MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 9 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 9 de 9)

A Sacerdotisa suspirou pela enésima vez, fechou os olhos e disse deliberadamente:

— Eu vou com você.

— ……

Ele ficou calado com o sorriso gracioso da Sacerdotisa, então depois de um momento murmurou: — Entendi.

— Bem, você veio em minha aventura no outro dia. Embora tenha acabado sendo extermínio de goblins.

A Alta-Elfa Arqueira balançava suas orelhas para cima e para baixo excitadamente. Sendo do tipo impaciente, ela já estava examinando seu arco, se certificando de que ela tinha flechas, deslizando a bolsa sobre seu ombro e se pondo de pé. — Heh-heh, — ela deu uma risadinha, inflou seu peito com orgulho e piscou. — Eu vou te ajudar de novo… em troca de outra aventura. Tudo bem, não é, Orcbolg?

— Sim. — O Matado de Goblins assentiu. — Sem problema.

— E sem bombas de gás venenoso dessa vez!

— Hmm…

— Isso é justo, — ela disse, com o dedo no peito do Matador de Goblins.

Depois de um tempo, ele murmurou:

— Mas ela é tão eficaz.

— Não importa. Sem fogo e inundações também. Pense em outra coisa!

— Mas…

A Alta-Elfa Arqueira não estava mais escutando.

— Esqueça. Quando essas orelhas grandes começam a balançar assim, o que quer que você disser vai entrar em uma e sair pela outra, — o Anão Xamã murmurou aborrecido.

O Lagarto Sacerdote estreitou os olhos alegremente e tocou o nariz com a língua.

— Mesmo a astucia de cobra de meu senhor Matador de Goblins é ineficaz diante dessa bárbara.

— …Não posso fazer nada sobre isso então. — Com quase uma tentativa de resposta, o Matador de Goblins ficou quieto.

Se era isso que a Alta-Elfa Arqueira exigia para ir com ele, não há contestação.

Ele é uma pessoa bastante direta, não é?, a Sacerdotisa pensou enquanto encontrou os olhos da Alta-Elfa Arqueira com um sorriso suave. Elas assentiram uma a outra.

— Muito bem então… — Depois o Lagarto Sacerdote abriu sua mandíbula. Ele meditou cuidadosamente suas palavras, como se para mostrar o quão cuidadosamente ele tinha as consideradas. — Nesse caso, parece que você precisará de todos os conjuradores que você puder.

— Espere, Escamoso, — o Anão Xamã disse em reprovação, acariciando seu cabelo. — Com essa lógica, eu também não deveria ir?

— Oh-ho, quão indelicado sou. — O Lagarto Sacerdote revirou seus grandes olhos.

O Anão Xamã lhe deu uma cutucada amistosa com o cotovelo. — Deuses, você tem me apoiado muito em problemas. Eu não posso recusar agora, posso? — Repetindo exasperadamente “Deuses”, o Anão Xamã deixou de lado seu trabalho de costura e começou a guardar suas ferramentas.

Não era incomum trocar volumosas peças de ouro por pedras preciosas, e depois as costurar nas roupas para que não fossem roubadas. E os ágeis dedos de um anão significava que você nunca saberia onde elas poderiam estar escondidas.

Passando os braços entre os buracos de sua veste e penteando sua abundante barba branca com a mão, ele sorriu para os outros. — E eu acabei de cuidar das minhas despesas de viagem. Eu acho que vou me juntar a vocês.

— Oh? — A Alta-Elfa Arqueira disse, estreitando os olhos como um gato. — Se você apenas acha, você não precisa vir.

— Fale por si mesma. Não precisa vir se você está tão desesperada para me evitar.

— Humpf…!

As orelhas compridas da Alta-Elfa Arqueira balançaram para trás; ela colocou ambas as mãos na mesa e se inclinou na direção do Anão Xamã.

— Ah, agora eu estou realmente irritada. Certo, anão, você e eu!

— Ho-ho, lhe surgiu um pouco de coragem, não é? Não espere que eu pegue leve com você. — Seu sorriso pareceu descabido conforme ele colocou duas garrafas de vinho e dois copos sobre a mesa. — Vinho de fogo para mim. Vinho tinto para você. Soa justo?

— Perfeito!

Nesse momento houve um rebuliço. Os concorrentes serviram suas bebidas e se curvaram para trás.

— Oh, ei, olhe. Alguma coisa está acontecendo!

— Heh-heh… Querem apostar?

É claro, nenhum aventureiro poderia resistir a uma aposta entre amigos.

O Lanceiro sorria alegremente; a Bruxa tirou o chapéu e imediatamente se proclamou agente de apostas. Um som de felicidade veio à tona, e um aventureiro depois do outro, instigado pela bebida, soltavam suas moedas.

As primeiras peças de ouro a cair no chapéu da Bruxa vieram da mão de uma Cavaleira. Próximo a ela, um Cavaleiro de Armadura Pesada se levantou, parecendo perturbado. — Meu dinheiro está na garota. Três peças de ouro!

— Ei, isso é bastante ousado. Você tem certeza disso?

— Heh-heh-heh. Chame isso de apostar em um talento desconhecido. Eu sou Leal e Bom depois de tudo, então tenho a benção dos deuses…

— Sim, ganhar ou perder, o Deus Supremo não é do tipo que pune jogos de azar, hein?

— Eu estou a favor do anão então. — Não, a garota! — Bebe! Bebe! Bebe!

Assistindo à competição pegar embalo em meio ao clamor, a Sacerdotisa tinha um olhar ansioso.

— Não devíamos parar eles…?

— Eu duvido que continuarão por muito tempo, — o Matador de Goblins respondeu brevemente.

Afinal de contas, o Anão Xamã era um bebedor experiente, e a Alta-Elfa Arqueira mal conseguia aguentar o álcool. O vencedor parecia obvio.

— Não, não, nossa bárbara é muito teimosa. A conclusão não é clara.

O Lagarto Sacerdote observava com alegria a arqueira, com a face brilhando em vermelho, indo beber outro copo de vinho tinto.

— Mais! Eu aguento muito mais…!

— É para já!

Ela ainda não tinha começado a enrolar as palavras; seus olhos não tinham começado a vaguear.

Copos golpeavam a mesa. Glub, glub, glub, em que passou o vinho.

Um som apreciativo surgiu da multidão quando ela agarrou o copo e o drenou em um único gole.

Conforme os momentos na vida avançam, isso não seria grande coisa; ninguém iria se lembrar disso. Mesmo assim, eles passaram alegremente.

Próximo a Alta-Elfa Arqueira, que estava bêbada que nem um gambá estendida sobre a mesa, o Anão Xamã ergueu os punhos e rugiu em vitória. Ele não parecia questionar quanto prestigio realmente havia em vencer uma elfa em um concurso de bebida.

— Muito bem então, eu sou a próxima, — disse a Cavaleira, mas o Guerreiro de Armadura Pesada loucamente a impediu. (Você é furiosa quando bêbada). A garota e o garoto meio-elfo em seu grupo riram e se burlaram.

Assistindo nas proximidades, o Lanceiro arregaçou as mangas, instigado pela Bruxa. Para não ficar para trás, a Cavaleira deu um empurrão no Cavaleiro de Armadura Pesada.

Uma competição de queda de braço começou em seguida. Os participantes talvez tinham estado indispostos, mas uma vez que tinham começado, eles não perderiam.

Um cântico emergiu. O Anão Xamã se dispôs em ser o arbitro, e a Bruxa estendeu o seu chapéu pontudo de novo. Isso parecia que não haveria fim. Quem ganharia, quem perderia? De novo houve uma chuva de moedas.

O Lanceiro ganhou. Depois, o Guerreiro de Armadura Pesada ganhou.

— Muito bem! Sou o próximo! —, gritou o Guerreiro Novato, mas ele foi recebido com um “Oh, pare” da Sacerdotisa Aprendiz.

O Guerreiro de Armadura Pesada assentiu com sua aprovação para a bravura do rapaz, então o agarrou enquanto ele tentava fugir e bagunçou seu cabelo.

Dois jovens inexperientes eram os próximos para a queda de braço.

Com os aventureiros na expectativa torcendo alegremente pelo seu favorito, o Anão Xamã deu o sinal para começarem.

— Matador de Goblins, senhor…

Parecia o momento adequado. Quando a Sacerdotisa olhou para ele, a palavra “certo” escapou por dentro do elmo, e ele assentiu.

— Dois! Três!

— Hum…

Ele ergueu a figura mole, que de alguma forma era tão bonita quanto um ramo. O Matador de Goblins grunhiu com o peso, embora o corpo fosse tão magro que ele parecia que poderia quebrar no meio.

Ele olhou para a Sacerdotisa. Ela estava sorrindo. O que se pode fazer?

— Não fique zangada depois, — ele murmurou tão silenciosamente que ninguém mais poderia ter ouvido, então ele se dobrou ligeiramente e se posicionou debaixo da Alta-Elfa Arqueira.

Então ele se levantou, com uma mão atrás dela, e a levantou nas costas com um movimento que sugeria um lance violento.

— Vuoo, uá…

— Não tenho ideia do que você está tentando dizer.

— Hmm? Fooo…

Era a linguagem comum que ela estava falhando em dizer? Ou élfica? Ou era simplesmente a linguagem dos sonhos?

Com as palavras breves do Matador de Goblins, um sorriso se formou na face da Alta-Elfa Arqueira.

— Eu irei a levar de volta ao seu quarto, — o Matador de Goblins disse sucintamente, balançando gentilmente a elfa como se fosse uma criança. — Mas você tem que a ajudar a se trocar.

— Sim, senhor. Deixa comigo.

A Sacerdotisa formou um punho, a pessoa mais natural para ajudar.

— Hmm! Hoje descansar, amanhã cavalgar, e depois trabalhar… — O Lagarto Sacerdote disse alegremente, esticando o pescoço como se pudesse enxergar tudo isso. — Que divertido será arrastar a nossa amiga de ressaca.

— Se ela ainda estiver bêbada de manhã, eu vou lhe dar um Antídoto.

— Matador de Goblins, senhor, isso é um pouco demais…

A Sacerdotisa parecia surpreendida, mas o Matador de Goblins disse suavemente:

— Isso foi uma piada.

A Sacerdotisa e o Lagarto Sacerdote trocaram um olhar, então caíram na risada.

Não foi a piada que os deixou alegres, mas o fato de ele ter feito.

Era raro que ele estivesse com tão bom humor.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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