MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 4 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 4 de 9)

Eles deviam ter esperado isso. Os goblins dificilmente poderiam deixar passar um grupo de aventureiros invadindo sua casa.

Encurralar uma presa cautelosa era difícil. Era muito mais fácil emboscar elas, montar uma armadilha. Os goblins sabiam que nenhum aventureiro deixaria uma mulher em apuros.

De vez em quando, a perspicácia cruel em suas cabecinhas podia ultrapassar mesmo a de um humano. Isso, juntamente com as suas fertilidades, era o que lhes permitia sobreviver durante tanto tempo.

— Não…!

Eles foram apanhados. A realidade disso deixou a Sacerdotisa sem palavras. Seus joelhos tremiam, seus dentes rangiam e ela achava que suas pernas podiam ceder. A tragédia daquela primeira aventura veio à tona em sua mente.

— Se acalme.

A repreensão foi tão calma como sempre. Não era para a apoiar com seu medo, mas passar por ele. Ela assentiu ferozmente, como se agarrando às suas palavras. Seu rosto estava pálido, e alguma coisa reluzia nos cantos de seus olhos. Se ele não estivesse lá ou se ela estivesse sozinha, ela certamente teria desmaiado.

E isso teria significado morte, ou algo muito pior.

Mas ao lado dela estava o Matador de Goblins, com a guarda levantada e arma de prontidão.

— Ainda estamos vivos.

O canário começou a cantar ruidosamente.

— Gás!

Ninguém tinha certeza de quem disse isso primeiro.

— GROB! GORRB!!

— GROOROB! GORRRB!!

O chilrear do canário se misturava com as risadas estridentes dos goblins do outro lado da porta.

Uma névoa branca começou a se infiltrar na sala através de vários buracos que tinham sido perfurados nas paredes. Os aventureiros se comprimiram no centro da câmara funerária como que circundados. Eles estavam certamente com sérios problemas.

— Estamos em apuros agora. Eles vão acabar com todos de uma só vez.

— Nem todo gás é mortal… Mas tenho certeza que não significa nada de bom, seja qual for o caso.

O Lagarto Sacerdote estalou sua língua, e o Anão Xamã grunhiu e limpou o suor de seu rosto. Seus olhos tinham acabado por estar no esqueleto horrível na pele de mulher.

Olhando para toda a sala em desespero, esperando encontrar uma rota de fuga, a Alta-Elfa Arqueira deu um grito.

— Isso não é bom! Não há outra saída!

— O que… vamos… fazer, Matador de Goblins, senhor…?

A Sacerdotisa ainda não tinha obtido o milagre Cura, que poderia neutralizar veneno, e mesmo seus efeitos só iriam durar por pouco tempo. Quando ele passasse, seria o fim. Sem saber quanto tempo o gás continuaria vindo, tudo o que ela podia fazer era ganhar para eles um pouco de tempo.

A Sacerdotisa olhou suplicante para o Matador de Goblins, com os olhos brilhando com lágrimas.

Ela não deu nenhuma resposta.

— Matador de Goblins? Senhor?

— ……

Ele estava revirando silenciosamente sua bolsa.

Enquanto a Sacerdotisa olhava, ele tirou uma massa preta e lançou para ela.

— Enrole isso com toalha de mão e o coloque sobre sua boca e nariz.

— Isso é… carvão?

— Isso vai a proteger um pouco do gás tóxico. Se tiver algumas plantas medicinais com você, as coloque no pano, também. Depressa, se não quiser morrer.

— Sim, senhor!

A Sacerdotisa pegou apressadamente o carvão e se sentou no lugar para vasculhar seus próprios itens. Quando ela retirou seis toalhas de mão limpas, ela viu um braço escamado chegando ao lado dela.

— Me deixe te ajudar. Vapores tóxicos não me afetam muito.

— O-obrigada…!

Os dois rapidamente começaram a enrolar carvão e ervas em cada um dos panos, fazendo máscaras de gás simples. A Sacerdotisa continuou a preparar panos para seus companheiros enquanto o Lagarto Sacerdote envolvia um ao redor de seu rosto.

— Matador de Goblins, senhor!

— Obrigado.

— Aqui, pegue isso, também…!

Duas máscaras de gás, uma feita com um pano maior. Ele pareceu adivinhar o que ela tinha em mente; ele imediatamente envolveu o pano grande ao redor da gaiola. Depois, ele colocou sua própria máscara através de seu capacete mo e começou a remexer sua bolsa outra vez. Ela estava cheia de objetos que nenhum dos outros conseguiam identificar.

— Deuses. Você tem tudo e mais alguma coisa aí dentro, não tem? — O anão Xamã disse enquanto lutava para tentar incluir sua barba dentro do pano que a Sacerdotisa tinha lhe dado.

— Apenas o mínimo, — o Matador de Goblins respondeu, agarrando dois sacos daquela confusão de itens. — Eu queria trazer máscaras como as que médicos usam quando estão tratando a Peste Negra, mas são muito grandes.

— Então, o que você tem em mente, Corta-barba? — O anão parecia sorrindo galantemente sob sua máscara.

O Matador de Goblins jogou um dos sacos para ele. O Anão Xamã correu para o apanhar, então deu um olhar interrogativo com seu peso inesperado.

— O que temos aqui?

— Cal e terra vulcânica. — O Matador de Goblins estava tão calmo como sempre. — Misture eles e tampe os buracos.

O Anão Xamã repentinamente bateu em seus joelhos. Mesmo com a máscara, seu sorriso era evidente.

— Concreto!

— Ele não vai secar muito rápido, — o Matador de Goblins disse, mas ele assentiu, o Anão Xamã bateu em seu próprio peito.

— Com o que está preocupado, Corta-barba? Eu tenho a magia Meteorização!

Com isso, a Alta-Elfa Arqueira pegou o saco da mão do Anão Xamã.

— Ei, orelhuda, o que está fazendo?

Por cima de sua máscara de gás, seus olhos semicerraram, e suas orelhas balançaram.

— Eu selo os buracos, anão. Você lança a magia!

— Bem dito! — Sua resposta rápida foi como um maço batendo em um prego.

Ele e a Alta-Elfa Arqueira começaram a se mover rapidamente pela sala. A Alta-Elfa Arqueira iria espalhar concreto sempre que encontrasse um buraco, e o Anão Xamã iria estender sua mão.

— Tique-taque diz o relógio, suas mãos nunca param. Pêndulo, balança… tempo é a coisa!

Ele terminou com um grande grito e uma rajada de sopro, e o composto lamacento endureceu em um piscar de olhos.

O Lagarto Sacerdote revirou seus olhos com a visão.

— Hmm. Você tem muitas artimanhas, mestre conjurador.

Ele moveu sua mandíbula para cima e para baixo. Ele estava coberto com um pano, que não era longo o suficiente; ele tinha sido complementado com uma bandagem. Sua voz foi abafada, mas de resto soava normal; pelo menos, ele parecia tranquilo. Para um homem-lagarto que tinha crescido nas selvas do sul, o campo de batalha era como uma segunda casa.

— Você tem um próximo passo em mente, nesse momento, meu senhor Matador de Goblins?

— Vamos mover um dos caixões em frente à porta como uma barricada, — o Matador de Goblins disse calmamente. Ele soou igual ao habitual; ele não parecia nem um pouco preocupado. — Quando o gás se dissipar, eles vão entrar.

— Ah, Eu… Eu vou ajudar!


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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