PA – Capítulo 28 – 3Lobos

PA – Capítulo 28

Os nomes desses mundos são muito estranhos

 

— Que merda foi essa?

Enquanto a mulher xingava com raiva, ela chutou violentamente a porta do ônibus, que tremeu na base. O número 1, vermelho e brilhante, ainda visível em cima da porta.

Atrás de Sanji estava Marcie, que suspirou cabisbaixa, e Lutero, que acabava de se acalmar de sua fúria.

— Isso significa que só temos mais uma chance? — Sanji respirou profundamente. Seus olhos vermelhos brilharam, e sua fúria insondável cresceu. — Quem são as pessoas responsáveis por tudo o que é desgraça por trás de nossas costas?!

— Ji, não fique tão brava. Se a gente olhar de outra maneira, talvez nós fomos salvos pela contagem regressiva. Se não fosse por isso, todos nós estaríamos mortos, — Marcie a consolou suavemente, mas ainda estava perdida quanto ao que eles fariam em seguida.

Embora pudesse ser verdade, atualmente, Sanji não conseguia aceitar esse ponto de vista. Ela sentia como se alguém estivesse brincando com eles… ela deu o seu melhor para conter sua raiva enquanto cerrava ambas as mãos com força.

Depois de algum tempo, de repente ela se levantou.

— Eu vou caminhar um pouco.

Lutero massageava sua cabeça como se ela estivesse doendo, e sua expressão não estava melhor que a de Sanji.

Ela caminhou poucos passos de distância do ônibus enquanto o vento da noite soprava ondas de areia nela. A leve dor fez Sanji ter a plena consciência de que ela ainda estava viva. O silêncio a rodeava, nenhum barulho sequer, era tão silencioso que ela podia até ouvir o sangue fluindo em suas veias. Talvez essa fosse a razão pela qual suas emoções intensas diminuíram gradualmente.

Está tão quieto. Mas, não está calmo demais? — Sanji pensou.

Ela continuava achando que algo estava errado.

Sanji franziu as sobrancelhas enquanto seu olhar se dirigia para o sujo Citroën a uma pequena distância dela.

É mesmo… Durante as duas vezes anteriores, o Ratinho já teria vindo nos acordar. Mas por que nós não ouvimos o alarme do telefone celular? Será que ele não acordou?

Assim que ela pensou nisso, Sanji avançou rapidamente até o Citroën e começou a chamar um pouco preocupada:

— Ratinho! Você está acordado?

Depois de esperar por um momento, ela ainda não tinha ouvido nenhum barulho ou movimento no carro. Ela não conseguia mais esperar, limpou o pára-brisa coberto de sujeira do carro com a manga, e depois se curvou olhando por dentro.

O banco do passageiro estava reclinado para trás e foi usado como uma cama. Havia pacotes de comida pela metade, garrafas vazias de água e roupas sujas. A única coisa que faltava era o Ratinho.

Sanji começou a ficar ansiosa, ela examinou a área enquanto circulava pelo grupo de veículos estacionados. Havia apenas um vasto vazio ao redor deles. As árvores haviam se transformado em cinzas, então ela tinha uma visão desobstruída até onde ela conseguia enxergar. Infelizmente, mesmo depois de ter dado duas voltas ao redor da área, ela nem conseguiu achar uma única pegada do Ratinho.

Por coincidência, Lutero e Marcie estavam saindo do ônibus enquanto conversavam. Quando Sanji ouviu eles, ela rapidamente correu até eles gritando:

— Ratinho não está no carro dele, ele desapareceu! Devemos procurá-lo?

Eles ficaram surpresos por que nunca esperavam que Ratinho fosse se perder. Marcie abriu a boca e estava prestes a falar quando ouviram uma voz letárgica vindo do teto do ônibus.

— Eu até diria que vocês não devem procurar ele. De qualquer forma, vocês provavelmente não vão encontrá-lo.

Assustados com a voz, os três instintivamente deram um passo para trás enquanto olhavam para o teto do ônibus. Contra a grande, prateada e clara lua que pendia no céu noturno, eles podiam ver dois vultos escuros: um deles estava de pé e o outro estava sentado. Nenhum deles percebeu quando esses homens chegaram. O vento tórrido da noite passou pelas duas figuras, sendo difícil distinguir os seus rostos enquanto suas sombras se misturavam com a luz da lua.

Ao que parecia, a pessoa que tinha falado era a que estava sentada. Ele parecia estar bastante relaxado, enquanto uma de suas pernas balançava do teto.

— Por que vocês estão me olhando desse jeito? Então todos vocês acham que eu sou bonito? — ele brincou.

Os três ficaram estupefatos por um momento. Sanji abriu a boca e perguntou:

— O que você fez com o Ratin…

No momento, o homem que estava de pé fez um som quieto e zombador interrompendo ela, e de repente ele avançou cobrindo a lua com um salto. A figura escura pousou proeminentemente no chão, levantando uma nuvem de poeira.

O homem tinha uma estatura alta e robusta, seu corpo musculoso era como um animal selvagem, emitindo uma aura de energia reprimida e perigosa. Ele carregava uma espada longa, ligeiramente curvada nas costas, que se parecia com uma katana. Mas ele não tinha uma bainha, o que tornava um mistério como ele realmente carregava a espada nas costas. A lâmina de metal forjado da sua espada brilhava levemente no escuro.

Para os pós-humanos, saltar do teto de um ônibus não era algo complicado, mas, de alguma forma, algo naquele homem deixou Sanji e os outros em alerta, por isso, eles adotaram uma posição defensiva. O homem ergueu a cabeça, levantando um canto da boca lentamente, revelando aos três um sorriso que qualquer um chamaria de malicioso.

Em um instante, uma pressão imponente como nunca tinham experimentado atravessou eles como um tsunami. Como se a pessoa tivesse retirado todo o ar da atmosfera, os três até mesmo pararam de respirar por um segundo. Tornou-se difícil para eles ficarem de pé quando eram assolados por essa pressão. Marcie tentou manter sua posição, mas ela foi a primeira a ser incapaz de resistir e caiu no chão com um “plop” enquanto seu rosto ficava pálido.

O rosto de Lutero demonstrava uma resistência clara, sua testa estava coberta de suor frio enquanto ele era forçado a ficar de joelho no chão.

Sanji sentiu como se o homem na frente dela estivesse apertando seu coração com as mãos, cada músculo tenso em seu corpo pulsava para mantê-la de pé. Ela tremia enquanto dava o seu melhor para resistir ao impulso de se virar e fugir. Ela se sentia como uma lebre que tinha encontrado um puma nas pradarias. Era uma espécie de desespero que surgia de sua impotência — eles definitivamente estavam em níveis diferentes na cadeia alimentar.

Nesse momento, os Sentidos Aguçados da Sanji foram totalmente acionados, e todas as células em seu corpo gritavam para ela, “Corra! Corra! Corra!”

Quando ela estava prestes a ceder ao seu impulso de se virar e fugir, o homem, que ainda estava sentado enquanto falava, saltou do teto e pousou levemente no chão. Uma brisa, como um vento na primavera que aparece do nada, expulsando as geadas do inverno e trazendo um milhão de flores de pera, pousou levemente sobre o rosto da Sanji. A intenção aparentemente assassina que pendia fortemente no ar imediatamente diminuiu.

Assim que ele pousou, ele repreendeu:

— Por que você os assustou? — Depois disso, ele se virou para olhar para os três os consolando: — Está tudo bem. É apenas um mau hábito dele. Vocês não precisam ter medo.

O homem com a katana nas costas limpou sua garganta e respondeu friamente:

— Isso é porque eles são fracos como bosta.

— Quem são vocês? — Sanji perguntou enquanto seus batimentos cardíacos se estabilizavam gradualmente. Quanto mais ela ouvia as vozes deles, mais familiar eles soavam. — Por que você nos procurou?

Lutero aproximou-se para ajudar Marcie a se levantar. Ouvindo a pergunta de Sanji, ele rapidamente acrescentou:

— E o que você quis dizer quando disse que não devemos procurar o Ratinho?

Embora Lutero fosse jovem, ele era muito perspicaz. Assim que aquele homem com uma voz suave saltou, Lutero percebeu imediatamente que os dois homens não tinham intenção de prejudicá-los.

A julgar pela situação, se aquele homem com olhar feroz quisesse matá-los, ele não precisaria nem de 30 segundos.

O homem que estava sentando momentos antes era realmente tão bonito quanto ele tinha falado. Ele tinha dentes brancos deslumbrantes, e seu sorriso lembrava uma pétala de flor de pêssego.

Vendo o estado ligeiramente lamentável que os três estavam, ele de repente exclamou, sorrindo:

— Eu acho que vocês não têm ideia da situação que se encontram?

Os três não responderam. O homem com a katana de repente a puxou a espada:

— Não apenas fracos, mas estúpidos.

Sanji reagiu com uma careta, mas como o medo que ela tinha sentido ainda era muito forte, ela mordeu os lábios e ficou quieta.

— Eles são novatos, afinal… — O Pedaço de Mau Caminho mediou. Encarando eles, ele disse: — Tudo bem, tudo bem. Vou contar para vocês tudo desde o início. E pelo jeito, vocês realmente não experimentaram muitos dos Novos Mundos?

Lutero olhou para Marcie e respondeu hesitante:

— Nós passamos por dois Novos Mundos, e esta é a primeira vez da Ji.

Quando ouviu isso, o Pedaço de Mau Caminho ficou surpreso, olhando-os com olhos arregalados:

— Dois? Vocês experimentaram dois mundos de nível E consecutivamente?

— O que é um Mundo de nível E? — Lutero perguntou, perplexo.

— Huh? — Uma expressão problemática apareceu no rosto do Pedaço de Mau Caminho. — Sério! Não esperava encontrar novatos. Ouça. Todos os universos paralelos infligidos com o fenômeno do Novo Mundo são classificados em cinco níveis, de E para A, com base na dificuldade de sobrevivência. Eu acho que todos vocês já devem ter jogado videogames antes, certo? É como se fosse um jogo. Se você me perguntar como os mundos são classificados, eu só posso dizer que algumas pessoas de algum lugar fizeram isso. Vocês não saberiam mesmo se eu lhes dissesse. De qualquer forma, para que todos se adaptem melhor aos Novos Mundos, eles são segregados em cinco níveis, e o nível E é o mais fácil.

Quando ela ouviu a palavra “fácil”, a expressão de Marcie mudou instantaneamente, mas ela ainda permaneceu em silêncio. Por outro lado, Lutero foi rápido para responder. Seu rosto bem-definido estava corado, mas ele suprimiu sua raiva dizendo:

— Mais fácil? Você sabe quantas pessoas morreram naquele mundo de guerra? Quando todos os soldados com idade adequada tinham morrido, os que estavam lutando no campo de batalha eram apenas crianças que não eram nada mais de sacos de ossos. E você fala isso com a maior calma!

— Se uma pessoa normal conseguiu sobreviver tanto tempo depois de um evento apocalíptico, é realmente um mundo muito fácil. — O Pedaço de Mau Caminho sorriu friamente como se estivesse provocando ele ainda mais. — Você precisa saber que é quase irrelevante ser um pós-humano enquanto você vive em qualquer mundo com o nível acima de E por que eles são imprevisíveis. Você pode sobreviver hoje, mas pode não sobreviver amanhã… Assim como vocês.

— Que nível é… o Inferno Hipertermal? — Sanji perguntou.

O Pedaço de Mau Caminho a olhou por um momento, e respondeu com um sorriso:

— Nível D.

Sanji ficou pálida.

Se este lugar que já nos matou duas vezes é apenas nível D, como é que são os mundos de nível C e acima?

Quando pensou nisso, ela perguntou com um leve tremor em sua voz:

— Como você determina esses níveis?

— Sobre isso, está relacionado com a situação atual em que vocês estão. — O Pedaço de Mau Caminho voltou para o seu calmo sorriso. — Em todos os Novos Mundos que são nível D e acima, há uma chance aleatória de que… uhm… como devo dizer… uma armadilha baseada em área aparecerá. Nós chamamos isso de “Glitch”.

— Glitch? — Os três repetiram mecanicamente.

— É apenas um termo, realmente não importa. Só que este é o termo mais utilizado. Um glitch apresenta todos os tipos de desafios que ameaçam a vida… Assim como nos videogames, e você só pode sair de um calabouço depois de ter conseguido concluir esse estágio com sucesso. Para este glitch em particular, o contador cairá toda vez que vocês morrerem. Quando vocês esgotarem as três chances, vocês realmente morrerão.

— Então… Nós realmente só temos uma chance! — Sanji disse atordoada.

— Isso mesmo, — inesperadamente, foi o homem com a katana que respondeu. — Seu desempenho nas duas últimas rodadas foi tão patético que me faz querer chorar.

Sanji aceitou a humilhação em silêncio, engolindo suas palavras. Era verdade, eles sofreram uma derrota total duas vezes, isso foi um pouco…

Percebendo que sua moral caiu para o fundo do poço com uma única frase de seu companheiro, o Pedaço de Mau Caminho fez uma careta e disse:

— Não é culpa sua. Seus oponentes são muito mais experientes que vocês… Deixa eu me apresentar: eu sou Li Zhijun, ele é Hei Zeji. Nesta rodada, nós vamos ajudar vocês.

 


Notas do tradutor: as flores de pêssego estão relacionadas à fortuna de amor da astrologia chinesa e às vezes são usadas para descrever pessoas atraentes para o sexo oposto.


PS: Agradecimentos especiais ao @Erudhir aka Gelo aka Pomba (Desumana!) pela ajuda na tradução deste caps. Vlw. 😉


Aqui algumas imagens super legais, e não oficiais do Li e Hei.

 

Hei:

 

Li (aka Pedaço de Mau Caminho):

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
FONTE
Cores: