MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 2 de 9) – 3Lobos

MdG – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 2 de 9)

Uma vez que eles estavam em segurança no chão novamente, a Alta-Elfa Arqueira inclinou um pouco sua cabeça para o lado e perguntou: — Está tudo bem?

— Sim… eu só… preciso aumentar minha força um pouco mais…

— Bem, não fique maluca, — a elfa disse com um movimento de suas orelhas. Ela estreitou seus olhos e deu um olhar profundo com um sorriso para a Sacerdotisa de cima a baixo, e disse: — Você não iria querer acabar como o corpo de um anão.

— Eu consigo ouvir você orelhuda! E eu estou cansado de te dizer, eu tenho um físico normal para um anão! — O Anão Xamã gritou do outro lado da raiz, com sua voz grave em resposta. — De qualquer forma, nada pode ganhar contra o fluxo do tempo. Nem suas casas nas árvores, nem nossas cavernas… nada.

Após receber um impulso prestativo do Lagarto Sacerdote para o topo da raiz, o anão se firmou determinado e saltou para o chão no outro lado.

Ele aterrissou no chão com seu traseiro com um baque.

A Alta-Elfa Arqueira franziu visivelmente a testa para a exibição deselegante. — Você não podia ser um pouco mais ridículo?

— Olhe para as minhas pernas! Elas são atarracadas! Vocês elfos, se preocupam tanto sobre como as pessoas os veem.

— Se isso te incomoda, você pode sempre usar o Controle de Queda.

— Pfft! Usar uma magia para isso? Os elfos não tem nenhuma noção de moderação em magia?

— Certo, certo… — A Sacerdotisa atravessou entre eles com um sorriso que ela não conseguia suprimir totalmente. — Se vocês fizerem mais barulho, tomaram outra bronca, — ela advertiu.

— Oh, quem é que vai me repreender? Do ponto de vista de uma elfa, essa cobra é apenas uma criança…

— Oh-ho?

As orelhas da Alta-Elfa Arqueira se ergueram com o pequeno som da voz.

— Mesmo os elfos não são imortais. Talvez, a única coisa que seja, é a própria eternidade

A voz foi acompanhada pelo sibilo do Lagarto Sacerdote escalando a raiz com a ajuda de suas garras e a cauda.

Ele escalou graciosamente e aterrissou ao chão agilmente. Foi impressionante, mesmo sendo um pouco barulhento. — Agora, nesse momento, talvez fosse divertido descobrir se os alto-elfos são imortais ou não?

— …Eu dispenso.

Talvez ele tinha a intenção da sua expressão parecer divertida ou provocadora. Mas para qualquer ser sem escamas, ele apenas parecia como um enorme lagarto com sua boca cheia de dentes totalmente aberta.

A Alta-Elfa Arqueira franziu a testa e balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Então, — o guerreiro disse. — Onde estão os goblins?

— …Lá vem ele outra vez. — A Alta-Elfa Arqueira deu de ombros como se dissesse Não vale nem a pena responder, seguido por um suspiro ainda maior. — Eu me dei o trabalho de encontrar ruínas que pareciam ter goblins, só para te agradar, Orcbolg. — Você podia estar um pouco agradecido.

Nisso, o guerreiro prosseguiu com: — Humm. Noutras palavras, você estava sendo ponderada.

— …Sim, pode chamar disso.

— Entendi.

Ele aparentemente estava esperando que todos se juntassem. Então ele deu apenas um aceno e partiu na frente da fila. A Alta-Elfa Arqueira apressadamente o seguiu depois, ultrapassando ele para continuar com seu reconhecimento.

Considerando tudo, o guerreiro era um batedor muito bom. Apesar de seu modo de andar rápido, indiferente e um pouco espalhafatoso, sua armadura era estranhamente silenciosa. Ele pode parecer um simples bandido, mas ele não pisava sobre um galho ou chutava uma pedra.

— Aham, não precisa se preocupar muito, meu senhor Matador de Goblins. — O Lagarto Sacerdote puxou de sua bolsa algum papel enrolado e o abriu, o examinando mesmo enquanto caminhava.

Ele estava desbotado, desgastado e aparentemente meio apagado, mas ainda sim parecia ser um mapa da cidade que eles estavam.

Tomando cuidado para não danificar o papel, o Lagarto Sacerdote percorreu cuidadosamente sua garra ao longo dele. — …Deve haver um santuário mais adiante. De minha parte, acredito que devemos ir para lá. O que vocês acham?

— Concordo, — o guerreiro disse rapidamente. Ele parou a sua caminhada e estava examinando a estrada — que uma vez foi de ladrilhos — com um dedo, procurando pegadas enquanto balançava a cabeça suavemente. — Pode haver goblins aqui.

— Isso é tudo que você tem na cabeça?! — A Alta-Elfa Arqueira disse já exausta com ele.

— Há mais alguma coisa?

— Olhe à tua volta! — Ela disse abrindo muito os braços, mas sem abaixar sua guarda. — Olha para isso! Maravilha! Segredos! Mistério! Lenda! Você não sente nada disso?

— Não há tempo para isso.

— …Eu não posso acreditar em você.

— É mesmo?

A Alta-Elfa Arqueira contraiu seus lábios após ouvir a resposta curta. Suas orelhas longas balançaram.

— Então, orelhuda. Se você apressar o polimento de uma pedra, você vai apenas quebrá-la. — O Anão Xamã riu da elfa petulante, enrolando sua barba. — Dê tempo ao tempo. Deuses, todos vocês elfos são tão impacientes.

— É por isso que você é tão gordo, anão… só comendo e bebendo, nunca fazendo nada.

— Ahh, o que você tem contra um pouco de comida e bebida? Você também podia tentar um pouco! — Ele tomou um longo gole da jarra de vinho de fogo no seu cinto, aparentemente imperturbado com o comentário dela. — Embora seja justo, minha garota orelhuda, você não está errada.

A Alta-Elfa Arqueira deu um olhar para o Anão Xamã quando ele soltou um arroto indelicadíssimo.

— Corta-barba, você nunca pensou que poderia ser mais fácil se você fosse, digo, subisse na vida?

— Já, — o guerreiro respondeu brevemente, enquanto ele agachava próximo a uma parede, e olhava ao redor de um canto.

— Oh-ho. — O anão grunhiu com a resposta inesperada.

O guerreiro olhou para a esquerda, depois para direita, então continuou adiante. — Desenvolver minha reputação, se tornar um ranque Ouro, e pegar trabalhos mais variados como um aventureiro é uma possibilidade, — ele disse.

— Então por que você não fez isso então? — O anão perguntou.

— Porque se fizesse, os goblins estariam atacando as aldeias.

Observando próximo a eles, a Alta-Elfa Arqueira balançou a cabeça como que para afastar uma dor de cabeça.

— Eu tinha ouvido dizer que os humanos podiam ter visão limitada, mas… todos são assim?

— Eu acho que ele é especial, — a Sacerdotisa disse com um sorriso O que podemos fazer?

Assim ele tinha sido nos meses desde que tinham se encontrado, embora tivesse sido estranho no início.

— Embora ele converse sobre muito mais temas do que ele costumava.

— ……

O guerreiro continuou silenciosamente sua investigação com aquela mesma caminhada energética. A Sacerdotisa o seguia ainda sorrindo. Digo, olhe.

— E ele está fácil de compreender, não é?

— Eu percebi, pelo menos, — a Alta-Elfa Arqueira disse com um aceno e uma risada.

O Anão Xamã e o Lagarto Sacerdote trocaram um olhar, depois um sorriso silencioso.

Eles logo chegaram ao fim do que parecia ter sido uma vez uma grande estrada principal e chegaram ao seu destino: uma grande praça e uma imensa clareira nas árvores. Eles podiam ver mesmo uma abertura branca isolada, como a entrada de uma caverna.

— Não vejo nenhum guarda. — O guerreiro deu um suspiro quando ele analisou o território a partir das gramas altas nas sombras escuras das árvores.

Desde que entraram na floresta, eles não tinham visto um animal selvagem, para não falar algum monstro.

— Oh, então… isso quer dizer que não há quaisquer goblins lá! — Da parte de trás da fila, a Sacerdotisa tentou encorajar o guerreiro aparentemente desapontado.

— Não necessariamente.

A resposta foi quase mecânica, mas isso não parecia a incomodar. Ela dava a impressão de ser um pintinho enquanto andava atrás dele.

— Eu não acredito que eles deixariam um ninho pronto assim ir para o lixo.

— Você não precisa imaginar que eles estão aqui se eles não estão, — a Alta-Elfa Arqueira disse, então murmurou para si mesma: — Goblins, goblins. Francamente.

O guerreiro ignorou ela e disse: — Ou eles podem ter cavado apenas recentemente um túnel do ninho até aqui.

— Ei… Você sente o cheiro de alguma coisa? — A Alta-Elfa Arqueira franziu. Ela não queria dizer isso como resposta ao guerreiro.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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