MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 6 de 6) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 6 de 6)

Os goblins lutaram para fazer seu navio de guerra (ou o que parecia um navio de guerra dentre os goblins) ir mais rápido. O líder deles, um xamã, colocou seu cajado à frente e, com um grito, instou seus remadores a remar com mais força.

Já tinha passado algum tempo desde que sons de combate tinha deixado de ecoar pelos esgotos. Muito provavelmente, seus camaradas já estavam mortos, mas isso estava bem. O que interessava era que os aventureiros, seus inimigos e presas, estavam cansados. Eles não poderiam deixar esta oportunidade passar.

Os goblins estavam nos seus limites. Esses tuneis eram agradavelmente úmidos, mas essa chuva estava aumentando sem controle. Goblins não se importavam com sujeira ou esgoto, mas isso não significava que gostavam de se molhar. Eles queriam um lugar quente para dormir. Eles queriam uma boa comida.

E se tivessem prisioneiros para atormentar, melhor ainda. Parecia ter passado tanto tempo desde que eles tinham torturado e assassinado alguns aventureiros que tinham entrado nos esgotos algum tempo atrás.

Era por isso que eles tinham que aproveitar essa oportunidade.

Quem sabe teria um elfo entre esses aventureiros. Ou um humano. Mulher, se calhar. Tinha que ter!

Eles cantavam uma péssima canção de goblin enquanto seguiam remando, completamente fora de sincronia entre si. Como muitos dos barcos daqueles que possuíam palavras, toda a tripulação abordo do navio de guerra goblin eram soldados. Um navio teria sido vulnerável. Mas essa frota de três embarcações não daria tempo para um grupo inteiro de aventureiros novatos piscar.

Ou assim os goblins acreditavam, independentemente do que a realidade poderia ser. E isso os fazia perigosos. O pensamento de que eles ainda seriam fracos mesmo em um grupo, nunca passou pelas suas mentes. Seus rostos perversos de desejos, saliva pingava de suas bocas, eles se dedicaram energeticamente para remar mais rápido.

Os olhos do xamã, perfeitamente capazes de enxergar na escuridão, fixados em um único ponto de luz, um brilho cintilante que só podia ser um lampião de aventureiro. Desafortunadamente, humanos precisam de luz, pois a escuridão os deixavam cegos. Nas profundezas desses buracos escuros, os goblins eram os mais poderosos.

Com apenas a certeza da vitória, eles foram em direção à luz, despretensiosamente.

Mas não viram nenhum aventureiro. Na realidade, descobriram que a luz era apenas um reflexo na água.

— ORAGARA!

— GORRR…

O xamã estava desconfiado; ele deu a um dos seus subordinados uma pancada com seu cajado e uma praguejante repreensão. O goblin, que teve apenas o azar de estar perto, deu uma vasculhada na água, com uma pouca metódica cutucada com o remo.

Então:

— ORAGA?!

O goblin tinha perdido a cabeça.

A mandíbula pálida do monstro surgiu para fora da água.

— GORARARARAB!!

— GORRRB! GROAB!!

Os goblins criaram uma baderna enquanto eles se apressavam para os postos de combate. Envoltos no clima de pânico, vários pularam à água tentando fugir. Outros ficaram e lutaram.

Não importou. Os goblins mais perto da água foram os primeiros a serem despedaçados.

O xamã balançou seu cajado furiosamente e começou a entoar uma magia…

— Parece que eles têm o número, mas nós temos a vantagem, — o Lagarto Sacerdote observou.

— Hum. Não posso dizer que sinto pena deles, — o Anão Xamã respondeu.

Os aventureiros viram tudo da escuridão de um lado do caminho.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, conceda tua luz sagrada para nós que estamos perdidos na escuridão.

A Sacerdotisa rezou para a Mãe Terra, protegida da chuva pelo escudo do Matador de Goblins. Em resposta a sua oração, a toda-compassiva deusa enviou o milagre Luz Sagrada sobre a cauda do aligátor.

— Se não posso usar gás, fogo ou água, isso é o melhor que consigo fazer.

O Matador de Goblins soou mais do que um pouco irritado. Observando-o cansada, a Alta-Elfa Arqueira tentou o confortar.

— Tanto faz. Nós sobrevivemos, é isso que importa.

Isso é o que aventuras deviam ser! Ela inalou e estufou seu pequeno tórax. Ela estava bastante satisfeita, conforme era obvio pelas suas orelhas balançando muito alegremente.

— Embora eu não possa acreditar que eles caíram em um truque simples com um pouco de luz.

— Eles aprenderam que aventureiros se movimentam com luz.

— Sério?

— Não sei quando, mas em algum momento, se tornou senso comum entre eles, — o Matador de Goblins disse, assistindo a batalha no esgoto se desenrolar. — Eles não são mais do que saqueadores. Não fazem ideia de como produzir qualquer coisa.

Ele tinha razão. Goblins faziam clavas e ferramentas de pedra ou, talvez, moldavam outros equipamentos para servirem para si, mas nada mais do que isso. Itens, alimento, animais… Eles roubavam o que precisavam em vez de produzirem.

E porque não? Aldeias cheias de humanos estúpidos estavam apenas esperando por eles para virem e tomarem o que quisessem. Desde que eles pudessem saciar a si mesmo através do roubo, não havia nenhuma razão para fazer outra coisa. Contanto que eles pudessem conseguir meninas e aventureiras o suficiente, eles estabeleceram isso.

— Mesmo assim, fracos como são, eles não são tolos, — o Matador de Goblins continuou, embora não tenha deixado sua atenção vagar da batalha. — Eles aprendem a usar itens com rapidez. Caso você mostre a eles como construir um barco, eles iriam entender em pouco tempo.

— Você os conhece muito bem, — a Alta-Elfa Arqueira disse.

— Tinha estudado eles atentamente, — o Matador de Goblins respondeu sem demora. — É por isso que tenho cuidado para nunca dar a eles uma nova ideia. Eu mato eles em vez disso.

Encostado na parede, o Anão Xamã acariciou a barba.

— Então, está dizendo que alguém ensinou eles como construir aqueles barcos.

— Sim.

A Sacerdotisa terminou sua oração e soltou um suspiro. Ela limpou o suor e a chuva da testa.

— Tem certeza? Quem sabe o xamã inventou com eles…

— É possível. Mas se seus números aumentam aqui naturalmente, então aquele… o que quer que aquela coisa seja…

— Hum… o aligátor? — A Sacerdotisa propôs.

— …Certo. Aquela coisa não teria surpreendido eles. Não acho que eles teriam usado barcos se eles tivessem sabido disso. — Ele murmurou, então acrescentou: — Covardes até a alma.

— Onde quer chegar, meu senhor Matador de Goblins? — O Lagarto Sacerdote perguntou calmamente.

O Matador de Goblins parecia ter alguma coisa especifica em mente. Sua resposta foi bastante mordaz.

— Essa infestação de goblins é produzida pelo homem.

O Matador de Goblins esperou até o barulho da batalha diminuir, então sugeriu uma suspensão temporária.

Ninguém se opôs. Eles não tinham mais magias ou flechas. Eles não tinham itens suficientes e a força deles estava acabando. Eles caminharam silenciosamente nos esgotos sombrios, deixando a batalha entre os goblins e o aligátor para trás.

Algum tempo depois eles chegaram a uma escada. Subiram à superfície só para serem recebidos por grandes gotas de chuva. A Sacerdotisa já estava encharcada, mas as gotas continuavam a cair. Ela virou seu rosto cansado para o céu. Com uma voz baixa, murmurou:

— Não parece que a chuva vai parar.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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