MdG – Volume 2 – Capítulo 4 (Parte 1 de 3) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 4 (Parte 1 de 3)

— Ahh…

A Sacerdotisa deixou um sorriso espalhar por todo seu rosto quando o vapor quente envolveu seu corpo nu, gelado pela chuva.

Além da porta aberta, havia uma vasta área de mármore branca, cheia de esculturas elegantes, mas não ostensivas. A sala estava cheia de bancadas para relaxar no meio do vapor do banho e o seu aroma levemente doce.

A área mais intima alojava uma estátua da Deidade da Bacia, a bela deusa do banho. Água fluía continuamente para o balde de lavar da boca de, entre todas as coisas, um leão. O lugar era extremamente luxuoso. A água presumivelmente vinha dos rios que passava por toda a cidade.

Isso nunca teria sucedido no Templo da Mãe Terra, em que seus adeptos estimavam a pobreza e mal tinha um pano para se lavarem. Esse, no entanto, era o grande banheiro do Templo da Lei, uma sauna. Era uma instalação única dos Templos do Deus Supremo, que tinha ordenado que aqueles que administravam a lei deviam ser puros de corpo.

E esse era o mais elaborado dos Templos da Lei na fronteira, palavras dificilmente poderiam descrevê-lo.

— …Certo. Só por hoje. — Com uma mão, a Sacerdotisa segurava uma toalha para cobrir o seu adorável peito; com a outra, ela fez o sinal da Mãe Terra.

Sua pele, normalmente coberta pela cota de malha e uma vestimenta de sacerdotisa, era um branco quase translúcido. A Sacerdotisa entrou no banheiro alegremente, com a pele umedecendo no vapor. Felizmente nenhum outro banhista estava por ali, em parte por causa da hora tardia, então ela não hesitou pegar um uma concha transbordando com água de um balde de lavar.

— Ah…!

O perfume que flutuava ao redor do local vinha dos óleos aromáticos derramado no balde.

Ela nunca tivera o impulso de se vestir com elegância desde que ela tinha sido transferida para se juntar ao clero, mas no fundo, ela se lembrou das garotas elegantes que tinha encontrado dias antes.

— Bem, percorri um longo caminho até aqui, afinal. Está tudo bem.

Ela olhou para esquerda e para direita, depois se virou para a estátua da Deidade da Bacia feito de Pedrassauna. A estátua, aquecida a uma temperatura elevadíssima, ferveu a água em um instante, preenchendo o lugar com vapor perfumado de rosa. A deusa estava retratada como uma mulher nua; para balancear, havia uma estátua de um velho no banheiro masculino.

Ou assim ela tinha ouvido. A Sacerdotisa mesma, é claro, nunca tinha estado no banheiro masculino.

Se dizia que a Deidade da Bacia contava aos banhistas suas fortunas, mas ela não tinha um templo próprio, nem fiéis. Ou talvez poderia ser dito que todos os banheiros era seu templo e todos os banhistas eram seus fiéis.

A Sacerdotisa, envolta em vapor, estava muito grata por estar entre os fiéis da deidade. Ela se sentou em um banco com um silencioso baque. Em seguida, ela pegou um adorno encontrado em toda casa de banho; um ramo de bétula-branca. Ela a roçou contra seu corpo muito suavemente, quase como se acariciando si mesma.

— Humm…

Seus músculos, embora rígidos e cansados das longas horas no subsolo, começaram a relaxar. Alguns minutos depois, quando tinha terminado com a bétula, sua pele nua brilhava em um leve rosado. Ela soltou um longo suspiro, se encostando sobre o encosto da longa bancada.

— Todos os outros deviam ter vindo comigo…

Ela tinha perguntado se a elfa queria vir, mas tinha recebido um vigoroso balançar de cabeça como resposta.

— Isso é como… se os espíritos do fogo, água e ar estivessem misturados todos juntos. Eu não gosto muito disso.

O anão e o homem-lagarto tinham expressado uma preferência pelo vinho e comida sobre os banhos e partiram para a cidade.

E depois havia o Matador de Goblins.

Ele tinha dito alguma coisa estranha sobre enviar uma carta e logo depois desapareceu.

— Ah! Eu vou também! — A Alta-Elfa Arqueira tinha dito e foi atrás dele, e a Sacerdotisa não podia dizer que ela não entendia como a arqueira se sentia.

Senhor Matador de Goblins…

Sim, foi nele em que os pensamentos da Sacerdotisa se estabeleceram.

— Deuses… Se passaram meio ano já…

Meio ano desde que ela tinha quase morrido naquele covil de goblins. Desde que ele tinha salvado sua vida.

Ainda hoje, sonhava com essa aventura. Algumas vezes ela não se via como ela, mas como uma das garotas sequestradas pelos goblins. Às vezes ela tinha um sonho passageiro que ela e os outros três novatos tinham atravessado a aventura em segurança.

Ambos tinham sido uma possibilidade para ela.

O que deveria ter feito ela, naquele dia, naquela hora? O que havia ela de ter feito?

Se.

Se ela tivesse acabado sua primeira aventura com sucesso…

Ela certamente não conheceria nenhum dos amigos que ela tinha atualmente. E então o que teria acontecido na sua luta nas ruínas subterrâneas ou com o senhor goblin?

O que seria da cidade, as pessoas na fazenda, todos os seus amigos, todos os conhecidos dela, todos os aventureiros? E ele, o Matador de Goblins? Teria ele sobrevivido?

A Sacerdotisa não era egoísta suficiente para acreditar que ela salvou a vida dele, mas…

— Ele não é uma pessoa tão ruim.

Ela passou a mão em sua cintura, onde ele tinha envolvido o braço há não muito tempo. Comparado ao seu braço, ela parecia fina e frágil. Ele parecia como um herói — e às vezes um demônio vingativo — mas ele provavelmente não era uma coisa nem outra.

— ……

A dada altura, a Sacerdotisa puxou os pés para cima do banco e se contraiu em uma bola. Sua cabeça estava flutuando agradavelmente com o vapor, e pensamento atrás de pensamento vagueavam através dela como bolhas na superfície da água. Se entregando a eles, ela sentiu uma combinação incomum de conforto e impaciência.

Era como acordar mais cedo do que o habitual em um dia em que ela não tinha de trabalhar. Ela podia simplesmente adormecer assim. Mas talvez seria melhor para ela se mexer e levantar. Ela tinha de fazer alguma coisa. Sentia que havia algo que ela tinha que fazer…

— O que devo fazer…?

— Sobre o quê?

— Masoque!

Quando uma voz suave respondeu seu murmuro abatido, a Sacerdotisa se levantou tão rapidamente que as bolhas se espalharam por toda parte. Seus olhos se lançaram para ver um corpo tão rechonchudo quanto uma fruta madura.

— Hee-hee. O sangue vai subir à cabeça a esse ritmo.

— Me-me desculpe, eu estava apenas pensando em voz alta…

A Sacerdotisa apressadamente curvou a cabeça para a arcebispa de pé diante dela, a Donzela da Espada.

— Não tem problema, — ela disse balançando a cabeça, o que fez ondas pelos seus lindos cabelos dourados. — Pelo contrário, perdão por assustá-la. Meus deveres me deixaram lenta…

A Sacerdotisa se viu encantada pela mulher. Ela não usava mais do que um fio de roupa, mas ela não tentou se cobrir, nem mostrou qualquer preocupação com sua nudez. Ela era tão bem dotada que nem sequer uma mulher podia se forçar a desviar o olhar. Sua única cobertura, o pano sobre seus olhos, de alguma forma a fazia unicamente sedutora. A atmosfera era praticamente reverente: Seu corpo, difundia à luz do sol e sombra, a fazia diferente e puramente linda a cada momento. Não apenas isso, o vapor em seu corpo ressaltava o resplendor em sua pele, tanto que mesmo a Sacerdotisa se encontrou engolindo em seco intensamente.

Mas…

— Hum… são essas…?

A voz da Sacerdotisa falhou.

Linhas brancas ténues estavam ao lado do corpo perfeito da Donzela da Espada. Muitas, muitas delas estratificadas mutuamente. Algumas estreitas, outras grossas, longas e curtas. Algumas fluíam direto como uma flecha, e outras faziam padrões como se tivessem sidas forçadas e puxadas. A ligeira coloração rosa de sua pele fazia eles destacarem ainda mais.

Tatuagens? Não, não podiam ser. Elas eram…

— Ah, essas…

A arcebispa localizou uma linha torta que percorria por todo seu braço com um fino dedo branco. Quando a ponta do dedo pressionou contra a pele suave, ela quase parecia estar se cariciando carinhosamente.

A Sacerdotisa só tinha visto isso em livros, mas mesmo assim ela olhou para baixo timidamente. Ela não conseguia continuar a olhar para elas.

— As marcas de um erro.

 


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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