MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 1 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 5 (Parte 1 de 9)

— Então, qual é a dessa coisa, afinal?

No dia seguinte, de volta nos esgotos mais uma vez, a elfa estava olhando para o Matador de Goblins com uma mão na cintura. Ele tinha uma nova espada no cinto, naturalmente com um tamanho curioso, e uma pequena gaiola pendurada ao lado de sua bainha.

Dentro dela, um pequeno pássaro com penas verde-claro cantava animadamente. O som não parecia apropriado nos esgotos poluído.

O Matador de Goblins lhe deu um olhar intrigado.

— Não conhece esse pássaro?

— Claro que sim.

— É um canário.

— Eu disse que sei qual é, — a Alta-Elfa Arqueira respondeu, com as orelhas para trás.

Ao lado dela, o Anão Xamã tentou conter uma risada.

— Você esteve perturbada com isso desde ontem à noite, não é? —, o anão disse.

— Não te incomoda? É um passarinho! Um pequeno canário!

Eles prosseguiam devagar e calmamente nos esgotos, através da escuridão, mas sua raiva não seria legal. Suas orelhas longas, perfeitas para exploração, balançavam impacientemente para cima e para baixo. Por um segundo, seus olhos em forma de amêndoa se fixaram rapidamente no Matador de Goblins atrás dela.

— Bem, isso não irá nos destruir se tocarmos, certo? Como o seu pergaminho?

— Acredita que canários são mortais às pessoas?

As orelhas da Alta-Elfa Arqueira se ergueram com vigor, e o Anão Xamã deixou escapar uma risada baixa.

— Ma-Matador de Goblins, senhor, eu não acho que é isso que ela quis dizer… —, a Sacerdotisa interrompeu, incapaz de deixar isso passar.

Ela caminhava no meio da sua fila, segurando seu cajado com as duas mãos.

— O que?

O Matador de Goblins olhou para trás, ela se encontrou olhando para seu capacete de metal. Ela ficou subitamente sem palavras.

Tinha passado uma noite desde o banho. Ela não tinha dormido nada essa noite, mas quanto teve de acordar de manhã… nada. Talvez todo o seu nervosismo tivesse simplesmente lhe dado um arranjo estranho de imaginação.

A Donzela da Espada tinha aparecido no café da manhã e disse uma palavra de agradecimento ao grupo quando ela passou por eles. Todos os indícios da indecência da noite anterior tinham desaparecido de sua aura, como se nunca tivesse estado lá.

Sim… não deve ser nada. Nunca foi.

Apenas um erro de sua parte. Claro que era. Tinha de ser…

— O que foi?

— Ah, nada…

A Sacerdotisa ficou rígida com a breve questão silenciosa do Matador de Goblins. Ela expirou suavemente.

— Digo, o que quero dizer é, por que você trouxe um canário com a gente?

Ela olhou para a gaiola. A criatura cor de grama estava saltando alegremente para cima e para baixo em um galho.

— Quero dizer, ele é bonitinho, mas…

O homem na frente dela era o Matador de Goblins. Ele não era um ser frívolo ou irracional quando se tratava de matar goblins.

— Canários fazem barulho quando sentem gás tóxico.

— Gás tóxico…?

O Matador de Goblins assentiu, explicando com seu típico tom desapaixonado:

— Os goblins nesse ninho são instruídos. Não me surpreenderia se tivessem colocado armadilhas tal como encontrei em antigas ruínas.

— Agora que falou nisso, os mineiros humanos não usam aves para detectar ar ruim subterrâneo? — O Anão Xamã deu um aceno em conhecimento, segurando seu saco de catalisadores. — Em geral, os anões são menos preocupados com gás tóxico do que nós somos sobre dragões vindo atrás de nossos tesouros.

— Oh, sério? — A Alta-Elfa Arqueira sorriu enquanto ela espreitava ao redor de uma esquina, depois fez sinal aos outros para a seguir.

O Matador de Goblins seguiu atrás dela, dando passos lentos e cuidadosos. Ele tinha uma mão em sua espada. A outra segurava uma tocha e seu escudo fixado no braço. Como sempre.

— Uma vez ouvi de um reino anão que foi destruído quando eles escavaram sobre alguns demônios subterrâneos, — o Matador de Goblins disse.

— …Bem, isso está destinado acontecer uma vez ou outra, — o Anão Xamã disse melancolicamente e ficou calado. Parecia que o Matador de Goblins tinha atingido um ponto fraco.

Sempre tem sido o destino dos países ruírem, prosperarem, guerrearem e ruírem outra vez para todos os tipos de razões. Nesse mundo o que jamais faltara eram terras ricas e arruinadas.

— Entendo, — o Lagarto Sacerdote disse, sua cauda balançava por trás dele. — E se me permite perguntar, meu senhor Matador de Goblins, onde você obteve tais conhecimentos?

— De um mineiro de carvão, — ele disse, como se fosse óbvio. — Há vários nesse mundo que sabem muito sobre o que eu não sei.

Depois de alguns minutos andando, eles chegaram a um caminho sem saída, embora não fosse um natural. O caminho estava bloqueado por um canal tão amplo quanto um riacho, e alguma coisa tinha destruído ou arrancado a ponte de pedra que tinha uma vez o cruzado.

A Alta-Elfa Arqueira levantou o polegar e esticou o braço, olhando a distância.

— Talvez sejamos capazes de saltar, se precisarmos.

— Algum outro caminho? —, o Matador de Goblins perguntou.

— Vejamos… — Houve um farfalhar quando o Lagarto Sacerdote desdobrou o mapa velho. Os desenhos antigos estavam cobertos em uma série de marcas novas, refletindo as descobertas dos aventureiros. Ele traçou os trechos e cursos de água com sua garra, depois balançou lentamente sua cabeça.

— Esse grande canal parece dividir tudo. Apesar de existir a possibilidade de uma das outras pontes estar intacta.

— Uma pequena esperança. — Com alguma surpresa, o Anão Xamã se inclinou sobre a água e tocou a pedra quebrada.

— Uou, não caia, — a Alta-Elfa Arqueira disse, agarrando ele pelo cinto.

— Desculpa… Hum. Isso é obra de uma inundação ao longo de muitos anos. Ela não a levou ontem mesmo. — Murmurando, o Anão Xamã voltou para o corredor. Ele mostrou a todos um pouco dos destroços que ele tinha coletado, então esmagou eles na mão.

— Meu palpite é que as outras pontes estão mais ou menos na mesma condição.

— Então, pulemos, — o Matador de Goblins disse sem hesitação. — O primeiro a subir carrega uma corda. Uma corda salva-vidas.

— Eu… Eu tenho uma corda, — a Sacerdotisa disse corajosamente e pegou um rolo de corda, completo com gancho, de sua bolsa.

Era exatamente como a sua que deveria ser enrolada cuidadosamente. E isso foi um testemunho da sua verdadeira força que parecia nunca ter sido utilizada.

— Oh, o Conjunto de Ferramentas de Aventureiro, — a Alta-Elfa Arqueira disse com entusiasmo enquanto entrecerrava os olhos e espreitava a bolsa da Sacerdotisa.

Tinha um bocado de equipamentos destinados aos aventureiros novatos, contendo tudo o que deveriam precisar em seu trabalho. Corda com gancho, vários pedaços de correntes e um martelo. Caixa de fogo. Mochila e cantil. Utensílios para comer, gesso, uma adaga, etc.

— Ficariam surpreendidos com o quão inútil são a maioria dessas coisas. Exceto o gancho.

— Mas quando você vai se aventurar, não deveria ir sem eles.

— Hum, — a Alta-Elfa Arqueira suspirou, depois agarrou no fim da corda que não tinha o gancho. Ela deu um ou dois passos para trás, então correu mais rápido que uma corça.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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