PA – Capítulo 22 – 3Lobos

PA – Capítulo 22

Iniciando uma viagem!

 

Se alguém olhasse a paisagem, o intenso sol que pendia alto no céu não era diferente de qualquer outro verão. A deslumbrante luz solar brilhava do céu azul e só revelava sua indescritível maldade quando ardia sobre a terra.

Cadáveres ressecados cobertos de queimaduras podiam ser encontrados em todas as ruas. Os edifícios tinham rachaduras e buracos sob o calor elevado, e as casas feitas de materiais baratos já tinham se desintegrado há muito tempo em pequenas colinas de escombros. Havia rachaduras no chão e, ocasionalmente, podiam ver um degenerado consideravelmente saudável se movendo pelas ruínas.

Nos curtos dois meses, a temperatura continuava aumentando todos os dias, e neste dia, era como se todos os traços da humanidade tivessem derretido sob o calor, era difícil acreditar que essa foi uma vez uma civilização humana altamente desenvolvida.

O ar estava quente e seco, ninguém sabia para onde toda a umidade foi quando os rios e lagos evaporaram. Até onde os seus olhos podiam ver, não havia nenhum traço de vegetação. Em cada caminho que eles seguiam, o caminhão levantava uma nuvem de poeira amarela que chegava à metade da altura de um adulto, fazendo com que fosse difícil ver muita coisa.

Sanji estava sentada no banco do motorista e sem pensar duas vezes, olhava para o espelho retrovisor. Atrás do veículo dela tinha um grande caminhão de carga e então outro ônibus comprido de transporte público, mas isso não era o que ela estava olhando. Ela estreitou os olhos e olhou cuidadosamente para a espessa coluna de fumaça, ao longe, subindo ao ar. O lugar onde a fumaça estava subindo era exatamente no shopping onde eles tinham se abrigado por mais de um mês.

Depois de viver lá por tanto tempo, eles finalmente tiveram que sair… Os pensamentos da Sanji involuntariamente voltaram para a situação deles um mês antes.

Na época, Sanji tinha achado por acaso o estoque do supermercado que estava cheio de suprimentos. Eles ficaram realmente felizes — mesmo sem contar, eles sabiam só de olhar que a comida e a água no depósito com certeza era o suficiente para eles sobreviverem pelos 14 meses. Além disso, viver no supermercado subterrâneo significava que eles não precisavam se preocupar com o problema da exposição direta à luz do sol, eles poderiam realmente chamar essa situação de situação ideal!

O único problema que eles tinham era aquele pedaço de floresta tropical no meio do shopping.

Humanos desejam conforto, afinal de contas. Depois de discutirem por um tempo, eles consideraram a situação e concluíram que, se eles se trancassem no supermercado, a abominável floresta do lado de fora não poderia fazer nada contra eles. Já que nos últimos dias eles tinham experimentado vários incidentes de arrepiar o cabelo, eles tinham usado quase todas as suas forças. E para se recuperar, eles decidiram fazer do supermercado a sua moradia.

A “recuperação” durou de duas a três semanas. Como eles não tinham que se preocupar com a falta de suprimentos e enquanto a persiana de metal mantivesse do lado de fora todas as ameaças externas, os três tiveram o primeiro gostinho de uma vida relativamente confortável em um Novo Mundo. Era de tal maneira que depois de um mês, Sanji descobriu que ela tinha engordado, depois de aleatoriamente beliscar sua cintura. Honestamente, a quantidade de gordura não era muita, mas imediatamente fez ela pensar em rebanho de corte. Durante esse tempo, ela não desenvolveu nenhuma habilidade nova, e os movimentos dela tinham também ficado consideravelmente mais lentos. Sem nenhuma sensação de perigo, ela tinha passado alguns dias apenas dormindo na escuridão.

Se eles continuassem desse jeito, ela sabia que seria ruim para todos eles. Depois de discutirem a respeito, eles decidiram que tinham que sair e patrulhar o lugar. Primeiro, para verificar como estavam as coisas nos arredores, e em seguida para treinar eles mesmos. A ideia parecia muito boa, mas quando eles abriram as persianas de metal, os três congelaram.

Quando eles abriram as persianas, eram aproximadamente quatro horas da tarde. No entanto, a escada rolante que levava para o primeiro andar ainda estava completamente envolta na escuridão. Sanji olhou para a frente e perguntou suavemente:

— Isso significa que o sol já se pôs?

Lutero estava sem palavras. De repente, Marcie apontou para cima gritando:

— Olhem! — Sanji e Lutero olharam na direção que ela tinha apontado e toda a coragem deles desapareceu instantaneamente.

Eles observaram um súbito e ligeiro movimento na escuridão que estava cobrindo a escada rolante como se tivesse reagido a um estímulo. O movimento não era a principal preocupação deles. Um pequeno feixe de luz solar se infiltrou revelando a parte inferior da cobertura que era uma intrincada rede de galhos verdes, gavinhas e folhas. Os três finalmente perceberam porque estava escuro do lado de fora das persianas, era porque toda a área tinha sido coberta por plantas.

Logo em seguida, houve movimentos na escuridão. Todos os tipos de cipós grandes e pequenos densamente agrupados começaram a se mover um por um como se pudessem sentir o cheiro de um ser humano. Eles se moveram lentamente em direção à persiana de metal. Eles não sabiam quem tinha gritado primeiro, mas os três não ousaram perder nem mais um segundo. Eles se viraram e correram para dentro do supermercado, puxando as persianas com um estrondo.

Os cipós bateram fazendo um barulho alto contra a persiana de metal. Inesperadamente, várias marcas apareceram na pesada porta de metal. Se eles fossem lá fora mais algumas vezes, certamente a persiana não ia durar muito mais tempo.

Quando eles voltaram para o supermercado, havia uma expressão sombria no rosto deles. Nenhum deles tinha imaginado que a decisão de se isolar do mundo mudaria para ficar preso dentro do supermercado tão rapidamente.

— Nós não podemos mais ficar aqui… — Sanji sorriu amargamente, — O que faremos agora?

— Mesmo se a gente sair, temos que levar os suprimentos do depósito, — Marcie disse rangendo os dentes com força.

— Não é difícil levar as mercadorias com a gente. Nós podemos encontrar alguns caminhões grandes, e carregar a maior quantidade possível nos caminhões O problema agora é… como a gente faz para sair? A nossa única saída foi completamente bloqueada pelos cipós, — perguntou Sanji preocupada.

Os três ficaram em silêncio por um momento. De repente, Lutero exclamou:

—Ah! — e saltou como um coelho. Ele virou-se e correu para a parte de trás do supermercado, gritando ao mesmo tempo: — A saída da escada rolante não é a única maneira! Ji, traga as suas chaves também! Ainda tem mais uma porta aqui atrás!

As palavras dele fizeram com que Marcie também se lembrasse da mesma coisa. Ela bateu palmas, e seu rosto se iluminou:

— É mesmo! Como eu pude esquecer! — Ela puxou Sanji, indo rapidamente atrás do Lutero.

Tinham passado apenas alguns segundos, e eles já estavam parados em frente a porta dos fundos do supermercado. Desde que Sanji tinha aparecido na sala dos funcionários, Lutero e Marcie tinham esquecido completamente da porta dos fundos. Essa era a primeira vez que Sanji tinha escutado sobre a existência desta porta dos fundos que abria sabe lá deus para onde.

Ela rezou silenciosamente enquanto abria a porta com as chaves. Os céus estavam do lado deles. A porta se abriu para uma inclinação estreita. Andando pela encosta, eles saíram do lado de uma grande fileira de lixeiras. Eles estavam nos fundos do shopping center. Aparentemente, aqui era onde os funcionários lavavam os equipamentos e jogavam fora o lixo. Depois de caminharem um pouco mais, eles viram uma pequena estrada.

Quando eles olharam de volta para as janelas de vidro do shopping, agora coberta de cipós verdes e plantas, pela primeira vez em suas vidas eles não conseguiram entender como essa pequena estrada coberta de rachaduras podia parecer tão… bonita.

Eles sabiam o que precisavam fazer agora.

Primeiramente, eles tinham que procurar três veículos. Isso não era muito difícil, já que 80% da população humana tinha morrido, deixando uma cidade cheia de carros abandonados, com tanque de combustível vazios e a chave na ignição. Sem muito esforço, os três encontraram dois grandes caminhões de carga e um ônibus.

Eles conseguiram algumas baterias de uma oficina de reparo de automóveis e substituíram as dos veículos, então eles encheram alguns galões de combustível. Eventualmente, eles conseguiram fazer os veículos funcionar. Eles dirigiram os três veículos grandes para a pequena estrada e estacionaram em linha reta depois de manobrar com muita dificuldade no espaço apertado.

Eles encheram os veículos até quase transbordar com comida e água. Mesmo depois disso, ainda tinha muita coisa no estoque do supermercado. Como eles não eram gananciosos, depois de perceber que a quantidade nos veículos deveria ser suficiente, eles colocaram o restante do estoque dos dois lados da passagem, para qualquer sobrevivente sortudo.

Antes de ir embora, Sanji carregou com ela alguns galões de combustível, e Lutero e Marcie caixas cheias de bebida alcoólicas.

— Estão prontos? — Sanji, que tinha pegado um pedaço de tijolo, sorriu para seus companheiros. Ao ver eles concordarem, ela gritou: — Ok! Vamos começar a jogar!

Com gritos felizes de Lutero, tijolos, pedras, cadeiras e todo tipo de parafernália caíram como uma chuva de meteoro nas janelas de vidro do shopping — envoltas em plantas.

Uma série de barulhos límpidos puderam ser ouvidos da meia entrada, enquanto pedaços de vidro caiam como chuva. A noite escura foi subitamente preenchida com os reflexos brilhantes dos vidros.

As gavinhas e os cipós que estavam encostados nos vidros de repente pararam no meio do ar, como se não conseguissem decidir quem atacar. Mas antes que essas videiras pudessem rastrear o cheiro humano de volta aos culpados, garrafas e mais garrafas de bebidas alcoólicas fortes e galões e mais galões de combustível voaram para dentro da janela quebrada. Em um instante, todas as plantas foram encharcadas de líquido inflamável.

A parte final de botar fogo precisou de um pouco mais de técnica. Entre os três, Marcie era a mais rápida e a mais leve. Ela segurou de quatro a cinco fósforos acesos em cada mão e correu para a entrada do shopping como uma lebre. Ela jogou os fósforos e eles voaram e caíram no grande pedaço de vegetação.

As chamas se espalharam, sibilando e crepitando, não era rápido, mas era contínuo. Em pouco tempo, o primeiro andar estava completamente iluminado por um mar de chamas vermelhas. Antes mesmo de queimar por cinco minutos, eles ouviram um grito agudo vindo do centro do salão central no meio do shopping. Parecia que algo estava sentindo dor. Todas as folhas começaram a se mexer loucamente.

E por algum motivo, Sanji sentiu uma espécie de felicidade reprimida. Ela riu em voz alta algumas vezes e acenou para as duas pessoas ao lado dela, dizendo:

— Vamos! — Depois disso, ela se virou e foi a primeira pessoa a correr para fora da estrada.

Depois que eles tinham corrido para fora da estrada, eles ouviram um grande “Boom!” O teto de vidro no topo do último andar do shopping tinha desmoronado por causa do fogo e, em seguida, metade do edifício estava em chamas.

Eles tinham estacionado os caminhões e o ônibus bem distante deste local, anteriormente. Cada um deles agora dirigia um veículo sob o restinho das luzes das estrelas bem antes do nascer do sol. Eles pegaram a estrada e começaram a sua jornada para o desconhecido.

Balançando a cabeça, Sanji empurrou para fora da sua mente os acontecimentos da última noite. Ela olhou para o espelho retrovisor mais uma vez com um olhar sério. Então, ela ligou a luz traseira e diminuiu a velocidade até o veículo parar.

— Algum problema? Por que nós paramos? — Lutero abaixou a janela e gritou alto na direção da Sanji. Sanji abriu a porta do caminhão e pulou para fora. Ela ficou no meio da rua e segurou o cassetete de um policial em suas mãos.

— Tem alguém nos seguindo. — Ela franziu a testa enquanto olhava a poeira amarelada no ar.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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