PA – Capítulo 27 – 3Lobos

PA – Capítulo 27

Foi uma morte simples cheia de mágoas.

 

— Vejam só! Não é esta a mocinha que esfaqueou um dos meus olhos? Você não vai correr? O meu alcance de ataque é muito amplo. Eu acho que você terá que correr… até ali, se quiser evitar ser atacada por mim.

Debaixo do olhar cheio de horror da Sanji, o degenerado não atacou. Em vez disso, apontou para um lote vazio não muito longe dela. Suas palavras foram faladas entre uma risada frívola, e ele estreitou seus longos olhos como uma fenda de uma maneira extremamente desagradável. — Quando ele era humano, deve ter sido um homem repulsivo — de alguma forma, esse pensamento passou pela cabeça da Sanji.

Ela olhou incessantemente na direção do degenerado, sua palma brilhou com uma luz branca, e ela segurou outro punhado de cartas. Apesar do fato de seu corpo estar tremendo um pouco devido ao seu intenso nervosismo, ela se forçou a ficar no mesmo lugar.

Era piada se ele achava que ela iria correr para o espaço aberto, para ser atacada pelo franco atirador! Ela não era estúpida!

Desta distância, ela só poderia atacar primeiro! Mais uma vez, Sanji jogou as cartas em sua mão em direção ao degenerado. No entanto, o degenerado estava preparado desta vez. Ele deu um passo para trás e rapidamente bloqueou a maioria dos cartões com a boca. A única carta que ele esquivou voltou para a mão da Sanji. Mas quando ela olhou a carta, ela não pôde evitar xingar silenciosamente.

De todas as cartas, essa carta que sobrou era uma carta de suporte pra ser usada em conjunto com as lâminas. Era um【Pano Preto】 usado para obstruir a linha de visão dos inimigos. Ela não tinha mais nenhuma lâmina no arsenal. As lâminas que ela tinha usado agora estavam no chão. Se ela quisesse usá-las novamente, ela teria que encostar nelas. Se não, ela não tinha outro maneira para recuperá-las.

Naquele mês, ela conscientemente transformou muitos itens em cartas. No entanto, com este neste momento, ela tinha apenas vários itens que eram completamente inúteis nessa situação…

Olhando para a carta na mão da Sanji, o degenerado apenas cerrou os olhos ligeiramente. Ele caminhou até a borda do teto do carro e começou a rir ameaçadoramente.

Sanji achou que ele iria falar algo mas, de repente, ele moveu a boca e foi em direção a ela. Naquele instante, ela percebeu que estava muito perto da boca. Ela não conseguiria escapar a menos que fugisse para fora.

Marcie gritou ansiosamente quando Sanji rolou para fora em desespero. Ela sentiu uma queimadura no ombro dela. Parece que a boca do degenerado ainda assim conseguiu acertar ela, e uma ferida sangrenta apareceu em seu ombro.

Pressionando o ombro ferido, seus olhos percorreram involuntariamente para o prédio oposto a eles. Só então ela percebeu que ela estava longe da cobertura e agora estava exposta.

Não, é muito perigoso! — Com um único pensamento, o【Pano Negro】 voou no ar e se abriu.

Ao mesmo tempo, sons de tiros soaram no ar depois deste breve silêncio. Dois tiros seguidos foram disparados. Graças à distração provocada pelo movimento do pano preto, o atirador perdeu o foco. Um dos raios de luz criou um buraco no chão ao lado dela. Infelizmente, o segundo tiro atravessou o joelho da Sanji em um instante. Doeu tanto que ela soltou um grito de dor. Era impossível para ela ficar de pé, então ela simplesmente se deitou no mesmo local ofegante.

— Seu filho da puta! — Vendo essa cena, Lutero não conseguiu se controlar. Ele saltou, segurando o bastão de polícia na mão e gritou enquanto ele balançava um golpe violento contra o degenerado.

Ao mesmo tempo, Marcie pulou para onde Sanji estava caida. Ela planejava puxar Sanji para segurança. Já que ela estava caída no chão indefesa. Com outro raio de luz, certamente esse seria o fim da Sanji. No entanto, quando Marcie agarrou sua mão, preparando-se para arrastá-la para trás do carro. O rifle do atirador ressoou novamente.

Sanji assistiu impotente enquanto uma névoa de sangue explodiu do peito da Marcie, e pequenas gotas vermelhas pulverizaram seu rosto.

— Marcie?! — Ela gritou atordoada.

Através dos olhos castanhos claros sem vida de Marcie, Sanji podia ver o reflexo de seu próprio rosto pálido e perturbado. No instante seguinte, o cadáver de Marcie, sem nenhum suporte, caiu pesadamente em cima da Sanji. Suas lágrimas brotaram quando o corpo morto caiu sobre ela.

Embora já tivesse experimentado uma vez, a morte de um companheiro ainda trazia um sofrimento insuportável.

— Marcie! — Lutero, que não estava longe deles, gritou furiosamente como uma criatura ferida.

O coração de Sanji se acelerou, ela reuniu todas as forças e gritou bem alto:

— Não venha aqui, se esconda!

Mas Lutero fingiu não ter ouvido seu conselho, ele bradou o cassetete empurrando o degenerado para longe, depois se virou e correu. Com um segundo, ele se ajoelhou ao lado das duas.

Lutero olhou para o cadáver, incapaz de falar por um bom tempo. Ele já estava exposto, mas não houve som de tiro ao contrário do que Sanji esperava. Além disso, Lutero parecia esquecer isso — ele estendeu a mão e tocou no cabelos de Marcie com suas mãos trêmulas. Ele soluçou e olhou para Sanji com olhos vermelhos e suplicantes:

— Vamos reiniciar isso. Ainda temos mais uma chance. Marcie… Marcie é minha família…

O número vermelho brilhou na frente dos olhos dela. De repente, ela sentiu um medo em seu coração: — Nós realmente temos mais uma chance? Até agora, tudo foi apenas uma conjectura! E se não for uma contagem regressiva e todos tiveram um sonho precognitivo?

Os olhos do Lutero brilhavam com lágrimas, sob o céu noturno, brilhavam com uma esperança suplicante. Olhando nos olhos dele, Sanji não conseguiu expressar suas dúvidas.

— Ok… — ela desviou o olhar, forçando as palavras de sua boca, mas não recebeu nenhuma resposta.

Ela levantou os olhos apenas para ver que o rosto de Lutero agora estava rígido e estava pálido sem precedentes.

Sanji se sentiu instantaneamente esmagada, como uma torre de gelo desmoronando. Ela olhou fixamente para rosto do Lutero, chamando seu nome com urgência:

— Lutero, Lutero! Fale algo! Fale comigo!

O vazio envolveu os olhos de Lutero enquanto o sangue escorria de sua boca. Seu corpo flácido caiu sobre a Marcie, revelando a boca de um degenerado coberta de sangue perfurando o pescoço branco do Lutero.

— Uau! Mesmo quando eles morrem, eles precisam morrer juntos. Estou tããoo emocionado com essa amizade. Mas vocês estão malucos? Reiniciar isso? Não me diga que você acredita que pode ressuscitar os mortos? — O olho sinistro olho do degenerado brilhava com satisfação. — Mocinha, não chore. Cada pedacinho de umidade do seu corpo é extremamente precioso para mim.

Só então Sanji percebeu que estava chorando sem palavras. Comparando a gravidade de ter testemunhado seus amigos morrerem um a um na frente dela, essa chance foi algo tão ilusório!

Ela não sentia mais a dor de sua ferida. O degenerado se moveu bem devagar, retirando a boca do Lutero e aproximando-se dela. Sanji forçou os olhos, olhando o prédio do outro lado da estrada. Havia quatro ou cinco partículas de luz metálicas atrás da janela de um andar desconhecido. A visão atrás da janela era amplamente coberta por uma cortina, de modo que ela só conseguia distinguir uma figura vaga de uma pessoa de um gênero desconhecido.

Antes de eu morrer, eu devo pelo menos descobrir de qual andar os tiros foram disparados. — Sanji pensou. — Um, dois, três… sete, oito…

— Aposto que você não esperava que houvesse outra pessoa lá, certo? O que acha? A habilidade da minha mulher não é ruim, né? — Seguindo seu olhar, o degenerado voltou-se para Sanji e disse se gabando. Seu tom estava cheio de arrogância.

Sanji não conseguia ouvir mais nada claramente. Sua mente só estava ocupada com a contagem dos andares. Quando ela tinha contado até o décimo segundo andar, através dos olhos embaçados por lágrimas, ela viu a boca coberta pelo sangue fresco de Lutero. A boca se levantou na frente dela. Seu mundo de repente ficou escuro e embaçado. Sua consciência se dissipou no nada, como meros vapores.

 

 

— Ele foi embora? — Uma voz masculina desconhecida de repente veio de algum lugar.

— Sim. No final, ele não resistiu de usar “aquela coisa”, — respondeu outro homem. — Tudo aconteceu conforme a gente tinha previsto. Pelo que eu vi, essas pessoas têm potencial. Quem teria imaginado que eles encontrariam adversários muito mais fortes do que eles logo no início? Eles não têm sorte. Se eu não usar isso agora, talvez eu não consiga usá-lo na próxima vez!

— Droga, isso é meu! Nós temos que pegá-lo… — o homem cerrou os dentes e disse.

— Ei, olhe. É um raro “tipo de crescimento”!

— Duhh! É verdade.

— Então… você quer ajudá-los?

As vozes indistintas dos dois estranhos se afastaram. Sanji escorregou totalmente para uma escuridão inconsciente. Era a “morte” que ela já tinha experimentado uma vez…

Segunda rodada: outra aniquilação completa.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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