MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 5 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 5 de 9)

A Sacerdotisa se apressou para arrumar seus itens e se pôr de pé.

O Matador de Goblins assentiu em resposta, e o Lagarto Sacerdote foi até um caixão aleatório.

A Sacerdotisa foi ao seu lado. Poderiam eles realmente o mover? Eles não tinham escolha.

— Quando estiverem prontos, — o Matador de Goblins disse.

— Juntos então. — Detrás deles, o Lagarto Sacerdote colocou seus enormes braços contra a pedra.

— Um… Dois…

— Hrr!

— Hnnn!

Juntamente com o guerreiro e o sacerdote, a Sacerdotisa se inclinou com toda a sua força com seu corpo esbelto. Seus braços magros e sua pele macia eram quase nada comparados aos seus companheiros. Mesmo assim, ela empurrou o caixão com toda a sua força, com suor formando em sua face.

— Hn! Hrrnnn!

A dada altura, ela parou de tremer.

Logo, ela ouviu um nítido som de rachadura, e o caixão lentamente começou a se mover.

Ele deixava riscos brancos no chão enquanto eles o empurravam pela sala, finalmente o empurrando contra a porta com um estrondo.

O Lagarto Sacerdote deu mais dois ou três empurrões antes de assentir em satisfação.

— Isso servirá muito bem.

— Nós terminamos, também!

A Alta-Elfa Arqueira veio saltitando de volta ao Lagarto Sacerdote.

O Anão Xamã se mexeu em um cambaleio, limpando o suor de sua testa.

— Bem como as minhas magias, infelizmente.

— Pegue uma arma, então. — O Matador de Goblins puxou uma adaga de sua bainha.

Ele pegou a gaiola, onde o canário tinha finalmente se acalmado, e a colocou no meio da sala. Em seguida verificou o estado do seu escudo e bolsa, e se preparou para lutar a qualquer momento.

— Oh-ho. Não faltará munição por aqui, — o Anão Xamã disse, pegando sua funda. Ele coletou um monte de pedras do chão e as colocou no bolso. A Alta-Elfa Arqueira pegou a dica deles, verificando seu arco e garantindo que a corda estava apertada.

— Devo convocar um Guerreiro Dragãodente?

— Que acha da Proteção…?

— Por favor.

Para a resposta do Matador de Goblins, os dois membros do clero começaram as suas orações para seus respectivos patronos.

— Ó chifres e garras do nosso pai, Iguanodon, seus quatro membros se tornam duas pernas para andar sobre a terra.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos.

Pela boa graça do antepassado do Lagarto Sacerdote, o temível naga, a garra que ele tinha jogado no chão se tornou um soldado enquanto eles observavam.

E a toda-compassiva Mãe Terra concedeu a todos eles, incluindo esse guerreiro recém-criado, o milagre de Proteção. Ela tinha ouvido o apelo da Sacerdotisa enquanto se agarrava ao cajado.

Agora atrás de uma barreira invisível, a Alta-Elfa Arqueira preparou habilmente uma flecha em seu arco e apontou para a porta. Suas orelhas longas agitavam para cima e para baixo, traindo seu nervosismo.

— Está quieto lá fora.

— Eles notaram. — O Matador de Goblins, aprofundado em uma postura baixa, correu em direção à porta. — Com esses buracos bloqueados, o gás venenoso terá começado a fluir de volta para eles. Nós já podemos ter matado vários…

Isso era um bom palpite. O barulho perturbador dos tambores de batalha ecoava das profundezas da terra. Então passos de uma multidão enorme de alguma coisa vinha na direção deles. Com um som de metal raspando que deveria significar armadura.

Os goblins já estavam próximos.

A porta, barricada pelo caixão, começou a tremer; depois houve um som abafado de alguma coisa sendo chocada contra ela. A primeira pancada não produziu nenhum efeito, mas depois houve uma segunda, e uma terceira. A porta começou a ranger sob os impactos.

Por fim, parte da porta cedeu com um ruído grande dela partindo, e um olho nojento amarelo espreitou.

— Cuidado! — Mesmo enquanto gritava, a Alta-Elfa Arqueira fez a flecha voar.

— GRRB?!

A flecha com ponta de broto se enfiou através da fenda na porta e perfurou o goblin através do olho. A criatura caiu para trás com um grito estrondoso, mas seus companheiros rapidamente preencheram o vazio.

— Não posso dizer quantos passos há, mas tem algo estranho lá fora! —, a Alta-Elfa Arqueira gritou.

Os goblins, é claro, não ficariam parados para serem atingidos.

Assim que eles perceberam que os aventureiros na sala estavam retaliando, flechas começaram a voar pela abertura.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos!

A Mãe Terra protegeu sua humilde discípula tão ferozmente quanto qualquer mãe protegeria seu filho. A Proteção tinha salvado eles da saraivada de flechas à frente; disparos a esmo esporádicos não iriam conseguir passar por ela.

Enquanto a garota agarrasse seu cajado e rezasse, as flechas nunca os alcançariam.

— Eles estão vindo… Eles estão vindo… Um enxame deles! — O Anão Xamã murmurou com uma careta. Suas mãos se moviam com velocidade cegante, abastecendo sua funda com pedras tão rapidamente quanto elas podiam voar.

Flechas e pedras, lamentos e berros, todos se misturaram no ar. Mas a ida e volta através da porta não durou muito. A porta ébano podia ter sido antiga para além da memória, mas mesmo ela não podia suportar eternamente contra as armas rústicas e força bruta. Apesar da sustentação do caixão de pedra, ela finalmente deu um belo último suspiro.

— GORORB!!

— GROOROB!!

Goblins inundaram para a sala em meio a uma chuva de lascas de madeira. Embora os equipamentos fossem brutos, eles carregavam espadas, lanças e arcos. Até tinham armadura de couro e cota de malha.

— Eles estão bem equipados.

O Matador de Goblins reparou que uma criatura excepcionalmente grande os estava liderando.

— Um hob… Não.

Com um grunhido baixo e um movimento rápido de seu braço direito, ele arremessou sua adaga contra a criatura.

Ele realmente o acertou, perfurando o ponto vital de um ombro exposto, mas a ferida claramente não era fatal.

Goblins são frequentemente referidos por “pequenos demônios”, mas não havia nada pequeno em relação a esse. Sua pele verde-escura repleta de músculos, muitos deles pareciam aptos a explodir. Ele segurava uma clava. O sorriso pérfido em seu rosto era certamente de um goblin, mas…

— GORAORARO!!

— Então. Um campeão goblin.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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