MdG – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 2 de 4) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 2 de 4)

O Templo da Luz e da Ordem, brasonado com a balança e a espada que representava a lei e a justiça.

— Uau… —, a Sacerdotisa suspirou com a visão. O Templo da Mãe Terra onde ela tinha crescido não era um edifício medíocre, mas…

Esse lugar praticamente gritava que era o lar de um deus.

Seu rosto relaxou de tanta alegria, que suas bochechas foram tingidas com um vermelho de excitação, e ela se virou.

— Matador de Goblins, senhor! Isso é incrível!

— É?

Ele não poderia ter oferecido uma resposta mais tosca.

Talvez eles apenas tivessem formas diferentes de ver as coisas. Era claro para todos que ele estava avaliando o Templo como um possível ninho de goblin.

— Céus…!

A Sacerdotisa estufou as bochechas, mesmo sabendo que era criancice.

Pensando bem…

Ela percebeu que tinha esquecido de perguntar a coisa mais importante de todas.

— Hum, Matador de Goblins, senhor?

— O que?

— O provedor de missão é uma sacerdotisa do Deus Supremo?

— Não.

Ele respondeu como se isso não significasse nada para ele, então disse:

— É a arcebispa.

Nisso, o entusiasmo da Sacerdotisa se evaporou.

— O queeee?!

Ela nunca teria imaginado que o provedor da missão pudesse ser ela.

A Sacerdotisa agarrou o cajado de monge com as duas mãos e deixou sair um choramingo involuntário. A pessoa responsável pela lei em toda a fronteira oeste. Não, mais do que isso. Ela era conhecida como…

…Donzela da Espada.

Havia muitos visitantes ao Templo da Lei.

Em parte, não se tratava apenas de crentes no Deus Supremo que vieram para suplicar.

O edifício era também um tribunal, onde sentenças eram feitas em nome de Deus. Os casos variavam dos simples conflitos diários até questões de vida ou morte.

Havia um incessante fluxo de pessoas que desejavam ter o seu caso ouvido pela impiedosa luz de Deus.

Mais fundo no interior do Templo, eles passaram através de uma sala de espera cheia dessas pessoas.

Além das salas de audiências onde casos eram ouvidos, passado os estreitos corredores com estantes ao fundo do local, era silencioso e revestido com pilares de mármore.

Nesta parte mais profunda do Templo havia um salão de oração onde uma imagem do Deus Supremo em forma de sol era venerado.

Parecia como algo saído de um mito.

A luz do sol passava entre os pilares formando grandes lençóis dourados. Não havia ruídos externos; o silêncio era absoluto. Isso era um lugar sagrado.

E no altar havia uma mulher ajoelhada, com um longo cajado na mão, rezando.

Ela usava vestes brancas sobre sua figura robusta. Seus cabelos dourados brilhavam sob a luz do sol. Seu cajado, que retratava uma espada cujo cabo pendia um conjunto de balanças, mostrava a equidade da justiça e da lei.

Ela era tão deslumbrante que se podia apenas pensar que se o Deus Supremo fosse encarnado como uma mulher, ela o seria.

Infelizmente, seus olhos estavam ocultados por um lenço preto. Não que isso de alguma forma manchasse a beleza dela; o tecido pode até ter feito ela ainda mais impressionante.

— …?

De repente, ela olhou para cima.

O silêncio sagrado tinha sido quebrado pelos casuais passos ousados.

— Ma-Matador de Goblins, senhor! Por favor, tente ser silencioso…

— Se trata de um trabalho urgente. Se eles não se importam de entrarmos, não há razão para esperar.

— Eu percebi que você era um tipo impaciente, Orcbolg.

— Todos são impacientes comparados a um elfo!

— Tal falação é inapropriado. Quer se trate de uma divindade estrangeira ou não, nós estamos na casa de Deus.

Barulhento, animado, bruto, robusto. Para ela era tremendamente nostálgico.

— ……………

As extremidades da boca dela suavizaram muito levemente, e a manga do seu vestido se moveu como uma onda no oceano.

Ela — Arcebispa do Deus Supremo, Donzela da Espada, — se levantou lentamente.

— Céus. Quem são vocês…?

— Nós viemos para matar os goblins. — O Matador de Goblins respondeu indiferentemente, com um tom claro e com o que parecia um sorriso sossegado.

A sua atitude flertava com insolência, mas ele não parecia impertinente. Era uma maneira de falar extremamente parecida com o de aventureiros.

A Sacerdotisa ficou ao seu lado, espantada, tentando penosamente descobrir como fazer sua saudação.

Esta aqui é a Donzela da Espada!

A arcebispa amada pelo Deus Supremo.

A aventureira ranqueada como Ouro que, dez anos atrás, tinha causado a queda do Senhor Demônio.

Não um herói de uma lenda, mas uma presença singular que tinha emergido da humanidade.

Ela estava muitíssima além da Sacerdotisa, recentemente promovida a Obsidiana. A diferença entre as duas era como uma distância entre um goblin e um dragão.

Quando ela tinha sido uma acólita, a Sacerdotisa provavelmente não poderia ter vindo por si mesma para estar neste lugar fantástico.

— Eu, hum, isso é, é… é uma honra conhecê-la, — a Sacerdotisa disse com uma voz tensa, fazendo uma pequena inclinação. Seus olhos brilhavam e suas bochechas estavam vermelhas.

— Um honorável guerreiro e… uma bela, honorável sacerdotisa.

Por detrás do lenço, um olhar gentil passou pelas bochechas da Sacerdotisa e então se mudou, ou, pelo menos, é o que sentiu.

Ela conseguia ouvir seu próprio coração batendo dentro de seu pequeno peito. Ela esperava que não fosse audível a mais ninguém.

— E essas pessoas incríveis são…?

— Hum. Seus compatriotas, membros de seu grupo, — o Lagarto Sacerdote disse quando o olhar se estabeleceu nele. — Eu venero o mais temível naga, mas lhe asseguro que irei lhe dar todo meu apoio. — Seu gesto incomum das palmas juntas foi solene.

É claro, seu gesto diferia da forma como um clérigo do Deus Supremo mostrava respeito com os outros. Mas não foi esse o ponto. O que era mais relevante foi que ele demonstrou sua intenção de respeitar os outros.

Tudo começou deste ponto. Sem mover o seu sorriso, a Donzela da Espada fez uma cruz no ar com seu dedo.

— Bem-vindos ao Templo da Lei. Me sinto honrada em recebê-lo, Ó sacerdote escamado.

A Alta-Elfa Arqueira e o Anão Xamã, por sua vez, mostraram pouco interesse nos acontecimentos.

Eles deram uma saudação ligeiramente inclinados por trás do Lagarto Sacerdote, todavia eles estavam conversando, sussurrando com o outro.

— Hum. É realmente fascinante para um trabalho humano, — disse o anão.

— Sim. Que bela imagem, — disse a elfa.

Suas admirações pareciam estar concentradas no teto alto acima de suas cabeças.

Lá, pinceladas suntuosas compunham um mural representando a batalha da Era dos Deuses.

Eles tinham vistos pinturas rupestres anteriormente, desenhados com sangue nas paredes de ruínas, mas isso era algo totalmente diferente.

Ordem e caos, a Ilusão e o Deus Verdade, os deuses se encolerizavam reciprocamente de corpo e alma.

Contra um fundo de estrelas, milagres e magia se torciam, voavam para lá e cá, brilhavam e queimavam. Finalmente, os deuses esticaram as mãos para um cubo e começaram a satisfazer a si mesmos em jogá-lo.

O tabuleiro que eles jogavam era este mesmo mundo, e as peças com que eles jogavam, eram todos.

É por isso que aqueles com palavras, aqueles que rezavam, tentavam viver corretamente.

Os dois, que eram familiares aos espíritos que enchiam este mundo, não eram parecidos com os deuses. Embora os elfos e anões respeitassem os deuses, todavia, eles não os cultuavam displicentemente. Os deuses eram muito “com” eles; eles ouviam dos deuses conselhos, mas não como escravos. Isso era porque havia poucos sacerdotes elfos, embora os anões continuavam vinculados ao deus ferreiro por si mesmos.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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