Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 8 de 9) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 8 de 9)

Capítulo III: A Princesa Vampira Dourada (Parte 8 de 9)

 

Momentos depois, uma barragem de ácido e ferrões enrijecidos vieram zunindo na direção do Hajime. Ele tomou uma decisão rápida. Ele percebeu que desviar dos dois na sua situação atual seria impossível.

Usando a Aerodinâmica, ele saltou para fora do alcance do spray ácido e cobriu seus órgãos vitais com o braço direito e o toco esquerdo. O seu rosto ele protegeu com o cano do Donner. Então, usando sua capacidade de manipulação de mana, ele fortaleceu seu corpo ao limite e tensionou seus músculos.

Pouco depois, dezenas de ferrões perfuraram o corpo do Hajime.

— Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! — Ele gritou de dor mais uma vez, mas ele conseguiu evitar tomar um golpe em qualquer área vital. Devido a Yue estar se agarrando nas suas costas, ele garantiu parar os ferrões com seu corpo e os impedir de a perfurar também.

A força do impacto arremessou o Hajime para trás. Tomado pela dor, ele se chocou no chão e rolou várias vezes. O impacto tirou a Yue de suas costas também.

Ignorando a dor dos inúmeros ferrões que perfuraram seu corpo, o Hajime cerrou os dentes e sacou uma granada de luz que ele arremessou para a coisa escorpião. Ela voou através do ar em um arco perfeito antes de explodir bem na frente dos olhos dele.

— Kshaaaaaaaaaaa!!! — Ele gritou de dor quando a luz queimou suas retinas, e deu um passo involuntário para trás. Considerando que o monstro tinha seguido o Hajime com seus olhos o tempo todo, ele tinha assumido, corretamente, que ele usava principalmente a visão para rastrear sua presa.

O Hajime mordeu o frasco de Ambrósia que ele manteve em seu molar e retirou todos os ferrões ao mesmo tempo.

— Guuuuuh! — Ele mordeu os lábios com a dor excruciante, e um gemido escapou dos seus lábios. Mas ele suportou a dor. Ele já tinha sofrido tanto que estava acostumado. Qualquer coisa nesse nível não estava nem perto mais de romper seu espírito.

Enquanto ele continuava a tirar os ferrões do seu corpo, ele olhou ao redor, procurando pela Yue. Mas antes que a encontrasse, ela o encontrou.

— Hajime! — Ela corria para ele, com preocupação estampada em seu rosto. Sua máscara inexpressiva habitual se desfez e ela parecia estar prestes a começar a chorar.

— Não se preocupe, estou bem. Mais importante que isso, essa coisa é muito forte. Não consigo pensar em uma forma de o derrotar. Se eu tentar ir em seus olhos ou boca, essas coisas pinças estúpidas irão me atrapalhar… Será que não tenho outra escolha senão tentar um avanço suicida e aceitar que vou levar algum dano? — Ele apagou a face preocupada da Yue de sua mente por um momento e se concentrou em encontrar uma forma de o derrotar. Mas se tornou a distrair quando ouviu as palavras murmuradas pela Yue.

— …Por que?

— Hã?

— Por que você não foge? — As palavras da Yue insinuavam que o Hajime já deveria ter percebido que ele poderia a deixar e escapar sozinho. Ele olhou para ela, evidentemente perplexo.

— Não seja ridícula. Eu não caí tão baixo a ponto de te deixar para trás apenas para morrer, só porque o inimigo que encontramos é um pouco mais forte do que o normal.

Para poder sobreviver, o Hajime usaria qualquer coisa à sua disposição, quer fossem emboscadas, artimanhas, armadilhas, mentiras, blefes e todos os outros tipos de táticas covardes. Tirando a única luta que teve com o Garrurso, ele pensava honestamente que lutar frente a frente era só estupidez. O inferno não era um lugar tão bom que você poderia sobreviver com um código de honra. Nem o fazia se sentir culpado por escolher esse estilo de luta. Isso era apenas o quanto ele tinha se transformado ao longo do seu tempo aqui.

Mesmo assim, ele não tinha descido tão baixo para que pudesse abandonar alguém. Mesmo agora, depois de todo esse tempo, ele ainda tinha algum sentido de moralidade. Não, melhor, era mais correto dizer que ele tinha recuperado algum sentido de moralidade. E a única que lhe tinha feito lembrar isso, de quem ele realmente era, foi ninguém menos que a Yue.

Por isso a abandonar não era uma opção. Quando ela lhe dera aquele olhar, um olhar que lhe disse que tinha colocado sua vida em suas mãos, ele tomou sua decisão. No ponto crítico que decidia se tornar ou não se tornar tão terrível quanto os monstros que ele consumiu, ele tinha escolhido permanecer humano.

A Yue viu em sua expressão as palavras que ele não disse e assentiu, compreendendo, antes de repentinamente o abraçar.

— H-Hein? O que foi? — O Hajime gaguejou, confuso. Dadas as circunstâncias, suas ações pareciam estranhamente calculadas. O efeito da granada de luz passaria a qualquer instante. Além disso, as feridas do Hajime tinham acabado de se curar. Ele precisava retornar à luta o mais rapidamente possível.

Apesar de tudo isso, a Yue envolveu uma de suas mãos em volta do seu pescoço.

— Hajime… confie em mim. — Quando ela disse isso, a Yue beijou o seu pescoço.

— O qu…!? — Não, não beijou. Mordeu.

O Hajime sentiu uma dor minúscula. Em seguida, ele sentiu como se a energia estivesse sendo sugada do seu corpo. Ele estava prestes a retirar ela, quando se lembrou que a Yue tinha dito que era uma vampira, e percebeu que ela devia estar chupando seu sangue.

Quando ela tinha dito “confie em mim”, ela queria dizer que queria que ele deixasse de lado seu medo e repúdio inicial de ter seu sangue sugado.

Sorrindo ironicamente, o Hajime envolveu seus braços ao redor da Yue e apoiou seu corpo pequeno enquanto ela bebia seu sangue. Ela estremeceu surpreendida, mas após um momento ela o abraçou mais forte e aconchegou seu rosto no pescoço dele. Deveria ter sido sua imaginação, mas parecia que a Yue ficou feliz quando ele fez isso.

— Kshaaaaaaaaaaaaa! — O rugido da coisa escorpião ecoou por toda a câmara. Parecia que o tempo que ele havia ganho com a granada de luz tinha se esgotado. Ele já deveria os ter encontrado, uma vez que o chão tremeu mais uma vez e começou a se deformar. Isso deve ter sido sua magia especial. Ele poderia controlar livremente a terra à sua volta.

— Para o seu azar, essa é minha especialidade também. — O Hajime colocou a mão direita no chão e começou a transmutar. O chão parou de se deformar no raio de três metros ao redor dele, e ainda se ergueu para formar paredes que protegiam ele e a Yue.

Uma miríade de cones pontiagudos acertara nas paredes, visando o Hajime, mas suas barreiras os mantiveram afastado. Cada parede só foi capaz de resistir a um único ataque, mas ele transmutou uma nova após cada uma quebrar.

O escopo, a força e o poder ofensivo da manipulação de terra do escorpião estavam bem acima dos do Hajime, mas sua velocidade de transmutação era muito mais rápida. O alcance da sua capacidade de transmutação tinha parado de aumentar em três metros, então ele presumiu que tinha chegado ao seu pico. Além disso, ele ainda não conseguia arremessar estacas ou fazer qualquer coisa exclusivamente ofensiva com a habilidade, mas quando se tratava em defesa, não havia nada melhor.

O Hajime focou tudo na defesa, mantendo os ataques do monstro à distância até que a Yue finalmente retirou seus caninos do pescoço dele.

Seu rosto estava vermelho enquanto lambia as últimas gotas de sangue dos seus lábios. Apesar do quão jovem ela parecia, seu gesto, combinado com seu rosto corado, parecia bastante sedutor. No espaço de alguns instantes, seu corpo emaciado se tornou saudável, e sua pele branca-porcelana brilhava com uma nova vitalidade. Suas bochechas, uma vez macilentos, estavam agora corados de rosa. Uma calorosa luz gentil habitava dentro dos seus olhos carmesins, e ela acariciou o rosto do Hajime com sua mão esbelta.

— …Obrigado pela refeição. — De repente, a Yue se pôs de pé e apontou a mão para a coisa escorpião. Quando o fez, uma tremenda quantidade de mana, em cor dourada, saiu do seu corpo pequeno, afugentando a escuridão.

Então, revestida com uma maravilhosa luz dourada, com seu cabelo dourado esvoaçando à sua volta, ela murmurou uma única frase.

— Lume Lazúli. — Uma bola de fogo azul-branca enorme, com pelo menos seis ou sete metros de diâmetro, apareceu bem acima da cabeça do escorpião.

Embora não tivesse feito contato direto, a bola de fogo ainda devia ter lhe causado um bocado de dano, já que a besta recuou, gritando de dor.

Todavia, a princesa vampira do abismo não o permitiria escapar. Ela esticou um dos dedos elegantes, o sacudindo como uma batuta de maestro. A bola de fogo então seguiu seu dedo fielmente, perseguindo o escorpião em fuga… e se chocando nele.

— Gagyaaaaaa!? — Ele gritou de dor, soltando um ruído que o Hajime não tinha ouvido antes. Estava claramente sofrendo. Quando a bola de fogo colidiu com seu alvo, toda a sala foi preenchida com uma luz branca ofuscante, privando temporariamente todo mundo de sua visão. O Hajime cobriu seus olhos com o braço, e ficou pasmo com a grande demonstração de magia.

Eventualmente a magia acabou e a bola de fogo azul-clara se desvaneceu. Quando as chamas desapareceram, o Hajime conseguiu ver o escorpião se contorcendo de dor, com sua carapaça pulsando em um vermelho terrível, e notou que partes dele tinha sido fundida.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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