MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 4 de 6) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 4 de 6)

Cortando através da névoa vermelha, o Matador de Goblins e o Lagarto Sacerdote pularam a bordo do navio. A jangada balançou com seus pesos, mandando um ou dois goblins para a água suja.

Um grande salpico e um borrifo. Gotículas caíram.

— Hum.

O Matador de Goblins grunhiu quando ele pôs as criaturas lutando para manter seu equilíbrio na embarcação chacoalhante. Nisso, um goblin aproveitou o momento para o agarrar por trás. Com o escudo, ele lhe deu um golpe ressoante.

Clang. — GAROU!

— …Então você tem armadura, não é? — O Matador de Goblins cuspiu aborrecido. Sem abrandar, ele girou, chutando os goblin uivante claramente da jangada.

— GROOROB?!

A criatura lutou vigorosamente para sair do esgoto, mas sua armadura era muito pesada.

Finalmente, o rosto horrendo deslizou debaixo da superfície. Algumas bolhas surgiram, e então o goblin, como uma peça de tabuleiro, desapareceu.

— Hmm.

Em um único movimento, o Matador de Goblins atingiu um monstro próximo com a parte plana da sua espada. O goblin e as lagrimas imunda que ele estava chorando foram impotentes na água.

— GAROOARA?!

— É mais fácil simplesmente os empurrar para fora.

— Ó, temível naga! Veja as ações do seu filho em combate!

A única resposta do Lagarto Sacerdote ao Matador de Goblins foi gritar essa oração e saltar aos goblins.

Quando os goblins começaram a recuperar as suas visões, eles largaram seus arcos de lado e loucamente brandiram suas espadas.

Mas eles eram muito lentos.

Eles caíram para as garras, presas e cauda, para espada e escudo, punhos e pés. Com movimentos ágeis e táticas bem estudadas, os dois guerreiros fizeram o caminho de uma extremidade da jangada à outra.

Goblins eram fracos, afinal.

Em uma batalha frente a frente com aventureiros experientes, o goblin normal não tinha nenhuma chance. Algumas das criaturas saltaram para o esgoto em pânico. Tendo esquecidas de que não podiam nadar, elas rapidamente afogaram.

— Dezesseis.

Ainda assim, os goblins não tinham perdido a sua vantagem principal.

— Mas nós podemos estar em grande dificuldade. São muitos.

Que era dizer, números.

Quando um era morto, mais dois aparecia; quando dois afogavam, quatro surgiam. Quatro se tornou oito. Oito se tornou dezesseis. Dezesseis se tornou trinta e dois.

Quantos goblins cabiam em uma pequena jangada?

— GOOORRB!

— GROB! GOOBR!!

Os dois aventureiros encontraram a multidão de goblins e mataram uma após outra. Mas não havia fim para elas.

Embora fossem mais do que dois aventureiros.

— GRRB?!

Uma flecha com ponta de broto voou através do ar.

Centrado inteiramente na ameaça diante dele, o goblin não percebeu isso até que a haste foi enfiada em seu olho e ele estivesse caindo no chão.

— Um elfo nem sequer precisa dos olhos abertos para fazer seu disparo!

Foi, é claro, a Alta-Elfa Arqueira, de pé na margem.

Suas orelhas estavam erguidas, e ela disparou flechas mais rápido do que os olhos podiam ver. Rapidamente, tão rápido que todas as outras coisas pareciam inferior em comparação.

Entre aqueles que possuíam palavras, não havia ninguém que conseguia atirar melhor do que um elfo. Mesmo no furor da batalha, suas flechas atingiam apenas seus alvos. Em uma respiração, ela tinha esvaziado sua aljava, mas isso não significava que estivesse sem flechas.

Com um estalido desagradável, a Alta-Elfa Arqueira apanhou algumas flechas dos goblins de há pouco.

— Essas coisas são tão rudimentares.

Mas rudimentar ou não — mesmo que a ponta das flechas fosse feita de pedra, — a elfa não erraria.

Um goblin, ficando impaciente, pegou um arco de novo. Se agachou, usando seus amigos como escudo (jogando sujo, como os goblins estão acostumados a fazer), e se preparou para disparar a esmo das sombras.

Na verdade, para um goblin, seu objetivo era bastante cuidadoso.

— ORGGGG…

Seu alvo era aquela pequena elfa impertinente.

A corda bruta do arco fez um chiado quando ele a esticou.

Uma elfa. E sendo assim, uma mulher. Seria divertido pegar ela viva… entretanto, matar ela seria agradável, também.

Ele dispararia no olho dela. Ou talvez na orelha? Com um sorriso medonho, ele soltou a flecha…

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos!

Ela nunca chegou perto da Alta-Elfa Arqueira, mas apenas rebateu para longe com um ruído.

A toda-misericordiosa Mãe Terra dificilmente poderia recusar a suplica da sua discípula, não é?

No momento seguinte, o pretenso goblin arqueiro foi vítima de uma das flechas da Alta-Elfa Arqueira.

— Obrigada.

— Sem problema. Tenho que pagar o favor, também…

A Alta-Elfa Arqueira piscou para a garota próxima a ela. A Sacerdotisa sorriu calorosamente e manteve sua oração.

— Posso os manter longe da nossa fileira traseira, — a Sacerdotisa disse. — Conto com você para lidar com o ataque!

— Parece um bom plano! E tenho a coisa certa aqui!

Foi o Anão Xamã que respondeu ela, vasculhando no saco de catalisadores que ele tinha conservado tão cuidadosamente até então.

Ele tinha um punhado de barro em cada mão.

As bordas dos lábios da Alta-Elfa Arqueira se tornaram um sorriso, mas ela nunca olhou para longe da jangada dos goblins.

— Já sabemos, apenas vamos logo com isso! Os anões demoram uma eternidade para fazer qualquer coisa!

— Ponha uma pedra nisso. Você tem seu estilo de luta, e eu tenho o meu.

O Anão Xamã começou a enrolar cada punhado de barro em uma bola.

Ele soprou sobre eles, murmurando algo, então deu um grande berro:

— Corta-barba, Escamoso! Para trás!

No mesmo instante, ele lançou as bolas de terra pelo ar. Seus lábios transbordaram com palavras de poder.

— Saiam, gnomos, está na hora de trabalhar, não se atrevam a fugir de seu dever, um pouco de pó pode não causar choque, mas mil fazem uma bela rocha!

Enquanto observavam, as pequenas bolas se transformaram em rochas enormes e se espatifaram contra o barco.

Rajada de Pedra melhorado com um influxo de poder espiritual para ser ainda mais imponente que o normal.

— Me-meu senhor Matador de Goblins!

— Certo.

Os dois aventureiros na jangada trocaram um rápido olhar, então atravessaram pelos goblins fugindo, dando um grande salto para à costa.

Atrás deles, houve um rugido, e o esgoto espirrou como um gêiser. Gotas das coisas sujas caiu sobre o Matador de Goblins e o Lagarto Sacerdote quando eles rolaram para a terra firme.

A jangada afundou para o fundo do esgoto, com os goblins bem como todo o resto. Alguns monstros tinham escapados por um triz, mas suas armaduras os arrastou para o fundo e desapareceram.

Ninguém falou enquanto viram tudo isso acontecer.

A chuva nunca tinha diminuído; sentiram frio à medida que pararam, avermelhados com o calor do combate. Suas respirações vaporizavam; o cheiro de sangue e esgoto se ergueu à volta deles.

A Alta-Elfa Arqueira perguntou com a voz um tanto tensa:

— Então, o que vamos fazer agora?

— …Me dê um tempo, — o Anão Xamã disse melancolicamente. Ele pegou sua jarra de vinho e retirou a rolha. — Aquele truque de agora pouco realmente me cansou.

Ao lado dele, a Sacerdotisa deslizou debilmente de joelhos.

— Vamos… descansar, por um momento. Eu preciso, muito…

— Não. — O Matador de Goblins balançou a cabeça.

Apesar de terem acabado de passar por uma batalha campal, ele não parecia estar ofegante; ele estava olhando categoricamente para a água.

— Temos de se mover imediatamente.

— O que…?

A Sacerdotisa levantou os olhos para ele vagamente.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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