MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 5 de 6) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 5 de 6)

Ele olhava em volta atentamente, ainda mantendo as armas nas duas mãos.

— Concordo. — O Lagarto Sacerdote assentiu, fazendo seu estanho gesto com as palmas juntas. — Essa batalha não foi silenciosa. Mesmo com a chuva para atenuar o barulho…

Algo mais deve ter nos notado.

Assim que ele disse isso…

Houve outro splash.

A Alta-Elfa Arqueira olhou para a água com uma expressão sombria.

— Escapar dos goblins apenas para ser apanhado pelos lobos, não é? — Ela estremeceu quando invocou o velho proverbio.

A superfície do esgoto se agitou; ondas surgiam e começaram a ondular com mais intensidade.

No instante seguinte, uma mandíbula enorme surgiu da água obscura.

— AAAAAARRRIGGGGGG!!!!

No momento depois disso, os aventureiros decidiram por uma retirada estratégica.

Eles correram para se salvar da chuva, se espalhando em toda parte. Eles foram abrindo caminho sem hesitar, apesar da semi-obscuridade dos esgotos. Isso foi só porque eram liderados pela Alta-Elfa Arqueira e o Lagarto Sacerdote, cuja agilidade os ajudou a se movimentar através da escuridão e pelos pequenos obstáculos à volta. A Sacerdotisa e o Anão Xamã seguiram seus rastros.

A sacerdotisa esbelta e o anão corpulento não eram corredores naturalmente rápidos. O Matador de Goblins, com o lampião ainda pendurado na cintura, os protegia conforme corria o mais rápido que seus pés conseguiam.

Atrás deles, a superfície da água se revirou outra vez.

Ele arriscou uma olhadela para trás. A enorme mandíbula branca preencheu sua visão: transbordando com muitos dentes afiados, longos e estreitos. A boca que surgiu para fora da escuridão era mais que suficiente para morder metade de uma pessoa.

A mandíbula fechou no ar e afundou de volta na água, mas estava gradualmente ganhando terreno.

— Concluí uma coisa do que pude observar, — o Matador de Goblins disse, com sua respiração normal. — Isso não é um goblin.

— Eu mesma poderia dizer isso! — A Alta-Elfa Arqueira gritou, que não tinha olhado para trás para ver a besta por si mesma.

Existem monstros chamados aligátores, também conhecidos como “dragões do pântano”.

Dragão é apenas um nome; eles são mais intimamente relacionados com lagartos. Eles não eram as criaturas da lenda.

Eles eram, no entanto, medonhos: seus corpos e mandíbulas longas e compactos, os forçavam a rastejar. Ainda assim, um aligátor atravessando a água com sua longa cauda não tem graça nenhuma.

Nesse lugar, o aligátor branco avançando na direção deles era para se temer mais do que qualquer besta mitológica.

— Ei, Escamoso! Esse não é o seu primo? Faça alguma coisa em relação a ele!

O Anão Xamã estava usando suas pernas atarracadas com toda as suas forças. Saliva voou da boca quando ele gritou.

— Muito lamentavelmente, quando entrei para o clero tive que abandonar todos os laços com a minha família.

— O que, você nunca sequer volta para a casa?

— É muito longe.

Com uma respiração profunda, o Lagarto Sacerdote tirou os pés do Anão Xamã do chão com uma rasteira da sua cauda.

— Uouuu?! — O Anão Xamã exclamou quando suas pernas deixaram o chão e flutuou pelo ar.

Aproximadamente no momento em que ele esperava voltar ao chão, ele sentiu um grande braço escamoso à sua volta, o segurando. O Lagarto Sacerdote não desacelerou nem por um momento quando ele agarrou o Anão Xamã e continuou a correr.

Aqueles olhos únicos do homem-lagarto se moveram rapidamente.

— E para ficar claro, conjurador, essa serpe não tem nenhuma relação conosco!

— Oh-ho! Eu gosto disso! Simples e fácil!

Aparentemente inalterado pela observação do seu amigo, o Anão Xamã cavalgou no ombro do Lagarto Sacerdote, rindo o tempo todo.

— De onde vocês acham que ele ve-veio? — A Sacerdotisa perguntou atrás deles, lutando para poder respirar.

Rezar aos deuses põe uma pressão terrível na alma e o espirito. Não é mais fácil do que o combate físico. Consequentemente ela estava quase sem fôlego, com os pés cambaleantes; ela achava que poderia cair a qualquer momento.

O Matador de Goblins deu um estalo com a língua e a pegou pela cintura fina.

— O qu…?!

— Tenha sua respiração de volta sob controle.

A Sacerdotisa deu um berro, assustada, mas depois da breve resposta do Matador de Goblins, ela se viu envolvida debaixo de seu braço.

Ela chutou e retorceu de vergonha, tanto pela sua proximidade física e de ser um fardo literal para ele.

— Eu… Eu estou bem! Vo-você não precisa me carregar…

— Pare de se debater. Vou te deixar cair.

— Ahh…

— Você tem mais um milagre sobrando, certo?

Seria um problema se ela colapsasse aqui e agora, suas palavras a informaram.

— Precisarei que você use outra magia.

Depois de um momento as bochechas da Sacerdotisa coraram, e ela respondeu baixo: — Está bem.

— Acho que seria sensato para nós sairmos do canal, — o Lagarto Sacerdote disse. Segurando o Anão Xamã em seu ombro com uma mão, ele alcançou facilmente sua bolsa com a outra mão e pegou o mapa.

Ele continuou correndo, lendo o mapa mesmo enquanto as gotas da chuva começaram a cruzar ela.

A umidade e a chuva, até mesmo o ar abafado, eram amigos do Lagarto Sacerdote, que tinha crescido no meio da selva.

— Vamos lhe dar o anão! Poderemos escapar enquanto o monstro está jantando! — A Alta-Elfa Arqueira, saltando através da chuva como uma corça, disse com evidente sinceridade. — Tenho certeza que vai ter uma intoxicação alimentar!

— Como se os elfos fossem tão nutritivos!

A Sacerdotisa interrompeu a Alta-Elfa Arqueira e o Anão Xamã, apontando em frente com seu cajado.

— A-alguma coisa está vindo pela nossa frente, também!

As orelhas da Alta-Elfa Arqueira agitaram para cima e para baixo, ouvindo atentamente.

Splash. Algo estava acertando a água. Três coisas, na verdade. Remos? Ela conhecia o som.

— Mais goblins? — Ela disse exausta. Ela parecia estar sentindo a batalha anterior.

Outra embarcação cheia de goblins estava se aproximando pelo canal sombrio.

— O-o que devemos…? — A Sacerdotisa olhou acima para o Matador de Goblins com olhos assustados.

— ……

Ele não disse nada como resposta, mas, em vez disso, apagou à luz do seu lampião o molhando.

— Sacerdote, — ele disse. — O caminho se ramifica em algum lugar mais à frente?

— Presumo que sim. Esses esgotos são bastante labirínticos. — O Lagarto Sacerdote passou uma garra pelo mapa enquanto respondia.

— Espera aí, não sei o que você está pensando, mas gás venenoso e fogo…

— Não é permitido. Eu sei. — O Matador de Goblins disse à Alta-Elfa Arqueira. Ele deu um pequeno suspiro.

— Vamos seguir o teu plano.

— …?

A Alta-Elfa Arqueira e o Anão Xamã trocaram olhares perplexos.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: