MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 2 de 6) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 2 de 6)

— O que foi, orelhuda? —, o Anão Xamã perguntou.

— Uma sensação estranha… E ouvi um barulho de água. Acima de nós?

Nesse momento, uma gotícula caiu no canal… Plic.

Ondulações atravessaram o esgoto. Um, dois, três.

— Hmm…

O Lagarto Sacerdote pôs a língua de fora duvidosamente e lambeu o nariz.

Plim! Plim! Mais gotas caíram.

Em pouco tempo desciam sem parar.

— Isso é… chuva? — A Sacerdotisa franziu a testa, olhando para o teto distante. A superfície ribeirinha do canal estava cheia de pequeninas ondas.

A Alta-Elfa Arqueira levantou sua mão ociosa para se proteger das gotas.

— Como pode estar chovendo no subsolo? —, ela perguntou em confusão.

— Está chovendo provavelmente lá em cima. Está descendo aqui por causa das grades ou o rio, — o Anão Xamã disse, afagando a barba. Ele olhou para o Matador de Goblins.

— O que me diz, Corta-barba?

— Se perdermos nossa luz, será um problema. — O Matador de Goblins estava segurando seu escudo sobre a tocha recém acesa para a proteger.

Tocha inutilizável, isso poderia acontecer muito facilmente. Nesse sentido, lampiões eram melhores. Bem, havia prós e contras para tudo. O Matador de Goblins estalou a língua em aborrecimento.

— A movimentação será mais perigosa também.

— A chuva vai resfriar nossos corpos, — o Lagarto Sacerdote acrescentou com um aceno sombrio e olhou para o grupo. — Sugiro um breve descanso. Opiniões?

A chuva os impedia tanto de avançar quanto voltar. Não houve objeções.

Uma vez que tinham decidido, os aventureiros agiram de forma rápida. Desde que a chuva ainda estava começando, a superfície ainda estava relativamente seca, mas se eles tardassem, acabariam por ficarem em algum lugar úmido, e eles não queriam ficar mais frios.

Eles não tinham trazido alguma tenda com eles, mas qualquer aventureiro decente teria roupas de chuva em seus equipamentos. Assim que todos tinham colocados seus sobretudos de lã, se sentaram juntos em círculo.

Então, a Sacerdotisa transferiu o fogo de sua tocha para um lampião e o pôs no meio do círculo.

Não aquecia muito eles, mas era melhor que nada.

— …Ei, Orcbolg. Por que você não gosta de lampiões? — A Alta-Elfa Arqueira tocou no lampião em perplexidade, depois esfregou ele como se para limpar a fuligem. — Basta pendurar eles no seu cinto. Você não precisa usar uma mão inteira para a segurar.

— Uma tocha pode ser uma arma, — o Matador de Goblins disse. — Um lampião é inútil se quebrar.

— Hum.

A Alta-Elfa Arqueira pareceu desapontada com a sua resposta. Ela contraiu os joelhos para seu peito.

O Matador de Goblins olhou para o canal, ignorando as gotas que pingava no seu elmo.

A Sacerdotisa o deu um olhar compassivo.

— Você deveria pelo menos tirar o elmo… não acha?

— Nunca se sabe quando ou de onde um inimigo irá atacar.

— Sabe, Corta-barba, sempre achei que você era um pouco descuidado com seu equipamento. Devia reparar eles.

— Sim.

O Anão Xamã, sentado de pernas cruzadas, tirou uma jarra de vinho do seu saco de catalisadores. Rompendo a rolha, ele serviu copos do inequívoco vinho de fogo, depois rapidamente os entregou ao resto do grupo.

O cheiro da umidade do ar misturou com o aroma do vinho pairando.

— Bebam. Não podemos fazer nada com um corpo congelado.

— Mas eu…

— Eu sei. Só tome um gole, uma golada. Eu sei que é tudo que pode aguentar. Eu não vou usar isso contra você.

A Alta-Elfa Arqueira pegou o copo relutantemente, realmente receosa. Ela deu um gole delicado, estremecendo enquanto ardia a garganta.

— Ahh…

— Continua uma jovenzinha quando se trata de bebida, não é?

— Você está bem? — A Sacerdotisa perguntou.

— Si-sim… Mas uma patrulheira bêbada não vai ser nada bom.

A Alta-Elfa Arqueira assentiu para a Sacerdotisa, que dizia para ela não se forçar.

Por outro lado, a própria Sacerdotisa era bastante desacostumada com o vinho de fogo. Ela simplesmente fingiu que o vinho era um remédio e tomou um gole discreto.

O sabor poderoso ardeu na sua língua. Seus olhos percorreram ao redor desesperadamente.

— Bem, também quero um copo, então, — o Lagarto Sacerdote disse.

— Claro! Beba!

Em contraste dos outros, o Lagarto Sacerdote, com a cauda enrolada no pé, pegou um copo transbordando que o Anão Xamã o entregou e derramou tudo imediatamente nas suas mandíbulas enormes.

— Realmente um sabor incomparável. Eu poderia beber um barril disso.

— Mesmo com minhas artimanhas, não posso trazer um barril comigo. Tome um pingo, Corta-barba.

— …

O Matador de Goblins bebeu o vinho pela abertura em sua viseira, nunca tirando seu olhar do canal.

A precipitação alterou para um constante aguaceiro, e a água do esgoto se mexia, borbulhando violentamente.

Depois de um tempo, cada um deles ficou em silencio.

O bater dos pingos da chuva em seus sobretudos, o glub do vinho sendo bebido, suas próprias respirações fracas; havia som por toda a parte, mas o lugar parecia estranhamente silencioso.

— Devíamos colocar algo em nossos estômagos, — o Matador de Goblins disse brevemente, com uma voz calma. — Um estomago parcialmente vazio evita o sangue de se acumular. Mas muito vazio vamos ficar mais lentos.

— Bem, se algo simples servir…

A Sacerdotisa vasculhou em sua bolsa e apareceu com algo embrulhado em papel encerado.

— Oh-ho! — O Anão Xamã ficou feliz tendo sentido o alimento chegando e deu a Alta-Elfa Arqueira um sorriso e uma cutucada com seu cotovelo. — Eu sabia. Orelhuda, percebe como suas habilidades são inexistentes em determinadas áreas?

— Vo-vo-você…!

Mas ela não teve resposta.

— …Acho que vou aprender a cozinhar, — ela murmurou, à qual a Sacerdotisa ofereceu para a ensinar e sorriu.

A refeição foi pão cozido e uma garrafa de vinho tinto diluído.

Foi feita para durar um longo tempo, mas era sem sabor e frio. Eram simplesmente rações de combate, que significava preencher a barriga e umedecer suas gargantas.

Os aventureiros mastigaram o pão sem prazer, mas também sem reclamar.

— Tinha esperança de poder fazer algo menos simples, mas… —, a Sacerdotisa disse se desculpando, movimentando enquanto limpava uma migalha de pão de sua bochecha e a pôs na boca. — Não acho que alguém apetece comer nada muito elaborado aqui, de qualquer forma…

— É verdade, — a Alta-Elfa Arqueira deu de ombros e fez um espetáculo segurando o nariz.

Cheio de ondas agitadas pela chuva, o canal sujo se tornou mais como um rio sujo. O olfato desempenha um papel importante sobre o gosto de algo, e aqui, o aroma do vinho tinto foi suprimido pelos musgos, mofos e os inúmeros outros odores.

— Acho que apenas não entendo porque alguém iria querer comer no subsolo, — a Alta-Elfa Arqueira disse.

— Oh-ho. Aguente aí, moça.

Você vai se arrepender quando voltarmos lá em cima, pensava o anão enquanto ele olhava para ela com os olhos semicerrados, mas a Alta-Elfa Arqueira não mostrou sinais de perceber.

— Quando tivermos suportado esse julgamento, então faremos algo delicioso para o nosso estomago.

O Lagarto Sacerdote, que tinha estado a beber vinho tinto e vinho de fogo igualmente, entrou na conversa.

A Sacerdotisa concordou silenciosamente, segurando seu copo cheio de vinho de fogo com as duas mãos.

— Agora que falou, o que há de bom para comer por aqui?

— Hmm. Realmente. Vamos ver… — O Anão Xamã tocou sua barba. — Por aqui…

— Peixe de rio frito, fígado de boi e vinho tinto, — o Matador de Goblins disse sem tirar os olhos da água.

Todo mundo olhou para ele.

— E eu ouvi que pelo cereal por aqui não ser polido, então a massa é bastante boa.

O Anão Xamã, sem nada para acrescentar, deu exageradamente de ombros. — Vocês ouviram o cara.

— Vejo que é bastante informado, meu senhor Matador de Goblins.

— Um dos meus conhecidos é.

O Lagarto Sacerdote se inclinou com bastante interesse, mas a resposta do Matador de Goblins foi breve.

— Quando eu disse que estava vindo para aqui, me contaram sobre a comida.

Um conhecido?

A Sacerdotisa pensou nas possibilidades na sua mente: a Garota da Guilda, a Vaqueira ou a Bruxa. Quem sabe o Lanceiro ou o Guerreiro de Armadura Pesada…

Ela se deu conta de quanto mais conhecidos ele tinha agora do que quando ela tinha se juntado a ele há alguns meses atrás e riu baixinho.

Assim, suas curtas pausas de suas aventuras passaram tranquilamente.

Mas cada aventura está repleta de perigo; no campo, nenhum lugar é realmente seguro.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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