MdG – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 3 de 7) – 3Lobos

MdG – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 3 de 7)

— G-g-gggg…

De repente ela foi incapaz de encontrar sua voz, a Maga levantou seu cajado com ponta de granada que tinha recebido na sua formatura.

Era um milagre que sua língua retorcida conseguisse formar as palavras da magia.

Sagitta… inflammarae… radius! — Flecha de fogo, emerja!

Conforme ela puxou cada parte da magia de onde tinha sido gravado nas profundezas de sua memória, as palavras começaram a surgir; palavras com o poder de moldar a própria realidade.

Um raio de fogo brilhante em forma de flecha voou da granada do tamanho de um punho de seu cajado, e atingiu um goblin no rosto. Houve um chiado nauseante e o cheiro de carne queimada.

Este já era!

A vitória trouxe uma onda de alegria que deixou um sorriso extravagante em seu rosto. A Maga se encheu de confiança de que se isso funcionou uma vez funcionaria novamente.

Sagitta… inflammarae… radiaaaaiii!!

Mas havia muitos goblins e apenas quatro membros no grupo. Antes de ela terminasse a magia, um dos pequenos inimigos agarrou seu braço. Ela nem teve tempo de reagir antes que o goblin a batesse no chão de pedra irregular.

— Ouch! Ah…!

Seus óculos foram atirados de seu rosto e destruído, deixando sua visão embaçada. Um goblin rapidamente arrancou seu cajado da mão.

— E-ei! Me devolva isso! Isso não é pra tipos como vo-você!

Um condutor mágico tal como um cajado ou anel era um salva-vidas do conjurador, mas mais do que isso, era o seu orgulho.

Como se respondendo ao grito meio insano da Maga, o goblin segurou o cajado na frente de seus olhos e o quebrou com um crac.

O rosto da Maga se retorceu em fúria, sua máscara de indiferença desapareceu.

— Porquê, seu…!

Ela se contorceu no chão, lutando contra o seu captor com seus braços fracos, com seus grandes peitos saltando. Isso não foi uma escolha sábia. O goblin irritado sacou sua adaga e o levou com muita força em seu estômago.

— Ouuuchh?! — Ela deu um grito agoniada quando a lâmina perfurou suas entranhas.

É claro, os companheiros da Maga não estavam parados, nem mesmo a Sacerdotisa.

— E-ei, todos vocês! Se afastem dela! Parem…! — Ela balançou seu cajado com seus braços delicados, tentando expulsar os goblins para longe.

Existem alguns clérigos que são qualificado em artes marciais. Outros, tendo se aventurado durante muito tempo, poderiam até se gabar de uma boa dose de força física.

A Sacerdotisa não era um deles.

A forma como ela estava balançando loucamente seu cajado, ela não estava atingindo nada, de qualquer forma.

Cada vez que seu cajado de monge atingia a parede ou o chão, ele fazia um ruído de chocalho. E para o bem ou para o mau, os goblins deram um passo atrás.

Talvez a tivessem considerado uma sacerdotisa guerreira, ou talvez eles apenas tiveram medo de ela atingir eles por pura sorte.

Seja qual for a razão, a Sacerdotisa se aproveitou da abertura momentânea para afastar a Maga deles.

— Seja forte! — A Sacerdotisa gritou, praticamente sacudindo a Maga. — Aguente firme…!

Mas não houve resposta. A mão da Sacerdotisa se afastou ensopada de sangue.

A lâmina enferrujada ainda estava enfiada no abdômen da Maga, com o rasgo brutal revelando suas entranhas devastadas.

A Sacerdotisa sentiu sua garganta fechar por causa da visão horrível, sua respiração saiu como um chiado tenso.

— Ah… Agh…

Mas a Maga estava viva. Se contraindo e convulsionando, mas viva.

Ainda havia tempo. Tinha de haver. A Sacerdotisa mordeu forte os lábios.

Apertando seu cajado perto do peito, a Sacerdotisa colocou a mão sobre as vísceras espalhando da Maga como se fosse empurrá-las de volta no lugar e recitou as palavras do milagre.

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, coloque tua venerável mão sobre esta criança…

As magias podem afetar o funcionamento racional do mundo, mas a Cura Menor é a genuína intervenção divina.

Conforme a oração fazia efeito, a palma da Sacerdotisa começou a brilhar com uma luz suave que pairou sobre a Maga. Enquanto a luz começava a expandir, o estômago arruinado da Maga gradualmente se recompunha à normalidade.

É claro que os goblins não eram do tipo que esperariam e deixariam isso acontecer.

— Malditos! Seus goblins imundos! Como se atrevem a fazer isso com elas!!

O Guerreiro tinha finalmente reparado o que se passava atrás dele e veio voando para cobrir suas companheiras, cortando seus possíveis atacantes.

Ele tinha jogado fora a tocha e agora segurava a espada firmemente com as duas mãos. Ele deu um impulso, perfurando a garganta de um goblin.

— GUIA?!

— Quem é o próximo?

Ele arrancou a espada de sua primeira vítima, apanhando o segundo enquanto se virava. Ele cortou completamente o goblin do ombro à cintura.

Com um jorro de sangue do goblin, o Guerreiro deu um grande grito, embriagado pela sede de sangue.

— Então, qual o problema?! Venham e me peguem!

O Guerreiro era o segundo filho de um fazendeiro, e desde sua juventude, ele tinha sonhado em se tornar um cavaleiro. Como alguém poderia se tornar um cavaleiro, ele não sabia, mas ele tinha certeza que força era um dos pré-requisito. Os cavaleiros nas histórias de embalar que ele tinha ouvido estavam sempre derrotando monstros, frustrando o mal e salvado o mundo. Aqui nesta caverna — batendo nesses goblins, salvando donzelas indefesas e protegendo seus amigos, — ele se viu finalmente um cavaleiro.

Esse pensamento trouxe um sorriso ao seu rosto.

O poder percorria através das suas mãos, seu sangue bombeava em suas orelhas, tudo reduziu até que ele conseguisse apenas ver o inimigo diante dele.

— Espera! Você não consegue lidar com eles sozinho!

Ele ainda não era um verdadeiro cavaleiro.

Quando a voz da Lutadora alcançou seus ouvidos, o Guerreiro viu uma das espadas gastas enfiada em sua coxa.

— Ugh! Por que, seu…!

Foi o goblin que ele tinha cortado através do peito. A lâmina sangrenta do Guerreiro não tinha sido suficiente para dar um golpe mortal.

Retirado da sua postura de combate, o Guerreiro deu um segundo golpe no goblin, e dessa vez ele morreu sem nem sequer gemer.

Mas momentos depois, outro monstro estava chegando atrás dele…

— Tome isso! — Ele contra-atacou com a espada, mas ela atingiu a parede da caverna com uma pancada estridente.

Era o último movimento que ele faria.

A tocha que ele tinha largado no chão crepitou e apagou, e na escuridão que envolveu à sua volta, ele ficou espantado com quão alto seu grito ecoou.

Sem uma família de renome e sem dinheiro, o Guerreiro tinha sido incapaz investir em um escudo ou um capacete; ele só tinha o frágil peitoral de placas para o proteger. Ele não tinha meios de se salvar dos golpes viciosos dos goblins.

— Não… não pode ser!

A Lutadora não conseguiu chegar ao inimigo a tempo. Enquanto observava o jovem por quem ela tinha tanto apreço morrer, ela ficou pálida e imóvel.

Tudo o que ela podia fazer era formar suas duas mãos trêmulas em punhos e tomar uma posição de combate.

— Vocês duas, corram.

— Ma-mas…! — A Sacerdotisa protestou debilmente, mas ela sabia que seria inútil. Apesar dos cuidados da Cura Menor, a Maga em seus braços mal estava responsiva, sua respiração era curta e superficial.

A horda de goblins estava se aproximando, fixados em suas presas restantes. Eles ainda estavam cautelosos com a Lutadora, mas eles avançariam sobre ela em pouco tempo.

A Sacerdotisa olhou para a Maga e a Lutadora, e depois olhou horrorizada para os goblins ainda maltratando o corpo caído do Guerreiro.

Vendo que suas companheiras ainda não tinham se movido, a Lutadora estalou sua língua. Então ela deu um grito ressoante, investindo contra a multidão de monstros.

— Hi-yaaaaah!

Seus punhos e pés eram flexíveis e rápidos. Seu próprio pai tinha a treinado antes de morrer, e agora ela demonstrava a própria essência de sua arte.

Ela não morreria aqui. A arte de seu pai não podia perder para tais inimigos patéticos.

Enquanto eu viver, nunca perdoarei vocês por matar aquele garoto!

Seu coração e mente corroboraram seu treinamento enquanto ela levou seu punho direto no plexo solar de um goblin.

Ela empurrou seu inimigo para o lado quando ele caiu no chão vomitando, depois acertou ele com um único golpe faca de mão em seu pescoço quando ela girou.

Golpe crítico.

O terrível golpe no pescoço deixou a cabeça do goblin inclinada em um ângulo impossível quando ele desabou.

No mesmo momento, ela foi para o espaço deixado pelo seu corpo e usou o impulso para dar um chute em arco no ar à frente dela. Seu chute giratório rigorosamente controlado acertou mais dois goblins, matando eles antes que alcançassem o chão…

— O qu…?!

Mas um terceiro goblin facilmente pegou sua perna e prendeu o seu tornozelo.

O rosto da Lutadora empalideceu, e ele começou a apertar.

Os goblins deveriam ter o tamanho de crianças… não era?

— HUURRRRGH!

A criatura, cujo hálito rançoso passou por ela enquanto ela se contorcia, era gigante.

Ela não era uma garota pequena, e mesmo ela teve que levantar a cabeça para olhar esse inimigo nos olhos. A dor em seu pé aumentava cada vez mais até que ela arrancou um grito de seus lábios.

— Ahh… a-arrrrgh… me… deixe… ir-aaah!!

Com a perna da Lutadora presa, o goblin casualmente a bateu contra à parede. Houve um som distante e ríspido de alguma coisa partindo.

A Lutadora desmaiou sem sequer gemer, então ela estava inconsciente quando o goblin a balançou ao redor e a bateu contra a parede oposta.

— Hrr, guhhh…?!

Ela fez um som que quase não era humano, vomitando com sangue quando ela foi jogada no chão. Então o resto da horda se jogou sobre ela.

— Ugh! Urrgh! Ya… yaaah! Ugh!

Os goblins acertavam a Lutadora com suas clavas, surdos aos seus gritos, até que arrancaram suas roupas e as jogaram para longe.

Os goblins mostraram a mesma misericórdia para os aventureiros invasores tal como o grupo tinha a intenção de lhes mostrar.

Atormentada pela sua horrível provação, a Lutadora deu um grande grito agudo, mas dentro dele, a Sacerdotisa tinha a certeza de que conseguiu entender as palavras.

— Fujam! Depressa!

— Eu… eu sinto muito…!

Tampando os ouvidos para os ecos na caverna dos goblins violando sua companheira, a Sacerdotisa pegou a Maga e partiu em retirada tropeçando.

Correr. Correr. Correr. Tropeçar, então se recompor e correr ainda mais.

Através da escuridão ela ia, escorregando em cada pedra, mas nunca parando.

— Me desculpe…! Me… desculpe! Por favor me… me perdoe…! — As palavras saíram dela em suspiros irregulares.

Não havia mais luz. Ela sabia que estavam sendo perseguidas cada vez mais e mais fundo na caverna, mas o que ela podia fazer?

— Ahh… ah…


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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