PA – Capítulo 25 – 3Lobos

PA – Capítulo 25

É uma lei universal que o Personagem Principal deve morrer? (2)

 

No escuro, Sanji podia sentir algo pressionando desconfortavelmente contra a parte de trás da cabeça. Mais da metade do dia já tinha passado. Ela estava exausta e não queria se mover, então ela apenas virou para o lado em um ângulo estranho.

Logo em seguida, ela acordou abruptamente de seu sonho, ofegantemente.

Sanji abaixou a cabeça e viu suas mãos trêmulas. — Eu morri? Eu estou morta? Todo mundo morreu? — Ela virou a cabeça olhando ao redor confusa até ver Marcie e Lutero dormindo um ao lado do outro bem perto dela. Ambos tinham uma expressão no rosto, como se estivessem em um pesadelo. E mesmo que eles ainda estivessem dormindo, ela podia ver o movimento da respiração em seus peitos. Isso era prova suficiente que eles ainda estavam vivos e bem.

Então, aquilo foi apenas um sonho? — Sanji se levantou. Suas mãos e pés estavam frios, e seu corpo sem força. O momento em que ela morreu, o momento em que todos os ossos de seu corpo foram esmagados, o momento em que ela entrou naquela escuridão interminável, aquela dor inacreditável… tudo aquilo foi um sonho? Ela estremeceu.

Ela abriu a porta e saiu do ônibus. Ela precisava desesperadamente de ar fresco para que pudesse clarear a cabeça. Assim que ela saiu, um ensurdecedor “Você é minha maçã, maçãzinha” soou alto, destruindo a tranquilidade da noite. Sanji parou por um momento. Ela ouviu isto novamente, assim como da ultima vez… ou para ser mais preciso, no último sonho. A música barulhenta não durou tanto quanto no sonho, ao invés disso, alguém rapidamente parou o alarme antes mesmo que dois versos da música tivessem sido cantados. A escuridão retornou ao silêncio absoluto.

Sem se mover, Sanji olhou quietamente em direção ao Citroën. Mesmo após vários momentos, Ratinho não saiu do carro para acorda-los. Impaciente ela decidiu ver o que aconteceu, mas de repente ela ouviu um grito baixinho vindo do ônibus e logo em seguida, Marcie chamou eles.

— Lutero! Ji!

Sanji imediatamente correu para o ônibus. Ao mesmo tempo, Lutero acordou ofegante e se sentou. Os três trocaram olhares, percebendo que todos tinham o rosto pálido.

— Eu sonhei que eu morri!

Os três subitamente falaram ao mesmo tempo trocando olhares.

— Huh… como assim? — Lutero foi o primeiro a reagir: — Vocês duas também sonharam com a sua própria morte?

— Não só com a minha… — O rosto de Sanji escureceu: — Eu sonhei que todos nós morremos. Por que você não me conta sobre o seu sonho primeiro!

Seguindo a ordem de suas mortes, Lutero foi o primeiro a falar:

— O sonho que eu tive foi simplesmente muito realista. Sonhei que estávamos a caminho do parque industrial. De repente, um degenerado saltou no meu caminhão. Ele quebrou a janela e de repente… meu estômago…  — Seu rosto ficou ainda mais pálido, e ele parecia não ter condições de continuar..

— Huh? Como é isso possível? No meu sonho, você foi atacado por um degenerado, então você tombou o seu caminhão e eu colidi com você… — Marcie ficou chocada quando seus olhos castanhos claros se arregalaram, olhando para Lutero. — Eu estava muito machucada e estava tentando sair do banco do motorista quando…

— Houve uma explosão repentina, e você também morreu, —  Sanji continuou com suor frio em todo o corpo.

— Como você sabia?

— Isso é porque eu estava por perto quando aconteceu… — Sanji fechou os olhos, relembrando aquela cena. — Quando vocês morreram, meu caminhão desceu de ré e esmagou o Ratinho e eu… Era como se os céus estivessem brincando com a nossa cara. Todos nós morremos dessa maneira ridícula!

— Como isso… é possível… Nossos sonhos estavam todos conectados? — Lutero falou sozinho.

Marcie e Sanji franziram as sobrancelhas momentaneamente sem saber o que falar. Enquanto a atmosfera entre eles congelava, eles ouviram a voz do Ratinho do lado de fora do ônibus:

— Estão todos acordados? — Ela não tinha certeza se ouviu corretamente, mas a voz dele parecia trêmula.

Ele teve o mesmo sonho?

Como se estivesse tentando confirmar os pensamentos dela, Ratinho enfiou a cabeça dentro do ônibus e falou:

— Quero contar algo, mas não briguem comigo. Eu acabei de ter um sonho onde todos nós morremos. Não estou tentando nos amaldiçoar, mas a gente precisa ter cuidado hoje! O sonho foi muito real! Ei, algum problema? Por que vocês estão me olhando assim?

Sanji sentiu uma dor de cabeça infernal. Ela acenou para o Ratinho.

— Nós tivemos o mesmo sonho … Entre, vamos entender o que aconteceu.

Ratinho concordou e rapidamente subiu no ônibus. Os quatro se sentaram em círculo. Tudo foi bastante direto. Por algum motivo desconhecido, os quatro compartilharam o mesmo sonho — o que era  mais surpreendente era que eles morreram em seus sonhos em momentos diferentes, cada um dos detalhes em seus sonhos combinava perfeitamente.

O barulho que Marcie ouviu foi provavelmente o som do degenerado que matou Lutero. O degenerado deve ter corrido pelo ônibus e pulado no topo do caminhão. Então, ele atacou o Lutero. Até mesmo a situação onde a Sanji estava com fome no meio caminho e comeu um biscoito ou as piadas que Ratinho disse ao Lutero. Suas lembranças corroboraram umas com as outras.

Ouvindo os outros três discutirem intensamente, Sanji ergueu a cabeça frustradamente, sentindo-se confusa. Ela respirou fundo e parou por um momento.

— Esperem!

— Qual o problema? — Os três olharam para ela confusos. — Você teve uma visão súbita?

Inesperadamente, Sanji perguntou algo totalmente aleatório:

— Marcie, qual é o número desse ônibus?

Marcie pensou por um tempo.

— Se não é o 89, é o 90. Não lembro direito, mas é um desses dois números.

— Veja! — Sanji apontou para o mapa das linhas que estava acima das portas de saída. As várias paradas da rota não podiam ser vistas, mas havia apenas um 2 escrito em vermelho brilhante.

— Eu estava errada? Esse ônibus é o número 2? — Marcie olhou para Sanji, intrigada. — Mas Ji, isso é muito importante?

Sanji encarou o número “2” por bastante tempo. De repente, ela pulou e xingou.

— Que po*#% é essa!

— Qual o problema? — os outros perguntaram em sucessão.

— Eu realmente achei que isso parecia realmente familiar. Agora eu me lembrei! — Sanji podia sentir os cabelos no pescoço arrepiarem enquanto continuava: — No meu… meu sonho, eu vi isso! A única diferença foi que no meu “sonho”, isso era um 3 e não um 2!

Ela olhou para os três, e seu tom se tornou ainda mais grave:

— Eu vivi nesta cidade por muitos anos, e nunca vi esse tipo de coisa. Todo o ônibus público tem um número! Mas esse número, só apareceu depois! — Quase como se ela se lembrasse de algo, Marcie exclamou: — Ah! — e cobriu sua boca.

O tom de Sanji era mais pesado do que um pedaço de ferro de uma tonelada.

— Vocês ainda não entenderam? Isso ou significa que estamos sonhando agora ou o fato de que morremos não era um sonho!

Lutero inconscientemente beliscou seu próprio braço e respondeu:

— Eu estou com 100% de certeza de que não estou sonhando… Isso é esquisito. Se realmente morremos em uma rodada, por que ainda estamos bem agora?

Sanji queria falar, mas sua atenção foi atraída pela voz tranquila do Ratinho.

— Esses números… Da ultima vez era um 3, agora é um 2… Isso é uma contagem regressiva? Isso significa que nós só temos mais duas chances?

Desde de que os quatro decidiram formar um grupo, esta era a primeira vez que Sanji viu esse lado do Ratinho. Ele tinha abaixado a cabeça, então ela não conseguia ver claramente a expressão dele. Mas de alguma forma, havia uma aura estranha e indescritível sobre ele…

Ela respirou fundo e disse:

— Eu também acho a mesma coisa.

A atmosfera ficou tensa novamente enquanto todos ficaram em silêncio.

— Existe um limite de tempo para essa coisa? — Lutero segurou seu braço, sendo o primeiro a quebrar o silêncio: — Se houver um, podemos esperar aqui com segurança até que acabe antes de continuar em nosso caminho.

Marcie suspirou:

— Receio que não seja tão simples. Seguindo o tópico principal, o que exatamente é essa coisa? Por que essa coisa está acontecendo?

Antes que Marcie terminasse de lamentar, Ratinho de repente a interrompeu e falou em um tom excepcionalmente resoluto:

— Eu sinto que definitivamente não podemos apenas ficar sentados aqui. Como saberíamos se existe realmente um limite de tempo para isso? Se continuarmos esperando, alguma coisa acontecerá? Estas são todas variáveis ​​desconhecidas. Mas se seguirmos nosso caminho anterior, já sabemos quais são os perigos… então, eu acho, que devemos partir como antes, mas apenas ser mais cuidadosos.

Sanji olhou para o Ratinho novamente. Não importava quantos degenerados eles matassem, ou quantas vezes escapassem da morte durante uma situação perigosa. Uma coisa era certamente clara: todo mundo que estava vivo não estava morto.

No entanto, Sanji tinha acabado de experimentar a morte. E era tão verdadeira como podia ser. Foi uma morte onde ela perdeu tanto o corpo quanto a consciência. O choque da morte não podia ser comparado a qualquer coisa que ela já tivesse experimentado. A morte era uma nuvem cinza que se aproximava de cada ser humano desde o seu nascimento, era o inevitável medo final do fim que nenhum sábio poderia escapar.

Sanji ainda tremia enquanto se lembrava do momento da sua morte. Por outro lado, Ratinho ainda conseguia analisar calmamente a situação. Ela então elogiou ele:

— Ratinho, eu realmente não acreditava que você fosse uma pessoa capaz de permanecer tão calma depois do que nós passamos.

Depois que ele ouviu os elogios dela, ele recuperou seu comportamento habitual e deu um sorriso pegajoso:

— Ei, eu sou apenas uma pessoa sem importância, eu tenho apenas essa vida. Estou feliz apenas por sobreviver, por que eu até me atreveria a ser fraco?

Sanji não disse uma palavra e retirou sua admiração. As palavras de Ratinho tinham convencido todos eles. Eles discutiram um pouco mais e chegaram rapidamente a uma conclusão: desta vez, eles seguiriam o que Ratinho disse e ficariam mais alertas. Já que eles estavam preparados desta vez, eles provavelmente sairiam ilesos, certo?

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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