Arifureta – Volume 1 – Prólogo (Parte 1 de 2) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Prólogo (Parte 1 de 2)

Prólogo (Parte 1 de 2)

 

A luz rapidamente desaparecia conforme a escuridão começava a lhe engolir. O rosto do Hajime Nagumo se distorceu de terror enquanto ele olhava para a luz desaparecendo acima dele. Ele desesperadamente estendeu a mão, tentando agarrar a luz que ele sabia que nunca poderia realmente agarrar. Ele sentiu seus membros inferiores se tencionar conforme caía livremente através da escuridão.

O abismo que ele tinha caído era tão fundo que parecia quase como se estivesse caindo até as profundezas do inferno. E a luz que ele estava olhando era o portal para o mundo dos vivos. Ele tinha caído em uma enorme fenda no solo enquanto estava explorando uma masmorra. O buraco era tão profundo que ele continuou caindo por muito tempo depois que o minúsculo ponto de luz encolheu a nada. Toda a sua vida passou diante dos seus olhos, com nada além do som do vento zunindo, acompanhando seu mergulho às profundezas infernais abaixo.

Vamos voltar no tempo um pouco e contar como um jovem Japonês se viu em um mundo que era cruel e desumano demais para a palavra “fantasia” ser um descritor preciso. Afinal, os eventos injustos e duros que ele tinha experimentado, e ainda estava experimentando, eram bastante desprovidos dos maravilhosos sonhos e esperanças imaginados quando se ouvia essa palavra.

Segunda-feira. Muito possivelmente o dia mais deprimente da semana. A maioria das pessoas estavam, sem sombra de dúvida, suspirando profundamente enquanto lamentavam o início da semana e o fim de seu glorioso fim de semana. O Hajime Nagumo não era uma exceção. No entanto, no seu caso, a sua depressão era multiplicada pelo fato de que a escola não era apenas um sofrimento, mas um verdadeiro inferno.

Como sempre, o Hajime mal conseguiu chegar um pouco antes do sinal para o primeiro período tocar. Ele de alguma forma conseguiu estabilizar seu corpo privado de sono e abriu a porta da sua sala de aula. Ele se viu alvo de uma multidão de olhares desdenhosos e estalos de língua aborrecidos da maioria dos estudantes masculinos assim que ele pôs os pés na sala de aula. Nenhuma das estudantes femininas parecia muito feliz em o ver também. Teria corrido bem se elas simplesmente o ignorassem, mas elas também lhe deram olhares de desprezo.

O Hajime fez o seu melhor para ignorar seus colegas de turma e foi para o seu lugar. Mas, como sempre, havia alguns estudantes que não conseguiam resistir à oportunidade de o provocar.

— E aí, seu otaku nojento! Ficou acordado a noite toda jogando videogames de novo? Aposto que você ficou jogando jogos pornô o tempo todo!

— Nossa, que nojento. Que tipo de tarado nojento passa a noite toda jogando jogos pornô?

Todos os rapazes riram, como se achassem essa declaração de alguma forma hilária. O primeiro estudante que falou com o Hajime era o Daisuke Hiyama, o líder dos algozes do Hajime. O Daisuke nunca parecia se cansar de provocar o Hajime, pois ele fazia isso diariamente. Os que estavam rindo perversamente perto dele eram o Yoshiki Saitou, o Reichi Kondou e o Shinji Nakano. Eram esses quatro que sempre faziam a vida do Hajime um inferno.

Como o Hiyama havia dito anteriormente, o Hajime era de fato um otaku. Mas ele não era particularmente feio ou desagradável, então o apelido de otaku nojento dificilmente fazia jus a ele. O seu cabelo era curto e estava sempre arrumado. Além disso, não era como se ele tivesse um problema de comunicação de qualquer tipo. Claro, ele não era o cara mais falador conhecido, mas ele não tinha problema em responder às pessoas que falavam com ele. Ele era uma pessoa quieta no geral, mas não ao ponto em que poderia ser considerado melancólico. Apenas acontecia dele ter interesse em um conjunto muito específico de mídia, chamados de quadrinhos, romances, jogos eletrônicos e filmes.

Embora fosse verdade que a opinião pública sobre os otakus não fosse muito positiva ultimamente, no máximo, ser um otaku geralmente lhe renderia alguns olhares, não esse tipo de intimidação especifica. Então por que todos os estudantes masculinos odiavam Hajime assim?

A resposta era simples.

— Bom dia, Nagumo-kun! Você mal conseguiu chegar a tempo hoje também. Eu acho que você devia pelo menos fazer um esforço para chegar mais cedo. — Uma das meninas sorria gentilmente enquanto caminhava até o Hajime. Ela era uma das poucas pessoas de toda a escola que o tratava gentilmente, e também a razão pela qual todo mundo o odiava.

Kaori Shirasaki, uma das garotas mais populares da escola, e bonita o bastante para ser considerada uma deusa por muitos. Ela tinha os cabelos negros elegantes que iam até sua cintura, e grandes olhos sedutores cheios de gentileza. Seu nariz pequeno se posicionava perfeitamente em sua face, e seus lábios rosados eram a epítome da perfeição.

Ela sempre parecia ter um sorriso no rosto, e o seu jeito de cuidar dos outros, combinado com seu forte senso de responsabilidade, fazia dela uma das estudantes mais respeitadas da escola do Hajime. Além disso, ela era tolerante e compreensiva ao extremo, ao ponto onde ninguém jamais tinha visto ela parecer infeliz antes.

E, por alguma razão, a Kaori tinha se interessado pelo Hajime. A maioria das pessoas presumia que o Hajime era um péssimo aluno, porque ele sempre dormia na aula devido às suas frequentes viradas de noite (na verdade, ele tinha notas bastante medianas). E, desde que a Kaori estava sempre cuidando de outros alunos, eles acreditavam que essa era a razão pela qual ela falava com ele.

Se seus esforços convencessem o Hajime se tornar um aluno melhor, ou se ele fosse naturalmente um cara mais bonito, as outras crianças talvez não se importariam tanto com o interesse da Kaori nele. Entretanto, ele era tristemente tão parecido com as pessoas comuns, e seu lema preferido era “passatempos sobre a vida real”, então obviamente sua atitude em relação a escola também não tinha mostrado nenhum sinal de melhora. Sendo assim, os outros estudantes masculinos com aparecia comum de sua classe não podiam suportar o fato de que o Hajime era tão próximo da Kaori. “Por que ele e não nós!?”, eles pensavam. Enquanto isso, as outras meninas apenas pensavam que ele estava sendo rude com a Kaori. Elas estavam infelizes por ele nem sequer estava tentando reformar seus hábitos.

— O-Oh, bom dia, Shirasaki-san. — O rosto do Hajime se enrijeceu assim que sentiu os olhares sanguinários de seus colegas de classe, e ele devolveu desajeitadamente a saudação da Kaori.

Em contrapartida, a Kaori sorria alegremente enquanto olhava para ele. Por que você sempre me olha assim!? O Hajime se desesperou quando sentiu os olhares dos seus colegas de classe incendiar em sua direção.

O Hajime estava sinceramente perplexo. Ele não entendia porque a menina mais bonita da escola se importava com um cara como ele. Para ele, parecia que tinha de haver algo mais que apenas a sua índole para ajudar os outros.

Claro que, ele não era tão convencido a ponto de acreditar que ela talvez pudesse ter algum interesse romântico nele. O Hajime estava bem ciente de que ele tinha desistido de muitas coisas para viver uma vida plenamente dedicada aos seus passatempos. Ele sabia que sua aparência, qualidades e capacidade atlética eram todas totalmente médias. Havia uma grande quantidade de rapazes melhores do que ele, que eram bem mais adequados para ser seu parceiro, mesmo apenas entre seus conhecidos. Era por isso que ele achava seu comportamento tão enigmático.

Honestamente, eu só queria que você percebesse que é por sua causa que todo mundo me odeia atualmente! O Hajime gritou dentro de sua cabeça. No entanto, ele não deu voz a seus pensamentos. Ele sabia que alguns de seus colegas de classe, sem dúvida alguma, o arrastariam para trás do ginásio quando às aulas acabassem se ele ousasse fazer isso… Assim que o Hajime acabou sua conversa com a Kaori, três pessoas novas se aproximaram. Eles tinham estado observando os dois como abutres, esperando que ele terminasse de falar. Entre este novo grupo estava, é claro, um dos “melhores caras” que tinham sido referidos anteriormente.

— Bom dia, Nagumo-kun. Deve ser difícil ficar acordado até tarde todos os dias.

— Cuidando dele outra vez, Kaori? Você realmente é mais gentil do que devia.

— É sério. Falar com um fracasso como ele é uma total perda de tempo.

A única pessoa que tinha cumprimentado o Hajime dos três foi a Shizuku Yaegashi, a melhor amiga da Kaori. O cabelo negro da Shizuku estava amarrado em um rabo-de-cavalo, sua marca registrada. Seus olhos amendoados lhe dava uma aparência bastante penetrante, mas no fundo de seu olhar habitava uma gentileza que a fazia parecer calma, em vez de fria.

Tendo 1 metro e 72 centímetros de altura, ela era muito mais alta do que a maioria das outras garotas de sua turma. Isso, combinado com o seu corpo bem constituído, a fazia parecer uma samurai digna. E samurai fazia uma analogia bastante adequada de fato, já que a sua família realmente administrava um dojo que ensinava o estilo Yaegashi, e a própria Shizuku era uma espadachim inigualável que nunca tinha perdido um único torneio de kendo. Na realidade, ela tinha anteriormente sido destaque em revistas e tinha uma base de fãs bastante fanáticos. A imprensa chegou até mesmo a chamar de beldade samurai moderna. Muitas das jovens estudantes tinham começado a chamá-la de onee-sama de uma forma quase que venerável.

O cara que tinha cumprimentado a Kaori com aquela frase bastante clichê sobre sua gentileza era o Kouki Amanogawa. Ele era perfeito em quase todos os sentidos. Ótimo nos esportes, bonito, e tinha notas excelentes para começo de conversa. Até o seu nome soava heroico. Escrito com os caracteres para “luz” e “resplendor”, ele dava uma impressão bastante deslumbrante.

Ele tinha cabelos castanhos lisos, características suaves, 1 metro e 80 centímetros de altura, e apesar de sua estrutura delgada ainda tinha músculos perceptíveis. Ele era simpático com todas as pessoas que conhecia e tinha um forte senso de justiça (ou assim ele pensava, de qualquer modo).

Como a Shizuku, ele frequentava o dojo Yaegashi desde que estava no ensino fundamental I, e era hábil o suficiente para ter competido em torneios nacionais. Ele e a Shizuku eram amigos de infância. Dezenas de meninas tinham se apaixonado por ele, mas pelo fato dele sempre estar por perto da Shizuku e da Kaori, muito poucas tinham criado coragem de se declarar. Entretanto, ele ainda recebia pelo menos duas declarações por mês de garotas que não frequentavam a escola do Hajime. Um verdadeiro Don Juan completo.

O último rapaz, que tinha acrescentado preguiçosamente seu próprio comentário à frase do Kouki, era o Ryutarou Sakagami, o melhor amigo do Kouki. O Ryutarou tinha cabelos curtos, e um olhar que parecia ao mesmo tempo alegre e sério. Ele tinha 1 metro e 90 centímetros de altura, e tinha um enorme corpo semelhante a um urso. Como sugeria sua compleição, ele era um tipo musculoso que não tinha muita delicadeza.

Devido ao seu amor pelo trabalho duro e ações temperamentais, ele não gostava do Hajime, que passava o tempo todo na escola dormindo. O Ryutarou deu não mais do que um olhar ao Hajime antes de bufar desdenhosamente e o ignorar.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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