MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 7 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 7 de 9)

Era muito obvio que ela folheava as páginas apenas por atuar.

Ela já havia antevisto tudo isso. A guilda tinha uma pousada e um bar, e eles não eram apenas para benefício dos aventureiros de ranque baixo. O fluxo de dinheiro não mentia.

— São pessoas como você que dão um nome ruim aos rheas e batedores. — Ela balançou a cabeça em desgosto. — Bem, esse é o seu primeiro delito… Eu acho que o rebaixamento para Porcelana e ser impedido de se aventurar nesta cidade é apropriado.

— Es-espere um pouco! Quão justo é isso?! — Por impulso, o rhea se encontrou inclinado sobre a mesa e gritando. — Eu apanhei um pequeno baú de tesouro e você vai me perseguir?

— Perdão? — O tom da Garota da Guilda estava frio, e sua exasperação era óbvia. Certamente, ela estava realmente enfadada dele. — Apenas um baú de tesouro? Não seja ridículo. Você não pode reparar uma confiança violada com dinheiro.

E aquele que traísse a confiança dos outros, não tinha o direito de ser um aventureiro.

É claro, ser um aventureiro significava lutar. Ninguém perguntava sobre sua história. Havia pessoas malcriadas entre os aventureiros. Não havia fim para os argumentos, de todos, o mais importante então, que ele fosse o mais sincero quanto possível. Um aventureiro que não fosse confiável era apenas um patife.

E a guilda negociava com confiança e fiabilidade.

O rhea era suficientemente capaz de ser promovido e tinha apenas sido concedido clemencia porque essa era a sua primeira vez. Ele não entendeu isso?

— Você está rebaixado por motivos de falsificar uma recompensa. Se você quiser permanecer aqui, entretanto, você pode.

— Tsc…

O rhea batedor estava sem palavras. Ele lutou para pensar em alguma forma para transformar esta situação em sua vantagem.

Todo mundo faz isso. Não. Isso não o tiraria de seu castigo. Talvez se ele dissesse que alguém o ameaçou, o forçou a fazê-lo…

— Não te ajudará tentar qualquer coisa engraçada.

Ela estava certa. A ministra que rege a justiça estava o observando, com os olhos brilhando.

Sua única esperança… Ele se virou para a sua única saída, a pessoa na sala que mais se parecia com ele.

— Va-vamos, Matador de Goblins… eu estou pedindo a você, como um companheiro aventureiro…

Com olhos suplicantes. Sorriso bajulador. Esfregando suas palmas em uma súplica desesperada.

O aventureiro, que tinha ficado com os braços cruzados silenciosamente ao longo de toda a cena, respondeu com um toque de aborrecimento: — Companheiro? — Sua resposta foi direta. — Eu sou um observador. Nada mais, nada menos.

— Mas você… Você é uma aventureiro também…

— Sim, eu sou. — O Matador de Goblins olhou para o rhea suplicando. — Assim como os que você enganou.

— …!

O rhea batedor ficou vermelho-vivo e olhou feio para os dois. Por um breve instante, ele teve uma visão de si mesmo tirando sua adaga e saltando na Garota da Guilda.

Era mesmo possível.

— ……

Mas ele teria que passar pelo Matador de Goblins, um guerreiro forte o suficiente para fazer sozinho missões relativas a goblins, que normalmente exigiam um grupo inteiro. Quanta chance o rhea realmente teria no combate corpo-a-corpo?

— ……

Sentindo o olhar do Matador de Goblins fixo nele por debaixo daquele elmo, ele engoliu seco. Ele era tão inteligente quanto qualquer batedor e certamente não era tolo.

— …Vocês vão se arrepender disso.

Seus sentimentos fluíram em suas palavras de despedida quando ele recuou a cadeira e saiu da sala.

A Garota da Guilda soltou um suspiro quando a porta se fechou. — Recusado para promoção. Ufa… Isso foi terrível…

O sorriso perpetuamente colado na face da Garota da Guilda finalmente saiu, e ela se abaixou no assento. No fim, sob a cara feia do batedor, ela inconscientemente começou a tremer. Ela não sabia o que poderia ter acontecido se o Matador de Goblins não estivesse ali.

— Muito obrigado, Sr. Matador de Goblins.

Ela olhou para o elmo de aço próximo a ela, com suas tranças um pouco suspensas.

— Não. — O Matador de Goblins balançou a cabeça calmamente. — Eu não fiz nada.

— De maneira alguma! Eu me lembro de quão ruim foi quando eu estava fazendo o curso de preparação da associação na Capital.

Ainda cabisbaixa, a Garota da Guilda deu um sorriso fraco.

— Todos aqueles crápulas que não podiam abrir a boca sem fazer uma observação indecente. Achei que eles tinham me escolhido só porque eu era bonita e jovem.

— Há muitos deles, não há? Especialmente na Capital. — A inspetora deu um suspiro de exasperação e acariciou gentilmente a espada e a balança.

— Então, nós temos que confrontar pessoas assim como esse por nós mesmos… sabe? — Com um pequeno aceno, ela colocou uma mão na mesa e se empurrou para cima. Suas tranças balançaram. — Realmente faz você se sentir muito melhor ter alguém que você confia como seu observador!

— É mesmo?

— Sim, é.

Ela sempre mostrava muita confiança ao falar sobre o Matador de Goblins. Ele deve ter entendido, porque ele se aquietou um pouco, então se levantou lentamente de seu assento.

— …Se nós terminamos aqui, eu vou voltar.

— Ah, certo. Se você passar pela recepção, eu tenho certeza de que eles podem pegar para você sua remuneração…

— Tudo bem.

O Matador de Goblins se dirigiu para a porta com seu casual passo ousado.

Vendo ele, a Garota da Guilda repentinamente se viu falando.

— A-ahn!

Ela já tinha feito. Ela havia dito isso. A Garota da Guilda sentiu uma pontada de arrependimento.

O Matador de Goblins, com sua mão na maçaneta da porta, se virou lentamente. — O que foi?

A Garota da Guilda hesitou.

A coragem que a inspirou a chamá-lo, tinha desaparecido tão rápido quanto havia chegado. Ela abriu a boca, parou, depois decidiu dizer apenas o que era apropriado.

— …Bom trabalho hoje.

— Certo, — ele disse enquanto girava a maçaneta. — Você também.

A porta se fechou com um suave clac.

A Garota da Guilda, deixada para trás, se esticou sobre a mesa novamente.

— Ufaaa…

A superfície da mesa dava uma boa sensação contra sua bochecha.

— Bom trabalho. — Sua colega, a inspetora, deu um tapinha nas costas da Garota da Guilda com um abrandamento de sua expressão implacável.

— Eu estou com medo de que o cara simplesmente faça qualquer outra coisa.

— Bem, aventureiros vivos são um recurso precioso. E ele não fez nada claramente ilegal… — Seria muito pior se ele jogasse fora toda a conjuntura de aventuras e se tornasse um sério encrenqueiro. — Certamente, existem todos os tipos de aventureiros, desde o Leal e Bom até o Caótico e Mau.

— Enquanto são aventureiros, eles são permitidos fazerem essa escolha… De qualquer forma, bom trabalho.

— De forma alguma. Isso é simplesmente o meu dever como sacerdotisa do Deus Supremo. — A inspetora sorriu e acenou para a Garota da Guilda em gratidão, mas ela só pôde suspirar de novo.

— E da perspectiva do Deus da Lei, o que eu fiz agora foi… correto?

— Muitas pessoas entendem mal o Deus da Justiça, até mesmo os escritores dos nossos concursos. — A inspetora limpou a garganta com um “hum-hum”, um gesto em si bastante teatral. — A justiça não é para punir o mal, mas para conscientizar as pessoas.

A lei era uma ferramenta e instrução para viver bem. Nada mais e nada menos. Foi por isso que o Deus Supremo não transmitiu revelações. A intenção não era que eles seguissem a palavra sagrada de Deus, mas que eles pensem por si mesmos e usem seu próprio julgamento.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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