PA – Capítulo 12 – 3Lobos

PA – Capítulo 12

Morando com Sisi Wang?

 

 

Em uma fração de segundo, tudo se tornou caótico.

Com o empurrão da Sanji, Marcie ralou o cotovelo, que agora estava ardendo como se fosse uma queimadura. Quando ela estava para dizer, “Para que você fez isso?” ela ouviu Lutero gritar. Lutero pegou a faca e correu para a sala rasgando o ar sobre Marcie e Sanji. “Bamm!” um som metálico soou. Com o ataque de Lutero, o ágil vulto negro que estava prestes a perfurar o rosto de Marcie foi jogado para longe. Marcie piscou os olhos e só então percebeu que era o finalzinho da boca afiada de um degenerado.

Sanji rolou para frente e rapidamente se levantou. Marcie levantou-se quase ao mesmo tempo, sentindo um calor repentino em seu rosto — ela tocou seu rosto e descobriu que sua pele tinha sido cortada pela boca do degenerado e estava sangrando.

Algumas gotas de sangue caíram no chão deixando alguns manchas vermelhas.

— Agh… tia, a Sisi pode beber isso? — A voz era tímida e suave, semelhante à de uma criança.

Os três não se moveram mas seus rostos se contorceram.

A porta da sala de funcionários estava bem aberta, e um cheiro podre a ponto de causar vômitos saiu de dentro dela. Um degenerado vestindo um vestido cor-de-rosa e florido — ninguém poderia chamar aquela coisa de uma menina — estava parado na porta.

Ela parecia diferente do guarda de segurança que eles tinham visto antes. Sisi era muito menor do que ele e era um pouco mais encorpada. Ela também tinha aquela pele marrom enrugada caída em camadas, mas seu vestido florido ainda se encaixava bem. Infelizmente, havia uma grande área preta na região do peito do vestido, que ou era muco que o corpo de Sisi secretava ou o sangue de alguma outra pessoa. Havia alguns esparsos chumaços de cabelos grossos que atravessavam aquela pele pegajosa e amontoada na cabeça. Eles originalmente estavam presos com uma laço borboleta cor-de-rosa. O cabelo provavelmente tinha sido penteado em um rabo-de-cavalo.

Ela parecia muito feliz enquanto segurava seu vestido balançando para os lados. Sua boca produziu um sorrisinho”hehe”.

— Obrigado maninho, mana e titia. Sisi pode comer de novo.

Quando Sanji estava prestes a falar algo, a garota avançou com  sua ágil boca, que mais parecia com um espinho. Os três pularam para trás ao mesmo tempo, desviando do seu ataque. A boca varreu o chão e o sangue da Marcie que tinha caído desapareceu.

Quando o sangue entrou em sua boca, Sisi de repente fez um barulho “urgh”. Sua boca emitiu um zumbido furioso.

— Isso tem um gosto muito ruim! Muito muito ruim! Eu odeio isso! — Se comparado ao segurança do residêncial, ela era muito mais articulada. Se eles fechassem os olhos, soaria como se ela fosse uma criança normal fazendo birra.

Depois disso, seus olhos sem pálpebras se viraram e fixaram na Sanji.

— Você é a mana que agora mesmo não foi gentil.

Sanji podia sentir seu estômago embrulhando. Ela suprimiu seu desconforto e disse friamente:

—Nós subestimamos você. Eu não sabia que um degenerado como você poderia ser inteligente desta maneira… — Ela era muito mais alta do que Sisi e estava parada diretamente em frente a porta da sala dos funcionários, e desta forma ela podia facilmente ver o interior.

Havia uma escrivaninha atrás da Sisi, e um homem de meia-idade estava caído em cima dela, morto. Havia uma ferida grande e sangrenta perto de sua garganta, e o fedor estava vindo daquele cadáver. Sob a alta temperatura, o cadáver já estava bastante decomposto, mas ainda assim, o medo em seu rosto era fácil de se perceber.

Neste momento, os Olhos de Águia do Lutero foram úteis. Ele escaneou a sala e ofegou.

— Ji, Marcie, há um crachá naquele cadáver. O nome dele é Zhiwei Wang.

Marcie sentiu um frio na espinha e olhou rapidamente para Sanji enquanto pensava em algo. Sua teoria foi comprovada no momento seguinte.

— Você conhece meu pai? — Os enormes olhos de Sisi rolaram na cavidade negra e funda e pareciam prestes a cair.

— Você absorveu seu pai… — Antes que ela pudesse terminar sua frase, Marcie cobriu sua boca, como se ela não conseguisse conter sua náusea. Ela engoliu as palavras restantes junto com a ânsia de vômito.

Sanji entendeu então por que Sisi parecia um pouco mais hidratada do que o guarda de segurança. A razão era porque ela consumiu os fluidos corporais de uma pessoa!

— Eu entendo agora. Quem foi que te viu quanto você atacou seu pai? Foi a gerente? Ela deve ter ficado chocada, e então, aproveitando a oportunidade, ela te trancou nesta sala, certo?  A porta era muito resistente, então não havia como um pequeno cadáver como você conseguir sair — Sanji falou com calma, apesar de todos os seus músculos estarem tensos, se preparando para a sua próxima ação. — Quando chegamos aqui, você ouviu nossa voz, então você pensou nesse método para nos enganar… Eu realmente não sei como é que o seu cérebro seco e definhado ainda consegue funcionar tão bem.

Irritada com suas palavras cruéis, Sisi imediatamente emitiu um zumbido agudo. Ela gritou com rancor:

— O quão especial você acha que é, só porque está totalmente hidratada! — Ao mesmo tempo, ela avançou contra Sanji com sua boca em forma de agulha sem avisar.

Como Sisi era menor, sua boca também era mais curta. Sanji já estava preparada, então ela rolou para o lado de Lutero e esquivou do primeiro ataque. Sem sequer parar por um segundo, a menina jogou a boca contra os dois, produzindo um som afiado enquanto cortava o ar.

Lutero usou apressadamente a sua faca de cozinha para bloquear o golpe. Com o som de uma batida, a boca foi bloqueada por um instante, mas sua faca voou de suas mãos e caiu longe deles. Eles estavam agora ambos desarmados.

Percebendo que a situação não era nada boa, Marcie correu para a frente com suas longas unhas de meio metro de comprimento. Ela mirou diretamente nos olhos de Sisi. Porém, a boca era realmente muito ágil, e recuou de volta como uma cobra, lançando em seguida um contra-ataque e destruindo totalmente o ataque de Marcie.

Sisi fez dois estalos com a boca. Era uma pena que seu ataque tenha acertado a pessoa na frente dela, a pessoa que tinha um gosto horrível. Sem nem olhar para a Marcie direito, a boca zumbiu e novamente foi em direção a Sanji.

Desta vez, Sanji não tentou se esquivar e enfrentou o ataque diretamente. Só quando o boca estava prestes a encostar na garganta dela, ela agarrou de repente na extremidade afiada da boca. Ela juntou sua força e empurrou a boca, mantendo-se afastada dela.

As camadas de pele do rosto de Sisi se contraíram naquele instante, e ela pareceu feliz enquanto falava:

— HAHA! Idiota. Eu também posso sugar sangue da sua mão!

Lutero e Marcie estavam assustados. Quando eles correram para a frente para ajudar, um flash branco apareceu. No instante seguinte, eles ouviram um grito agudo de Sisi, que estava sacudindo a cabeça violentamente, tentando se soltar. Seu grito era tão alto que os itens quase caíram das prateleiras por causa da reverberação. Uma faca de cozinha tinha aparecido do nada e agora estava enfiada em sua boca parecida com um espinho, que originalmente  estava coberta por um fluido pegajoso. Além disso, o cabo da faca estava sendo segurado por Sanji.

Sanji sorria malignamente enquanto ouvia os gritos da Sisi e segurava o punho da faca firmemente com as duas mãos. Usando essa tática, ela conseguiu controlar a parte mais perigosa do degenerado, a boca. Enquanto ela segurava firmemente, ela gritou para as outras duas pessoas:

— Lutero, chute ela volta para dentro da sala! Marcie, feche e tranque a porta!

Tudo aconteceu na velocidade da luz. Embora Sisi tenha ouvido o plano deles, já era tarde demais. Uma sombra escura voou contra ela, chutando violentamente o seu peito — um barulho de algo quebrando soou, quase como se Lutero tivesse quebrado sua caixa torácica. Sanji tinha cronometrado bem a sua ação, abrindo a mão. A faca que ainda estava presa na boca da menina voou para trás com a garota que caiu de volta para dentro da  sala. Marcie, que estava de pé ao lado da porta e já estava preparada há muito tempo, correu para a frente simultaneamente e agarrou a maçaneta da porta.

Só então, a clara e chorosa voz de uma menina saiu da sala:

— Tia, eu sei que eu estava errada. Tia, não me tranque aqui dentro de novo. Boo hoo. Estou com dor. Tia Marcie, não vou fazer isso de novo…

Marcie congelou por um momento, mas ela rapidamente amaldiçoou em voz baixa:

— Maldita! Eu não sou sua tia! — Ela fechou a porta mesmo antes de terminar de falar. O molho de chaves ainda estava pendurado na porta. Duas voltas da chave garantiram que a porta estava novamente firmemente trancada.

Só então Sanji finalmente respirou profundamente. Ela não conseguia mais suportar seu corpo enquanto escorregava fracamente para o chão. Com um som “dong”, Lutero também se deitou ao lado dela, com um rosto completamente exausto.

Sisi continuou a chorar. Uma hora, ela agia como uma triste menina chorosa, noutra, ela focava na Marcie e continuava implorando e fazendo promessas. Quando nada disso funcionava, ela gritava furiosamente com sua voz aguda. Mas não importava o quanto ela gritava ou batia na porta, os três do lado de fora agiam como se não conseguissem ouvi-la.

— O que devemos fazer? — Lutero fez uma careta enquanto pegava algumas toalhas e jogava elas para Sanji e Marcie. — Isso significa que teremos que morar aqui com este degenerado?

Sanji podia sentir seu coração batendo forte. Ela limpou o sangue da ferida sangrenta na palma de sua mão. Então, ela finalmente suspirou e disse:

— Vamos pegar algumas prateleiras para bloquear esta porta… Onde mais podemos ficar, se não aqui?

Marcie acenou com a cabeça e concordou:

— Nós quase desmaiamos com o calor quando a gente foi lá em cima procurar as chaves…

Quando pensou nisso, ela continuou tristemente:

— Esses degenerado ainda retém sua inteligência, então, como eles aguentam atacar seus entes queridos?

Infelizmente, ninguém tinha resposta para essa pergunta.

Os três beberam água e descansaram um pouco. Em seguida, eles trabalharam juntos e bloquearam a entrada da porta de funcionários com algumas prateleiras. Cada uma das prateleiras era extremamente pesada, e eles deixaram até mesmo os itens inúteis nas prateleiras. Isso fez com que fosse ainda menos possível para Sisi, que não conseguia derrubar a porta, escapar de lá.

Depois de terminarem a tarefa, Sanji estava extremamente cansada, fazia apenas cinco ou seis horas desde que ela tinha acordado por causa do calor no meio da noite. Entretanto, todo o mundo tinha mudado completamente. Antes ela nunca tinha sequer brigado, mas agora ela tinha caído ao ponto de poder até matar uma pessoa…

Como o supermercado não vendia roupas de cama, Marcie pegou uma grande pilha de toalhas e as colocou no chão, como se fossem lençóis. Sanji usou cuidadosamente meia garrafa de água para limpar o suor em seu corpo, antes de dormir em cima de uma toalha.

Eles já tinham fechado a porta de metal na entrada do supermercado e tinham trancado ela com a chave da falecida gerente. A luz do sol lá fora era tão forte que podia matar, mas dentro do supermercado, a escuridão permitia a sobrevivência deles. Os três dormiram ombro a ombro em uma toalha, ouvindo os não tão distantes gritos altos e inúteis da Sisi. Gradualmente, as coisas ao seu redor ficaram embaçadas, e o barulho desapareceu… Sanji adormeceu desta maneira.

Berjkley
Analista de Sistemas, Game Developer, Mestre de RPG. Gosta de Doctor Who, Não gosta de Vampiros Purpurinados.
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