MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 2 de 5) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 2 de 5)

O grito percorreu através do grupo antes que alguém pudesse lançar alguma coisa. Eles tinham dois sacerdotes e um xamã. Mais da metade do grupo era de conjuradores. A capacidade de utilizar magia era nada menos que uma questão de vida ou morte para eles.

— É aquele olho! — O Anão Xamã exclamou, rangendo os dentes. — Corta-barba, dê cabo dele!

— Certamente.

Enquanto falava, o Matador de Goblins pegou um ovo da sua bolsa e lançou na criatura. Voou direto para o alvo, se estilhaçando em uma nuvem de fumo vermelho-enegrecido; gás lacrimogêneo.

— OOOOODEEARARARA?!?!

A coisa urticante voou por todos os seus muitos olhos, invocando um berro de consternação do monstro. É claro, o Olho Gigante estava em um nível totalmente diferente de qualquer goblin, e esse truque não era suficiente para o fazer qualquer dano.

No entanto…

— Muuuito bem, aqui vou eu!

…foi mais do que suficiente para eles obter o turno para agir.

O Anão Xamã entendeu, pegando um punhado de terra da sua bolsa e jogando no ar com um movimento suave.

— Saiam, seus gnomos, é hora de construir! Deixem todo esse espaço com terra ser preenchido! Não temas vento e não temas ondas, uma parede sólida os mantém à distância!

Ele dispersou a poeira enquanto entoava.

Depois o Anão Xamã largou no chão o que parecia ser uma parede de pedra versão brinquedo de criança.

Ela cresceu enquanto observavam, até que uma muralha de terra completa ficou perante eles.

A Parede Espiritual era como a Proteção, mas tomava uma forma física em vez de imaterial. E diferente de uma barreira de Proteção, era impossível ver através de uma Parede Espiritual.

— O que acha disso?

Mas ele parecia ter conseguido a atenção do Olho Gigante, que tinha atualmente dissipado o gás lacrimogêneo.

Seus tentáculos se remexendo se viraram para a Parede Espiritual e cintilaram maliciosamente.

— BEEEHOOOOLLLL!!

No instante seguinte, uma luz deslumbrante preencheu o espaço sagrado.

— Hrrg…!

— Isso não vai adiantar!

— He… O qu…?!

O Matador de Goblins e o Lagarto Sacerdote gritaram e voltaram para trás. O Anão Xamã grunhiu.

Uma única linha vermelha percorreu pela frente da Parede Espiritual, borbulhando enquanto viam, derretendo ela.

— Isso é quente…!

— Ahh, não!

A Sacerdotisa gritou quando a parede explodindo a apanhou. O Anão Xamã a apoiou o melhor que pôde enquanto ele ajudava ambos a correr dos destroços. Tão rápido quanto tinha rompido através da sua barreira, a luz desapareceu, deixando marcas de queimaduras no chão da capela.

Visão de calor? Não…

Foi uma forma intensa de Desintegrar lançada por um dos tentáculos com olhos do Olho Gigante.

— Esses olhos malignos são capazes de Dissipar e Desintegrar! — Mesmo seu grande lutador corpo-a-corpo, o Lagarto Sacerdote, só poderia manter distância. Por mais duros que suas escamas fossem, elas não conseguiriam defletir o Desintegrar. Ele queria invocar um Guerreiro Dragãodente como uma espécie de parede própria, mas era claro demais que o Olho Gigante iria simplesmente dar um olhar e dissipar ele.

Mas, por outro lado, atacar com suas garras, presas e caudas, se fazendo uma arma em pessoa, o colocaria no risco do raio de calor.

— O que e-exatamente devemos fazer em relação a essa coisa?!

— Por ora, recuemos!

Enquanto a Alta-Elfa Arqueira tentou armar um ataque, a resposta do Matador de Goblins foi afiada e certa. Ele sacou sua espada com a mão direita e segurou seu escudo com a esquerda, pondo o Anão Xamã e a Sacerdotisa atrás dele.

— Entendi…!

A elfa procurou um lugar seguro lá também, tomando os poucos passos que faltavam para um salto.

— BEBEBEBEBEEEEHOO!!

— Que?!

Ela pulou para evitar o impacto sob seus pés. O raio de calor chamuscou uns fios de cabelo, e ela amaldiçoou uma ou duas vezes em élfico. Ela rolou atabalhoadamente, mas se viu perto do Matador de Goblins.

— Você está bem?

— Hã?! — A Alta-Elfa Arqueira se levantou, com suas orelhas longas tremendo de surpresa. — Estou bem… Obrigada.

— Entendi.

— Bem, isso é um problema de verdade… — O Lagarto Sacerdote, que tinha se rastejado de volta a fim de evitar o raio de calor, deu um suspiro penoso.

— BEEHOHOHO…

O Olho Gigante não mostrou um novo sinal de atacar, aparentemente satisfeito em ter levado os aventureiros para fora da capela. Ele flutuou de volta para onde ele esteve no começo, observando a entrada novamente.

— Parece que… enquanto nós não… entrarmos na sala… ele não nos atacará, — a Sacerdotisa disse, respirando irregularmente e escorregando contra a parede. — Ele deve estar… protegendo esse lugar.

— Não importa, por enquanto. Descanse… Aqui, água.

— Ah, ob-obrigada…

A Alta-Elfa Arqueira umedeceu seus lábios com um ou dois goles do seu cantil, depois entregou para a Sacerdotisa. A jovem o pegou com as duas mãos, então bebeu delicadamente, engolindo quase que inaudivelmente.

— Acho que… se ele não pudesse me ver, eu poderia realizar o milagre…

— Mas chegue a uma distância curta, e ele vai com certeza te ver. — O Anão Xamã não tentou esconder a sua frustração enquanto se sentava com força. — Não podemos usar magias, e ele tem um raio de calor e mais extremidades que todos nós juntos. Não temos como ganhar!

— Não, — o Matador de Goblins disse, fuçando no seu saco de itens. — Tem uma coisa que quero testar.

— Só quero te lembrar, fogo, água e gás venenoso estão fora de questão.

— Eu me lembro, — o Matador de Goblins disse calmamente à Alta-Elfa Arqueira, que tinha entrecerrado os olhos para ele. — Eu não trouxe nenhum implemento de fogo ou água comigo. E duvido que veneno funcione.

A Alta-Elfa Arqueira deu uma pequena fungada e murmurou: — Bom, — dando as suas orelhas uma sacudida deliberada.

— Só para ter certeza, estamos fora da cidade, certo?

— Acho que sim, — o Anão Xamã disse, ficando intrigado e inclinando a cabeça. — Andamos por um longo tempo, e a sensação aqui é definitivamente diferente.

— Então não há problema.

— Então está decidido, — o Lagarto Sacerdote disse, batendo as mãos. — Como não temos nenhuma outra ideia engenhosa e temos de eliminar esse demônio amaldiçoado, devemos confiar na tática do meu senhor Matador de Goblins.

— Obrigado, — o Matador de Goblins disse com um aceno. Seu capacete se virou para a Alta-Elfa Arqueira. — Preciso que a criatura se distraia, só por um momento. Preciso que alguém entre e comece a correr. Consegue fazer isso?

— Deixa comigo! — A Alta-Elfa Arqueira assentiu entusiasticamente, com suas orelhas se balançando para cima e para baixo.

— Você pode lançar Estupor? Não quero que ele possa usar seu raio de calor.

— Daqui? — O Anão Xamã acariciou sua barba, depois levantou o polegar e fechou um olho.

Ele estendeu o braço para o Olho Gigante na capela como se estivesse mirando, avaliando a distância.

— Pelo número de ladrilhos, eu diria… Certo. Acho que vai funcionar! — Ele deu um sorriso incongruente e bateu na barriga como que para enfatizar seu orgulho.

Bom. O Matador de Goblins assentiu e se virou próximo ao Lagarto Sacerdote.

— Precisamos de um Guerreiro Dragãodente. Um é o suficiente. Consegue o fazer?

— Estou um tanto quanto preocupado com esse Dissipar…

— Vou me certificar de que ele não consiga ver.

— Sem esse olho maligno, acho que o pode ser feito. Pode contar comigo. — Ele revirou os olhos com satisfação.

 


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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