DCC – Capítulo 89 – 3Lobos

DCC – Capítulo 89

Sim

 

— Isso é algum tipo de brincadeira? — Eu olhei ao redor, esperando que houvesse algum tipo de armadilha preparada pronta para zoar com a minha cara, enquanto Henry continuava a sorrir para mim com um dos joelhos no chão.

— Não estrague o clima! — ele reclamou sem tirar o sorriso da cara. — Alésia Latrell, desde o dia que te conheci você virou minha vida pelo avesso.

— Ooooooww… Você não está fazendo isso! — eu disse cobrindo meu rosto com as mãos. Eu não sabia como reagir. Ele realmente ia fazer isso?

— Eu dizia que você era uma garota patética e chorona quando te conheci, e agora é você quem me dá suporte. — Ele continuou revirando os olhos para a minha reação. — Desde que estamos juntos, todo meu trabalho, minha força e meu ser são para você.

— Ah-ahhh…. Você não deveria estar fazendo isso… — eu disse nervosa, tentando puxar ele pra cima, mas é claro que se ele não quisesse, ninguém poderia fazer ele se mover um centímetro sequer.

— Minha vida pertence a você e para mim você é tudo, — ele continuou como se eu não estivesse tentando interromper, segurando a minha mão e me puxando para perto dele. Sua expressão divertida mudou para uma séria, e eu não pude deixar de olhá-lo nos olhos enquanto ele continuava, — Então, Alésia… meu amor… você me daria a honra de ser minha mulher?

— Você .. eu… isso é… quero dizer… — eu não conseguia expressar o quão nervosa eu tinha ficado naquele momento, — eu… não é um pouco cedo pra isso? — perguntei tentando desviar a conversa.

Ele me puxou mais para perto e me abraçou junto a ele, colando a testa na minha, enquanto me olhava com tremenda intensidade. Não havia magia no olhar dele, mas eu me senti completamente presa por aqueles olhos ao ponto de não conseguir pensar claramente.

— É uma pergunta de sim ou não, — ele disse simplesmente.

— E-e-eu sei.. eu sei… Mas não deveríamos… — eu tentei argumentar.

— Ainda é uma pergunta de sim ou não, — ele insistiu.

— Eu sei!

— E eu te amo, — ele disse com tanta seriedade que parecia que estava tentando ganhar uma guerra.

— E-e-eu sei…

— Alésia, eu te amo! — ele repetiu.

Eu pude sentir meu rosto corar intensamente. Ele repetiu como se quisesse me fazer entender a intensidade do sentimento que ele carregava. Eu abri a boca para falar várias vezes antes de sussurrar de novo:

— Eu sei…

— Eu te amo! — ele repetiu pela terceira vez.

Dessa vez eu poderia dizer que estava sentindo calor. Pela primeira vez em anos eu estava realmente me sentindo tremendamente quente. A intensidade do olhar dele era tanta que dessa vez eu não consegui sustentar o olhar e enterrei meu rosto nos ombros dele. Eu sabia o que ele queria. Eu sentia. Eu precisava apenas admitir que eu também o amava.

— Alésia? — ele chamou confuso e ligeiramente preocupado.

— Seu idiota… Por que tem que fazer as coisas desse jeito? — eu perguntei com a voz embargada.

— Que jeito?

— Esse! Que droga… Isso é tudo muito rápido… muito intenso… — eu deixei escapar. — Sim!

— Eu estou confuso… — ele disse me segurando com força, quase com medo de que eu fosse evaporar a qualquer momento e sair de perto dele.

— Eu sou uma mulher! É esperado que eu seja confusa! — eu disse levemente exaltada com o rosto ainda escondido entre os ombros dele — Então que se dane, sim!

— Sim?

— Sim…

Ele me afastou para poder voltar a me olhar nos olhos. Eu mordi os lábios com força enquanto desviava o olhar para qualquer direção que não fosse a dele. Eu me sentia envergonhada e tímida, como eu nunca tinha me sentido antes. Eu estava completamente emocionada e vencida por ele. Eu não conseguia mais segurar.

— Eu também te amo.

As palavras que eu tentei conter tantas vezes anteriormente escaparam da minha boca sem restrições. Eu fixei o olhar no canto do carpete de veludo preto que cobria todo o assoalho. Tinha plena consciência do meu rosto vermelho, corado pela vergonha. Mas dessa vez ele não se rendeu. Henry pegou gentilmente meu rosto com as duas mãos, como se segurasse algo precioso que tinha medo de quebrar, e encostou novamente a testa na minha.

— Olhe para mim…

Ele pediu. Eu pude sentir a urgência na voz dele. Reuni um pouco de esforço para driblar a timidez inédita que estava sentindo e voltei a olhá-lo nos olhos. Então ele perguntou:

— Você poderia repetir?

Então eu vi nos olhos dele, que por trás de toda a determinação que ele tinha em fazer esse pedido idiota, que ele realmente estava inseguro. Eu pude ver o medo e a apreensão. Eu pude ver dentro da alma dele que eu o tinha feito pensar que ele não era correspondido. E por mais que ele tivesse sabido que eu o amava depois de seja lá o que aconteceu na Casa dos Siever, ele ainda não se atrevia a pôr suas esperanças em cima disso. Ele estava tão assustado quanto eu.

— Eu te amo… — eu repeti. — Eu te amo! Eu te…

Ele não me deixou repetir a terceira vez. Henry me puxou para perto mais uma vez e preencheu meus lábios com os dele e me beijou com mais paixão do que jamais tinha me beijado antes. Todas as nossas emoções de conflito, insegurança e medo se misturaram juntas com a alegria e o prazer daquele momento.

E ele não parou nos meus lábios. Ele continuou me beijando descendo por meu pescoço e meus ombros. Então ele parou por um momento e retirou a própria camisa, e toda a insegurança que eu havia visto por um momento sequer no rosto dele havia desaparecido e sido completamente substituída pelo olhar de lobo mal. Se ainda era possível que eu corasse mais, deve ter acontecido nesse momento. Por mais que Henry já tivesse me visto sem roupa nas ocasiões em que ele cuidava de mim como médico, eu nunca o tinha visto sem. Então ele pegou a minha mão e colocou sobre o peito esquerdo, onde estava uma bonita tatuagem prateada com formato circular e formações estranhas e translúcidas dentro que não pareciam ter formas fixas.

— Eu já pertenço a você… — ele disse também olhando para a tatuagem. — Naquele dia em que meu corpo quase perdeu a vida, você prendeu minha alma à sua para não me deixar partir. Você laçou minha alma a você, então enquanto eu viver, minha vida será sua.

Ele já tinha comentado sobre isso em alguns momentos nos últimos dias. Então essa tatuagem era a marca de um Laço da Alma?

— Eu já sou seu… Mas eu também quero que você seja minha!

Henry me pegou nos braços e me levou até a cama daquele quarto, me colocou gentilmente sobre ela e sem tirar os olhos dos meus, tirou fora meu casaco e minha camiseta, então correu livremente a ponta dos dedos sobre minha pele exposta, me deixando com os nervos, já à flor da pele, extremamente eriçados.

Então ele se moveu e me deu um beijo em meu seio esquerdo. Nesse segundo, eu senti meu mundo explodir dentro de minha cabeça. Eu pude sentir minha alma instantaneamente ser ligada à ele. Agora eu pertencia a ele, assim como ele me pertencia.

Não era como se eu tivesse perdido metade do meu ser, mas como se eu tivesse me tornado algo infinitamente maior. Nossas vidas estariam ligadas para sempre, e desde que tínhamos expectativas de vida ilimitadas, esse “para sempre” realmente deveria durar muito tempo.

Minha cabeça estava completamente em branco. Eu não conseguia… eu não queria pensar em mais nada além de Henry, enquanto ele continuava a me beijar. O Laço da Alma estava completo. Não havia mais nada para nos segurar. Nem ideias, nem inseguranças, nem medos.

Eu apenas estava nos braços do homem que me amava e que eu amava. Tudo o que vem depois… bom, que venha. Eu tirei fora o restante de minhas roupas e Henry também tirou as dele. Droga… realmente fazia sentido ele ser tão popular apenas por ser tão bonito.

Naquela noite, eu dei tudo de mim para Henry. Meu corpo e minha alma. Naquela noite, pela primeira vez, nos entregamos um para o outro completamente. Apaixonadamente. E naquela noite nos tornamos um.


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.
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