MdG – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 1 de 4) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 1 de 4)

A cidade da água era uma cidade antiga a dois dias do leste da fronteira através da planície, uma grande fortaleza de muros brancos que estava assentado na confluência de muitos rios, no âmbito de uma cobertura de árvores tão verde a ponto de ser preto.

Viajantes vinham de muito longe para esta cidade, construída em uma fortaleza da Era dos Deuses. Ela estava cheia de embarcações indo e vindo, comerciantes com as suas mercadorias, idiomas de todos os tipos, caótica e bonita. Posicionada na extremidade oeste do interior e da borda leste da fronteira, a cidade da água era a maior cidade sob muitos aspectos.

Uma carruagem ribombava e quicava sobre uma ponte, passando pelo portão de um castelo no meio de um lago.

O portão estava gravado com o brasão do Deus da Lei: a espada e a balança, os símbolos da lei e da justiça. Mesmo na fronteira, onde monstros e bandidos corriam desenfreados, a luz da lei brilhava. Pessoas podiam viver em paz, ainda que apenas tenuemente.

A carruagem passou ao longo das ranhuras que tinham sido gravadas no ladrilho a mais de centenas ou mesmo milhares de anos. Algum tempo depois, ela parou numa grande área de estacionamento, e aventureiros saíram um após o outro.

— Ahh… Meu traseiro está dolorido!

A Alta-Elfa Arqueira fez um belo alongamento para relaxar um corpo que tinha suportado muitas sacudidas no longo passeio de carruagem.

O sol estava alto no céu e não tardaria atingir o seu zênite. Que era meio-dia.

Em volta deles tinham lojas abastecendo viajantes, e odores de alimentos e bebidas flutuavam no ar. Os aromas de carne assando e gordura fervendo. O odor açucarado dos doces cozidos. A cidade tinha tudo, de alimentos que podiam ser encontrados em qualquer lugar até surpreendentes ofertas estrangeiras.

Os vendedores eram da mesma forma.

Aqui, um anão mercador berrando a plenos pulmões; lá, um elfo fazendo palhaçadas nas redondezas para atrair os clientes. Um rhea vendedor de frutas estava correndo por aí, vendendo maçãs tão rápido quanto podia se mover. Humanos falavam com os outros. Mais longe, um homem-lagarto estava pregando um sermão. E isso era um elfo negro gerindo uma loja?

— Oh-ho! Se parece com um lugar encantador, — o Anão Xamã disse com um movimento do seu nariz, admirando tudo. Ele bateu em sua barriga saliente. — Uma bigorna para um peito, uma roda velha para um vagabundo… você terá um equilíbrio. O tempo pode desgastar todas as coisas!

— …Parece que ele desgastou bastante você.

— Ho-ho-ho! Mas eu permaneço alto entre os anões!

A Alta-Elfa Arqueira olhou para o Anão Xamã quando ele gargalhou com sua grande voz habitual.

A Sacerdotisa, uma vítima acidental do comentário do anão, recuou e desajeitadamente tentou cobrir seu traseiro pouco desenvolvido com a mão.

— En-enfim, não devíamos ir encontrar nosso provedor de missão?

— Sim.

Ela tinha aprendido bem de seu mentor Matador de Goblins, mestre da mudança súbita de assunto.

Ele não mostrou sinais de notar isso, no entanto, conforme ele puxou a agora amassada página de velino de sua bolsa. Ela tinha ficado bastante amassada com a forma descuidada que ele tinha a enfiado para dentro da bolsa, mas ele não pareceu perceber isso também.

— Parece que podemos o encontrar no Templo da Lei.

— Nessa direção então!

O argumento da Alta-Elfa Arqueira não deu muito a entender, então ela o cortou com um elegante movimento de mão na direção do Templo.

— Conhece o caminho?

— Já estive aqui antes.

Então ela deu um grande sorriso e partiu num passo alegre.

Essa, na verdade, era a cidade onde ela tinha ouvido a canção do Orcbolg, Matador de Goblins.

Ela fazia uma exibição de remexer os quadris a medida em que ela andava pelas ruas que ela conhecia e os outros não. Seus quatro companheiros a seguiam por detrás.

As ruas eram de ladrilhos estreitamente estabelecidos, bem utilizado por carruagens, e rios se cruzavam por todo lado na cidade, atravessado por barcos. A cidade era um lugar incrível, também devido à como ela usava as velhas ruínas com quase nenhuma alteração.

Havia edifícios, é claro: lojas e estalagens, mesmos pequenos aposentos, todos decorados com belos entalhes. As ruas pareciam como um desfile de moda ao vivo, com pessoas usando as modas mais recentes de ambos a fronteira e do interior. A cidade da água era o epitome de uma cidade cosmopolita.

— Mas, hum, bem… Você realmente acha que há goblins aqui?

A Sacerdotisa olhou para baixo conforme andava, como se as suas vestes velhas a envergonhasse comparada com os vestidos das garotas caminhando por ela. Essas eram roupas lindas, elegantes e femininas. Não como a dela, usadas com o trabalho diário.

Ela deveria ter se sentido envergonhada por sentir vergonha, no entanto.

— Eu suspeito que sim.

A resposta do Matador de Goblins não deu nenhum indício que ele notou seu desconforto. De qualquer forma, a Sacerdotisa ficou grata por ele. Ele nunca se distraiu.

— Oh-ho, hmm? — O Lagarto Sacerdote pôs a sua língua para fora numa demonstração de interesse. — E meu senhor Matador de Goblins, o que o faz dizer isso?

— Este lugar tem a atmosfera de uma aldeia que tem sido alvo de goblins.

— A atmosfera…?

O Anão Xamã deu uma fungada em dúvida com seu nariz redondo. As únicas coisas que ele podia distinguir na atmosfera era o cheiro de água, pedra e a de comida numa loja próxima. Não tinha nenhuma sugestão do cheiro podre único das tocas de goblins.

— Não posso afirmar realmente que percebi.

— Esse é o motivo dos anões serem tão estúpidos.

— Como se você o entendesse melhor.

A Alta-Elfa Arqueira riu do Anão Xamã enquanto ele ficava com os braços cruzados e sua cabeça inclinada.

Ela não pareceu se importar mesmo quando ele fixou ela com seu olhar mais intenso. Ela apenas acenou com as mãos.

— Vamos lá, os elfos vivem na floresta. Não espero perceber nada sobre odores de cidades.

O Anão Xamã estava prestes a replicar mas ficou repentinamente quieto.

Por detrás da Alta-Elfa Arqueira, o Lagarto Sacerdote soltou um sibilo agudo.

— O centro da cidade não é o lugar certo para suas discussões.

— Eu sei disso. Para alguém que é escamoso, você é muito espinhoso.

— Você está sendo gentil, anão, — a elfa disse.

O Lagarto Sacerdote estalou a língua, e desta vez os dois ficaram em silêncio. A Sacerdotisa riu com a cena.

A elfa e o anão não tinham mais argumentos para discutir. Eles caminhavam lentamente pela radiante cidade da água, desfrutando das vistas. Era comum aqui ver aqueles que possuíam palavras mas que não eram humanos, bem como outros aventureiros.

Apenas o Matador de Goblins estava constantemente alerta para os seus arredores.

— Eu não sei quanto aos odores ou seja lá o que for, mas eu realmente não acho que goblins saltarão para cima de nós aqui mesmo na cidade, — a Alta-Elfa Arqueira disse com um suspiro aborrecida.

— Não há como ter certeza disso. — O Matador de Goblins respondeu no ponto. — Me lembro disso acontecer uma vez.

Embora sua arma não foi puxada, ele se movia quase da mesma forma que ele se movia por uma caverna, com seu passo ousado, mas extraordinariamente silencioso.

Ele era o único que atraia olhares estranhos dos transeuntes: um aventureiro em uma armadura de couro suja e um elmo com aparência barata, andando pela cidade como se estivesse numa masmorra.

Talvez alguém o trouxe para um novo tipo de performance; não há nada que se possa fazer. E mesmo a Alta-Elfa Arqueira escondia a cara de vergonha, bem, não se podia fazer nada quanto a isso também.

Apesar de tudo, era improvável que ele mude seu comportamento.

— E onde está esse nosso Templo? — A cauda do Lagarto Sacerdote balançava calmamente atrás dele.

— Olhe, você já consegue o ver. Está bem ali.

A Alta-Elfa Arqueira apontou com o seu dedo para um edifício do outro lado do rio. Era um impressionante santuário feito de mármore branco, apresentando inúmeros pilares. Mesmo aqueles o vendo pela primeira vez entendiam que era um templo.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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