PA – Capítulo 18 – 3Lobos

PA – Capítulo 18

Uma bênção dentro de você!

 

Os três não falaram uma única palavra. Eles se levantaram silenciosamente enquanto se preparavam para se defender. A pergunta de Yun ecoou suavemente através do supermercado espaçoso, e antes que o eco desaparecesse, houve uma outra batida furiosa. Desta vez ela falou bem mais alto:

— Venham aqui e abram a porta! Eu sei que vocês estão aí dentro! Aquele arroz, vocês não pegaram ele aqui? Abram a porta!

É mesmo, — ela morava perto do shopping, então provavelmente ela fazia compras ali com frequência. Era por isso que ela conseguiu reconhecer a origem do arroz importado. Antes mesmo que eles pudessem pensar no que responder, os gritos foram inesperadamente capazes de despertar a Sisi, que estava na sala dos funcionários. Depois de um grito estridente, as batidas ressonavam no ar enquanto Sisi se jogava violentamente contra a porta. Sem conseguir tolerar a situação por mais tempo, Sanji de repente caminhou em direção à persiana de metal.

De alguma forma, a voz da Sisi parecia ter assustado a Yun. Houve alguns segundos de silêncio fora da persiana de metal. Depois de esperar alguns momento, Sanji restringiu sua raiva e perguntou:

— O que diabos você quer?

— É a moça do andar de cima? — Yun perguntou de volta.

— Por que você nos seguiu até aqui? O que você quer? — Sanji gritou alto, — Você acha que eu vou obedientemente deixar você me absorver, assim como seu marido?

Yun, que estava no outro lado da persiana, ficou em silêncio por um momento. Após sua pausa, sua voz fraca finalmente percorreu a persiana de metal:

— Na verdade eu só quero conversar. Honestamente, eu tenho que te agradecer.

Sanji mordeu os lábios sem dizer uma palavra.

— Se você não tivesse me esclarecido a situação, eu simplesmente continuaria esperando. Sem ninguém para eu absorver, no final eu teria morrido. Por outro lado… Eu realmente te odeio, — Yun parecia instável, o volume de sua voz flutuava muito, sendo difícil escutar o que ela estava falando. — Minha esperança foi arrancada de mim por uma moça como você, que não sabe de nada… Eu estou realmente sofrendo. Quem é você para me dizer que eu matei ele? Eu não aguento mais! Eu… Eu realmente quero te matar para que eu possa me sentir um pouco melhor.

Sanji ficou atordoada. Ela não conseguiu evitar de dar um passo para trás. Embora houvesse uma persiana de metal entre eles, ela quase podia sentir o cheiro da aura de insanidade no ar.

Yun, do outro lado, começou a falar novamente:

— Esqueça. Você não entenderia… Não faz diferença se você abrir a persiana ou não. Se você não abrir a persiana, eu vou só falar com você… Se você abrir, eu vou transformar seus ossos em suco e beber eles.

O rosto da Sanji ficou pálido de tão afetada com as palavras. Ela estava prestes a abrir a boca, mas Yun continuou como se soubesse que a pessoa do outro lado estava prestes a responder:

— Escute com atenção, eu só vou dizer isso uma vez. Eu só posso usar a minha habilidade uma vez por hora. Para mim, um organismo vivo é mais benéfico do que um morto, e um ser humano é, de longe, mais benéfico para mim do que qualquer outra criatura viva. Quando estou absorvendo, minha… presa e não posso me mover durante os dez minutos que eu gasto para absorver. Seja porque eu mesma me movi ou alguém me forçou a mover, se eu me movimentar, todos os meus esforços serão desperdiçados. E eu vou ter que esperar mais uma hora até poder começar a absorver novamente. Mas agora no estágio inicial, eu preciso absorver uma grande quantidade, então eu não posso arriscar uma situação na qual eu não possa absorver nada por algumas horas…

Se for olhar por este ponto de vista, isso significa que a Yun só estava tentando ganhar tempo depois de comer o ensopado de frango…

— Ah! — Marcie de repente exclamou, percebendo algo: — Foi por isso que você não fez nada com a gente naquela hora. Não é que você não queria, mas você não teve a oportunidade de fazer nada! Se os outros percebessem que algo estava errado, você teria se exposto e desperdiçaria mais uma hora!

Depois que ela falou isso, Lutero falou baixinho, mas claramente xingou um monte de palavrões.

— Isso mesmo. — Apesar de não poder ver o rosto da Yun, Sanji não sabia o porquê, mas sentiu que a Yun estava sorrindo neste momento. — Originalmente, queria esperar até que um de vocês se afastasse dos outros… mas eu não sabia que as coisas iriam terminar dessa maneira…

— É bastante generoso de você revelar tudo sobre a sua habilidade, — Lin Sanjiu observou sarcasticamente com um sorriso frio, mas nem ela mesma acreditava inteiramente em suas palavras.

— E daí se eu te contar sobre minha habilidade? O pior que pode acontecer é eu morrer, — o tom de voz da Yun aumentou. — Você acha que eu tenho medo da morte? Se você me matar, eu vou encontrar o meu marido. Eu deveria te agradecer então.

Sanji ficou chocada, e estava prestes a falar quando Sisi, que estava na sala de funcionários atrás dela, começou a uivar novamente.

Os berros desumanos pareciam muito intimidadores, e o lado de fora das persianas ficou em silêncio por um momento, antes que a Yun falasse novamente:

— O que foi isso?

— Não é nada, — Sanji não queria falar para a Yun nada sobre os degenerados. — Provavelmente, alguém que vai morrer daqui a pouco…

Apesar de saber que ela estava mentindo, Yun ainda gargalhou:

— Tudo bem, espero que nós nunca mais nos encontremos.

Ela foi surpreendentemente direta. Depois de ter dito isso, eles podiam ouvir os passos dela mudando de direção. Ela subiu a escada rolante e, gradualmente, seus passos desapareceram na distância. Sanji tinha dado o seu melhor para parecer forte, mas depois de ouvir a mulher ir embora, ela finalmente suspirou aliviada.

Os três caminharam de volta para a área onde eles tinham colocado as toalhas. Sanji limpou o rosto e deitou na  sua “cama”, esgotada. O uivo de Sisi continuou, mas os três pareciam acostumados com o barulho. Depois de ter conversado um pouco sobre Yun, de alguma forma Marcie e Lutero chegaram ao assunto de logística. Os dois discutiram por um breve momento antes de decidirem reunir os alimentos e a água restantes para que pudessem verificar a quantidade.

— Vocês dois, podem continuar. — O coração e o corpo da Sanji estavam cansados. Ela não tinha vontade de se mexer, acenou com as mãos dizendo: — Me deixe ser preguiçosa só desta vez.

— Não se preocupe. Aquela mulher não pode fazer nada contra você. — Marcie pensou que ela ainda estava preocupada com a Yun, então ela sorriu e acariciou a cabeça da Sanji. Depois disso, ela se levantou e saiu com o Lutero.

O agente aprimorador de habilidade brilhava intensamente na pequena garrafa, e os arredores estavam iluminados com uma luz prateada que continuava oscilando. Se os uivos da Sisi não estragassem a atmosfera, na verdade seria considerado bastante calmo.

Depois de deitar por um momento, Sanji percebeu que sua mente estava cheia com muita coisa — Ren, o novo mundo, suas próprias habilidades, seus pais mortos, Mei, Yun… essas coisas flutuavam em sua mente, uma depois da outra, quase a sufocando. Se ela soubesse que seria atormentada desta forma pelos seus pensamentos, ela preferiria ter arrumando algo para fazer. Sanji rolou na cama algumas vezes antes de finalmente se levantar frustradamente. Ela decidiu então procurar os outros dois e ajudar com o inventário dos suprimentos.

Para a surpresa dela, uma vez que ela se levantou, ela sentiu um fluxo quente se deslocando da cabeça para seus pés. Naquela fração de segundo, Sanji sentiu todos os seus músculos se contraindo, o sangue correndo pelos vasos sanguíneos como um louco, e seus dentes começaram a ranger. Ela nunca tinha sentido isso antes, era estranho, como se ela tivesse perdido o controle de seu próprio corpo. Sem conseguir se controlar, um grito baixo escapou de sua garganta.

Por coincidência, Sisi tinha parado de fazer barulho naquele momento. Sua voz soou imediatamente pelo supermercado. Quase imediatamente, Marcie perguntou apressadamente:

— Qual o problema?

Sanji queria abrir a boca para falar algo, mas ela não conseguia controlar seus músculos e a sua boca. Seus ouvidos estavam completamente cheios com o som dos seus dentes rangendo.

— Nós estamos indo aí! — Lutero gritou.

Os passos de ambos se aproximando pareciam muito distantes e indistintos para Sanji. Ela só sentiu a respiração fria da Marcie quando os dois estavam ajoelhados ao lado dela.

— Qual… qual o problema?

Lutero parecia muito ansioso:

— O rosto… o rosto dela. Não, todo o corpo. O que está acontecendo?

Naquele momento, Sanji era como um grande pedaço de gelatina em forma humana, ela estava tremendo sem parar sob algum tipo de força externa. Sua pele, cabelo e músculo vibravam como ondas de água. Depois de quase um minuto, essa estranha vibração desapareceu gradualmente. Seu corpo se acalmou lentamente.

Quando Sanji abriu os olhos, viu dois grandes rostos, olhando para ela de perto com expressões preocupadas.

— O que… o que aconteceu comigo? — Ela beliscou sua própria pele, perplexa. A pele lisa e delicada que pertencia a uma jovem como ela parecia muito normal. Seus músculos, ossos e sangue também tinham voltado ao normal.

Lutero e Marcie olharam um para o outro, sem saber o que estava acontecendo.

— Deixe-me tirar uma amostra do seu sangue. Eu vou ajudar você a verificar, — Marcie disse enquanto estendia as unhas e causava um pequeno arranhão em Sanji. Sanji teve a mesma ideia. Ela olhou nervosamente enquanto sua segunda gota de sangue fresco desapareceu nas palmas de Marcie.

Talvez fosse porque ela já tinha coletado alguns dados básicos, então eles só tiveram que esperar nervosamente por cerca de 20 minutos antes que Marcie abrisse os olhos. Ela olhou para Sanji, e seus lábios se levantaram. Alguns pés de galinha sorridente apareceram no canto dos olhos dela.

— Ji, parabéns, você tem uma bênção dentro de você!

Com um “Pshhh!” Lutero, que estava de pé ao lado bebendo uma garrafa de água, cuspiu toda a água, molhando o cabelo e o rosto de Sanji.

A visão de Sanji escureceu, e seu rosto ficou totalmente pálido. Ela nem sequer se preocupou em limpar as gotas de água em seus olhos:

— Isso não é possível!

— Por que não? Esta é a ordem natural das coisas. — Como ela ficou confusa com a reação de Sanji, o sorriso de Marcie diminuiu. Ela olhou tanto para Lutero quanto para Sanji: — Não é uma benção agora que ela desenvolveu sua terceira habilidade passiva?

Ela não conseguiu entender quando viu os dois com o queixo caído.

— E sua terceira habilidade passiva é uma habilidade de aprimoramento físico de alto nível. Ei, o que você está fazendo? Espere… espere… Lutero, por que você não está impedindo ela? Ei! Isso dói!

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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