PA – Capítulo 32 – 3Lobos

PA – Capítulo 32

Matá-la ou Poupá-la?

 

Desde que ele chegou a este mundo, Lutero não teve a chance de apreciar inteiramente o céu noturno.

Ele piscou os olhos lentamente, sentindo como se o seu corpo e pensamento estivessem prestes a se transformar em uma coluna de fumaça e se juntar às estrelas no céu. As estrelas prateadas preenchiam o insondável céu azul escuro, brilhando esplendorosamente como diamantes, emanando luzes que existiram no universo bilhões de anos antes.

É tão bonito… — Ele respirou levemente, se sentindo sonolento.

De repente, o céu estrelado foi bloqueado por um rosto grande. Li olhou para Lutero com os seus olhos de raposa, com uma expressão divertida.

— O que você está fazendo?

— O céu noturno é tão lindo… Hein? Irmão Li? — Lutero, que estava ofegante em uma poça de seu próprio sangue, voltou a si, mas só reagiu depois de um tempo. Ele virou os olhos fracamente, — Marcie e os outros também estão aqui?

— Estou aqui! — Ele ouviu a voz ansiosa e furiosa de Marcie ao lado dele. — Você é um idiota? Você está quase desmaiando pela perda de sangue! E está aí, pensando que a noite é linda!

Só então Lutero percebeu que todo o seu corpo estava frio, sua mente turva, e ele nem conseguia se mexer. Ele virou para Marcie e sorriu fracamente, sua mente ainda ocupada com a pergunta mais importante:

— Eu esperei por vocês por tanto tempo… Por que só chegaram agora? O degenerado disse que… Só ele poderia subir as escadas por que as armadilhas reconhecem ele… O que vamos fazer agora?

Os outros se olharam quando ouviram a pergunta, percebendo que lidar com a situação não seria fácil.

— Ok, nós entendemos. — Sanji acariciou a mão dele levemente depois de pensar um pouco sobre a situação. Ela o consolou, — Você fez bem. Você só precisa se concentrar em se recuperar agora, deixe o resto para nós.

Depois disso, Marcie pegou uma pequena caixa de primeiros socorros e se sentou do lado do Lutero. Quando ela abriu a caixa, Lutero olhou para o lado como se quisesse falar algo… Marcie provavelmente tinha pegado a caixa de uma farmácia. Haviam uns poucos itens dentro da caixa, e cada um deles parecia ter sido fabricado para enganar o consumidor, já que a qualidade (diferentemente das novels publicadas pela 3Lobos) era horrível.

Em contrapartida, as feridas do Lutero provavelmente precisariam de mais de um mês de hospitalização. Marcie ficou preocupada enquanto olhava os projetos mal feitos de ataduras que eram mais finas até mesmo que papel. Li sorriu de repente e disse:

— Eu acabei de me lembrar que o Hei tem um tipo de remédio emergencial de efeito rápido. Se você não se importar, podemos usar o remédio dele?

— Sério? Isso será ótimo! — Sanji mal tinha sorrido quando Hei a encarou com frieza, sem nenhuma intenção de entregar o remédio. Tudo ficou em silêncio como se o ar ao redor deles tivesse congelado.

Já que ele não falou nada, ninguém teve coragem de falar com ele para pedir o remédio.

Lutero piscou os olhos sonolento, provavelmente por que ele tinha escutado o nome do Hei. Sua situação era aquela em que ele não sabia dizer se estava acordado ou não, então ele não tinha ideia do que eles estavam falando. Ele só estava se lembrando da batalha. Com um sorriso fraco, ele falou em uma voz suave e grogue:

— Eu me transformei no Irmão Hei e quebrei a perna do degenerado… A força máxima do irmão Hei… Tão forte…

Devido às suas feridas, sua fala era complicada, mas todos entenderam o que ele queria dizer. Três pares de olhos pousaram simultaneamente no Hei. Depois de um curto período de tempo, ele finalmente jogou uma pequena garrafa, com um rosto sombrio. Antes mesmo que a Sanji pudesse agradecer, Hei falou subitamente:

— Faça ele comer isso e espere até ele acordar. Não me incomode mais.

Ninguém ousou falar nada sobre a atitude dele, eles rapidamente agradeceram. Hei olhou atravessado para o sorridente Li e foi embora sem nem mesmo falar tchau. Num piscar de olhos, ele já tinha desaparecido na rua com a sua katana nas costas.

— O que vocês vão fazer agora? — Em algum momento Li tinha se movido e agora estava de pé do lado da Sanji. Ele perguntou calmamente, — Ao que parece, sem a habilidade dele de se transformar, vocês não vão conseguir chegar no décimo quinto andar.

Sanji olhou para a Marcie. Mesmo que Lutero já tivesse tomado o remédio, Marcie ainda tinha muito o que fazer. Ela tinha que limpar as feridas, colocar ataduras e pegar um conjunto novo de roupas para o Lutero… Pensativa, depois de observar eles por um momento, Sanji virou e sorriu para o Li, dizendo:

— Eu acho que a Marcie deveria ficar aqui para cuidar do Lutero. Eu tenho um plano em mente para lidar com aquela mulher.

— Qual plano? — Li sorriu sem parecer surpreso.

— Eu preciso que você faça algo para mim, — Sanji sussurrou.

Sua idéia era realmente muito simples. Como Sanji não podia subir, ela iria atrair a mulher aqui para baixo. Com isso em mente, ela preparou um “roteiro” para Li. Eles caminharam ao redor dos edifícios, se familiarizando com o lugar antes de seguirem para o edifício alto onde a franco atiradora estava se escondendo. Ambos encontraram cobertura e se esconderam.

Sem ninguém a vista, o lugar ficou extremamente quieto. Como estava muito quieto, ela podia ouvir um zunido constante em seus ouvidos — ela não sabia se era o sangue se movimentando em suas veias ou simplesmente o barulho do vento. Em um lugar quieto desta maneira, Sanji tinha quase certeza que a franco atiradora no décimo quinto andar podia ouvir a conversa deles.

— Mano! Onde você está? — A moça intencionalmente falou alto. Sua voz soou imediatamente, ressoando na noite silenciosa. As cortinas atrás da janela no décimo quinto andar se movimentaram momentaneamente.

— Não venha até aqui! Só se esconda e não faça nenhum barulho, tá bom? — Li parecia realmente ansioso. — Eu cortei um dos braços do degenerado, mas eu não sei para onde ele foi! De qualquer maneira, você só precisa se esconder!

A conversa foi breve, e as vozes ecoaram pelos edifícios, era difícil dizer de onde as vozes estavam vindo. Enquanto ele falava isso, assim como Sanji tinha pensado, ela viu uma pessoa espiando lá de cima, por detrás das cortinas. Embora ela tivesse os cabelos curtos, era fácil de se ver que era uma mulher. Sanji acenou secretamente com a sua cabeça e continuou quieta, sem fazer nenhum movimento.

Os dois continuaram quietos durante os próximos dez minutos. A mulher no andar de cima parecia cada vez mais ansiosa. A cada minuto, ela examinava a área ao redor. Depois que a mulher já tinha olhado ao redor algumas vezes, Sanji decidiu que era hora de dar o bote. Ela soltou um grito agudo, instantaneamente obrigando a mulher a ficar do lado da janela.

— Mano! Vem cá rápido! O degenerado está aqui! Eu cortei a boca dele, mas parece que ele ainda está vivo… — Ao contrário da voz chorosa e assustada que ela estava dando o seu melhor para imitar, Sanji estava olhando calmamente para a janela do décimo quinto andar.

— Onde você está? Eu estou indo!

Sanji falou novamente, com medo que a mulher lá em cima perdesse parte da conversa deles.

— Eu estou em uma loja chamada “Doces Vermelhos do Coração”. Rápido mano! Ele está se mexendo!

A mulher desapareceu da janela quase imediatamente. O vento criado pelo seu movimento levantou as cortinas, fazendo o coração da Sanji bater forte por alguns instantes. Que tipo de mulher faria uma parceria com um degenerado?

Sanji se moveu um pouco, se escondendo melhor. Para fazer a coisa toda ficar mais real, Li e Sanji tinham trazido com eles o corpo do degenerado. Eles jogaram o corpo atrás da vitrine de bolos, de modo que só a parte de baixo do corpo pudesse ser vista. Do lado de fora, só dava para ver as duas pernas dele.

A mulher poderia até não ser capaz de usar a habilidade de franco atiradora dela em curtas distâncias, mas as coisas ficariam complicadas se ela começasse a arremessar armadilhas para todos os lados. Isso significava que eles tinham que baixar a guarda dela no momento que ela entrasse na loja.

Como eles estavam esperando, eles ouviram o “tump tump tump” das pegadas dela vindo de longe.

Hein? O barulho não está alto demais?

Era isso que eles estavam pensando. Sanji espiou do lado de fora e viu que a mulher estava realmente correndo em direção a eles em passos largos. Antes mesmo que e mulher tivesse chegado perto, Sanji conseguia ouvir a respiração pesada dela. A loja de doces não estava nem a sete minutos do edifício, entretanto a mulher estava completamente ofegante.

— Jun, Jun Abel!

Finalmente, a mulher tinha se aproximado. Antes mesmo de passar pela porta, ela viu o cadáver do degenerado. Imediatamente ela gritou triste e correu um pouco mais rápido em direção a loja de doces.

— Jun, você está bem? — Ela estava quase ao lado dele.

Sem nenhum aviso, uma pequena carta apareceu na frente dela. Antes que ela pudesse reagir, o 【Pano Negro】 abriu com um swoosh, enrolando no rosto da mulher. O grito estridente dela foi imediatamente abafado pelo pano. Quando ela estava para tirar o pano do rosto, alguma coisa acertou as costas dela com força. Ela caiu no chão.

Sanji saltou de uma das prateleiras, pisou no pescoço da mulher e torceu ambos os braços dela para as costas. A mulher, que de repente teve os seus movimentos restringidos, surtou. Ela se debatia no chão como um peixe enquanto gritava:

— Me solta! Me solta! Jun! Jun!

A resistência dela foi tão forte que Sanji quase perdeu o controle. Em um momento de desespero, uma luz branca brilhou na mão da Sanji, e ela bateu pesadamente na parte de trás da cabeça da mulher com o cassetete. Imediatamente, a mulher parou.

Será que eu matei ela com essa pancada?

A primeira coisa que passou pela cabeça da Sanji foi verificar a respiração da mulher. Ela ficou aliviada quando sentiu as respirações quentes da mulher contra o dedo dela.

A sensação que ela sentiu quando matou Ren ainda pesava fortemente em seu coração, era uma sensação pegajosa que não saia do coração dela. Quando ela se lembrou, ficou enjoada novamente. Experimentar esse tipo de coisa uma vez era mais do que suficiente para ela.

Li veio caminhando até a porta, com um sorriso alegre no rosto.

— Ei. Você conseguiu lidar com ela sozinha. Isso é impressionante!

Sanji limpou o suor de sua testa e respirou profundamente.

— A condição física dela era bem pior do que eu tinha imaginado. Estranho.

Li se aproximou da mulher e a virou, revelando o rosto magro e emaciado dela. Ela já deveria ter adquirido a habilidade de resistir à alta temperatura, mas os olhos dela estavam fundos, a pele amarela, e os lábios rachados. Ela parecia completamente desidratada e desnutrida. Até mesmo a pele do degenerado estava em melhores condições do que a dela. A mulher era relativamente bonita, originalmente, mas na deplorável aparência atual dela, era difícil até mesmo de olhar.

Sanji olhou para o rosto da mulher, perdida em seu próprios pensamentos.

— O que você vai fazer agora? — Li de repente se moveu em direção a ela, sussurrando em seu ouvido.

— Huh? O que você quer dizer? — Sanji estava atordoada: — Com isso nós devemos ter superado o desafio deste Glitch, certo?

— Não. — Os olhos de raposa do Li se estreitaram profundamente: — Se o seu adversário não morrer, o Glitch não vai terminar… então é melhor matar ela.


Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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