MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 8 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 8 de 9)

— Isso não vai funcionar! Mestre conjurador, temo que se não reunirmos esses três e se retirarmos, estaremos todos perdidos!

— Oquevocê acha que estou…? Ei! Caiamfora, seus monstros! Fora!

O Lagarto Sacerdote e o Anão Xamã continuaram a lutar corajosamente, mas não conseguiriam continuar para sempre.

— GOROROB!

— GORRB! GORB! GOB!

O campeão e seus goblins apontaram para eles e gargalharam alto o suficiente para despertar os mortos. Esse era o destino de qualquer coisa assaltada pelos goblins, seja um aventureiro ou uma aldeia.

Sua sorte, seu destino. Devido ao acaso. Uma jogada de dado.

Baboseira.

— ……………

Tudo isso ressoou com alguma coisa bem dentro dele.

Quando ele pôs uma mão no chão para se levantar, ele descobriu uma escadaria que ia ainda mais fundo para o subsolo.

Alguém podia ter chamado isso de um golpe de sorte que o caixão de pedra fosse oco para ocultar uma escadaria secreta. Que não tinha contido um corpo ou relíquias funerárias como os outros.

Se tivesse, não teria sido capaz de suavizar o choque, e ele teria morrido.

Mas por agora, ele ignorou tudo isso. O que importava era que ele estava vivo. E se ele estivesse vivo, então ele iria lutar.

Ele alcançou sua bolsa e pegou um frasco de poção rachado. Ele se esforçou para puxar a rolha com um pulso que dobrou em um ângulo estranho, depois tomou o seu conteúdo. Os efeitos de cura do medicamento eram sutis. Não era como um milagre divino que fecharia ferimentos instantaneamente.

Mas se a dor seria amenizada, ele poderia se mover. E se ele pudesse se mover, ele poderia lutar.

Não havia nada em seu caminho.

Com a mão direita ele apalpou a área ao redor, procurando qualquer coisa que poderia servir como uma arma. Sua mão agarrou o que ele encontrou, e então ele forçou seu quadril para se levantar.

Vários goblins que tinha reparado que ele ainda estava vivo e se movendo, vieram na sua direção. Cada um tinha uma arma na mão e uma risada cruel na garganta; sem dúvida eles vinham com o pensamento de acabar com ele.

Mas e daí?

— ………!

Ele moveu seu escudo em sua mão esquerda com toda a sua força e bateu nos goblins até à morte.

— GORARO?!

A borda polida do escudo redondo era uma arma suficiente.

Ele partiu seus crânios, com sangue e cérebro voando por todo o lado. Avançar. Avançar. Ele não iria gritar até o último momento. Ele não podia. Tal como antes. Ele não deve ser notado.

O campeão goblin estava concentrado em atormentar sua nova presa. Ele pareceu alheio ao fato que o intruso que ele tinha dado cabo há pouco estava por trás dele. A Sacerdotisa tinha ficado mole nos braços do demônio, apenas se contorcendo de vez em quando. Seus lábios, se tornaram ainda mais vermelho pelo sangue que escorria do seu pescoço branco.

Nenhuma voz saia.

Era, Me salve?

Ou Meu Deus?

Ou Mãe? Ou Pai?

Não, Corra. Isso iria o denunciar.

Ele… Ele…

Matador de Goblins…

— Y-yaaaah!

O Matador de Goblins saltou sobre o campeão por trás.

No início, o campeão certamente não sabia o que estava acontecendo.

Alguma coisa envolveu o seu pescoço, a coluna vertebral e a pele da mulher, que tinha caído no chão durante o combate.

A criatura ficou aborrecida ao tentar retirar o que tinha sido, por ele, uma isca…

— …!

Mas no instante seguinte, a coisa foi apertada contra a sua garganta.

— GO-ORRRRBBBB?!?!?!?!

Ele não conseguia soltar bem o grito de sua garganta.

O campeão arranhava os ossos, incapaz de respirar. Alguns cabelos saíram, mas isso não mudava coisa alguma. Ele já não podia ver a sacerdotisa que ele tinha estado perto de ter seus maus modos. Ela tinha caído no chão como um brinquedo abandonado.

— Ahh…

Uma voz muito fina. Ela ainda estava viva.

E isso era tudo que o Matador de Goblins precisava saber.

— Haa… haaaaa!

Ele tinha os ossos em sua mão direita e os cabelos da mulher enrolados na esquerda. Ele puxou o mais forte que podia; o cabelo atravessava suas luvas de couro e entravam em sua carne.

Mas a mesma coisa estava acontecendo com o campeão goblin.

Era dito que os assassinos faziam fio de cabelo humano e os usava para matar; esse era o mesmo princípio. Não era nada fácil se desemaranhar dele.

O campeão retorcia seu corpo, lutando. Ele batia de costas contra a parede.

— Hum…!

Sangue fluiu de novo do capacete do Matador de Goblins. Ele deu um grito quando seu interior foi esmagado. Ainda assim, suas mãos não soltaram.

— GOROROB?! GROORB?!

O campeão tinha ficado aterrorizado.

Naturalmente, os outros goblins não ficaram simplesmente esperando e assistindo seu líder ser estrangulado. Vários deles levantaram suas armas e começaram a avançar para matar esse inimigo ressuscitado.

Até que, de repente, suas cabeças saíram voando, substituídas por jorros de sangue.

Eles tinham sido mortos pela clava do campeão enquanto ele a brandia em sua luta desesperada. Os corpos dos goblins decapitados caíram no chão.

Isso foi demais, mesmo para eles.

Goblins não mostravam medo da morte quando eles acreditavam que conseguiriam ganhar. Se o saque e a devassidão os esperavam do outro lado da vitória, melhor ainda.

Mas aqui, eles poderiam ganhar?

— Yaaaaaaahhhhh!

Um grande rugido.

Um momento de indecisão, um instante de hesitação, significou a derrota dos goblins.

Com um urro para honrar seus ancestrais, o Lagarto Sacerdote, agora livre mais uma vez, atacou os monstros. Sua espada-presa, encharcada com sangue de goblins, girava como uma tempestade em suas mãos escamosa.

— GRRB?!

— GORORB?!

Com cada movimento rápido da lâmina, uma mão, um pé ou uma cabeça saia voando. Com sua cauda, ele derrubava os que tentavam fugir, e com sua presa, finalizava eles.

Lançados em confusão, os goblins correram para cercar o Lagarto Sacerdote, só para verem uma chuva de flechas de madeira.

— Vá!

Uma voz familiar ressoou.

Ela estava cobrindo seu peito exposto e encharcado com sangue de goblin, mas ela estava ali. Enquanto ela atirava com seu arco ajoelhada, a Alta-Elfa Arqueira gritou: — Eu vou lidar com esses caras!

— Meus agradecimentos! — O Lagarto Sacerdote gritou e começou a abrir caminho através dos agressores.

Ele estava tentando chegar a Sacerdotisa deitada no chão. Ele ainda tinha alguns feitiços sobrando.

Isso significava que a garota ia ficar bem, a Alta-Elfa Arqueira pensou com um suspiro aliviado.

— …Obrigada.

— Por que isso tão de repente?

Foi o Anão Xamã ao lado dela que respondeu seu murmúrio.

Coberto com marcas de sangue, respirando ofegante, e ainda segurando seu machado, ele despachava facilmente quaisquer goblins que vinham esperando matar a arqueira inimiga.

— Não consigo acreditar que devo a minha vida a um anão. Não vou ser capaz de esquecer isso. — Ela se virou, se esforçando para esconder seu peito pequeno. Suas orelhas estremeceram. — Para um elfo, a única coisa mais vergonhosa que isso seria não dizer obrigado.

— Deixe isso para um elfo chorando por ajuda com sua superioridade moral, — o Anão Xamã disse com uma risada mal reprimida.

Ela piscou para ele. — Melhor que a sua baixa moral, certo?

Enquanto ela tentava infligir indiferença, ela soltou uma flecha no campeão goblin e deu um grito.

— Pegue ele, Orcbolg!


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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