MdG – Volume 2 – Capítulo 7 (Parte 2 de 2) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 7 (Parte 2 de 2)

A cama macia rangeu ligeiramente. A Donzela da Espada se deslizou para deitar ao lado do Matador de Goblins. Seus peitos amplos balançaram.

— Quando penso nisso, e depois penso na imensidão do mal nesse mundo, eu começo a temer sermos dominados… — Ele sentiu sua pele macia e robusta. Seu calor. — …Estou preocupada. Eu tenho medo. Deve parecer estranho.

Era rosas que ela cheirava? Uma fragrância ligeiramente doce.

— Eu posso ser a Donzela da Espada, mas todas, todas as noites eu tenho receio. Estou assustada. Não posso suportar!

Com isso, ela arranhou seus ombros, seu peito. O pano rasgou, expondo seu corpo cicatrizado. Seria pouco de se estranhar se um homem em tal posição tivesse perdido toda a razão.

Essa era a Donzela da Espada.

A mulher que tinha lutado contra os Deuses Demônios e salvado o mundo há dez anos.

E pensar que ela era tão bonita assim, mesmo depois de os goblins terem queimado seus olhos. Se ela tivesse olhado para qualquer homem com lágrimas nos olhos, quem poderia ter resistido?

— Esse é o mundo em que vivemos. Não importa quanta ajuda você tiver…

— …

— Não acho que posso esperar que mais ninguém entenda, posso?

— É mesmo?

Tal foi a breve resposta do Matador de Goblins, tão indiferente como sempre.

— “É mesmo?” ele disse. Hee-hee.

A arcebispa deu uma risada desapontada, ligeiramente incrédula.

— Isso é algo… estranho?

— Não acha? Eu sou a mulher que derrotou os Deuses Demônios. E aqui estou, com medo de alguns goblins. — Com isso, ela se levantou, ajustando sua vestimenta.

Ela pegou seu cajado e cobriu os olhos com um pano preto. Quando ela se ajeitou mais uma vez, certa e firme, todos os indícios sedutores de antes tinham partido.

— Você. — Seus olhos escondidos se viraram suplicantes para o Matador de Goblins. — Vai me ajudar?

Ele não disse nada. Ou melhor, não podia dizer nada.

Pois quando ele abriu a boca para responder, ela desapareceu na sombra de um pilar. Ele ouvia seus passos lentos ficarem cada vez mais distantes. Um momento depois veio o som da porta grande abrindo e fechando.

O Matador de Goblins deu um suspiro.

Ele se retirou delicadamente dos braços finos da Sacerdotisa e saiu da cama. Quando ele se estirou para relaxar seus músculos rígidos, seus olhos se abriram.

— Hmm… Oh… Huh?

Ela se sentou languidamente, esfregando os olhos. Ela olhou à volta vagamente, mas quando seus olhos se focaram, seu rosto se tornou instantaneamente em vermelho-vivo.

— Oh! Uh! Oh… Uhh… — Em um alvoroço, ela puxou os lençóis para esconder seu peito nu.

O Matador de Goblins pegou suas próprias roupas, não lhe dando sequer um olhar.

— Você viu alguma coisa?

— Sim.

O rosto da Sacerdotisa se amuou penosamente.

Confrontado com uma garota que parecia prestes a desatar a chorar, o Matador de Goblins pensou por um momento antes de abrir a boca.

— Se acalme.

Seus ombros deram uma pequena sacudida.

— Suas feridas desapareceram.

Então a Sacerdotisa olhou para baixo, confusa.

Inseguro sobre o que dizer, o Matador de Goblins se vestiu silenciosamente.

Primeiro sua cueca, então sua armadura interior, depois sua cota de malha. Felizmente, não tinham sido danificados

A armadura de couro, todavia, não havia nada a se fazer. Não que ele fosse apegado a ela. Mas levaria um tempo para estrear um novo conjunto, e isso era um problema.

— Seus… seus ferimentos estão melhores, também…?

A Sacerdotisa parecia ter finalmente recuperado a compostura. Ela se levantou da cama, também, ainda agarrada aos lençóis na sua frente.

— Sim. — Ele assentiu.

De pé e de costas com o Matador de Goblins, a Sacerdotisa começou a se vestir. Roupas íntimas simples cobriram seu traseiro e seu peito pequeno, e uma camiseta por cima. Ela deu um olhar lamentável para a sua cota de malha, que estava faltando um pedaço grande no ombro, depois pôs suas vestes. Elas eram simples, refletindo a devoção à pobreza que os adeptos da Mãe Terra arcavam voluntariamente, mas cada rasgão tinha sido cuidadosamente consertado.

Ela também não usava maquiagem de qualquer tipo. Em comparação com o Matador de Goblins com seus equipamentos pesados, ela levou apenas alguns momentos para se vestir.

— Matador de Goblins, senhor…

— O que?

Ele se virou para a voz hesitante. Enquanto suas roupas farfalhavam, ele tinha colocado suas calças e grevas. Goblins eram pequenos, e a proteção para as pernas não podiam ser ignoradas.

— Você não fez nada… precipitado… nem… nem nada, fez?

— O que te faz pensar que eu fiz?

— Você parece… diferente de alguma forma.

Nisso, sua mão parou de se mover, só por um segundo.

— ……Não, — ele disse firmemente, após um momento de silêncio.

Ele pegou o capacete, que tinha alguns novos amassados nele, e o deslizou sobre sua cabeça. Ele inspirou e expirou.

— Nada de diferente.

Ele podia sentir os olhos da Sacerdotisa cravados nas suas costas, como se prestes a dizer algo, mas o Matador de Goblins continuou.

Ele tinha de ir obter novas armas, novos equipamentos, provisões, medicamentos e muito mais. A coisa mais importante no extermínio de goblins era a preparação.

— Hum, Matador de Goblins, senhor…?

— O que?

Foi justo quando ele se virava lentamente em direção a voz baixa.

estão vocês!

A porta grande foi aberta com tanta força que correspondia as poderosas emoções da pessoa entrando no quarto.

— Ouvi que vocês dois acordaram! Como estão? Estão bem?

O dono da voz calma e animadora veio saltitante. Era, é claro, a Alta-Elfa Arqueira.

Com seu cabelo voando por trás dela e suas orelhas longas balançando, ela era a imagem viva da alegria. Sorrindo como uma criança, ela foi seguida pela Anão Xamã e o Lagarto Sacerdote, nenhum dos quais mostravam bem seu entusiasmo.

— Parece que vocês estão sem nenhum arranhão, Corta-barba e jovenzinha.

— Ahh, isso é o mais importante. Parece que a magia foi realizada a tempo.

Todos sorriram, com suas vozes animadas.

Com um grunhido baixo, o Matador de Goblins olhou para o rosto de cada um deles e assentiu. — Todos vocês estão bem?

— Você está nos perguntando, Orcbolg?

— E o canário?

— Bem, também! Orcbolg, acho que você estava em maior perigo do que todos nós. — A Alta-Elfa Arqueira contraiu seus lábios e saltou levemente na cama, se afundando nela. — Que cama! Você sabia que ela estava como: “Matador de Goblins, senhor?!” assim que ela chegou? Toda chorosa e tudo mais!

— O-o-o qu…?! Você me prometeu que não ia…!

A Sacerdotisa ficou vermelha com a provocação da Alta-Elfa Arqueira, balançando os braços vigorosamente em protesto.

A Alta-Elfa Arqueira mal notou. — Se eu não lhe dissesse, como é que ele saberia?

O Lagarto Sacerdote lambeu felizmente a ponta do seu nariz com sua língua.

— Bem, seja como for, agora não há nada que nos impeça de retomarmos nossa exploração.

Havia, entre outros assuntos, os goblins que tinham escapados da última vez. O Matador de Goblins assentiu, e o seu capacete danificado rangeu ligeiramente.

— Hmm, — o Lagarto Sacerdote suspirou e revirou os olhos. — Ou talvez devêssemos primeiro cuidar de nosso equipamento…

— O que há com você, Escamoso? Primeiro, tenhamos uma refeição! Meu estômago está se comendo!

— Ah, o que eu estava pensando? — O Lagarto Sacerdote esbofeteou sua testa com uma falsa consternação da provocação do Anão Xamã.

A Sacerdotisa riu do gesto cômico, fazendo a Alta-Elfa Arqueira estreitar os olhos como um gato.

— Você pode estar com fome, anão, mas se não perder um pouco de peso, acho que o seu cinto vai rebentar!

— Diga o que quiser, minha amiga peito-plano, mas sou conhecido como um bon vivant!

— Do que você me chamou? — As orelhas da Alta-Elfa Arqueira se eriçaram, e os dois procederam em uma das suas argumentações barulhentas.

O Matador de Goblins observou atentamente a cena familiar. Ele parecia um viajante que tinha visto um fantasma e estava tentando saber se o que ele viu agora era real.

— …Ninguém ainda comeu?

Tinha o levado um momento para vir com a questão, e não foi dirigida a ninguém em particular.

— Ainda não, — a Sacerdotisa respondeu. — Em parte porque eu tive que ajudar com a Ressurreição.

— Que?

— Tivemos uma promessa, não tivemos?

Ele não parecia compreender seu significado.

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, ela continuou: — Quando atravessássemos isso, iríamos todos ter uma refeição juntos.

— Hmm…

— E você tem de manter suas promessas, certo?

Então ela sorriu, como uma flor desabrochando sob à luz do sol.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: