MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 7 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 7 de 9)

— GORAGAGA!!

O campeão usou um dos seus aliados como um escudo.

Não que isso fosse surpreendente. O Matador de Goblins achou isso perfeitamente normal. Não há nada nesse mundo tão egoísta quanto um goblin.

Tudo o que eles queriam era ganhar. Se isso significasse sacrificar um dos seus companheiros ou sua horda, mesmo toda a sua raça, que seja. Esse era um ponto crucial da diferença entre o pensamento dos goblins e daqueles que possuíam palavras. Essa tendência, combinada com a raiva completamente injustificada que sentiam quando seus companheiros eram mortos, os faziam bastante desagradáveis.

— GOROROROB!

Ele tinha perfurado o goblin no estômago, entre os pedaços da armadura da criatura, e a besta gritou alguma coisa enquanto sangue eclodiu da ferida.

— Tsc…

O Matador de Goblins puxou a espada e se preparou para o próximo ataque. Os olhos nojentos amarelos do campeão viram o aventureiro que queria o emboscar. Talvez ele tenha reconhecido o homem que tinha lançado a adaga contra ele há pouco, pois um sorriso horrível se espalhou sobre seu rosto.

— GROOOOORB!!

Seus braços poderosos levantaram sua clava em um movimento de gancho.

— Uggh?!

Metal, carne e osso retorceram; houve um som dilacerante terrível.

Leveza, impacto, nada. Um calor surgiu de suas entranhas. Dor.

Em um instante, o Matador de Goblins se deparou com a situação. O escudo que ele tinha instintivamente erguido para se proteger tinha sido lançado pelos ares.

E ele mesmo tinha se chocado contra um dos caixões que revestiam a sala. A pedra quebrou com um grande estalo, poeira voou por todo o lado. O lampião caiu de seu cinto e quebrou, liberando suas chamas.

— Matador de Goblins! Senhor! — A Sacerdotisa gritou para ele de onde ela observou a batalha, da fileira traseira.

— Orcbolg! Você está bem?!

Ambos a Alta-Elfa Arqueira e o Anão Xamã olharam para ele com o grito da Sacerdotisa.

Mas não houve resposta.

— Não! Matador de Goblins… senhor…?

Suas pernas tremiam debaixo dela, como se estivesse em um navio balançando.

Ele estava bem. Ele tinha que estar. Ele mesmo tinha retornado do golpe daquele ogro. Ele dizia: Não vamos fazer nenhuma loucura ou bobagem. Assim como ele sempre fez.

Mas ele estava apenas ali deitado na nuvem de poeira, como um boneco descartado. Com um som de líquido, sangue espesso saiu da viseira do capacete de metal.

Não tinha como se confundir; tinha sido um golpe crítico.

— N…!!

Seu cajado chacoalhou fracamente quando ele escorregou de suas mãos e caiu no chão. Ela trouxe suas mãos trêmulas ao seu rosto. Suas feições delicadas retorceram.

— Arrrrgh! Matador de Goblins, senhor! Matador de Goblins!

— GORB! GRROB!

— GROROB!

O choro da garota ecoou por toda a sala. Os goblins riram horrivelmente; esse era um dos seus sons preferido.

A vanguarda foi prejudicada. O espirito do usuário de magia foi despedaçado. A Proteção odiosa desapareceria também. O grupo tinha perdido o líder, isso era o que importava. Os goblins, obviamente, não deixariam esse momento passar. Foi assim que eles tinham sepultado aventureiros antes.

— O que é essa coisa…?! — O Lagarto Sacerdote gritou, mesmo ele que lutava com o tipo de força que apenas um homem-lagarto possuía.

Embora ele tivesse matado um número considerável de goblins, o Guerreiro Dragãodente foi subitamente eliminado.

O Lagarto Sacerdote logo seria encurralado. Os três defensores tinham se tornado um. Mesmo que ele mantivesse sua posição e usasse toda a sua força, ele não podia deter todo um exército goblin.

— Fiquem calmos! Mantenham a concentra… Que?!

Desse modo, a Alta-Elfa Arqueira se tornou a primeira captura do dia.

Ela tinha estado disparando suas flechas sem parar, e nenhum goblin tinha sido capaz de chegar perto dela.

Mas quando seu ritmo diminuiu por um instante, em apenas um piscar de olhos, um goblin se aproveitou disso para avançar na direção dela.

Elfos eram inerentemente elegantes criaturas magras. Sua agilidade era imensa, mas lhes faltavam força bruta. Ela se esforçou para sacudir o goblin das suas costas, mas era um gesto fútil face a horda invadindo.

— Me deixe ir! Saia… hã? Ahh! Ahhhh!

Ela foi levada ao chão, e com um grito, ela desapareceu sob uma montanha negra de goblins.

Por um segundo, uma perna magra saiu para fora debaixo da montanha, chutando o ar.

— Orelhuda!

O Anão Xamã foi o primeiro a notar o que estava acontecendo, e o único capaz de reagir. Ele pôs de lado sua funda e, com um berro, pegou um machado de mão do seu cinto.

— Suas bestazinhas! Pelos deuses, saiam de cima dela!

Seu julgamento foi incontestável; não haveria tempo para usar uma magia. Se o Anão Xamã não tivesse avançado imediatamente, a Alta-Elfa Arqueira poderia muito bem ter sido arrastada para quem sabe que destino.

Mas sem qualquer ataque a distância para apoiar o lutador corpo-a-corpo solitário, não havia nada para conter a investida goblin.

Isso era uma situação crítica.

Agora…

— Oh… ahh…

Já não havia nada entra a Sacerdotisa e o campeão goblin.

— Não… Oh… Oh não…

Seus dentes rangiam e todo seu corpo tremia de medo, ela mal se aguentava de pé. Houve um barulho baixo quando ela deslizou ao chão; então ela sentiu alguma coisa quente e molhada se espalhar por suas pernas.

— GROB! GROORB! GORRRB!

O cheiro disso fez o campeão goblin sorrir debochadamente para ela. Seria muito mais fácil se ela pudesse simplesmente perder a consciência. Ironicamente, foi toda a experiência que ela tinha adquirido que impediu de acontecer isso.

Os braços carnudos do campeão se estenderam e agarrou sua cintura.

— Hrr…?! Ahh…! — Ela gemeu quando a criatura esmagou seus órgãos internos.

Ela estava aterrorizada. E se ele simplesmente a espremesse até que seus ossos partissem?

— Hrr…?! O-o qu…? O queeee…?

Mas não foi o que aconteceu.

O campeão aproximou seu rosto para perto dela. Sua respiração fedia a carne podre.

— Erryaaaaaaargh!

E então ele deu uma grande mordida em seu ombro, com vestes, cota de malha e tudo mais. Sangue jorrou, manchando de vermelho através de sua pele branca.

— Ugggh! Ahhh!!

Ela nunca tinha experimentado tamanha dor. Ela estava no limite da sua resistência. A cor se esvaia de sua visão. Ela não conseguia falar, e apenas chorou como uma criança. Ela estava em um estado horrível, seus olhos escorriam com lagrimas, seu nariz com ranho, com saliva pendurada em seus lábios.

— Parem…! …ldição, me… deixem… ir…! Ahh!

A Alta-Elfa Arqueira acrescentou seus próprios gritos por debaixo da pilha de goblins.

Houve o som de roupa rasgando. Pancada. Gritos. Gemidos.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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