MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 5 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 5 de 9)

Ele colocou seu escudo recém-polido na parede e, então, foi vasculhar as prateleiras. Ele pegou vários frascos, um saco e um pilão que deslizava da prateleira, e depois tirou o lacre de um frasco com as mãos enluvadas. Dentro dele estavam os restos mortais de uma cobra.

Ignorando a Vaqueira que murmurou “ugh” atrás dele, ele colocou a cobra no pilão.

— Não toque nisso. Você vai ter uma erupção cutânea.

— Certo… Então, hum…

— Eram ruínas em uma floresta.

— Ruínas… Então, você foi matar goblins?

— Não. — Ele balançou a cabeça. — …Eu fui convidado pelos outros.

Ela assentiu com um murmurinho de interesse, quando ele acrescentou o conteúdo de um frasco após outro no pilão.

A cobra, e depois um pó vermelho; algum tipo de condimento. Ervas secas. Todos irritantes. Ele nem sequer fez medições exatas; o processo era mesmo familiar para ele. Ele esmagou tudo no pilão até que tudo estivesse misturado.

— …Parece que elas foram algum tipo de cidade uma vez.

— Você não sabe o nome dela?

— Sinto muito. Eu não me importo.

— Bem, eu acho que há muitas delas por aqui. Sendo essa a fronteira e tudo mais.

Uma vez que ele estava convencido de que a cobra estava completamente moída, ele começou a vasculhar uma prateleira nas proximidades.

Ele veio com um ovo; a casca de um que veio da fazenda. Eles tinham galinhas, mas elas não colocavam ovos todos os dias.

Ele derramou cuidadosamente o conteúdo moído do pilão dentro do ovo através de um buraco em seu topo. Conforme ele fazia isso, ele murmurou: — Pensando bem, havia uma grande…

— Ha-hein? — A Vaqueira disse com um aceno.

— Uma grande raiz de árvore sobressaindo o solo.

— Quão grande é o “grande”?

— Tão alta quanto você. Foi um trabalho difícil escalar ela.

— Hum. Isso é realmente impressionante.

Isso foi uma avaliação infantil e, em seu modo, um deslumbre infantil. Ela tinha vivido a maior parte de sua vida na fazenda, nunca fora mais longe do que a cidade; ela nunca tinha visto uma coisa dessa. Agora era ele quem conhecia mais do mundo do que ela.

Isso a deixava um pouco triste, mas feliz também.

— E havia goblins, — ele acrescentou quando revestiu o ovo preenchido em papel e o selou. Seu tom era desinteressado, mas muito sério. — …Foi estranho. Eles estavam estranhamente bem equipados.

A Vaqueira tocou seu queixo pensativamente antes de dizer: — Hmm… Você acha que eles fugiram da batalha daqui?

— Se fosse assim, eles teriam pelo menos colocado um guarda.

— Hmm… Bem, se você não sabe, tenho certeza de que não descobrirei.

Ela deu um suspiro de lamento, e então esticou os dois braços com um “ahhh” e encostou suas costas no chão.

Perto do teto escuro, a lamparina queimava e crepitava.

— Você vai se sujar.

— Eu não me importo, — a Vaqueira respondeu com uma risada animada.

Então… — Ei, — ela disse, rolando para o outro lado sobre seu ombro para o encarar. — E se você fizer uma pausa amanhã?

— Não. — Ele balançou a cabeça calmamente conforme colocava o ovo em sua bolsa. — A Garota da Guilda me chamou.

— Ah, é? É uma pena.

Ele assentiu. — Pode ser extermínio de goblins.

— Não, não é extermínio de gobl… Espere, por favor, não vá embora!

O Matador de Goblins se virou aborrecido, com a sua mão na porta da sala de reuniões.

Havia cadeiras luxuosas, e um tapete felpudo. Uma parede estava coberta com cabeças de monstros e bestas mágicas, junto à armas antigas.

Rodeado pelos troféus dos aventureiros através dos tempos, o homem respondeu:

— Mas você já disse que não se trata de goblins.

— Sim, bem, isso é… isso é verdade, mas… — A Garota da Guilda, parecendo pequena em uma das cadeiras, parecia que poderia acabar em lágrimas a qualquer momento. Se agarrando a uma penca de papéis, ela disse com uma voz baixa: — Tem… tem que ser realmente goblins para você, não é?

O Matador de Goblins ficou em silêncio. Não havia como adivinhar sua expressão sob o elmo.

Depois de um momento, ele deu um suspiro silencioso.

Então ele se virou, andou rapidamente até uma cadeira e se sentou mais agressivamente do que o necessário. Ele olhou para ela sentada em frente a ele e disse:

— Seja breve, por favor.

— Certamente!

O rosto da Garota da Guilda brilhou como uma criança.

Ela rapidamente endireitou seus papéis, os organizando mais uma vez sobre a mesa. Os velinos que ela espalhou na frente dele parecia ser o resumo de alguns aventureiros. Nome, raça, gênero, habilidades, e um histórico de missão estava incluído.

— Eu gostaria de pedir a você para ser um observador, Sr. Matador de Goblins.

— Um observador. — Ele assentiu como se já estivesse convencido. — Isso é para um teste de promoção?

Os aventureiros eram divididos em dez ranques, do Porcelana ao Platina.

Os ranques eram determinados com base na quantidade de recompensa que ele tinha ganho, o quão bom fizera ao mundo e a sua personalidade. Alguns referiam a eles coletivamente como “pontos de experiência”, e isso não era incorreto. Era, de fato, uma simples medida de quão bom eles tinham feito as pessoas e a sociedade.

Mas claro, havia aqueles aventureiros cuja excelência parava em suas habilidades de luta. A personalidade de um aventureiro era valorizada pelo menos tão altamente quanto suas habilidades. Assim, os aventureiros de alta patente poderiam servir como testemunhas em um teste, essencialmente, uma entrevista.

Desta forma, por exemplo, um vagabundo com habilidades incríveis de sei lá o que, poderia se classificar como Prata ou Ouro imediatamente. Ou melhor, tipo um sistema de livro de contos era o ideal. Mas não funcionava assim.

Um aventureiro masculino cujos membros do grupo eram todas mulheres, por exemplo, poderiam encontrar dificuldade para progredir. Independentemente das circunstancias, poucos estavam dispostos a confiar missões importantes a alguém que parecesse um mulherengo. No entanto, por mais fortes que pudessem ser, os tolos cuja força era a sua única habilidade permaneceriam classificados como Porcelana por toda vida. Enquanto isso, os melhores aventureiros sabiam que estavam sendo observados e tentavam atuar de uma maneira confiável.

…Com a exceção de alguns dos Platinas, historicamente extremamente raros.

— Mas… — O Matador de Goblins parecia duvidoso. Era uma coisa incomum para ele. — Você tem certeza de que vou conseguir?

Céus. A Garota da Guilda respondeu como se isso não a incomodasse de forma geral. — O que de fato você quer dizer? Você é um ranque Prata, você sabe também.

— A associação decidiu isso arbitrariamente, — o Matador de Goblins disse.

— Isso só mostra o quão grato todos são a você.

A Garota da Guilda parecia confiante, tão orgulhosa como se estivesse falando de si mesma.

O Matador de Goblins ficou em silêncio. Por um momento, ele olhou para o teto, mas, ele logo pegou o papel.

— Quem está sendo testado?

A Garota da Guilda deu um aceno contente com a cabeça no momento em que ela percebeu que ele aceitou, suas tranças saltavam.

— Mu-muito obrigada! São vários membros de um único grupo, cada um deles está se movendo do Aço para Safira, em outras palavras, do oitavo ranque para o sétimo.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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