MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 3 de 5) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 3 de 5)

— Por fim, — o Matador de Goblins disse, olhando para a Sacerdotisa, — quando eu der o sinal, quero que você lance Proteção na entrada.

Ela engoliu em seco profundamente e encarou ele o quanto pôde.

— Será capaz de fazer isso?

— …Sim, senhor! Vai dar tudo certo! — Ela segurou seu cajado de monge firmemente com as duas mãos e deu um aceno forte com a cabeça. — Vamos lá!

E então a batalha começou.

— Bom, se tudo o que tenho de fazer é não ser frita…

O Olho Gigante rolou para olhar a Alta-Elfa Arqueira quando ela veio correndo para a sala, saltitando tanto quanto uma lebre. Ela movia suas pernas esbeltas, correndo sobre os bancos pelo salão.

O Olho Gigante flutuava no ar, com seu olhar a seguindo no sentido mais literal. Seus tentáculos cheios de olhos começaram a obter aquele lampejo perigoso.

— BEBEBEBEBEHOHOOOOOL!!

— Caraaamba, aí vem ele, aí vem ele…

Gritando com uma voz alta demais para ser coquete e suave demais para ser um grito, a Alta-Elfa Arqueira saltou fora da frente. Obviamente, nem mesmo um elfo é mais rápido que a velocidade da luz. Desviar de um olho quando ele tentava mirar, sério? Isso é outra história.

O feixe brilhou silenciosamente, queimando a silhueta da Alta-Elfa Arqueira até as paredes antigas e o chão.

Há um pouco de satisfação nisso, ela pensou, sorrindo enquanto dançava agilmente para longe.

Sua irmã mais velha ou sua prima, ambas muito mais experiente que ela, poderiam fazer ainda melhor. Deveria ter sido fácil para disparar no Olho Gigante enquanto fazia acrobacias para longe do seu Desintegrar.

Ela ainda tinha muito que aprender. Mas ela não foi a primeira dos seus irmãos a seguir esse caminho.

Ela sabia que tinha tempo de sobra. Tempo sempre estava do lado de um elfo. Ao menos, desde que ela não se matasse.

Isso significava que o futuro era menos importante que concentrar tudo que ela tinha no presente momento. A Alta-Elfa Arqueira saltava corajosamente pela sala sem preocupações, sem medo.

Nada poderia ter sido mais enfurecedor ao Olho Gigante.

— OOOOOLLDER!!

O olho principal grande girou mais rápido, tentando lançar mais ataques e mais precisamente.

— Oh-ho! Essa é a minha orelhuda! Ela aparenta estar indo bem por si mesma.

Tal fato fez a criatura tirar seus olhos — todos eles — do Anão Xamã, que estava rindo alegremente perto da entrada da capela.

Ele enfiou a mão na bolsa e tirou um jarro vermelho cheio de vinho. Uma fragrância extraordinária flutuou para fora quando ele o destampou e a tragou tão rapidamente que algumas gotas pingaram em sua barba comprida.

Ele agitou o vinho em sua boca, depois espirrou alegremente no ar.

— Beba fundo, cante alto, deixe os espíritos te guiar! Cante alto, pise rápido, e quando dormir eles te vejam, que uma jarra de vinho de fogo esteja em seus sonhos para te cumprimentar!

E de fato, o spray dos espíritos voaram pela sala e envolveram o Olho Gigante.

— BE… DERRRR…?

Ele começou a balançar no ar, parecendo que cairia no chão.

Ninguém sabia o que o agente do caos sonharia quando finalmente adormecesse.

— Ahh, — o Anão Xamã disse alegremente, — apenas olhem o que um homem pode fazer quando não está sendo menosprezado por um olho flutuante da morte. — Ele limpou a boca com a luva.

— …Bom. — Para o aceno do Anão Xamã, o Matador de Goblins veio saltando para a capela. Ele não se movia nada parecido com a leveza da Alta-Elfa Arqueira, mas mesmo assim mostrou uma agilidade impressionante para alguém em uma armadura completa.

Enquanto corria, ele espalhou alguma coisa de um saco que ele tinha retirado da sua bolsa de itens. Pouco tempo depois, um rastro denso de pó branco estava flutuando atrás dele.

— O que é isso, Orcbolg? —, a Alta-Elfa Arqueira perguntou.

— Farinha de trigo. Não respirem ela.

— Tenho certeza que não sei o que você tem em mente, mas poderia ter dito isso mais cedo.

Ela franziu a testa e cobriu a boca, mas ele a ignorou enquanto lançava a farinha de trigo por todo o lugar.

Não demorou muito para que a capela apertada estivesse cheia dessa coisa.

Agora, o Olho Gigante estupefato — juntamente com tudo ao redor a uma polegada em frente dos seus rostos — foi escondido da vista.

— Ah, Corta-barba, orelhuda! A magia não vai durar muito mais tempo!

Antes que o Matador de Goblins pudesse responder o anão, a Alta-Elfa Arqueira estava se movendo.

— Por aqui, Orcbolg!

Os sentidos apurados da elfa a deixava ficar bem sem sua visão. O Matador de Goblins seguiu a voz clara pela capela.

— Hrrah!

Quando o Matador de Goblins saiu, o Lagarto Sacerdote deu um passo à frente, jogando um grande número de presas para dentro da entrada. Os ossos cresceram rapidamente e se juntaram, se erguendo na forma de um guerreiro portando uma espada e escudo. Os aventureiros estavam muito acostumados com esses temíveis esqueletos à essa altura, e esse aqui avançou para o salão.

Assistindo ele desaparecer na fumaça branquinha, o Lagarto Sacerdote abriu a boca.

— Meu senhor Matador de Goblins, eu confio no meu Guerreiro Dragãodente, mas ainda assim não pode fazer face ao Desintegrar.

— Sem problemas, — o Matador de Goblins disse e se virou para a Alta-Elfa Arqueira e a Sacerdotisa. — Dispare uma flecha. Se você puder acertar o monstro, isso será o suficiente.

— Entretanto, isso irá interromper os efeitos do Estupor.

— Não importa. Depois você lança imediatamente Proteção na entrada. — Ele continuou calmamente: — Seu papel é crucial. Se falhar, todos morreremos.

— S-sim, senhor! — Ela assentiu tão confiantemente quanto pôde, apertando seu cajado com ambas as mãos.

— Você realmente não podia pensar em uma maneira melhor de dizer isso? — A Alta-Elfa Arqueira resmungou, mas ela colocou uma flecha em seu arco. A corda sedosa sibilou quando ela a puxou tensionando, fixando o alvo da haste de galho de árvore.

Elfos arqueiros miram não com seus olhos, mas com a mente.

— …!

A flecha voou; eles nem sequer puderam ouvir o ar sendo cortado, apenas viram a silhueta tecendo quando ela penetrou a nuvem de pó.

Mas ela não precisou ver nada para saber o que tinha acontecido.

— Consegui!

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos…!

Dessa vez a Mãe Terra conseguiu conceder o milagre rezado da sua humilde seguidora.

Uma parede invisível selou a entrada da capela. O Anão Xamã piscou várias vezes.

— O pó, a sala selada, espera, você não pode…

O Matador de Goblins gritou:

— Tampem os ouvidos, abram a boca… e se abaixem!

— BE… HOOLLLOOHOHOHO!!

O Olho Gigante foi despertado do seu estupor por uma dor penetrante súbita.

Ele viu seu olho transpassado por uma flecha ponta-broto. Havia pó por todo o lado; ele mal conseguia enxergar.

Mas podia distinguir uma silhueta humanoide vindo em sua direção, com arma na mão. Esses intrusos nunca iriam aprender? Se a criatura tivesse alguma coisa que pudéssemos reconhecer como sentimentos, ele estava provavelmente bastante irritado naquele momento.

Ele se virou ao redor, abrindo amplamente seus olhos e apontando com seus tentáculos com olhos. Seu terrível Desintegrar acumulou calor suficiente para infligir dano crítico, e sua luz começou a brilhar…

— LDEEERRRRRRRR!!!

Inicialmente, a Sacerdotisa não sabia o que aconteceu.

Ela pensou talvez que o lugar tinha sido atingido por um raio.

Houve uma explosão.

Ela tinha ouvido uma série de sons de estouros; então a sala tinha sido envolvida em uma bola de fogo. Quando se expandiu, ela dizimou tudo na capela, esmagando tudo com seu rugido e a fúria do seu calor.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: