Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 6 de 9) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 6 de 9)

Capítulo III: A Princesa Vampira Dourada (Parte 6 de 9)

 

— Hmm… — O Hajime olhou sem piscar para a garota. Ela olhou de volta. Eles passaram o que pareceu uma eternidade encarando um ao outro. Por fim, o Hajime coçou a cabeça desajeitadamente e deu um longo suspiro. Ele então pôs a mão no cubo contendo a garota.

— Ah. — Os olhos dela se abriram amplamente quando ela percebeu o que ele estava fazendo. Ele a ignorou e começou a transmutar.

Sua mana, que tinha se tornado vermelho-escura, ou melhor, de um profundo carmesim desde que ingeriu os lobos, começou a fluir em seu braço.

Todavia, o cubo que ele estava tentando transmutar se manteve inalterado, como se estivesse resistindo à força de sua mana. Tal como o alicerce que jazia entre cada piso do labirinto. Contudo, ao contrário deles, não era como se a sua magia estivesse sendo anulada completamente. Pouco a pouco, o poder do Hajime começou a se infiltrar no cubo.

— Ugh, essa coisa é durona… mas não sou tão fraco mais! — Ele injetou ainda mais mana em seu feitiço. Era mana o suficiente para que fosse preciso seis versos para a entoar, se ele não fosse capaz de a manipular livremente. Finalmente, ele sentiu sua magia começar a surtir efeito. O volume tremendo de mana carmesim brilhante e deslumbrante iluminava todo o lugar com um vermelho ardente.

E ainda assim o Hajime continuou projetando mana do seu braço. Sete versos de equivalência, depois oito. A parte da rocha envolvendo a garota começou a tremer naquele ponto.

— Ainda não terminei! — Ele forçou ainda mais, injetando um equivalente de mana ao nono verso na pedra. Nessa altura, ele havia consumido mana o suficiente para lançar alguns dos feitiços mais avançados que existiam e ainda tinha um pouco sobrando. A garota olhava para ele fixamente enquanto sua mana ficava mais e mais brilhante, determinada a não perder um só momento.

Suor frio escorria em suas costas enquanto ele continuava. Essa era a primeira vez que o Hajime tinha tentado lançar tal feitiço em larga escala. Se ele perdesse o foco mesmo um instante, a enorme quantidade de mana que ele estava manejando iria ficar descontrolada. Mas mesmo depois disso tudo, o cubo se recusou a ceder. Desesperado, ele lançou toda a mana que tinha no feitiço.

O Hajime não sabia porque ele estava indo tão longe por uma garota que ele tinha acabado de encontrar.

Mas por alguma razão, ele não podia a deixar sozinha. Mesmo tendo jurado para si mesmo eliminar todos os obstáculos em seu caminho e viver apenas pela causa do seu objetivo, ele ainda continuou transmutando. Sério, por que raios estou fazendo isso? Ele mentalmente admoestou suas ações, mas então ele raciocinou que todo mundo faz exceções às vezes e pensou teimosamente: Eu decidi fazer isso, então nem no inferno vou desistir no meio do caminho!

Ele estava consumindo tanta mana que seu corpo inteiro brilhava em carmesim. Ele estava usando até a última gota de mana só para a libertar. Com uma teimosia que surpreendeu até a si mesmo, ele continuou transmutando resolutamente com cada grama de espírito que tinha. Por fim, a parte do cubo prendendo a garota começou a derreter como manteiga quente e melecar o chão, lentamente a soltando da sua prisão de pedra.

Enquanto a rocha lentamente caía, seus seios modestos ficaram totalmente visíveis. Depois veio sua cintura, então suas mãos, suas coxas, e finalmente o cubo derreteu inteiramente e ela estava livre. Seu corpo completamente nu estava claramente emaciado, mas ainda tinha um charme sedutor. Ela caiu no chão exausta como uma pilha assim que seu corpo foi totalmente livre. Parecia que ela não tinha força para permanecer de pé.

O Hajime se sentou na frente dela. Ele estava muito ofegante. Consumir toda a sua reserva de mana tinha claramente o esgotado consideravelmente.

Com uma mão trêmula, ele tentou pegar um frasco de Ambrósia, mas antes que pudesse, a garota pôs a mão sobre a dele e a segurou. Sua mão pequena, fina e frágil tremia uma vez que entrelaçou com a sua própria. Ele lhe deu um olhar de soslaio, e viu que ela estava olhando diretamente para ele. Embora o rosto dela estivesse inexpressivo, um manancial de emoções habitava dentro de seus olhos carmesins.

Com uma voz baixa e trêmula, mas poderosa, a garota transmitiu seus sentimentos.

— Obrigada. — O Hajime não estava certo se ele poderia algum dia expressar o sentimento que ele sentiu com essa palavra. Ele só sabia que o coração que ele pensou ter eliminado começou a brilhar com uma luz fraca, mas decidida.

Ele ficou ali silenciosamente, com sua mão na dela. Ele se perguntava quanto tempo ela deveria ter ficado presa ali, sofrendo. Até onde o Hajime sabia, os vampiros tinham sido extintos centenas de anos atrás. Pelo menos, isso era o que havia sido escrito nos livros de história que ele tinha lido na biblioteca real.

Mesmo quando ela tinha falado com ele anteriormente, o rosto dela tinha permanecido inexpressivo. O que significava que ela tinha, pelo menos, passado tempo bastante nessa solitária cela escura para se esquecer de como falar, e até mesmo como mostrar emoções.

Segundo a história dela, ela tinha sido traída por alguém em quem confiava muito. Era de se admirar que não tivesse ficado louca. Talvez tenha sido devido ao fator de cura dela? Mas se esse fosse realmente o caso, isso significava que ela tinha sido torturada durante séculos pela sua própria capacidade. Incapaz até de se afundar na própria loucura.

Acho que beber a poção pode esperar, o Hajime sorriu jocosamente quando pensou, apertando a mão da garota quando o fez. Assustada, ela se surpreendeu um pouco, e então reforçou seu próprio aperto.

— …Qual é o seu nome? —, ela sussurrou para o Hajime. Seu sorriso ficou desajeitado ao perceber que eles não tinham dito seus nomes uns aos outros. Ele respondeu rapidamente, sem um pingo de hesitação em seu tom.

— Hajime. Hajime Nagumo. Qual é o seu? — Ela murmurou “Hajime” para si mesma várias vezes, como se entalhando em suas memórias. Depois que ela terminou de repetir isso, ela abriu a boca para responder sua pergunta, antes de hesitar por um momento e pensar melhor nisso.

— …Me dê um.

— Hã? Você quer que eu lhe dê um nome? Não me diga que se esqueceu do seu nome real?

Considerando o tempo que ela esteve aprisionada não era impossível, mas a garota balançou a cabeça lentamente.

— Eu não preciso do nome do passado… Estou satisfeita com qualquer nome que você me dê, Hajime.

— …Haah, não é assim tão fácil simplesmente pensar em um nome… — A razão pela qual ela queria um nome novo era provavelmente parecida com a razão do Hajime ter reforjado seu coração. Ela queria jogar fora seu antigo eu e renascer. O Hajime tinha praticamente sido forçado a mudar pela dor e fome, mas parecia que ela queria renascer por vontade própria. E o primeiro passo para essa transformação era arranjar uma nova identidade.

Ela olhava expectativamente para o Hajime. O Hajime coçou sua bochecha enquanto pensava, antes de finalmente batizar a garota com o novo nome.

— O que acha de Yue? Não sou muito bom nessa coisa de nomear, então eu posso tentar pensar em um diferente se você não gostar.

— Yue…? Yue… Yue…

— Sim. De onde eu venho, quer dizer “lua”. Quando eu entrei pela primeira vez nessa sala, seu cabelo dourado e olhos vermelhos me lembraram da lua, por isso eu… Bem, o que você acha? — Ela piscou surpresa com suas palavras. Parecia que ela não esperava que ele tivesse um motivo por trás da escolha do nome. E apesar do rosto dela ter permanecido inexpressivo como sempre, seus olhos estavam cintilando de felicidade.

— …Hmm. Então de hoje em diante, eu serei Yue. Obrigada.

— Que bom que gostou. Enfim…

— Hã? — Quando a garota, agora Yue, expressou seu agradecimento, o Hajime desentrelaçou sua mão da dela e tirou seu casaco. Ela o observou com uma ligeira confusão.

— Aqui, use isso. Não posso deixar que você ande por aí pelada para sempre.

— Ah… — A Yue pegou reflexivamente o casaco oferecido para ela, e olhou para seu próprio corpo. Como o Hajime havia dito, ela estava completamente nua. Cada parte dela estava completamente exposta. Ela corou e apertou o casaco contra seu corpo, antes de olhar para o Hajime e dizer:

— Hajime, seu pervertido.

— Uh… — Ele se deu conta de que qualquer coisa que dissesse só iria piorar as coisas, então ele escolheu sabiamente permanecer em silêncio. A Yue vestia alegremente o casaco que ele lhe deu. Como ela tinha meros 1 metro e 40 centímetros de altura, ele era um pouco grande demais para ela. O Hajime sorria enquanto a via tentar dobrar a manga direita o suficiente para que sua mão a atravessasse.

Enquanto ela estava lutando com o casaco, ele bebeu um pouco de Ambrósia. Ele sentiu a força regressar ao seu corpo, e sua mente começou a trabalhar novamente. Ele usou o Sentir Presença para checar seus arredores… e congelou instantaneamente. Havia um monstro tremendamente poderoso na sala com eles.

E ele estava… bem acima deles. Ao mesmo tempo que ele notou sua presença, o monstro optou por descer do teto.

Ele rapidamente se levantou, pegou a Yue com um braço, e usou o Passo Supersônico para se afastar o mais rápido possível. Ele olhou para trás ao mesmo tempo para ver o monstro esmagar o chão bem aonde eles estavam sentados um segundo atrás.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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