isso, encontrar um cônsul era a maior prioridade deles. Enquanto eles passavam por outra fábrica, Sanji continuou pensando no que o Li tinha falado.

Lugares cheios de pessoas? Neste Inferno Hipertermal, a maioria dos humanos já morreram. Como é que ainda pode haver lugares cheios de pessoas?

Um segundo antes desse pensamento aparecer em sua cabeça, Sanji se assustou com o som de música. Uma música animada e alegre rapidamente preencheu a rua desolada na frente deles. Era como se Deus tivesse ouvido os pensamentos dela.

Pouco depois, alguém gritou alto, tentando falar mais alto que a música.

— Novas pessoas chegaram!

Uma barulheira danada soou da fábrica na frente deles. A porta da fábrica com o nome “Unidade de Processamento de Alimentos Reunião” abriu e, um grupo de pessoas barulhentas correu para a rua. Assustada, Sanji rapidamente pisou no freio. Ao mesmo tempo, ela ouviu a voz confusa de Lutero vinda do walkie-talkie:

— O que está acontecendo?

— Eu não faço a menor idéia… Vamos ver o que eles vão fazer! — ela respondeu apressadamente.

Ao contrário do grupo da Sanji, que estavam vestidos com roupas sujas cheias de poeira, suor, e sangue, o grupo de homens e mulheres que saíram da fábrica, bloqueando o caminho à frente deles, vestiam roupas limpas e lavadas. Eles acenaram incessantemente para o grupo da Sanji, como se estivessem recebendo um membro da família que eles não viam a muito tempo. Cada um deles parecia genuinamente feliz. Dentro da multidão, havia até uma moça que pulava e acenava continuamente, mesmo que ela estivesse usando salto alto.

Sem saber o que fazer, Sanji não teve coragem de sair do caminhão. Para ela, não tinha nenhum problema se alguém a chamasse de covarde, mas a primeira coisa que ela pensou quando ela viu todas aquelas pessoas era que todos eles eram pós-humanos. A temperatura no Inferno Hipertermal já tinha atingido um nível desconhecido. E qualquer pessoa que conseguisse sobreviver e manter uma aparência e maneirismo normal tinha que, sem dúvida nenhuma, ser um pós-humano. Pela sua estimativa, tinha pelo menos umas vinte pessoas no grupo. E afinal de contas, o veículos deles estavam cheios de suprimentos, se essas pessoas tivessem intenções malignas…

Sanji cautelosamente baixou a janela até a metade e gritou:

— Quem são vocês? Por que estão bloqueando o caminho?

O grupo de pessoas começou a sussurrar entre eles. Finalmente, uma mulher de meia idade venceu o concurso de popularidade. Ela parecia um pouco envergonhada e até mesmo falou para o grupo de pessoas:

— Vocês acabam comigo desse jeito.  — Depois disso, ela sorriu e se aproximou do caminhão da Sanji.

Sanji rapidamente fitou a mulher. A mulher tinha cerca de quarenta anos, um corpo mediano, e o cabelo estava preso em um coque. Ela tinha uma aparência bastante gentil e honrada. O que mais incomodava Sanji era o fato que a mulher estava usando roupas limpas, elegantes e que combinavam, e um par de sapatos meio salto. A roupa dela seria considerada elegante até mesmo antes do calor infernal que começar neste mundo.

Não somente essa mulher mas também o grupo de pessoas atrás dela, todos pareciam relaxados como se as vidas deles fossem confortáveis e pacíficas. Em contrapartida, Sanji ainda tinha uma gota do sangue da Xiaoyuan em seu rosto. Ela tentou limpar o sangue casualmente, entretanto, ela acabou desenhando uma linha em seu rosto. O cabelo dela, originalmente bonito e longo, agora estava amarrado toscamente em um rabo de cavalo. Quando ela se olhou no reflexo do espelho, ela viu que suas sobrancelhas estavam franzidas, e ela parecia em guarda, com seu rosto estava coberto de sujeira.

— Olá, mocinha. Este lugar é chamado de Oásis. Meu sobrenome é Li, você pode me chamar de Irmã Li, — a mulher de meia idade parecia muito entusiasmada. Ela era como… um líder de equipe que sempre se oferecia para falar em público nas reuniões. — Você não precisa mais ficar preocupada ou com medo. Uma vez que você se juntar ao Oásis, o sofrimento e a dificuldade na sua vida acabará!

Ela terminou a frase com um grande fervor, e o grupo atrás dela celebrou.

Sanji não falou nada — pra falar a verdade, ela não tinha idéia do que falar em uma situação dessas. Ela olhou para a Irmã Li calmamente e esperou que ela continuasse.

— Mocinha, qual o seu nome? Por que você não desce do caminhão? Você pode comer uma refeição adequada e tomar banho… Pobrezinha. Você não deve ter descansado bem nesses últimos dias. —  Irmã Li olhou para Sanji com os olhos cheios de simpatia.

Sanji não se moveu, só perguntou:

— Que tipo de lugar é esse Oásis?

Ela ouviu a estática no walkie-talkie ao lado dela. Aparentemente, Marcie e Lutero estavam ouvindo sem dizer nada.

Irmã Li sorriu confiante, como se tivesse antecipado suas dúvidas.

— Você deve saber o que aconteceu lá fora. Muitas pessoas morreram… Não só humanos, até mesmo as plantas! Não há nem água lá fora! Mas sob a proteção do Oásis, nossas condições de vida são exatamente como antes. Nós não precisamos nos preocupar ou ficar com medo por que esse lugar é capaz de suportar uma população de mais de dez mil pessoas. Todo mundo aqui tem o suficiente para comer e beber. Se ficarmos doentes, também podemos ir ver o médico…

Seu rosto brilhava enquanto ela falava do Oásis:

— Já existe uma população de 1.800 pessoas no Oásis. Nós juramos salvar todo ser humano neste mundo!

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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