MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 2 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 2 de 9)

— Então, Orcbolg.

A elfa saltou e caiu do outro lado sem fazer barulho, depois amarrou a corda em uma de suas flechas e a disparou entre os ladrilhos.

— E quanto aquele pergaminho Portal? Aprendeu de alguém também?

— Uma vez ouvi sobre alguém que tentou utilizar o Portal para ir a uma ruína submersa, e a água o matou.

Aquela mulher — ou seja, a Bruxa lá da Guilda dos Aventureiros, — deve ter lhe contado a história.

Com um sinal para a Alta-Elfa Arqueira, o Matador de Goblins agarrou a corda e saltou para o outro lado. Ele fez um grande som abafado quando aterrissou, como era de esperar de uma pessoa com armadura completa.

— Impressionante, — ele disse quando entregou a corda de volta a Alta-Elfa Arqueira, que a lançou de volta ao outro lado.

— Você realmente fará qualquer coisa para matar goblins, não é?

— Claro, — foi tudo o que ele disse.

Ele deve ter concluído que o interrogatório tinha acabado, pois ele ficou em silêncio e começou a olhar em volta por todo o lugar.

— Você pode saltar, moça? Eu serei ajudado pelo Escamoso…

— Ah, certo. Bem, hum, sou a próxima, eu acho.

Com o pedido do Anão Xamã, a Sacerdotisa que, de certa forma, estava vagamente olhando ao redor, apressadamente pegou a corda. Ela recuou para começar a correr, depois saltou com um pequeno grito, com sua expressão se torcendo só um pouco.

Ele colocou armadilhas e matou crianças sem hesitação; ele era preparado e implacável. Para ela, ele parecia muito como um goblin. Talvez ele soubesse isso melhor que ninguém.

Sem dúvida ele um dia, também, desaparecerá.

A densa voz doce veio espontaneamente, atravessando como um rio antes de desaparecer lentamente.

A investigação dos esgotos foi mais suave que a do dia anterior. Isso foi em parte, devido terem uma melhor compreensão dos caminhos, mas, mais do que isso, eles tinham mudado sua filosofia.

O Matador de Goblins estava determinado a evitar completamente qualquer encontro com os goblins. Ele andava com o seu passo despreocupado, segurando a tocha e se esgueirando como um gato. A Alta-Elfa Arqueira parecia estar seguindo atrás dele; seus passos eram tão leves quanto uma pena. Às vezes passavam despercebidos por patrulhas de goblins; outras vezes, eles escolhiam rotas sem goblins.

A Sacerdotisa, o Anão Xamã e o Lagarto Sacerdote seguiam atrás deles através dos corredores.

— Nunca pensei que alguma vez o veria deixar um goblin ir, Orcbolg, — a Alta-Elfa Arqueira sussurrou.

— Não vou deixar eles irem, — ele respondeu, se pressionando contra a parede e espiando uma esquina. — Primeiro, cortemos o cabeça. Abatemos o resto depois.

— Me pergunto se é outro senhor goblin ou ogro, — a Sacerdotisa murmurou ansiosamente, mas o Matador de Goblins apenas balançou a cabeça e disse: — Não sei.

Goblins estavam no fundo da hierarquia dos monstros. Quase todos os tipos de criaturas poderia estar os liderando. Um elfo escuro, algum tipo de demônio, mesmo um dragão…

— Suponho que não servirá de nada ficar pensando sobre isso. O Lagarto Sacerdote pegou o mapa dobrado de sua bolsa e o abriu agilmente com suas garras. Graças a sua excelente visão noturna, que herdou de seus antepassados, ele podia ler mesmo na ausência de uma luz.

— Acho que não vislumbramos ainda sequer a sombra da cauda daquele que está por trás disso.

— O que quer dizer, — o Anão Xamã disse, — é que temos de continuar indo mais para dentro.

— Mais rio acima, para ser preciso. — O Matador de Goblins tinha parado e estava segurando a tocha sobre o mapa para ler. Ele traçou um caminho com um dedo enluvado. Seguiu o canal adiante, passou o local do seu combate aleatório do dia anterior.

— Seus barcos vieram bem mais distante do rio de esgoto. É seguro presumir que eles têm uma base em algum lugar nessa direção.

— Se continuarmos rio adiante… quer dizer que vamos sair desse mapa, certo? — O dedo branco da Sacerdotisa seguiu ao longo do papel do Matador de Goblins.

O mapa que a Donzela da Espada tinha lhes dado era só do esgoto da cidade, afinal. Ele mostrava apenas uma fração das imensas ruínas que se espalhavam por debaixo da cidade da água.

— Vamos ficar bem?

— Não faremos nada estúpido.

A Sacerdotisa ajustou se cajado em suas mãos, incapaz de se acalmar, mas o Matador de Goblins estava firme.

Não era claro se isso estava fora da consideração por ela. Mas na visão do seu semblante imutável, as bochechas tensas da Sacerdotisa relaxaram e ela sorriu.

— É verdade, está correto. Não vamos fazer nenhuma loucura ou bobagem.

Ela segurou seu cajado firmemente, forçou seus joelhos a não tremer e olhou em frente.

— Rio acima, né? Vai ser por aqui. — A Alta-Elfa Arqueira continuou, com as orelhas saltitando, sem um momento de relutância, e o resto do grupo a seguiu.

Pouco tempo depois, assim que eles chegaram bem no limite do mapa, a atmosfera mudou visivelmente. O simples corredor de pedra se mostrou uma galeria coberta de pinturas na parede. O pavimento coberto de musgo se tornou de mármore rachado. Até a água passou de poluída para limpa. Isso obviamente não era mais um esgoto.

— Há vestígios de fuligem aqui.

O Matador de Goblins, estudando atentamente as pinturas na parede, segurou a tocha no alto e apontou para uma mancha perto do teto.

A Alta-Elfa Arqueira ficou na ponta dos pés para ver.

— Quer dizer que costumava ter luzes?

— Há muito tempo. — O Matador de Goblins assentiu, limpando um pouco da fuligem de seu dedo. — Goblins tem excelente visão noturna. Eles não usam luzes.

— Hmm…

O Lagarto Sacerdote se inclinou em direção a parede, e deu em uma das pinturas um arranhão atencioso com sua garra. Humanos, elfos, anões, rheas, homens-lagarto, homens-fera; todas as raças que possuíam palavras estavam representadas em equipamentos completos, velhos e jovens, homens e mulheres.

— Guerreiros ou soldados… não.

Suas roupas não eram homogêneas o suficiente para ser de soldados. Mercenários, talvez, ou…

— Aventureiros.

— Já tinha ouvido que costumava ser bastante animado por essas bandas, — o Anão Xamã disse, de pé ao lado dele e seguindo as pinceladas atentamente com os olhos. A pintura, que resistiu ao longo de muitos anos, descascava ao menor dos toques. — Esse estilo de pintura não tem estado atualmente presente há quatrocentos, quinhentos anos.

— Oh, — a Sacerdotisa disse, olhando ao redor, — isso poderia ser…

A galeria cuidadosamente construída. As figuras pintadas. A água limpa. Se parecia muito como um lugar que ela conhecia muito bem. Tranquilo, silencioso, não transgredido. Não um templo…

— …um cemitério, talvez?

Catacumbas.

Era isso; ela estava convencida. Ela esfregou as pinturas — as pessoas, — com sua mão delicada. Eram aqueles que tinham lutado ao lado da ordem na Era dos Deuses, este era o lugar de descanso deles. Ela caiu de joelhos em luto por todos os que tinham vindo antes e se agarrou ao cajado.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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