MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 3 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 3 de 9)

A Alta-Elfa Arqueira ficou próxima da Sacerdotisa enquanto ela rezava pelo descanso dessas almas, como se a protegendo. Seus ombros encolheram.

— Isso é um ninho de goblins agora.

Suas palavras evocavam uma pitada de tristeza quando ecoaram por um momento e depois se dissiparam. Para os elfos, que viviam milhares de anos, mesmo a Era dos Deuses não parecia ter sido há tanto tempo. Ou talvez ela estava comovida por estar de pé entre os túmulos dos guerreiros que sua mãe e seu pai lhe tinham contado em histórias.

— Mesmo os bravos são finalmente trazidos abaixo, hã…?

— Isso agora não importa.

O Matador de Goblins interrompeu as ruminações sombrias das meninas. Ele sondou rapidamente a área, e quando ele estava satisfeito que não havia ameaça iminente dos goblins, ele começou uma caminhada vigorosa.

A reação foi realmente muito parecida com ele. A Alta-Elfa Arqueira e a Sacerdotisa olharam uma para a outra.

— O que acha disso?

— Eu acho… que ele ainda é o nosso Matador de Goblins.

A resposta da Sacerdotisa foi uma mistura de resignação e afeto.

A Alta-Elfa Arqueira se pôs de pé graciosamente e caminhou atrás do guerreiro; a Sacerdotisa por trás de ambos.

— Hmm. Nunca ninguém acusou o Corta-barba de paciência excessiva. — O Anão Xamã seguiu depois dando um bufo. — Você vai provavelmente assustar aqueles pequenos demônios só por aparecer.

— Isso seria um problema, — o Matador de Goblins disse calmamente. — Odeio quando eles correm.

O grupo sorriu cansado com sua resposta extremamente séria, e então voltou a caminhar, para às catacumbas.

Tudo acerca da arquitetura era diferente dos esgotos. O caminho retorcia confusamente, virando de volta a si mesmo, se ramificando, como um labirinto. De cima, as catacumbas poderiam parecer uma teia de aranha.

— Elas devem ser construídas assim para confundir alguns monstros que vagam, para evitar que eles perturbem os guerreiros mortos, — o Anão Xamã explicou com um assobio impressionado. Até os melhores pedreiros anões não teriam achado algo simples criar corredores como esses. — Vagar por esse lugar como um espírito perdido… isso seria um destino cruel.

— Sim, pois isso remove um dos ciclos de morte e renascimento, — o Lagarto Sacerdote disse. — Mas esse lugar já caiu nas mãos dos goblins.

Não havia dúvidas que o lugar tinha se tornado um terreno fértil para o caos.

— Acima de tudo… —, o Lagarto Sacerdote murmurou, adicionando alguns traços de carvão ao velino, — o esquema de um mapa não pode ser feito desinteressadamente. Cada um de nós deve se manter vigilante.

— Bem, essa sala primeiro, eu acho.

Segurando seu cajado com as duas mãos, a Sacerdotisa olhou para a porta grande e grossa. Era de um ébano do céu noturno, enfeitado com uma borda de ouro e parecia desafiar a passagem do tempo. Miraculosamente por estar em tal lugar úmido, a porta não mostrava sinais de apodrecimento ou desgaste. Era claramente encantado com alguma magia antiga. Com exceção de um pouco de ferrugem ao redor da fechadura, não havia nenhum arranhão.

— Não está trancada, — a Alta-Elfa Arqueira disse. — E não parece ter nenhuma armadilha, pelo menos não na porta em si. — Ela terminou de inspecionar a fechadura, assentiu levemente e pisou ao lado. — Isso não é minha especialidade, no entanto. Então não me culpem se algo correr mal.

— Aqui vou eu, — o Matador de Goblins declarou, depois chutou a porta da câmara funerária.

Os aventureiros entraram na sala como uma avalanche.

Uma vez que estavam dentro, o Anão Xamã martelou uma cunha debaixo da porta para a manter aberta. Ele tinha sempre a ferramenta em mãos contra eventuais situações inesperadas, e a forma fácil que ele a usou, sugeria uma longa familiaridade.

O Lagarto Sacerdote manteve sua arma preparada para proteger o Anão Xamã de qualquer emboscada. Enquanto o anão trabalhava, era a função da Alta-Elfa Arqueira verificar a sala.

A câmara funerária tinha dez pés quadrados, pavimentado com nove fileiras de três. A Alta-Elfa Arqueira se virou para examinar a sala, com uma flecha preparada no arco…

— Olhem para aquilo!

— Que horror…!

Ambas a Alta-Elfa Arqueira e a Sacerdotisa engoliram profundamente, com expressões claras de nojo em seus rostos.

A sala estava vazia, salvo vários caixões de pedra. Ao centro, uma forma estava à vista pela luz fraca da tocha. Alguém estava amarrado, com as pernas e braços estendidos como que para expor deliberadamente.

A forma parecia ser uma figura humana, com a cabeça baixa em exaustão, uma mulher de cabelo comprido. Ela usava uma armadura metálica desbotada. Talvez ela fosse uma dos aventureiros que tinham ido antes deles e não voltaram.

— Matador de Goblins, senhor!

— Não há outra alternativa…

Com a permissão do Matador de Goblins, a Sacerdotisa correu para a mulher cativa.

Ela se ajoelhou e perguntou: — Olá? Olá? Está tudo bem? — Não houve resposta.

A mulher nem mesmo olhou para a direção da Sacerdotisa. Sua cabeça simplesmente lá abaixada.

Tinha ela perdido toda a força? Ou ela estava…?

— …! Eu… Eu vou tentar te curar…!

A Sacerdotisa pôs de lado seu medo do pior e começou a rezar à Mãe Terra para a cura.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, coloque tua venerável mão sobre…

Com um leve sibilo, o cabelo da mulher caiu no chão, bem à frente da Sacerdotisa que levantou as mãos para invocar o milagre.

Olhos vazios olharam para ela.

Isso foi uma pessoa.

Foi.

Um esqueleto velho, disfarçado com a pele de uma mulher que tinha sido presumivelmente esfolada viva.

— Isso é ruim! Isso… isso é muito ruim!

A Sacerdotisa deu um grito falho.

Ao mesmo instante, a entrada selou com um choque.

A cunha ressoou através da sala, gozando deles.

— Hrr…!

O Lagarto Sacerdote imediatamente investiu para a porta com o ombro, mas ela não se moveu.

— Isso é um problema! Acho que a porta foi obstruída!

— Vem cá, Escamoso! Talvez você e eu juntos…!

O Lagarto Sacerdote e o Anão Xamã se chocaram contra a porta com todas as suas forças. Ela rangeu, mas não se moveu. Não mostrando sinal algum de abrir.

— GROOROOROROB!!

— GORB!! GORRRRB!!

Vozes estridentes ecoaram do outro lado da parede de pedra, zombando dos esforços fúteis dos aventureiros.

A Alta-Elfa Arqueira mordeu os lábios.

— Goblins…!

— Então eles nos apanharam, — o Matador de Goblins disse em aborrecimento.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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