MdG – Volume 2 – Capítulo 4 (Parte 3 de 3) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 4 (Parte 3 de 3)

 

Havia um sistema de correio, para onde a estrada fosse, um cavalo correio poderia ir. A maioria das correspondências eram assim, mas com um pouco de dinheiro, você podia ainda contratar um aventureiro.

Afinal, aventureiros eram apenas valentões com armadura, armas e força. Se você pagasse eles o suficiente, eles iam levar a sua carta até o seu destino, especialmente útil em situações de emergências ou se a carta tinha de chegar a algum lugar remoto e o correio não podia chegar. E se você apresentar a missão pela guilda, eles confirmariam quando estivesse concluído. Isso ajudava a impedir que os mensageiros fugissem com seu item ou apenas jogasse a carta longe e fingisse que tinham entregado.

Claro, alguém nunca confiaria a um jovem valentão desconhecido uma entrega importante, por mais forte que ele fosse. Uma das vantagens do sistema de classificação da guilda era saber quem confiar suas encomendas.

— Agora que penso nisso, nunca escrevi uma carta, — a Alta-Elfa Arqueira disse, acrescentando um “hmm” enquanto olhava atentamente o formulário da missão. — O que foi que escreveu? Relatando que você fez com segurança?

— Sim, de certa forma.

An-ham…

Ela tinha a certeza que entendeu, e isso trouxe um leve rubor a suas bochechas. A Alta-Elfa Arqueira quase jogou o recibo de volta para ele. Ele deve ter escrito para aquela garota da fazenda. Tenho certeza disso. — Caramba, Orcbolg, então você tem um lado gentil.

— Tenho?

— Claro.

— Na verdade…

An-ham, an-ham. As orelhas da Alta-Elfa Arqueira se moviam para cima e para baixo alegremente; ela estava bastante impressionada com a conclusão que ela tinha precipitado.

— Certo! — Ela se levantou do banco, se sentindo renovada.

Seu cabelo voou atrás dela quando ela se estirou, se esticando como uma estrela cadente.

— Você precisa fazer algumas compras, Orcbolg? Uma arma ou algo assim?

— Sim.

O Matador de Goblins assentiu, então se levantou lentamente. Ele tocou o seu quadril com uma mão. Ele indicou a bainha, geralmente ocupada pela sua espada com um comprimento estranho, ou algum outro armamento rudimentar. Durante a aventura do dia anterior, sua habitual disposição para lançar inabalavelmente suas armas acabou o deixando sem.

— Não confio em uma adaga… Você vai comprar roupas?

— Claro. Esse esgoto cheira mal. Eu ia detestar se o fedor se impregnasse em mim… — Você é o único que não parece se importar. A Alta-Elfa Arqueira entrecerrou os olhos para ele. — Você me banhando com entranhas de goblins foi muito pior, no entanto.

— Tsc… — O Matador de Goblins grunhiu silenciosamente, ainda de pé à frente dela. — Se isso chateou tanto você, eu deveria pedir desculpas?

— Vá em frente. Não me importa. — Ela deu um simples e leve aceno com a mão. Calmíssima. — Eu acho que se pedir desculpas, provavelmente poderei parar de falar nisso.

— …Entendi.

Sua resposta, é claro, era a mesma de sempre.

Assim como o ambiente na Guilda. A multidão de aventureiros, funcionários, todos estavam olhando para eles com curiosidade. E alguns, porventura, com inveja. O que uma alta-elfa faz com um vagabundo desse? Todos tinham suas próprias teorias. Houve algum engano, ou alguém estava tendo. Assim sucessivamente.

— Eu notei, — o Matador de Goblins disse discretamente, e cada ouvido presente tentava escutar o que viria a seguir, — que apesar dos esgotos, não existem missões de extermínio, de ratos gigantes.

— Hum. Agora que falou nisso, acho que tem razão.

Quando ela esticou o pescoço para olhar o quadro de missão, a Alta-Elfa Arqueira notou alguns risos abafados. Mesmo que eles não falassem, suas expressões diziam tudo. Rapaz do campo. Ela conseguia os ver olhando praticamente de maneira esnobe. Você acha que haveria ratos em nossos esgotos? Em uma cidade tão bonita?

Mas a Alta-Elfa Arqueira apenas deu uma pequena gargalhada contente e olhou em volta.

— Bom, devemos ir?

Quando, com um sorriso, ela pegou a mão do Matador de Goblins, o sussurro se tornou um rugido. Ela gostou disso mais do que podia dizer. A sensação da luva de couro áspera dele em sua mão era nova, também, e seu sorriso só se ampliou.

— Ei, eu quero fazer uma pergunta a você.

Eles em pouco tempo estavam de volta à estrada que ela tinha vindo pouco tempo antes, voltando para a cidade.

— O que?

— Você precisa de roupa íntima aí em baixo? Sempre quis saber.

O Matador de Goblins deu um grande suspiro incomum para as palavras dela.

— Não me pergunte.

Altos-elfos gostavam de perguntar o que quisessem, é claro, ela deu pouca atenção à sua reação. Segurando sua mão enluvada com uma espécie de fascinação, ela olhou para seu rosto.

— Então. Só uma espada que você precisa, Orcbolg?

— Não. Algumas outras coisas também.

— Hmm.

A Alta-Elfa Arqueira voltou a pensar em tudo no saco de itens do Matador de Goblins.

Todos os itens que não conseguiu identificar, todas as coisas que nunca tinha visto. Todos os equipamentos que ela gostaria de conhecer a sensação. Uma irresistível curiosidade surgiu em seu pequeno peito, e sem um pingo de relutância, ela sorriu e perguntou:

— O que vai comprar?


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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