LAB – Capítulo 50 – 3Lobos

LAB – Capítulo 50

Parede de chamas

— Você está melhor agora?

Anna deu um tapinha nas costas de Nana para confortá-la. O estômago de Anna também estava revirado, mas no final ela ainda era capaz de engolir a própria saliva.

Quando o homem ferido foi levado, ele ainda estava consciente e constantemente repetia:

— Me ajude, me ajude … — Ao ver aquele homem implorando e a sensação de desespero dentro de seus olhos, todas as pessoas ao seu redor ficaram com o coração partido. Vendo os intestinos do homem pendurados para fora de sua barriga, deixou Nana incapaz de se segurar e acabou vomitando tudo o que tinha no estômago.

Mesmo assim, ela ainda insistiu em tratá-lo. Depois de colocar os intestinos de volta para a barriga do paciente, Nana pôs as mãos em cima da ferida, fechou os olhos e começou a curar as feridas dele.

Após Nana curar o homem, ela suspirou exausta, deixando sua cabeça no ombro de Anna, enquanto sussurrava:

— Hoje foi a primeira vez que o chifre foi soprado, você acha que Sua Alteza está bem?

— Eu não sei — Anna balançou sua cabeça. Ela queria ir até lá para ver a situação na muralha com seus próprios olhos, com medo de que Roland pudesse estar em apuros. Ela estava até um pouco com inveja de Rouxinol, pois sua habilidade de agir sem ser notada era muito conveniente.

Neste momento, um forte estrondo pôde ser ouvido vindo da muralha e todos sentiram a terra tremendo ligeiramente.

Brian pulou da cama em que estava sentado e começou a andar um pouco inquieto pela sala.

— Meu jovem, você precisa relaxar. — O Sir Pinheiro disse, enquanto limpava calmamente sua espada — Não é permitido a um cavaleiro perder a sua calma antes de entrar em batalha, isso só vai fazer as coisas ruins piorarem. Além disso, esta situação ainda está longe de ser ruim.

— Sinto muito, senhor. —  Brian respondeu, envergonhado — Eu apenas pensei que deve estar ocorrendo uma batalha desesperada na muralha, mas eu estou aqui, perdendo meu tempo … por isso é difícil para eu manter a calma. Afinal, é meu dever defender a vila.

— Talvez — Sir Pinheiro deu de ombros —, mas a sua responsabilidade não é proteger a vila em si. Depois que você ouviu que Sua Alteza vai consagrar você como um cavaleiro após o inverno, o que você deve entender agora é que o primeiro dever de um Cavaleiro é a fidelidade e obediência. Agora, ele precisa de você para proteger Anna, então sua responsabilidade agora é aqui.

— Quando … quando o senhor coloca a situação nesse ponto de vista … — Por um momento, Brian hesitou, mas então ele sentou-se na cama novamente.

Mas logo eles ouviram o som do chifre mais uma vez, e agora era ainda mais rápido que da primeira vez. Era como se um trovão atingisse o coração de todos.

O Sir Pinheiro franziu a testa.

— Anna! — Nana gritou, chocada!

O Sir Pinheiro virou-se e viu que a bruxa estava correndo diretamente para a porta. Brian, rapidamente foi correndo para se colocar na frente dela

— Você não disse que queria proteger a muralha? Agora é a sua vez. — Anna disse com uma voz calma e impositiva — Se você me seguir até a muralha, você não estará desobedecendo a ordem de Sua Alteza Real.

Ouvindo isto, Brian ficou realmente chocado, mesmo assim, ele levantou a cabeça para olhar com curiosidade para o Sir Pinheiro.

Mas que garota incrível — pensou o barão. Não havia nada de errado com o que ela disse. Além disso, Sua Alteza não exigiu que ela ficasse no hospital de campanha. Ele também tinha ouvido falar de Nana que Anna poderia invocar chamas. Então, se a situação atual estivesse muito ruim, uma bruxa se juntando na batalha poderia ser um fator decisivo para reverter a situação.

Chegando nesta conclusão, ele balançou a cabeça, dizendo:

— Proteja-a bem!

— Sim senhor! — Brian gritou bem alto e de repente sentiu seu sangue ferver.

Vendo os dois saindo, Nana perguntou:

— Pai, você não vai com eles?

— Minha batalha é aqui, ao seu lado, minha filha querida. — O barão disse com um sorriso — Sejam as bestas demoníacas ou o próprio diabo, eu nunca vou deixar nenhum deles te machucar!

A distância entre o hospital de campanha e a muralha não era longe. Logo, Anna e Brian poderiam trotar a cavalo pela estrada feita de pedras durante todo o caminho até a muralha. Quando os dois estavam finalmente perto o suficiente para ver o contorno da muralha em torno da torre de vigia central, eles viram que a situação estava muito problemática.

Um grande buraco foi aberto no interior da muralha. Roland estava sendo protegido por seus guardas pessoais, mas várias pessoas ainda estavam em seu caminho. Uma besta demoníaca na forma de urso veio correndo para a milícia. Parecia imparável e quando atingiu os soldados que estavam parados com seus piques firmemente apontados, eles foram jogados para o alto.

Quando alguém viu Anna com seu traje estranho correndo na direção deles, ele gritou:

— Ei, é perigoso aqui, você precisa sair imediatamente!

Anna se fez de surda para a pessoa e foi diretamente para o buraco. Após a besta demoníaca ter limpado o seu caminho por toda a milícia, ele virou-se e correu na direção de Anna. Brian deu um passo ao lado dela, pronto para protegê-la. Ele abaixou seu corpo e golpeou com sua espada, mas a besta demoníaca estava insana e não demonstrava a mínima intenção de se esquivar, acertando a espada com suas patas dianteiras. A espada foi imediatamente jogada ao vendo, mas, ao mesmo tempo, o golpe foi tão forte que as patas dianteiras da besta foram cortadas e pareciam estar quebradas.

A besta demoníaca rolou no chão, gritando e parecendo um peixe fora d’água que estava lutando para respirar. Ninguém se atreveu a chegar perto, porque eles estavam com medo de ser atropelados. No entanto, Anna foi até ao lado da besta demoníaca, colocou as duas mãos no chão, e de repente a besta demoníaca explodiu em chamas. A besta se transformou em uma bola de carvão.

Quando chamas de repente explodiram dentro da multidão, Roland viu que Anna pessoalmente tinha chegado. Ele imediatamente começou a suar frio.

Eu não tinha planejado você se mostrar assim agora!

Ele tinha a intenção de deixar Nana estabelecer as bases. Após a maioria das pessoas terem aceitado a presença de uma bruxa, ele tinha planejado anunciar a presença de Anna em público.

No entanto, todos os seus planos feitos com antecedência foram destruídos, então ele imediatamente virou-se e disse:

— Não se preocupe comigo, proteja a Anna!

Ele não podia perder Anna. Ela era uma figura importante no desenvolvimento industrial de sua vila, por isso, se ela ficar ferida, isso causaria uma perda incomensurável.

— Eu sei — Rouxinol disse —, mas por favor, preste atenção à sua própria segurança.

Anna foi direto para o buraco na muralha. Quando os guardas de Roland viram a menina de roupas estranhas vindo na direção deles, eles imediatamente se afastaram e deixaram ela passar. Agora, ela estava entre os soldados e abriu os braços para protegê-los. Diversas línguas de fogo apareceram de suas mãos, sendo direcionadas por Anna para cobrir todo o buraco na muralha.

Todos os presentes ficaram boquiabertos com a cena. Eles não se atreveram a acreditar em seus olhos quando viram uma parede de chamas subindo e lentamente preencher o buraco na muralha. Esta não era uma ilusão. Todos os guardas tiveram de recuar por causa da alta temperatura. A neve que estava em volta foi derretendo rapidamente, e as nuvens de fumaça já estavam aumentando consideravelmente.

As bestas demoníacas também temiam as chamas. Elas imediatamente fugiram para os lados, e às vezes uma ou outra tentava passar pela parede de chamas, mas nenhuma delas ousava pisar naquele fogaréu.

— Todo mundo de volta para a muralha! — Roland gritou em voz alta, tentando aproveitar a oportunidade — Voltar para a formação! Esquadrão de caçadores, atirem à vontade!

Em seguida, ele mesmo pegou a arma de Carter, voltou para a muralha e começou a abater as bestas demoníacas.

Vendo o próprio Príncipe atacar, motivou grandemente toda a milícia e caçadores. Afinal, nesta época, vendo a nobreza ou a Família Real tomar a liderança e lutar lado a lado da milícia, era algo bastante raro de se ver. Ao verem o Príncipe na vanguarda, a moral de todos melhorou consideravelmente.

A multidão começou a gritar:

— Protejam Vila Fronteiriça! Lutem pelo Príncipe! — Enquanto fortificavam a linha da defesa e mantinham sua formação.

A luta continuou até que o céu começou a escurecer. Só então todas as bestas demoníacas próximas a muralha foram exterminadas.

Lentamente a parede de chamas começou a se dispersar e Anna, totalmente exausta, limpou o suor da testa.

Então, Roland viu uma cena incrível.

Os guardas pessoais de Roland colocaram seus punhos no peito, no local onde está o coração, e inclinaram-se na direção de Anna. Em seguida, a milícia, como se estivessem contaminados pela moral dos guardas, também fizeram a mesma reverência. Incrivelmente, ninguém xingou ou vociferou maldições às bruxas, como de costume, mas silenciosamente observavam aquela menina. Após esta batalha, Vila Fronteiriça estava calma novamente.

Vendo uma espécie de poder incrível que nunca fora visto antes, a primeira vez era sempre algo realmente terrível, mas este poder foi usado em seu favor. Ao ver este poder ser usado para combater seus inimigos, o medo gradualmente desapareceu, sendo substituído pela confiança e gratidão.

O coração de Roland batia feito louco enquanto ele caminhava na direção de Anna, mas quando ele chegou próximo a ela, percebeu que Anna estava pálida. Ela estava caminhando sem firmeza e estava à beira do colapso.

— Você está bem? — Roland visivelmente preocupado, segurou ela em seus braços. Anna viu o Príncipe a segurando e depois de um sorriso forçado, ela desmaiou em seus braços.


Deodoro
Tradutor nas horas vagas. Só joga no hard.
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