DCC – Capítulo 106 – 3Lobos

DCC – Capítulo 106

Planos para o festival

 

— Caramba! Você foi convocada para uma audiência e defendida pessoalmente pela madame Petra da Casa dos Siever!! — As meninas me receberam quase tendo um acesso de faniquito.

— Calma, calma… Não foi grande coisa. Ela chegou na hora certa e me ajudou… — eu tentei acalmar a animação delas.

— Puxa vida! Você ao menos tem ideia da sua sorte? Ela é uma chefe da inquisição. Tudo o que ela diz é absoluto! — Márcia comentou animada.

— Ahhh….

— E além do mais ela é uma das pessoas mais influentes da galáxia. Se houver algo que ela não consiga fazer, é por que é literalmente impossível… — Isabel disse em profunda admiração. Essa era a primeira vez em dias que eu a via mais corada.

— Mas foi só isso gente. Não é como se ela fosse uma entidade absoluta ou coisa…

— Você tem noção do que está dizendo? Por favor tenha um pouco de senso comum! — Márcia reclamou.

— C-como assim?

— Existem certas pessoas na galáxia que são adoradas como deuses. Suas contribuições para as artes mágicas, para as ciências, são inestimáveis, — Briane começou a explicar. — São seres tão influentes e poderosos que uma palavra dessas pessoas pode ditar a vida e a morte de um planeta inteiro!

— Isso me parece um tanto abusivo, não? — perguntei com um leve receio de tal status.

— Henry Siever está nesse quesito, sua louca! — Michelly comentou animada. — Acho que você acabou se acostumando ao fato dele estar no topo da galáxia, por isso você não coloca mais ninguém em seus olhos.

— De qualquer forma, também temos notícias super interessantes pra te dar! — Isabel disse quase batendo palminhas.

— Briane foi convidada pro festival de ano novo no palácio imperial em Keret. Ela vai acompanhar a comitiva oficial do planeta dela! — Márcia disse animada.

Puta merda!

— Por que vocês estão tão felizes? — eu disse com a expressão horrorizada.

As minhas amigas me olharam com uma expressão confusa, como se não estivessem esperando a minha reação. Mas e quem diabos esperaria? Quem não iria querer ir para o festival de ano novo imperial em Keret?

— Ué, você entendeu o que ela disse? — Michelly perguntou confusa. — É o festival imperial!

— Sim! A festa mais importante da galáxia! — Isabel comentou animada.

— Acho que não dá pra considerar Alésia tendo a mesma empolgação que a gente pra esse evento. — Briane constatou olhando para a mesa.

— Ah… é verdade! Você é a companheira de Henry Siever! E ele participou da festa de três anos atrás acompanhado! Então é óbvio que era você ao lado dele! — Michelly disse quase eufórica. — Com certeza deve ter conhecido um monte de gente importante.

— Caramba! Você conheceu o Imperador? — Isabel perguntou afoita.

— He he… — eu sorri preocupada e sem jeito.

Era extremamente desconcertante. Eu não conseguia mais ver as coisas de acordo com o senso comum delas. Pra mim não dava para entender o Imperador Gionardi e o gênio Siever como existências inalcançáveis. Pra mim eram só o irritante e insuportável Marco e o meu querido e fofo Henry. Além do que, a ultima vez que eu vi Marco ele fez questão de deixar claro que eu me arrependeria por me opor a ele. Eu não tinha medo dele, mas considerando a catástrofe que foi o festival que eu compareci, eu não podia negar que estava aterrorizada com a ideia de aparecer lá de novo.

— Uau! Como ele é? Ele é tão bonito pessoalmente quanto nas fotos? — Briane perguntou ligando o modo tiete dela antes de hesitar — … ou não? — provavelmente algo na minha cara de nojo deixou transparecer que eu não conseguia compartilhar dessa ideia que ela tinha dele.

— Você tem mesmo que ir nessa festa? — eu perguntei sem responder à pergunta dela.

— Sim. É meu dever como representante nobre de Belchior III,  — Briane disse, respirando fundo.

Eu podia sentir que alguma coisa dentro dela tinha quebrado, mesmo que ela não tivesse a memória do que aconteceu, mas ela ainda se esforçava em mostrar a mesma expressão sonhadora e romântica de sempre.

— O meu brasão me ajudou muito, então eu não posso abandonar o meu planeta durante um encontro político tão importante, se eu fui chamada.

— Se esse é o caso, então eu não te deixarei na mão. Nenhuma de vocês, — eu disse olhando para cada uma delas. Elas eram minhas amigas e eu não iria me sentir tranquila se qualquer uma delas estivesse distante de mim durante esse momento complicado. — Se Briane precisa ir para Keret, então iremos todas.

— O que? Você pode fazer isso? — Márcia perguntou quase aos gritos de euforia. — Eu ouvi dizer que apenas a nobreza e os residentes de Keret podem entrar no planeta durante o festival! Seria praticamente impossível conseguirmos acomodações…

— Humpf. Isso é balela… — eu resmunguei. Se fossem tão eficientes assim, eu não teria sido sequestrada dois anos atrás. — De qualquer forma, na primeira hora do dia primeiro, a entrada de civis volta a ser permitida. E sobre acomodações, também não são um problema. Desde que queiram ir…

— Como assim? É claro que queremos! — Isabel também quase gritou de excitação.

— Rael também é de Keret, certo? Será que ele voltará pra casa para as festas? Poderíamos nos encontrar todos por lá! — Márcia comentou já fazendo planos.

— Agora que eu penso no assunto, Alésia já conhecia Rael desde antes de vir para a academia. Imagino se ele não tem alguma família notável por trás dele também… — Isabel comentou por alto.

Caramba! Não é a toa que ela quase podia usar três artes mágicas. Isabel era muito esperta. Mas eu apenas fiz a minha melhor cara de paisagem e não disse nada. Confirmar ou negar só iria me trair ou trair o segredo de Isaac.

— Então está decidido! Iremos todas para Keret. — Eu bati na mesa para encerrar o assunto. — Acho que se sairmos na véspera é o suficiente….

— Sair na véspera? — Michelly perguntou confusa — Apenas daqui da academia até Keret são pelo menos 2 dias de viagem na melhor nave civil. E provavelmente não deve ter sequer voos pra lá.

— Dois dias? — eu perguntei estranhando. — Essas naves são muito lentas! A de Henry cobre esse percurso em uma ou duas horas…

Nesse momento eu lembrei de quando eu conheci Henry e ele me levou de um lado a outro da galáxia em menos de um dia naquela nave, sendo que a nave mais rápida fabricada comercialmente levaria no mínimo duas semanas. Então eu me virei para as expressões de choque e queixos caídos nos rostos das meninas.

— D-d-duas horas!!! Isso ao menos é possível? São vários milhares de anos luz de distância! — Márcia disse abismada.

— Certo, Certo! — Eu tentei acalmá-las, completamente desconcertada. Definitivamente eu não estava sabendo avaliar as coisas de acordo com o que deveria ser o parâmetro “correto”. — Muita gente vai pedir recesso para o ano novo imperial, então vamos continuar vivendo normalmente até o dia de partir, que eu providencio todo o resto. Lembrem-se de não contar nada a ninguém sobre nossa ida. Provavelmente vai causar alguma comoção desnecessária.

— Mas eu tenho que avisar a minha família… — Isabel comentou.

— Nós também… — Michelly disse.

— Quanto a isso, basta dizer que vocês vão ter que dar suporte à uma amiga que está com problemas. Não precisam entrar em detalhes.

— Mãe! Você chegou! — alguém chamou de uma das portas dos quartos.

Mãe? Eu me virei e encontrei Amelie vindo animada me mostrar os jogos que Isaac tinha comprado para ela na ultima vez que saíram para passear. Ela tinha terminado de calcular corretamente o algoritmo para montar um cubo mágico em poucos dias, sem pesquisar em outro lugar.

— Você me chamou de que? — eu perguntei confusa.

— De mãe! — Amelie disse sorridente, ainda esperando que eu elogiasse o esforço dela.

Eu pude ouvir os risinhos das meninas atrás de mim.

— Por que está me chamando de mãe?

— Por que eu vi um documentário que dizia que mãe é a pessoa que cuida do filho desde quando ele não sabe nada sobre a vida, o educa e o ama. Então você é a minha mãe!

— Quem foi que ensinou isso pra ela? — eu perguntei séria para as meninas.

— Ela aprendeu sozinha, não nos coloque nessa… — Briane disse, rindo.

— Mas eu quero que você seja minha mãe, mesmo que eu não tenha nascido de você! — Amelie disse mostrando uma cara de birra.

— Ahh… o que eu faço agora???


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.
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