PA – Capítulo 26 – 3Lobos

PA – Capítulo 26

É uma lei universal que o Personagem Principal deve morrer? (3)

 

— Em primeiro lugar, nós temos que entender os movimentos do degenerado, — disse Sanji com um rosto sério enquanto olhava para os companheiros. — Tudo começou quando Marcie ouviu um barulho, certo? De onde veio o barulho?

O conjunto de veículos estavam estacionados ao lado da rua, em fila, como antes. Os quatro estavam no teto do ônibus, franzindo suas testas intensamente. Marcie fechou os olhos tentando se lembrar dos detalhes:

— Eu estava dirigindo e ouvi um barulho, mas não sabia de onde tinha vindo. Só sabia que era um barulho abafado, acho que a origem estava a uma certa distância do banco do motorista.

Isso significaria que era na parte de trás do ônibus… — Sanji caminhou até a parte de trás do ônibus e, de repente, exerceu força e saltou para cima naquele lugar. Com seu corpo aprimorado — sua habilidade de saltar atingiu um nível que não deveria ser subestimado — ela conseguiu saltar até a altura de um humano adulto. Desta forma, ela caiu pesadamente no teto de metal do ônibus, mas isso só fez um barulho baixo e abafado.

— Não dá para ouvir um barulho dessa altura se você estiver dirigindo. — Sanji concluiu: — Um degenerado tem pelo menos metade do meu peso, certo? Seguindo essa lógica, aquele bicho deve ter saltado de um lugar muito alto.

De um lugar muito alto… Eles franziram as testas enquanto se lembravam da jornada anterior, tentando lembrar se tinham visto algum edifício alto.

De repente, Marcie perguntou:

— Já que o degenerado pulou no meu ônibus, por que não me matou? Em vez disso, abandonou o alvo mais próximo e decidiu matar Lutero. Quero dizer, o ônibus tem um pára-brisa grande, seria fácil para eu ver ele.

— Talvez para causar um engavetamento? — Ratinho olhou para ambos os lados, — Se o segundo veículo sofrer um acidente, os dois veículos seguintes estariam em apuros. Meu carro colidiu com a parte de trás do ônibus… mas eu fiquei bem.

— Se ele quisesse criar um engavetamento, não seria mais rápido se ele atacasse a Ji? — Lutero retorquiu com outra pergunta.

Ratinho respirou fundo, pensou nisso um pouco mais antes de desistir.

— Vai saber? Talvez esse degenerado seja louco, e por isso simplesmente escolheu você aleatoriamente.

— Será que ele vai me escolher novamente esta vez? Ou escolherá outra pessoa aleatoriamente? — Lutero se sentia cada vez mais frustrado enquanto discutiam sobre isso. — Droga! Esta contagem regressiva nos dá muito pouca informação. Não há como deduzir qualquer coisa!

— Não pense demais. — Sanji caminhou até ele e acariciou o ombro de uma forma consoladora. — Eu acho que não vai ser muito difícil evitar esse acidente… Pelo menos nós sabemos onde aconteceu. Podemos parar antes de alcançar a inclinação. Podemos investigar a área, patrulhar ela. Qualquer degenerado que vemos, mataremos. Eu não acredito que não conseguiremos superar isso!

Seu tom decidido e decisivo aumentou imediatamente a confiança das pessoas em seu grupo. Afinal, era apenas um único degenerado!

— É mesmo! Desta vez, vamos fazer um ataque preventivo! — Ratinho concordou com um sorriso.

Depois de planejar como lidar com a situação, eles continuaram a jornada na noite escaldante. Para evitar qualquer outras complicações, os veículos estavam na mesma formação. A única diferença agora era que eles tinham aprendido a lição de sua experiência anterior. As janelas em seus veículos estavam abertas, e cada um deles agora tinha uma arma ao lado, que poderiam facilmente pegar.

Eles dirigiram lentamente pelo caminho, e ninguém falava nenhuma palavra. Todos estavam totalmente alertas e prestando atenção aos arredores. Eles não queriam perder qualquer coisa diferente, por menor que fosse. Sentindo sua garganta seca, Sanji engoliu um bocado de saliva. Naquele momento, Marcie sussurrou no walkie-talkie:

— Está aqui!

— Parem seus veículos! — Sanji gritou em seu walkie-talkie. Ela pisou no freio, desligou a ignição e saltou para fora do caminhão segurando o cacetete.

A encosta onde os quatro encontraram seu fim infortúnio estava exatamente na frente deles. Os quatro veículos estavam agora parados no início da encosta. Ao mesmo tempo, Lutero, Marcie e Ratinho saíram dos veículos. Eles cercaram o ônibus com armas em mãos, e todos olharam para o teto do ônibus ao mesmo tempo.

Não havia iluminação pública naquela noite sem a civilização humana. No entanto, com os faróis do Citroën e sua visão noturna evoluída, alguns deles podiam ver claramente: no topo do ônibus, havia uma um vulto negro agachado. Vendo aquela boca comprida se movendo constantemente… o que mais poderia ser além de um degenerado?

Quando ele percebeu que estava cercado, o degenerado imediatamente se levantou. Se virou e correu para a parte de trás do ônibus. Sanji arregalou os olhos e respirou fundo.

O degenerado não tinha nenhum sinal de ressecamento, seu corpo não era diferente de um humano normal!

Para que ele chegasse nesse estado, quantas vítimas teve que drenar completamente? Mesmo a velocidade era a mesma de uma pessoa normal… Se não fosse pela boca comprida, Sanji teria pensado que era uma pessoa normal.

— Tentando escapar depois de me matar? Continue sonhando! — Lutero foi o primeiro a reagir. Ele cerrou os dentes, e uma vez que seus pés se afastaram do chão, ele avançou como uma flecha. Em um piscar de olhos, ele já estava bem longe. Sanji e Marcie rapidamente o seguiram.

A única pessoa sem preparo físico para lutar, Ratinho, correu alguns passos depois deles antes de parar ofegante. Eles gritou para os outros:

— Eu vou vigiar aqui! Eu acredito em vocês! Vocês conseguem!

A velocidade do degenerado estava quase a par com a de uma pessoa normal, mas as pessoas que o perseguiam podiam ser consideradas normais? Com meio minuto, os três já tinham bloqueado seu caminho e o cercado.

O degenerado olhou para os três sem se mexer. Os três estavam atentos. Por um momento, ninguém atacou. Enfrentando seu inimigo assim tão próximo, os três imediatamente ficaram nauseados.

O degenerado era aparentemente um homem, e seu corpo estava bem hidratado. Olhando para o seu corpo, era a mesma coisa que uma pessoa normal. Não só seu corpo, mas ainda tinha suas pálpebras sobre seus longos olhos, sua testa alta também era plana e lisa… Parecia realmente normal sem uma única característica desagradável. No entanto, o fato inegável era que ele tinha a longa boca anexada ao seu rosto masculino normal e limpo. Havia um buraco escuro onde o nariz e a boca deveriam estar, e uma grande boca de mosquito se estendia daquele buraco profundo.

Parecia que era exatamente projetado para exibir tamanho contraste que Sanji preferiria olhar para a Sisi.

— Por que todos vocês parecem estar tão preparados? — uma voz humana veio da boca do degenerado, e havia até a sobra de um revoltante sorriso em seus olhos. — Eu tinha acabado de chegar, e todos vocês pararam seus veículos ao mesmo tempo? Quem te avisou?

Por que… parece que eles está culpando outros degenerados?

— Não gosto de falar asneiras com criaturas não-humanas. — Este pensamento passou pela cabeça da Sanji. Sem pensar muito sobre isso, Sanji sorriu, e uma luz branca brilhou na palma das mãos algumas vezes. Imediatamente algumas cartas apareceram na sua mão esquerda.

Esta foi uma nova técnica que ela desenvolveu depois de testar sua habilidade várias vezes.

Enquanto movia a mão esquerda, ela jogou cinco cartas que imediatamente voaram diretamente para frente seguindo as intenções dela. Elas se aproximam rapidamente do degenerado. Em seguida, as cinco cartas se dispersaram no meio do ar, organizando-se para atingir o degenerado pela frente e por trás.

Isso mesmo. Sanji conseguia controlar a velocidade e a trajetória das cartas no meio do ar. Esta era uma técnica formidável, infelizmente, tinha uma grande limitação. Atualmente, ela só podia controlar as cartas por cinco segundos…

Mais rápido do que as palavras poderiam descrever, e antes que o degenerado percebesse a situação em que se encontrava, as cinco cartas aceleraram e se moveram diretamente para os pontos vitais do degenerado. Quando elas estavam prestes a encostar na pele dele, as cinco cartas se transformaram em afiadas lâminas ao mesmo tempo.

Ele se moveu e desviou, e nem todas as cinco lâminas atingiram o alvo, mas uma delas penetrou profundamente no olho esquerdo do degenerado. Um grito afiado soou no céu noturno, e a parte de boca do degenerado tremia incontrolavelmente no ar.

— Rápido! Essa é a nossa chance! — Lutero avançou bradando o cassetete. Ele acertou um golpe forte. Com um som terrível, o queixo do degenerado foi esmagado.

Era fácil de perceber que o degenerado iria morrer ali hoje. Assim que esse pensamento apareceu em sua mente, Lutero de repente viu um brilho pelo canto dos olhos.

Aquilo foi imediatamente seguido por um explosivo “bang!” que soou como um tiro. O brilho se estendeu em uma linha reta e foi direto para o peito do Ratinho como um meteorito.

A cor se esvaiu de seu rosto, e ele desesperadamente tentou pegar seu telefone celular. Mas assim que ele acabou de pegar ele, uma névoa de sangue explodiu de sua cavidade torácica, e seu corpo e telefone caíram pesadamente no chão ao mesmo tempo. Depois disso, enquanto Ratinho dava seu último suspiro com os olhos arregalados, o celular dele desapareceu com uma luz branca.

Tudo aconteceu muito rápido. Os três que estavam envolvidos em combate com o degenerado não conseguiram reagir rápido o suficiente. Eles olharam para o corpo do Ratinho, atordoados. Usando essa oportunidade, o degenerado não ousou continuar a luta. Em vez disso, ele deu um pulo para escapar do cerco, se virou e correu.

Sanji estava prestes a persegui-lo quando, de repente, um alarme explodiu em sua mente. Antes que ela pudesse responder, ela se jogou ao chão e rolou para o lado. Mais um disparou soou. Havia um buraco com fumaça saindo dele justamente onde ela estava antes de se jogar ao chão.

Desta vez, ela entendeu a situação completamente.

— Tem um franco atirador nos atacando! Todos vocês, procurem um lugar para se esconder! Rápido!

Marcie e Lutero se jogaram em direção ao ônibus e se esconderam atrás dele enquanto Sanji se agachou atrás do Citroën. Eles estavam ofegantes. Depois que o atirador perdeu linha de visão com seus alvos, o som dos disparos parou. A noite voltou a ficar silenciosa.

— O Sr. Ratin… Ratinho está morto… — Marcie sussurrou, parecendo que era algo difícil de aceitar.

— Isso deve ter sido feito pelos cúmplices do degenerado, certo? — Sanji podia sentir seu coração palpitando como se estivesse prestes a sair do peito. — Nós somos realmente azarados. Nós encontramos um degenerado franco atirador!

Lutero tinha um olhar complicado no rosto e balançou a cabeça.

— Isso não foi um degenerado… Eu vi o disparo. No prédio à esquerda, eu vi partículas de luz metálica. A “bala” que atingiu Ratinho era uma das particular das luzes.

Ao ouvir o que ele descreveu, os outros olharam para ele com os olhos arregalados.

— Não é uma habilidade?

Inquestionavelmente, as habilidades só podiam ser usadas por seres humanos.

Lutero respondeu amargamente:

— Certo, deve ser uma escória que fez uma parceria com esse degenerado.

Sanji não conseguiu digerir essa informação.

— Parceria? Parceria com um degenerado? O que ele tem a ganhar com isso?

Assim que ela falou isso, ela ouviu um baque em cima da sua cabeça.

Instintivamente ela olhou para cima apenas para ver o degenerado que tinha fugido alguns momentos antes. Estava de pé no teto do Citroën… Sua longa boca estava pendurada ao lado do ombro da Sanji.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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