MdG – Volume 2 – Capítulo 8 (Parte 2 de 4) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 8 (Parte 2 de 4)

Eles entraram em uma loja de equipamentos com aspecto bastante próspero.

Os tinidos de um martelo batendo em metal vinha do fundo da loja. Armas e armaduras estavam espalhadas pelo interior escuro. Ela tinha uma vitalidade que estava faltando na oficina da guilda.

— Uau… — A Sacerdotisa piscou várias vezes, compreensivelmente impressionada.

Estava cheio de armas que ela nunca tinha visto, armaduras que ela não podia imaginar como usar e uma raridade após outra. Ela notou uma arma que ela tinha reconhecido no meio de tudo isso e a pegou gentilmente com um suspiro suave.

— Eles têm até manguais. — Esses consistiam em dois bastões com um metal pesado fixado, conectado por uma corrente; se dizia que tinham evoluídos de uma ferramenta de debulha. O clero da Mãe Terra tinha sido conhecido por os usarem, e a Sacerdotisa estufou seu pequeno peito orgulhosamente com o seu conhecimento humilde.

— Vai comprar?

— Não… — Ela observou a sala com a pergunta direta do Matador de Goblins. Ela não tinha a coragem para ficar na linha de frente do grupo, e para a proteção pessoal, ela tinha o cajado de monge. — …Acho que não.

A Sacerdotisa devolveu cuidadosamente o mangual à sua prateleira, então começou a falar quando ela notou um homem que parecia ser o lojista.

— Hm, com licença…

— Hmm? — O homem olhou para ela, e a Sacerdotisa olhou para o chão.

Ele era jovem, talvez cerca de vinte, mas tinha o ar de um adolescente que tinha acabado de se tornar adulto.

Não era que ele parecia rude. Suas roupas estavam arrumadas, e seu cabelo e barba bem cortados. Mas a sua resposta desinteressada o fez parecer estranhamente frio.

— Hmm. Seja bem-vinda. O que posso fazer por você?

— Ah, uhum… Você poderia… consertar essa cota de malha?

A Sacerdotisa estendeu sua armadura hesitantemente, e o comerciante lhe deu uma olhada rápida. Depois, ele chegou no buraco no ombro, esticou a armadura, e expirou.

— Esse é um belo buraco. Não acha que seria melhor comprar um novo conjunto?

— Eu preferiria… que fosse reparada…

— Reparar, claro. O cliente tem sempre razão…

O olhar do homem percorreu ao longo dos braços finos da Sacerdotisa. Sem reserva, lascivo, ele olhou para ela dos pés à cabeça como se a tragando.

— Precisa de um novo visual, senhorita?

— Não, obrigada…! — A Sacerdotisa balançou a cabeça, sentindo uma onda de calor em suas bochechas.

Era assim que os lojistas da cidade normalmente tratavam os seus clientes? Teria sido inconcebível na fronteira.

Ou ele estava simplesmente provocando porque ela era claramente uma novata? Esse pensamento a incomodava.

— Eu também preciso de alguns reparos.

Era o Matador de Goblins. Quando a Sacerdotisa levantou os olhos novamente, eles se encontraram com uma costas vestidas com malha.

Perante o capacete de aço sujo, o comerciante deu um murmúrio estranho.

— Um ranque P-Prata… —, a voz do lojista estremeceu. Aparentemente ele tinha reparado a insígnia de prata pendurada envolta do pescoço do Matador de Goblins. — Oh, S-sim, senhor. Reparos. Com certeza, senhor.

— Minha armadura de couro e meu escudo redondo. Rápido, se não se importa. Juntamente com essa cota de malha.

— G-gostaria que fossem limpos? E seu escudo parece estar perdendo seu cabo…

— Não os limpe. E eu removi a empunhadura sozinho.

— Hum-hum, quanto ao pagamento, senhor, incluindo a taxa de urgência…

— Não se preocupe.

Sem hesitar, o Matador de Goblins revirou sua bolsa e soltou um saco de couro em cima do balcão. Ele fez um grande barulho quando caiu e se esparramou. Peças de ouro caíram da abertura.

— Obr-obrigado, senhor…!

— Eu também preciso dar uma olhada nas suas espadas.

— Ah, hum, eu tenho uma lâmina de mithril nesse momento!

— Eu não preciso disso.

O seu passo ousado e despreocupado o levou para onde uma variedade de espadas estavam penduradas na parede. Ele pegou uma com uma lâmina de dois gumes completamente normal. Tinha uma empunhadura longa: uma espada de “uma-mão-e-meia”.

— Ahh, se esse é o tipo de lâmina que você prefere, senhor, eu tenho uma forjada por anão…

— Muito longa.

Ele pendurou a espada de volta no suporte, depois começou a ver pelas mercadorias até que ele chegou a uma espada pequena de um gume.

— As espadas curtas são mais do seu agrado, senhor? Eu tenho uma encantada encontrada em alguma ruína…

— Encantada?

— Sim, senhor! — A voz do lojista aumentou à uma oitava. — Ela evita que a lâmina cegue, claro, mas também soa um alarme quando inimigos estão perto.

— Eu não preciso disso. — Seu tom foi franco o suficiente para ser uma arma por si mesmo. — Vou levar essa. É um pouco longa, mas posso raspá-la eu mesmo. Eu vou usar a sua pedra de amolar enquanto esperamos por seus reparos.

— M-mas, senhor… Com uma lâmina dessa, o melhor que poderia esperar caçar é… goblins…

— Isso é o que pretendo fazer.

O comerciante não teve nada para dizer com isso.

Mas o Matador de Goblins, como sempre, pareceu não perceber. Talvez ele quisesse dizer para ela: Não deixe isso te afetar.

Ele era uma pessoa difícil de se compreender.

A Sacerdotisa ficou ligeiramente vermelha e deu um suave e silencioso suspiro.

— Hee-hee… Ah-ha-ha-ha-ha-ha!

— O que?

— P-porque você… Ele…

Quando eles deixaram a loja depois de terem feito os reparos, uma brisa da tarde se agitava em torno deles. O céu azul brilhava com o sol nos princípios do verão, e o som do fluxo de um riacho próximo era agradável aos ouvidos.

— Eu-eu sei que não deveria rir, mas…

A Sacerdotisa limpou as lágrimas nos cantos dos seus olhos, com sua risada tão clara quanto um sino.

O comerciante desconcertado tinha tentado dizer algo quando o Matador de Goblins desbastou a espada mais e mais, mas…

— “Eu só vou a lançar; não faz diferença”!

— É verdade, não é?

— Mas a cara que ele fez! Foi inacreditável!

— Foi?

— Sim, foi! — A Sacerdotisa finalmente falou entre a torrente de riso.

Ela supôs que esse comportamento não era agradável para uma discípula da Mãe Terra, mas certamente parecia bom. Sua consciência a repreendeu, então ela também fez uma pequena oração: Apenas um pouco não fará nenhum mal, fará?

Nessa hora…

— Se aproximem! Um delicioso “ice crème” que derrete-na-boca! É um sabor sensacional!

Uma voz ressoou sobre o ruído, juntamente como um sino de mão tilintando.

— Ice crème…?

A curiosidade fez a Sacerdotisa parar em frente a uma barraca apertada. As crianças comemoraram e se apressaram pela rua pavimentada para dar ao dono seus trocados.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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