DCC – Capítulo 107 – 3Lobos

DCC – Capítulo 107

Compartilhando informações

 

— Bom, já que não tem jeito, você pode me chamar de mãe por uns dias… — eu disse para Amelie, enquanto ela abria um sorriso encantador que não dava pra resistir. — Mas você deve ter uma mãe de verdade. Assim que possível nós vamos visitar ela, ok?

— Tudo bem, mamãe, mas eu ainda prefiro ficar com você!

As outras meninas sorriram. Realmente era uma situação estranha. Eu sempre tinha pensado em como repor as informações que Amelie tinha perdido, mas nunca tinha imaginado que ela também tinha necessidade de repor o estoque emocional dela. Já que Amelie não lembrava de nada da sua vida, então ela não lembrava de já ter recebido amor de seus pais e amigos. Isso iria fazer falta para ela, já que a personalidade estava sendo reescrita do zero.

— Ok, ok… vamos todas nos acalmar. Lembrem-se de não deixar ninguém de fora saber que nós vamos acompanhar Briane. A princesa de Kanis já está sabendo que você vai e ela está esperando te desmoralizar durante o festival na presença de todos aqueles políticos.

— Mas… porque isso tudo? — Briane perguntou supresa.

— Ela não tinha tomado nenhuma medida antes por achar que você tinha arrumado alguns amigos importantes. Ela tinha medo de nos ofender de alguma forma. Mas depois de investigar por todos esses meses, ela não conseguiu encontrar nada e por isso acredita que não há nada para encontrar. Então ela resolveu voltar a agir.

— Quer dizer que é a princesa de Kanis que está por trás daquele incidente? — Isabel perguntou indignada.

— Basicamente. Eu só não entendi qual o propósito ainda. Ela veio para a academia desde o começo para acabar com Briane. Briane é a esperança de Belquior III. Se eles puderem utilizar Briane como um símbolo para promover a autossuficiência do planeta, então todos os outros que estão lutando para sair das mãos de Kanis vão se beneficiar com isso, e logo muitos outros talentos poderão emergir como consequência. Mas caso Briane falhe, Kanis pode usar essa oportunidade para alegar que os planetas são inaptos a se desenvolver sozinhos e precisam voltar ao status de colônia.

— Mas… isso nunca daria certo! — Michelly disse indignada. — Para Kanis exigir que os planetas retornem ao status de colônia, seria necessário uma audiência em nível imperial. Se o imperador pressentisse qualquer má intenção vindo dos representantes de Kanis, ele imediatamente interviria a favor dos aliados de Belchior III.

— Sim, isso é verdade… Mas e se o imperador não for capaz de sentir as intenções dos representantes de Kanis? — eu perguntei para elas. Elas precisavam entender a resposta disso.

— Isso é impossível! O poder do imperador é absoluto. Ninguém consegue esconder memórias e intenções de oniscientes, ainda por cima… ainda por cima… — Isabel começou a argumentar, mas quando o olhar dela pousou em Briane, ela parou. Ela havia entendido.

— Artes de Obliquação não são facilmente identificáveis, mesmo pelo imperador. — eu expliquei.

— Então você acha que eles podem estar indo atrás de uma audiência com o imperador com as intenções escondidas por alguma arte de Obliquação? — Márcia perguntou em choque.

— Eu tenho bastante certeza. Desde que eles tenham um motivo para exigir uma audiência, basta o representante de Kanis aparecer por lá com todas as boas intenções sobre as ex-colônias, que a mesa irá virar a favor deles. Se não houver ninguém com poder suficiente para interceder por Belquior III, provavelmente o imperador sequer daria uma segunda olhada.

— Oh, e agora? O que vamos fazer?  — Briane se lamentou, nervosa.

— Felizmente, você tem a mim para interceder por vocês, bobinha. — Eu disse sorrindo para ela. — Vamos deixar aqueles tolos sonharem que podem ir longe com isso. Então a queda deles será bem pior. Ela acha que eu simplesmente blefei quando ameacei ela no primeiro dia de aula… Vamos ver se eu realmente consigo cumprir minha promessa.

— Sabe… — Márcia começou a falar levemente distraída enquanto me olhava — às vezes você parece bastante assustadora, mas quando a gente olha pra essa sua cara fofa de Brard, além desse seu tamanho de bolso, não dá pra te levar a sério.

Henry finalmente havia retornado da pesquisa que ele tinha ido fazer. Todas já estavam dormindo, enquanto eu tentava ajustar as últimas configurações em Sophia. Quanto mais autossuficiente fosse o sistema, melhor.

Ele, como sempre, apareceu do nada no meio do meu quarto trazendo uma singela flor vermelha para mim.

— Está atrasado! — eu reclamei.

— Eu tive que tentar descobrir a origem daquelas coisas… Não dava pra fazer em poucas horas… — ele se explicou sentando do meu lado e pegando em minha mão.

Eu recebi a flor que ele trazia. Bem bonita e delicada. Era sempre uma diferente. Enquanto houvessem espécimes diferentes de flores na galáxia, ele as traria pra mim.

— O que descobriu? — eu fui direto ao ponto.

— Aparentemente não vai ser tão fácil descobrir o culpado por meio de engenharia reversa. — Henry se lamentou.

— Então, quem inventou essas crisálidas obliterantes é ainda mais esperto do que você? — eu perguntei incrédula.

— Humpf. Não é isso. Eu investiguei todos os projetos base da empresa de Cásira, e como eu suspeitei, o projeto original realmente veio de lá, — Henry explicou.

— Então qual é o problema em identificar o culpado? — continuei perguntando confusa.

— O problema… é que o projeto original foi feito milênios atrás, poucas gerações depois da empresa ter sido fundada. — Henry se lamentou. — Ele provavelmente criou o erro para que as crisálidas aceitem artes de Obliquação por acidente, e alguém pôs a mão nesse projeto. É impossível rastrear quem tenha feito isso.

— Hum… entendo. — Então, quem quer que tenha feito o projeto falho, já estava morto várias gerações atrás. — De qualquer forma eu também tentei rastrear quem quer que esteja por trás da venda dessas crisálidas com ajuda da Sabedoria, mas pelo visto também é impossível para mim.

— Como assim? — Henry estava surpreso.

— Através da dona Magna, eu consegui rastrear uma pessoa que fazia contato entre Magna, a princesa e Kanis e os capangas que ela contratou para atacar Briane. É claro que ela não iria se envolver com isso diretamente. A princesa também estuda Onisciência, por isso a necessidade de um mediador.

— Então qual o problema? — Henry insistiu.

— O cara simplesmente parece que não existe, — eu expliquei. — Nem mesmo a Sabedoria é capaz de rastrear exatamente quem é ele.

— Isso é impossível! — Henry quase ficou de pé, ao ouvir o que eu disse. — Tem certeza que procurou direito? Talvez ele tenha trocado de nome…

— Eu já cheguei todas as possibilidades! — eu retruquei. — Eu tenho plena confiança de que fiz a pesquisa corretamente.

— Então isso não deveria acontecer! — Henry realmente estava alarmado com o que eu disse.

— Mas é como as coisas são! É como se ele não fizesse parte desse universo…

Dessa vez Henry não disse nada. Ele apenas ficou completamente imóvel, me olhando como se eu fosse irreal.

— Não Dhar… não ele de novo… — Henry começou a murmurar para si mesmo. E não conseguiu me explicar mais nada.

Quem era Dhar?


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.
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