PA – Capítulo 23 – 3Lobos

PA – Capítulo 23

Adquirindo um novo integrante

 

O sol escaldante durante o dia esturricava tudo com seu calor infernal. Quando ela saiu do carro, o calor ardente que ainda pairava no ar imediatamente fez com que a respiração dela ficasse pesada. Ainda havia vento nesse Inferno Hipertermal, mas seria melhor se não tivesse. Cada rajada de vento era como se uma jarra de carvão em brasas tivesse sido jogado no rosto deles.

Depois deles terem saído dos seus veículos, Marcie e Lutero franziram suas sobrancelhas enquanto tapavam seus narizes e suas bocas. Desde quando as plantas tinham morrido, o solo tinha se degradado até virar areia debaixo do calor intenso devido à desertificação. O vento jogou para cima grossas nuvens de areia amarela causando estragos sobre a terra. As sobrancelhas e cílios deles estavam cobertos de partículas de areia, então era difícil para eles abrirem seus olhos. Eles só conseguiam manter os olhos semicerrados enquanto olhavam ao redor.

Quando Marcie abriu a boca para falar, ela começou a tossir devido a areia antes mesmo de conseguir falar algumas poucas palavras:
— Você tem certeza? Eu estava no final da fila, mas não vi nenhum outro carro atrás da gente.

Quando Sanji desceu do caminhão, ela convenientemente pegou uma camiseta e amarrou em seu rosto como se fosse uma máscara, então ela estava se sentindo muito melhor quando comparada aos outros dois. Suportando a dor da areia escaldante que atacava continuamente sua pele exposta, Sanji respondeu calmamente:

— Eu tenho certeza. Aquele carro está nos seguindo já faz um bom tempo. Mas a tempestade de areia é realmente muito ruim, e o carro está bem longe da gente, então só ficou visível algumas vezes… Espere, está chegando!

Quando ela terminou de falar, eles viram o carro ao longe levantando uma nuvem de poeira. Um Citroën, tão sujo que era impossível saber de que cor era, saiu da turbulenta tempestade de areia.

Inesperadamente, quando o motorista viu que os três veículos grandes tinham parado, e que Sanji e a gangue dela estavam no meio da rua, o motorista pisou no freio bruscamente e olhou para trás como se estivesse planejando escapar. Infelizmente, a distancia entre o carro e os três outros veículos era muito curta, então o motorista não tinha nenhuma escolha. Sanji correu em direção ao carro, e antes que o Citroën pudesse virar, ela pulou no capô como um leopardo.

O capô do carro afundou, assustando o motorista do Citroën. As rodas derraparam e o motorista gritou de dentro do carro. Balançando com o movimento do carro, Sanji rapidamente se abaixou sobre o capô, se estabilizando antes de gritar em direção ao interior do carro:
— Saia!

Em um piscar de olhos, Lutero e Marcie também correram e cercaram o Citroën junto com Sanji. O carro parou e o seu motor foi desligado.

Através do sujo para-brisas, Sanji podia vagamente ver o contorno de uma pessoa. Ela não sabia dizer se era um homem ou uma mulher, jovem ou velho. Era incompreensível como alguém poderia dirigir com tal visibilidade. Ela esperou um momento antes de bater no para-brisas com o cassetete impacientemente, indicando para o motorista que ele deveria sair do carro.

Se ela não estivesse errada, o carro estava seguindo eles desde que eles tinham saído do supermercado.

A porta do lado do motorista abriu. Um homem usando um terno limpou a testa enquanto saía do carro.

Ele parecia ter pouco mais de vinte anos. Sua pele era bronzeada, e ele não era alto. Ele tinha um rosto carnudo e a camisa que ele estava usando, que antes era branca, agora era um bege quase preto de tanta sujeira. Sanji não sabia o motivo, mas ela achava que se ele tivesse bigodes como os de um gato, ele se pareceria com um rato. Mesmo que o terno que ele estava usando parecesse ter sido feito de um material bom, o terno não caía bem nele. Suas calças, muito longas para ele, estavam enroladas, revelando suas meias cinzas que cobriam toda a sua canela.

— Quem é você? Por que você está nos seguindo? — Marcie perguntou com uma careta.

O homem parecido com uma ratazana moveu seus pequenos olhos escuros e olhou em pânico para os três antes de balbuciar:
— Não… Não foi de propósito.

Lutero zombou dele:
— Então você acidentalmente nos seguiu até aqui?

Sanji saltou de cima do carro. Ela segurou o cassetete e parou na frente do carro sem dizer uma palavra. O homem parecia estar com muito medo da Sanji. Quando ela desceu do carro, ele imediatamente deus alguns passos para trás, colocando alguma distância entre eles. Ao mesmo tempo, ele explicou ansiosamente:

— Não, não. Deixa eu explicar. Eu vi todos vocês muito antes. Eu não tenho intenções ruins. Eu sou um vendedor de aparelhos médicos. Naquela noite, eu tinha acabado de mostrar alguns produtos para o meu cliente. Quando ele estava me levando de volta, teve um súbito apagão, e nós ficamos presos no tráfego em frente ao shopping center…

— Para de enrolar e desembucha! — Marcie gritou em um tom mais severo, provavelmente perdendo a paciência enquanto eles eram atormentados pela areia.

— Ahh… sim, sim. Enfim, estávamos presos na frente do shopping e não nos atrevemos a sair do carro. Nós dependemos de uma caixa com bebidas no carro por dois dias… Eu vi vocês algumas vezes, entrando e saindo. Vocês pareciam ter se adaptado tão rápido, foi tão impressionante! — Quando o homem explicou até este ponto, ele até se lembrou de lisonjeá-los. Ao perceber que nenhum deles reagiu, ele cuspiu areia da sua boca, embaraçosamente. Então, ele continuou: — Depois disso, em uma noite, uma mulher bastante bonita veio até nós. Ela disse que tinha água na casa dela e falou para o meu cliente descer do carro e acompanhar ela para pegar um pouco de água. Eu estava distraído por um momento e de repente, meu cliente tinha desaparecido! A mulher saiu e foi para o próximo carro!

Os três ficaram atordoados por um breve momento. Obviamente, Yun não teve misericórdia dos sobreviventes que estavam naquela rua do lado de fora.

Quando o homem viu a expressão deles, ela apostou na sorte e continuou: — Eu não tive coragem de continuar no carro, então eu corri para a mercearia do outro lado da rua. Eu consegui sobreviver até hoje… Hoje de manhã, eu vi vocês partirem. Eu estava com muito medo, então eu segui vocês…

— Qual o seu nome? — Lutero estava começando a se irritar com o homem que não parava de falar.

— Meu nome é Minbo Tian. Todo mundo me chama de Ratinho, — o homem sorriu e respondeu apressadamente.

Aparentemente, ela não era a única que pensava dessa forma. Sanji riu internamente, mas sua expressão fria continuou a mesma enquanto ela perguntava:

— O que você quer?

Ratinho se assustou com a pergunta e respondeu rapidamente:

— Eu realmente não quero fazer nenhum mal. Eu tenho o meu próprio suprimento de comida e água. Eu só quero alguns companheiros. E, eu queria dar um conselho.

— Um conselho?

— Vocês estão dirigindo os seus veículos a bastante tempo, certo?— Ratinho perguntou enquanto olhava os veículos. — Eu aconselho todos vocês a pararem de dirigir agora. Vocês deveriam esperar até a noite cair.

— Por quê? — Lutero olhou ao redor, ainda franzindo a testa. O lugar em que estavam não era muito seguro. No passado, a área era um parque famoso. Era originalmente uma grande área verde e a melhor parte da cidade. Entretanto, após esse mês, qualquer vestígio do parque original tinha se desintegrado. Até onde se podia enxergar só restava areia e restos esturricados de inúmeras árvores, juntamente com a mistura de tudo isso movimentada pelo vento. Eles até mesmo conseguiam ver os contornos de alguns degenerados vagando ao redor. O céu era de uma cor amarela sem esperanças acompanhado por um sol escaldante.

— Este clima é realmente anormalmente quente. Se vocês continuarem dirigindo, os motores vão fundir. É melhor você acreditar em mim. Eu já estraguei um carro, e era um Mercedes Benz. E mesmo assim, ele quebrou! Quase explodiu em chamas! Não preciso nem falar dos seus caminhões e ônibus… — Ratinho limpou a areia do rosto, com um olhar sincero. — É verdade. Se vocês não acreditam, pode tentar encostar nos motores dos seus veículos.

Ao ouvir isso, Sanji suspirou e parou Marcie que estava voltando para verificar:

— Você não precisa ir. É verdade. Até mesmo o Citroën dele está muito quente.

Quando Ratinho ouviu o que Sanji falou, ele imediatamente gemeu e se virou para abrir o capô. Uma fumaça branca acompanhada por um cheiro de queimado se espalhou pelo ar. A fumaça e o cheiro dissiparam quase imediatamente devido a tempestade de areia. Ratinho mexeu no motor nervosamente, ele finalmente levantou a cabeça com o rosto ainda cheio de medo:

— Essa passou perto. Quase estragou.

Os três trocaram olhares. Eles não sabiam o que fazer. Se até mesmo o Citroën fabricado na França estava prestes a quebrar, o que poderia se falar dos veículos comuns deles, que certamente estariam em um estado muito pior. Ao que parecia, eles não tinham outra escolha senão esperar com o Ratinho até que os motores esfriassem. O único problema era que Sanji era extremamente contra ficar naquele lugar devido aos arredores.

A área ao redor era muito aberta e vazia. O parque que cobria uma área de alguns quilômetros quadrados não tinha mais nenhuma vegetação, a visão da área era completamente aberta sem nenhum obstáculo. O que significava que, se eles estivessem em perigo, não teriam onde se esconder.

Marcie suspirou:

— Parece que teremos que esperar.

— Exatamente. Além do mais, está muito quente aqui do lado de fora, não é um bom lugar para conversar. Por que vocês não vem para o meu carro, e nós conversamos lá? Vamos ser amigos! — Percebendo que ele tinha convencido os outros, Ratinho rapidamente abriu a porta do carro entusiasmadamente, e até mesmo ofereceu uma garrafa de água para Marcie. — Eu não tenho nenhum lugar específico onde eu queira ir, eu só quero alguns companheiros. Onde vocês estão indo? Se não tiver problema, posso ir com vocês?

Os três se olharam e por um momento, mas não responderam.

Depois do incidente com a Yun, eles sabiam que precisavam ser mais cautelosos, entretanto, eles também sabiam que não poderiam deixar que aquele problema em particular afetasse todas as suas decisões futuras. Por que independente da situação, eles certamente teriam que interagir com outras pessoas no futuro. Quando Sanji pensou nisso, ela disse:

— Você pode vir com a gente, mas você vai ter que nos contar qual é a sua habilidade.

Ratinho ficou de queixo caído.

— Não me diga que você não sabe nada sobre habilidades depois desse mês? — Sanji tinha uma expressão fria em seu rosto e propositalmente usou um tom ameaçador. — Como é que nós devemos confiar em você e ser seus companheiros se nós nem sabemos o que você é capaz de fazer?

Mesmo que ela tivesse falado dessa forma, Marcie e Lutero claramente estavam se sentindo desconfortáveis. Eles não poderiam culpar ele se ele não quisesse revelar sua habilidade, ele não estaria fazendo nada de errado…

Mas eles não anteciparam a reação do Ratinho que assentiu com sua cabeça com pouca hesitação:

— Então você já sabia disso… Tá bom, eu vou mostrar para vocês.

Depois de falar isso, ele tirou um telefone celular do bolso. O telefone tinha uma capinha barata de plástico, o que deixava ele muito feio. Ratinho apertou alguns botões na tela e mostrou para eles. A tela do celular mostrava uma chamada em andamento, e o número que ele estava ligando era na verdade 190.

— Este celular é a minha habilidade. 190 é o único número para o qual eu consigo fazer ligações agora. Se eu estiver sendo atacado, eu posso ligar para 190, e durante 5 a 10 minutos, eu ficarei imune a todos os ataques. É claro que funciona mais rápido do que a minha demonstração. — Ratinho parecia um pouco tímido enquanto perguntava, — Isso é o suficiente?

Enquanto Sanji ainda estava considerando a questão, com as sobrancelhas franzidas, Marcie já tinha dado o primeiro passo, olhando para Sanji em confirmação:

— Eu acho que é o suficiente, certo? Ji? — Depois disso, ela estendeu a mão para o Ratinho e sorriu: — Vamos ajudar um ao outro de agora em diante.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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