PA – Capítulo 20 – 3Lobos

PA – Capítulo 20

Sanji e suas táticas subversivas

 

Ninguém poderia ter antecipado aquele ataque. Já que o ataque repentino estava prestes a acertar o topo da cabeça do Lutero, e ele não tinha tempo o suficiente para se defender, a única coisa que ele conseguiu fazer foi rolar no chão. De alguma forma, ele conseguiu se esquivar do ataque, mas não conseguiu evitar cair rolando escada abaixo.

Por sorte, Sanji reagiu rapidamente. Ela se abaixou e agarrou a manga da camisa dele, impedindo que Lutero continuasse rolando escada abaixo. O ataque que não acertou Lutero, bateu no topo da escada e conseguiu destruir um pedaço dela, levantando uma nuvem de poeira e concreto quebrado que fez com que Lutero e Sanji começassem a tossir. Eles ficaram um pouco traumatizados ao ver isso — se o ataque tivesse acertado alguém, essa pessoa estaria praticamente com o pé na cova!

Ao errar o ataque, o vulto negro permaneceu no ar, balançando levemente para cima e para baixo, como se estivesse indeciso sobre qual presa, embaixo, deveria atacar. Tirando vantagem desse curto período de indecisão, os dois finalmente conseguiram ver o agressor claramente, solucionando o enigma do paradeiro da montanha de corpos.

Era um longo e verde cipó que vinha da floresta tropical.

Não, ao invés de falar verde, estava mais perto de um marrom. Os cipós verdes que atravessavam mais da metade da área central do shopping estavam cobertos com tantas manchas de sangue que era basicamente impossível dizer sua cor original. Havia até alguns pedaços de tecidos laranja pendurados nos espinhos dos cipós, e com apenas um olhar, Sanji teve certeza de que o tecido era o mesmo usado no uniforme da equipe do supermercado no andar de baixo.

— Que po*#% é essa! Como essas coisas podem se estender tão longe? — Lutero encostou no arranhões em seu rosto, xingando com raiva. Sanji continuou olhando os cipós verdes, não se atrevendo a fazer movimentos precipitados. — Provavelmente cresceu depois que a floresta sofreu uma mutação… O que vamos fazer agora?

— O que mais? Vamos voltar correndo! Eu não acredito que ela consiga nos seguir até o supermercado!

O cipó verde parecia ter entendido o que foi dito, e acertou a escada quebrada, criando outra forte rajada de vento que lançou pequenos pedaços de concreto quebrado em direção aos dois. Eles se moveram para o lado, desviando dos pedaços de concreto. Sanji olhou para o cipó, mordendo os lábios com força. Seu coração estava batendo muito forte.

— Desse jeito não vai dar certo, a gente tem que se separar! Eu vou para o andar de cima, e você para o andar de baixo!

— Você é louca? — Lutero estava espantado e se virou, apenas para descobrir que ela já tinha dado as costas para ele.

— Os cadáveres estavam empilhados ao lado da escada rolante, e os cipós conseguiram alcançar eles. Isso significa que com certeza seremos atacados no caminho de volta! — Enquanto Sanji explicava, ela já havia pegado um pedaço de concreto quebrado ao lado dela, apontado e jogado no cipó com velocidade de um raio.

Era como se o cipó de repente tivesse ganhado um par de olhos, já que ele se moveu para cima, desviando do pedaço de concreto. Antes que Lutero pudesse reagir, Sanji subiu as escadas como uma flecha enquanto ela gritava:

— Eu vou atrair ela aqui em cima. Rápido! Diga a Marcie para trazer vinho para me resgatar! Pegue aqueles com o maior teor alcoólico!

Enquanto ela falava isso, o cipó já tinha atacado ela diversas vezes — Sanji conseguiu esquivar do primeiro ataque, mas assim que ela estava prestes a terminar de subir os últimos degraus, o caminho foi bloqueado por mais uma rajada de vento e destroços. O ataque rasgou um buraco nas calças dela, e um pouco de sangue escorreu da ferida. Sem ligar para isso, Sanji saltou e pulou para a frente, chegando finalmente ao segundo andar. Ela imediatamente se escondeu atrás da porta de uma loja.

Lutero, que estava olhando fixamente, só conseguiu se acalmar depois de ver ela se esconder. Ele sabia o que Sanji estava planejando. Ele ficou preocupado com ela, mas também admirava seu pensamento rápido:

— Você é louca! Tenha cuidado, Marcie e eu voltaremos o mais rápido possível!

— Vai embora! Ela está indo para o seu lado agora! — Sanji gritou enquanto chutava a porta da loja.

O cipó parou por um momento no meio do caminho. Nesse meio segundo, Lutero usou todo o potencial de seu corpo melhorado e correu como o vento em direção à escada rolante. Ao ver que o cipó estava quase alcançando ele, Sanji sem gastar tempo correu para fora da loja e jogou uma placa promocional no cipó.

Lutero simplesmente não tinha tempo para olhar para trás, ele só podia confiar que Sanji estivesse fornecendo cobertura enquanto ele corria como louco para a escada rolante. Ele desceu a escada rolante em meio segundo e, como esperado, o cipó não perseguiu ele.

Ele tinha corrido apenas alguns passos em direção ao supermercado quando quase bateu de frente com Marcie — ela tinha ouvido a comoção e percebeu que algo estava errado, então ela rapidamente correu para fora. Quando ela viu Lutero, ela disparou uma série de perguntas:

— O que aconteceu? O que foi aquele barulho lá fora? Onde está a Ji?

— Não dá tempo de explicar, nós tempos que pegar vinho! Pegue os vinhos e todas as outras bebidas com alto teor alcoólico! — Ignorando o fato de que Marcie ainda estava confusa, Lutero correu para dentro do supermercado, pegou algumas sacolas de compras no caminho e se dirigiu à seção de bebidas alcoólicas.

Marcie não sabia o que tinha acontecido, mas ela se moveu rapidamente. Menos de dez minutos depois, os dois saíram carregando várias sacolas de bebidas alcoolicas.

— Você tem um isqueiro?

— Sim! O que nós vamos queimar? — Ao ver as bebidas e Lutero pedindo um isqueiro, Marcie entendeu qual era a idéia.

Lutero sorriu ironicamente:

— Temos que ir destruir a natureza! — Ele acenou com a cabeça dizendo isso e correu para a escada rolante. Os dois subiram a escada rolante um ao lado do outro. Assim que estavam prestes a chegar ao topo, Lutero de repente parou. Depois de fazer uma pausa para pensar por um momento, ele decidiu olhar com cautela primeiro. Estava quieto no primeiro andar, nada parecia anormal.

O terrível e longo cipó já havia desaparecido do meio do shopping. A floresta tropical no meio do shopping ainda estava lá, como se fosse a mesma coisa de antes. Ele também não conseguiu ver Sanji. Ele olhou para cima, mas não tinha nenhum movimento no segundo andar. Se não fosse pelo pedaço estragado da escada, daria para pensar que tudo não passou de um sonho.

Marcie aproximou-se dele e sussurrou:

— O que aconteceu exatamente? Onde está a Ji?

Lutero sentiu um gosto amargo na boca enquanto murmurava:

— Não sei…

Depois de contar para Marcie toda a situação, Lutero sentia seu coração cada vez mais tenso a cada momento. Se Sanji tivesse vacilado, e o cipó conseguido atacar ela com sucesso, o que eles deveriam fazer se ela acabasse como aquela montanha de cadáveres?

Depois de ouvir o que ele falou, Marcie também pensou na mesma possibilidade. Se sentido de repente muito preocupada, ela levantou a voz e gritou inesperadamente:

— Ji! Onde você está? Por favor responda! — Sua voz soou alto no espaçoso shopping, desencadeando uma série de ecos.

Lutero ficou chocado. Ele rapidamente olhou para a floresta tropical e percebeu que as folhas dos coqueiros mais altos do centro começaram a se mover — era praticamente a mesma coisa que quando uma pessoa virasse o rosto ao ouvir algum barulho. Talvez porque os dois ainda estavam escondidos na escada rolante, que era o ponto cego da floresta tropical, a voz alta de Marcie não atraiu nenhum ataque.

Percebendo isso, ele ficou aliviado. Desta forma ele se juntou a Marcie e começou a chamar também.

Ambas as vozes foram amplificadas pela estrutura do shopping, ao ponto que as vozes deles eram quase ensurdecedoras. Entretanto, Sanji ainda não tinha dado nenhum sinal de vida. Quanto mais eles gritavam, mais preocupados ficavam.

De repente, depois do som de uma porta sendo aberta, eles ouviram a voz da Sanji vindo de um local desconhecido:

— Você pegaram as bebidas? Estou bem, não se preocupem!

— Onde você está? — Marcie procurou apressadamente pela fonte da voz da Sanji. Provavelmente por causa dos ecos, a voz de Sanji parecia vir de todas as direções.

— Você não vai conseguir me ver. Eu estou no quarto andar.

— Por que você foi ai para cima? — Lutero perguntou, perplexo. Ela deveria ter enfrentado mais ataques na subida, mas a escada do segundo andar para o terceiro estava totalmente intacta.

— Eu não tive escolha! Não importava em qual loja eu me escondesse, o maldito cipó sempre destruía tudo! Se eu não tivesse me escondido nas escadas usadas pelos funcionários, eu não teria sobrevivido até agora.

Só então Lutero percebeu que todas as bonitas e elegantes lojas do segundo andar tinham sido completamente destruídas. De qualquer forma, ele se sentiu aliviado depois de ouvir que Sanji estava segura. Ele realmente não tinha pensado nisso antes. Normalmente, muitos clientes se moviam ao redor do shopping center, e eles usavam as escadas e escadas rolantes que eram fáceis de se ver. Mas se os funcionários tivesse que transportar algum lixo ou mover os equipamentos de limpeza ou algo parecido, eles não iriam se espremer entre os clientes, então definitivamente deveria existir uma escada escondida. Sanji foi sortuda em conseguir achar a escada dos funcionários.

— Então, como você vai voltar para o supermercado? — Marcie perguntou ainda se sentindo profundamente preocupada.

Demorou um pouco antes da voz da Sanji ecoar novamente:

— Eu acho que deve haver uma maneira de chegar no porão pela escada dos funcionários. Não queime as árvores ainda. Eu acabei de descobrir que a floresta tropical está conectada ao jardim de flores no quinto andar. Se o quinto andar pegar fogo também, vai ser muito perigoso. Por que a gente não faz assim? Vocês dois voltem primeiro. E a gente se encontra no porão.

Lutero e Marcie trocaram olhares. Eles imploraram preocupadamente para ela ter cuidado antes deles voltarem para o supermercado. Então, colocaram os sacos cheios de bebidas no chão e caminharam ao redor do supermercado preocupados. Além da porta dos fundos que estava bloqueada, não havia outra entrada.

Parece que a escada dos funcionários ficava atrás daquela porta… Marcie mexeu na fechadura de cobre na porta.

— Nós precisamos abrir essa porta, senão, como ela vai entrar mais tarde? — A cabeça de Lutero doeu quando olhou a porta dos fundos que também era feita de materiais muito resistentes. Mesmo que as chaves que eles conseguiram com a gerente morta estivessem com a Sanji, a porta estava trancada pelo lado de dentro. Não havia nem mesmo um vão na porta. Lutero caminhou ao redor novamente, sem querer desistir. Desta vez ele encontrou uma arma adequada. Em um canto comum, havia uma caixa de incêndio com um hidrante. Ele quebrou o vidro externo com o cotovelo e pegou um pequeno martelo.

— Rápido! Nós podemos usar isso para quebrar a porta! — Ele correu para a porta dos fundos, mostrando o martelo para Marcie como se fosse um tesouro. As sobrancelhas franzidas da Marcie relaxaram um pouco quando ela viu o martelo. Lutero era mais forte do que ela, então ela franziu o cenho, sinalizando para que Lutero começasse a martelar.

Depois de bater algumas vezes, faíscas apareceram toda vez que o martelo atingia a fechadura. Infelizmente, a porta não deu nenhum sinal de que estava abrindo. O som das batidas foi amplificado várias vezes no supermercado cavernoso. Sisi, que parecia ter se assustado com o barulho, gritou algumas vezes repentinamente. Quando os dois estavam prestes a ignorar e a continuar a martelar a porta, eles escutaram uma voz familiar:

— Meu Deus! Eu saí na sala dos funcionários!

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
FONTE
Cores: