PA – Capítulo 16 – 3Lobos

PA – Capítulo 16

Encontramos o seu Marido

 

 

— Marcie, — Sanji controlou seus músculos faciais e deu o seu melhor para parecer amigável,  — você pode vir aqui? Eu queria saber se você viu minha garrafinha prateada.

Ao ouvir falar da garrafinha prateada, Marcie imediatamente pensou no Agente Aprimorador de Habilidade. Marcie não se moveu. Ela estava confusa com a pergunta e respondeu simplesmente:

— Eu coloquei no sofá, não foi? — Ela ainda estava com a mão nas costas da Yun enquanto respondia.

Quando eles saíram com Yun, não tiveram escolha senão deixar o Agente Aprimorador de Habilidade lá em cima. Sanji também sabia disso.

Ela de repente franziu as sobrancelhas:

— Argh, eu esqueci! — Ela se virou encarando a Yun, e disse: — Culpa da minha memória ruim! Posso levar os dois lá para cima comigo? Tia Kong, se importa de esperar aqui por um momento?

Yun ficou atordoada por um momento.

Sanji sabia que ela estava agindo de uma maneira muito estranha, então ela não deu a Yun nem a chance de responder, puxou Lutero para a entrada e gesticulou para que Marcie a seguisse:  

— Venha, nós também podemos ver se tem outros suprimentos úteis.

Marcie ainda parecia confusa com a situação, mas se levantou e seguiu.

— Tia Kong, não tenha medo. Daqui a pouco nós voltamos… — Sanji disse com um sorriso e abriu a porta da frente.

Através da pequena abertura antes que a porta se fechasse, Sanji viu Yun sentada na sala de estar, olhando para ela sem expressão. Quando a porta da frente se fechou com uma batida, seu rosto estava envolto pela escuridão.

Assim que a porta se fechou, Sanji virou e correu escada acima. Os outros dois estavam confusos, mas a seguiram rapidamente. Lutero foi o primeiro a reagir, murmurando:

— Qual é o problema? Você percebeu alguma coisa errada?

— Eu espero… Eu espero que eu esteja pensando demais sobre isso! — suas palavras soaram desconexas enquanto ela subia vigorosamente a escada à passos largos. — Eu preciso ir lá em cima para confirmar algo primeiro…

Em poucos minutos, os três usaram toda a sua força para chegar ao último andar. O coração da Sanji estava batendo forte, mas sem parar para descansar ela abriu a porta e correu para dentro do apartamento no 38º andar.

O quarto estava escuro como breu.

— Me dá o isqueiro! — Sanji gritou.

Ao ouví-la, Lutero jogou o isqueiro e, com um “clique”, ela acendeu ele em sua mão. A luz laranja da chama iluminou vagamente metade da área de jantar. Haviam quatro tigelas na mesa de jantar.

Lutero e Marcie se olharam e não puderam deixar de olhar para a área que a Sanji tinha iluminado.

— Huh? — Marcie percebeu a estranheza mais rápido do que o Lutero:

— Porque ela não…

Antes, eles tinham comido no escuro e depois saíram imediatamente, então ninguém tinha percebido nada de estranho. Agora que eles olharam com cuidado, descobriram que havia algo errado. Havia montes desarrumados de ossos e peles de frango ao lado de três das tigelas. Mas ao lado da tigela da Yun não havia nada.

Bem, isso pode acontecer. Talvez ela gostasse de comer ossos de frango… Assim que Lutero estava prestes a dizer isso, ele viu a expressão séria da Sanji ao se aproximar da tigela da Yun. Ele olhou dentro da tigela e imediatamente engoliu suas palavras.

Neste Inferno Hipertermal que era extremamente quente, mesmo os Pós-Humanos como eles estavam constantemente em estado de desidratação moderada. Esta era a razão pela qual eles tinham que beber água de tempos em tempos. Mesmo que eles tenham decidido ficar no supermercado, cada gota de água era extremamente preciosa para eles. Naturalmente, eles beberam todo o caldo do ensopado que eles tinham preparado.

Entretanto, na tigela da Yun, ainda havia metade da tigela cheia do caldo do ensopado. Quando ela verificou com uma colher, Sanji descobriu que não havia um único grão de arroz sobrando e que toda a galinha também havia sido comida. Somente a coisa mais preciosa neste Novo Mundo, a água, não tinha sido nem tocada pela Yun.

— Por que … por que ela não precisa beber? — Lutero franziu a testa enquanto mordia o lábio tão forte que deixava marcado. No rosto da Sanji uma expressão sombria.

Graças aos Sentidos Aguçados ela conseguiu montar o quebra cabeça com todas as peças espalhadas. Mas, se sua intuição estivesse certa, Yun era muito mais problemática do que qualquer degenerado.

Sanji pronunciou cada palavra quietamente:

— Ela mentiu. Ela definitivamente já desenvolveu uma Habilidade Ativa … do jeito que são as coisas, eu sei meio por cima qual é a habilidade dela.

A carne de frango, o arroz, as plantas, os peixes e os vegetais na geladeira…

Depois de colocar a tigela na mesa, ela olhou para Lutero e Marcie. Ela disse com uma certa seriedade:

— É muito provável que a habilidade de Yun seja que ela pode converter todas as formas de material biológico em nutrientes que ela precisa para sobreviver. Eu acho que ela só tem que encostar em seu alvo e pode absorver ele rapidamente sem deixar nenhum rastro. Quanto tempo nós gastamos comendo? Mesmo assim, parece que nunca teve frango ou arroz no ensopado dela!

Marcie ofegou com um som “tss”.

— Todas as formas de material biológico? Absorção por contato? Isso… não é apenas uma habilidade de sobrevivência. Se for usada em combate…

Qualquer um em que ela encostasse morreria.

— Mas isso não explica por que ela não precisa beber água. — Lutero ficou pálido ao lembrar como eles tinham trombado um com o outro enquanto iam para o andar de baixo.

— Será que a habilidade alterou o corpo dela de forma que ela não conseguisse mais beber água como a gente? Talvez, para ela, ela só possa obter os nutrientes e fluidos necessários da absorção de materiais biológicos. — sugeriu Marcie. — Nós passamos quase meio dia com ela… Se ela tivesse alguma intenção ruim, nós não estaríamos vivos agora.

Sanji concordou com a cabeça. Era o que ela estava pensando e o que tinha esperanças também. Mas ela temia…

O pensamento tinha acabado de aparecer, mas antes que ela tivesse tempo de se expressar, a voz de Yun soou na escuridão:

— Por que vocês precisam de tanto tempo para pegar algo?

Os três congelaram. Nós demoramos isso tudo? Sanji não pôde deixar de olhar a hora em seu relógio digital.

Tinha se passado apenas dez minutos desde que eles tinham vindo para a cobertura. Ela não sabia por qual motivo Yun estava seguindo eles tão de perto.

Percebendo que os outros dois estavam quietos e sem falar nada, Marcie rapidamente levantou a voz e respondeu:

— Espere por nós na porta. Daqui a pouco nós vamos sair.

Yun respondeu com um “Oh”. Mas ela continuou caminhando em direção a eles como se não tivesse ouvido Marcie. Ela lentamente arrastou seus pés e entrou no apartamento. O clima de repente ficou estranho.

Após esperar dois segundos, Marcie riu:

— Ei, nós estamos saindo agora, você não precisava entrar…

Yun disse suavemente:

— Eu estou com medo de ficar sozinha. Eu só quero ficar com vocês, você se importa? — enquanto ela dizia isso, ela se aproximou dos três e mostrou um sorriso. Ela estendeu a mão e segurou o braço da Marcie.

O coração da Sanji disparou. Quando ela estava prestes a intervir, Lutero, que estava de pé atrás dela, já tinha puxado Marcie para longe da Yun com um movimento brusco. Ele se moveu tão rápido que só foi possível ver um vulto.

Marcie só conseguiu se estabilizar quando Lutero grunhiu:

— O que você quer!? — a sua raiva fez sua voz tremer um pouco. Esta era a primeira vez que Sanji via aquele rapaz bonito ficar com raiva. — Você já desenvolveu suas habilidades há bastante tempo, não foi? Nós já sabemos disso! Responda! Por que você está nos seguindo?

— Ah… — Yun parecia um pouco assustada e não conseguiu reagir por um momento. Depois de um tempo, ela disse, parecendo preocupada:

— Há realmente algo errado com meu corpo… Eu não tive coragem de falar para vocês por que eu estava com medo que vocês ficassem com medo de mim. Então todos vocês realmente sabiam…

Marcie olhou para ela com cuidado. Tentando obter uma confirmação, ela perguntou com cautela:

— Você… não está planejando machucar a gente, certo?

Sanji olhou instantaneamente para ela. Marcie era legal e tudo, mas ela confiava de mais nas pessoas às vezes. Se Yun realmente planejasse algo, ela iria admitir isso?

— Machucar vocês? — Yun fez uma pausa, as palavras que ela disse depois foram além das expectativas de Sanji:

— Não, não, não. Eu só preciso de um de vocês. Vai ser muito cruel absorver todos os três.

A frase era como um botão de “parar”, e tudo congelou.

Ver o rosto espantado deles parecia ter endurecido o coração da Yun. Ela suspirou e continuou:

— Na verdade, eu realmente não quero absorver nenhum ser vivo. Mas eu me sinto fraca. Eu absorvi tudo na minha casa e até mesmo aqueles guardas de segurança no andar de baixo… mas ainda me sinto fraca, tão fraca que é desconfortável…

Sanji não conseguia decidir se ela deveria ficar com raiva ou deveria rir.

Provavelmente, porque ela viu a expressão da Sanji, Yun limpou suas próprias lágrimas:

— Quando eu vi vocês pela primeira vez, eu não tinha essa intenção. Mas com o passar do tempo, não pude resistir… Se pergunte com sinceridade, se tirar a vida de outra pessoa fosse o necessário para você sobreviver, você faria isso? — Ela na verdade não planejava ouvir respostas deles e, ao invés disso, levantou um dedo. Ela disse, quase como se implorasse:

— Eu absorverei só um de vocês… Verdade! Só um. Marcie, Lutero, vocês dois não conheceram ela ontem? Ela é apenas uma companheira temporária… — havia um sorriso quase perturbado em seu rosto. — Sem essa garota, vocês dois podem continuar vivendo suas vidas da mesma maneira que quiserem, então não seria uma perda.

— Você realmente planejou isso direitinho para nós. — Sanji sorriu friamente sem olhar para as expressões de Lutero e Marcie. Ela só sentiu a raiva ardendo como fogo em seu coração.

Ao ouvir isso, Yun virou-se para olhar para ela:

— Senhorita, eu não estou vendo seu namorado ao seu lado. Eu sabia que vocês estavam só aproveitando a vida, você não entenderia os sentimentos entre meu marido e eu… Não devo morrer. Mesmo que todos morram, não devo morrer. Vou esperar meu marido em casa…

Lutero não aguentou mais e respondeu:

— Chega dessa sua besteira! Se você quiser comer alguém, volte para casa e se coma!

Sanji sentiu uma sensação de alívio, e ela rapidamente sorriu para os dois.

Quando ela estava prestes a olhar para a Yun novamente, seus olhos pararam na porta de seu quarto. No escuro, a porta parecia tão preta como se fosse uma parte do universo inteiro, e atrás da porta havia uma cama de casal.

Instantaneamente, um pensamento percorreu sua mente. Antes de Sanji perceber, ela já tinha perguntado:

— Yun, você disse que quando você acordou ontem à noite, apenas o pijama dele estava na cama?

— Sim, porque… — Yun não terminou a frase, e seu rosto imediatamente ficou pálido como uma folha quando ela viu a expressão da Sanji.

Sanji sorriu vingativamente mostrando seus dentes brancos. Ela olhou para o rosto de Yun e soltou:

— Bingo! Encontramos o seu marido!

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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