Arifureta – Volume 1 – Prólogo (Parte 2 de 2) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Prólogo (Parte 2 de 2)

Prólogo (Parte 2 de 2)

 

— Bom dia, Yaegashi-san, Amanogawa-kun e Sakagami-kun. Heh, bem, você sabe o que dizem, você colhe o que planta. É minha culpa por ficar acordado o tempo todo. — O Hajime sorriu ironicamente enquanto cumprimentava a Shizuku e os outros. Os dois rapazes entrecerraram os olhos para ele, com seus olhares quase berrando: O que te dá o direito de falar com a Yaegashi-san tão casualmente assim, hein!? Afinal de contas, a Shizuku era quase tão popular quanto a Kaori.

— Se você entende que é um problema, você não deveria tentar corrigir? Eu não acho que seja justo com a Kaori continuar deixando que ela te mime. Ela também não tem tempo para sempre estar cuidando de você. — O Kouki advertiu severamente o Hajime.

O Kouki também pensava claramente que o Hajime era um fracasso como um aluno que estava simplesmente desperdiçando a gentileza da Kaori. O Hajime queria desesperadamente gritar: Ela não está me mimando! E na verdade, eu preferiria que ela me deixasse em paz! Mas ele sabia que se ele o fizesse, seus colegas de classe iriam o “acompanhar” para um lugar sossegado depois da escola. O Kouki também era o tipo de pessoa que sempre achava estar certo, então o Hajime simplesmente fechou sua boca e não o deu nenhuma única resposta.

Além disso, não havia nada para ser “corrigido”. O Hajime já tinha decidido fazer os seus passatempos a pedra angular da sua vida. Seu pai era um programador de jogos e a sua mãe uma autora de quadrinhos para meninas, então ele trabalhava meio-período em ambos os locais de trabalho para ganhar experiência nas áreas.

Com a sua experiência e interesses, a maioria dos empregadores estaria interessado nele, pois não necessitaria treinamento extra, e os seus planos para o futuro estavam todos perfeitamente definidos. O Hajime acreditava firmemente que ele estava levando sua vida seriamente, razão pela qual ele não via necessidade de mudar seus hábitos, independentemente do que alguém lhe dissesse. E se a Kaori não tivesse começado a meter seu nariz em seus assuntos, ele teria sido capaz de se graduar discretamente na escola sem chamar muita atenção para si.

— Sim, eu acho. Ahaha… — Foi por isso que o Hajime só tentou rir das palavras do Kouki. Mas é claro, a deusa da escola tinha que ir e soltar outra bomba acidentalmente:

— Do que está falando, Kouki-kun? Estou falando com o Nagumo-kun porque quero. — Toda a sala de aula eclodiu em alvoroço com essas palavras.

Se olhares matassem, o Hajime teria morrido mais de cem vezes pelos olhares fulminantes que ele recebeu dos estudantes masculinos. Eles cerravam os dentes conforme o olhavam, enquanto a equipe do Hiyama dava um passo à frente e começava a discutir que lugar seria o melhor para arrastar o Hajime durante o intervalo de almoço.

— Hein…? Ah, entendi. Você é realmente muito gentil, Kaori.

Parecia que o Kouki interpretou isso como a Kaori sendo agradável, de modo a não ferir os sentimentos do Hajime. Embora ele fosse perfeito em muitos aspectos, ou talvez precisamente por causa desse fato, ele tinha uma falha bastante gritante. Ou seja, ele estava um pouco convencido demais de sua própria retidão. Decidindo que o corrigir seria sofrimento demais, o Hajime preferiu em vez disso, fugir da realidade olhando através janela.

— Sinto muito por isso. Eles não dizem com má intenção… — A Shizuku pediu desculpas discretamente para o Hajime, pois ela era a única pessoa presente que era astuta o suficiente para compreender os sentimentos de todos. O Hajime simplesmente deu de ombros e sorriu ironicamente em resposta.

Enquanto isso, o sino sinalizando o início das aulas finalmente tocou, e a professora entrou na sala de aula. A professora começou os anúncios matinais, aparentemente habituada demais à atmosfera turbulenta na sala de aula para se preocupar. Então, como de costume, o Hajime vagou para a terra dos sonhos quando a aula começou.

A Kaori sorriu quando viu o Hajime adormecer. A Shizuku olhou para ela, espantada, e pensou que o Hajime era uma celebridade em certo sentido. Todos os rapazes zombavam dele, enquanto o resto das garotas o encarava, com olhos cheios de desprezo.

Depois de um tempo, a sala de aula começou a ficar barulhenta novamente. Como um habitual dorminhoco de sala de aula, o corpo do Hajime naturalmente se sintonizava para saber quando acordar. Foi por isso que sua vaga consciência foi capaz de discernir pelo ruído dos arredores que era a hora do almoço.

O Hajime vasculhou sua bolsa e pegou o seu almoço, uma refeição simples que poderia ser terminada em dez segundos, mas mesmo assim, estaria totalmente satisfeito. Parecia que a maioria do grupo que comprava seu almoço já havia saído para o refeitório, pois havia algumas pessoas ausentes na sala de aula.

Porém, a maioria das pessoas da classe do Hajime geralmente traziam seus próprios almoços, e por isso cerca de dois terços da classe ainda permanecia. Além disso, parecia que alguns dos estudantes tinham perguntas para a professora de estudos sociais do quarto período, a Aiko Hatayama, e estavam em volta do oratório da da professora.

Bluuub! Glub! Tendo terminado de recarregar sua energia em apenas dez segundos, o Hajime se deitou em sua mesa, planejando tirar mais uma soneca. No entanto, a deusa da escola, provavelmente mais um demônio no caso do Hajime, sorria alegremente enquanto caminhava para o assento perto dele, o impedindo de retornar ao seu sono.

O Hajime grunhiu por dentro. A segunda-feira deve ter feito ele perder o juízo. Normalmente ele teria comido rapidamente seu almoço e se retirado da sala de aula para encontrar um lugar isolado para tirar sua sesta, mas dois dias direto de viradas de noites tinham aparentemente afetado ele.

— Isso é raro, Nagumo-kun. Você ainda está na sala. Você não trouxe um almoço? Se quiser, pode comer um pouco do meu. — Então a atmosfera frígida caiu sobre a sala de aula novamente e o Hajime gritou internamente.

Estou cansado desta merda, sua mente exasperada gritou em algum dialeto estranho. O Hajime tentou resistir ao inevitável quando essa ideia passou pela sua mente:

— Ah, obrigado pelo convite, Shirasaki-san. Mas eu já acabei de comer o meu almoço, então, porque não comer com o Amanogawa-kun em vez disso? — Ele mostrou a Kaori os restos de seu almoço embalado depois que disse isso. O resto de seus colegas de classe provavelmente o odiaria por se recusar também, mas pelo menos, era melhor do que passar a hora do almoço ficando de saco cheio.

Contudo, tal resistência débil não significava quase nada perante a grande deusa, de modo que ela continuou implacavelmente.

— Hã!? É só isso que você comeu de almoço? Isso não enche ninguém, você precisa comer uma refeição decente! Aqui, vou te dar um pouco da minha!

Por favor, por favor, só me deixe em paz! Por que você não percebe ainda!? Analise o clima pelo menos uma vez! Com cada momento que passava, o Hajime conseguia sentir uma pressão se amontoando, e seus salvadores finalmente apareceram quando suor frio começou a descer pelas suas costas. O Kouki e o Ryutarou.

— Kaori, vamos todos almoçar juntos. Parece que o Nagumo precisa dormir um pouco mais. E eu não permitirei que ninguém que esteja sonolento coma o almoço caseiro delicioso feito pela Kaori! — O Kouki lançou um sorriso encantador para a Kaori quando disse essas palavras pretensiosas, mas a Kaori simplesmente olhou intrigada. A Kaori era um pouco lenta, ou melhor, apenas uma cabeça oca, então, o apelo de rapaz bonito do Kouki não teve efeito nela.

— Hum? Por que preciso de sua permissão para partilhar meu almoço, Kouki-kun? — A Shizuku soltou um risinho involuntário quando ouviu a Kaori fazer essa pergunta de uma forma tão séria.

O Kouki começou a rir desajeitadamente e tentou mudar de assunto, mas o ponto importante era que as quatro pessoas mais famosas da escola estavam sentadas juntos com o Hajime, e o resto da turma não estava nada contente com isso. O Hajime suspirou profundamente e continuou a resmungar para si próprio.

Eu queria que todas essas pessoas simplesmente fossem invocadas para outro mundo ou algo assim. Quero dizer, olhem para eles, eles são o grupo de quatro pessoas perfeito. Eles até parecem como o tipo de grupo que seria enviado para outro mundo. Não pode algum deus, princesa, uma sacerdotisa ou algo parecido simplesmente os invocar para longe daqui? Tentando fugir da realidade, o Hajime enviou seus pensamentos para quaisquer outros mundos que estivessem em algum lugar. Ele se levantou e estava prestes a dar sua habitual resposta evasiva, quando de repente ele congelou.

Havia um círculo prateado brilhante, gravado com vários padrões geométricos brilhando na frente do Hajime, aos pés do Kouki.

O resto dos estudantes viram o círculo estranho também. Todos ficaram congelados no lugar, encarando o estranho padrão brilhante, que, por falta de uma palavra melhor, parecia igual a um círculo mágico.

O círculo mágico começou a brilhar mais e mais, até que sua luz envolveu toda a sala de aula. O círculo em si também começou a se expandir, e quando ele finalmente aumentou o suficiente para cobrir os pés do Hajime, todos finalmente se descontrolaram e começaram a gritar. A Aiko-sensei, que havia permanecido na sala de aula, gritou: — Todo mundo! Saiam da sala de aula! —, simultaneamente, o círculo mágico eclodiu em uma brilhante explosão de luz.

Depois de alguns segundos, ou talvez alguns minutos, a luz finalmente começou a desvanecer, e a cor retornou à sala de aula. No entanto, a sala agora estava deserta. Algumas cadeiras estavam derrubadas, lancheiras por acabar estavam nas carteiras, pauzinhos e garrafas de plástico estavam espalhadas pela sala. A sala de aula tinha tudo o que tinha antes, exceto as pessoas.

O incidente do desaparecimento em massa no colégio causou uma grande agitação em todo o mundo, mas essa história era melhor guardar para outra hora.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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