Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 5 de 9) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 5 de 9)

Capítulo III: A Princesa Vampira Dourada (Parte 5 de 9)

 

Os cristais de mana se encaixaram perfeitamente na porta. Depois de um breve intervalo, eles começaram a verter gotas de mana vermelho-escura nos círculos mágicos. O som de algo estalando ecoou ao longe e a luz começou a desvanecer. A mana começou a se difundir pela sala ao mesmo tempo, fazendo as paredes circundantes brilharem com uma luz forte. A sala foi subitamente preenchida com mais luz que o Hajime tinha visto há tempos.

Ele piscou com a luminosidade súbita, depois empurrou para abrir a porta, claramente atento a qualquer armadilha.

A sala do outro lado da porta estava totalmente escura, com nem uma única fonte luminosa visível. Contudo, a combinação da Visão Noturna e a luz sobressalente da sala externa foi o suficiente para ele distinguir vagamente seu redor.

O interior da sala era composto pela mesma substância marmórea que o Hajime tinha visto anteriormente na catedral da igreja. Duas fileiras de pilares grossos, espaçados com intervalos regulares, se estendiam até o fim da sala. No centro da sala se situava um bloco cúbico enorme de rocha. Sua superfície era lustrosa, e ele brilhava com a luz refletida vindo da sala atrás.

O Hajime deu uma olhada atenta no cubo, notando que havia alguma coisa que brilhava levemente se projetando do centro da sua superfície frontal. Parecia quase como se estivesse brotando da rocha.

Com intenção de obter uma visão melhor, ele empurrou as portas para se abrir amplamente, e procurou algo para as manter no lugar. Ele queria evitar o erro clássico de filme de terror e entrar apenas para ver a porta se fechar por trás dele.

Todavia, antes que pudesse as parar no lugar, o que quer que estivesse no centro do cubo se mexeu.

— …Quem vem aí? — Ele ouviu uma voz feminina, rouca e fraca. Assustado, o Hajime olhou para o centro da sala de novo. O “algo” que ele tinha visto há pouco estava se contorcendo ligeiramente. A luz entrando da outra sala revelou a verdadeira forma do algo.

— Uma… pessoa? — O algo brotando da rocha era de fato uma pessoa.

A garota estava enterrada na rocha do pescoço para baixo, o seu cabelo loiro-dourado pendia frouxamente na frente do seu rosto, muito parecido com o fantasma de um certo filme de terror. Olhos tão vermelhos quanto a lua de sangue espreitavam entre os espaços do seu cabelo. Ela parecia ser muito jovem. Ainda assim, apesar da má aparência e do cabelo cobrindo a maior parte do seu rosto, ainda era fácil ver que ela era muito bonita.

O Hajime se enrijeceu surpreso; ele não tinha esperado ver outra pessoa tão fundo no labirinto. Parecia que a garota estava bastante surpresa em o ver também, já que ela olhava perplexamente em choque para ele. Depois de um momento de silêncio, ele respirou profundamente para se normalizar, e então disse resolutamente…

— Desculpe. Eu vou indo agora. — Ele estava para sair e fechar as portas novamente. Mas antes que o fizesse, a garota loira de olhos vermelhos apressadamente o chamou mais uma vez. Sua voz era rouca e fraca, muito provavelmente pelos anos de desuso, mas o desespero nela era claro.

— E-Espere…! Por favor…! Me ajude…

— Não quero. — O Hajime respondeu rudemente, depois voltou sua atenção para as portas. Uma resposta verdadeiramente cruel.

— Por-Por que… Por favor… Então, eu farei qualquer coisa… — Ela realmente estava desesperada. Embora mal conseguisse mover o pescoço, ela ainda levantou seu rosto para olhar o Hajime.

Mas mesmo assim, o Hajime apenas lhe deu uma resposta irritada.

— Sabe como é, eu realmente duvido que iria ser uma boa ideia libertar alguém que claramente foi selado aqui embaixo nas profundezas do inferno. Isso só significa problema. Até onde posso dizer, não há nada além do selo aqui… e não parece como se isso me ajudaria a escapar também, então… — Era um argumento sensato.

Contudo, havia poucas pessoas tão desprovidas de compaixão que poderiam ignorar tão facilmente os pedidos de ajuda de uma garota. Era evidente que o velho Hajime gentil tinha há muito morrido.

Embora ele tivesse recusado ela tão francamente, a garota continuou o chamando desesperadamente por ajuda.

— Não! Coff… Eu-Eu não sou uma pessoa ruim…! Por favor, espere! Eu… — Ele continuou puxando a porta dupla para fechar, mas pouco antes de a fechar totalmente, ele rangeu os dentes. Se ele tivesse sido um pouco mais rápido, não teria ouvido essas últimas palavras dela.

— Eu fui traída! — Ele ouviu, pela fenda pequena da porta que ainda estava aberta.

As portas rangendo pararam por completo. Um raio de luz minúsculo era tudo o que iluminava a escuridão da sala. Dez segundos se passaram, depois vinte. Por último, as portas começaram a abrir mais uma vez. Em pé atrás delas estava o Hajime, com uma expressão carrancuda de infelicidade com a situação atual.

Independentemente do que ela dissesse, ele não tinha planejado a ajudar. Ele pensou que devia ter tido um bom motivo para que alguém fosse selado aqui embaixo, muito abaixo da luz do sol. E também não havia provas de que ela não era perigosa. De fato, era provável que ela fosse apenas uma criatura do mal que estava tentando o enganar para que a soltasse. Ele devia ter simplesmente a deixado.

É sério, que diabos estou fazendo? O Hajime suspirou consigo mesmo quando esse pensamento passou pela sua mente.

“Eu fui traída!” …Pensar nessas palavras mexeu com seu coração, o coração que ele achou que há muito tempo se foi. Ele pensou que já tinha esquecido do colega de classe que tinha arremessado aquela bola de fogo nele. Ele pensou que já tinha jogado fora sentimentos insignificantes como ódio e simpatia. Para sobreviver nesse mundo cruel, era preciso.

Mas o fato de que as palavras da garota tinham o abalado tão profundamente, significava que ele não tinha enterrado completamente seu antigo eu. Farto do velho e gentil Hajime que ainda vivia, que podia simpatizar com as circunstâncias dessa garota, sendo tão semelhante à sua própria.

Ele coçou a cabeça desconfortavelmente e foi até a garota. Obviamente, ele ainda se manteve vigilante.

— Você disse que foi traída? Mas isso ainda não explica por que você está presa aqui. Se você foi realmente traída, como é que eles te selaram nessa rocha? — A garota parecia chocada pelo Hajime ter realmente voltado.

Ela olhava fixamente para o Hajime através dos seus cachos sujos dourados, com os olhos carmesins brilhando na escuridão. Ele começou a ficar impaciente com o silêncio contínuo dela.

— Ei, você está ouvindo? Se não quer falar, então eu irei embora, — ele disse bruscamente e deu meia volta. A garota voltou aos seus sentidos com um susto e começou rapidamente a falar.

— Eu sou um dos vampiros atávicos originais… por causa do poder extraordinário que fui dotada… Eu trabalhei duro pelo bem do meu país e meu povo. Mas então… um dia… meus retentores disseram que eu não era mais necessária… Meu tio… disse que seria rei em meu lugar… Eu… não me importei com isso… mas por eu ter tanto poder, todos tinham medo de mim, eles pensavam que eu era perigosa… Eles não conseguiram me matar… então decidiram me selar aqui em vez disso… É por isso que…

Ela falou hesitantemente, mas desesperadamente, com sua garganta seca tornando a fala difícil. O Hajime suspirou quando ouviu sua história. Ela tinha sofrido certamente um destino cruel. No entanto, no decurso da sua história, ele ouviu uma coisa que o incomodou. Ele sentiu um sentimento complexo e inexplicável surgir dentro dele, então ele perguntou a seguir:

— Então isso significa que você era algum tipo de realeza? — Ela assentiu afincadamente às suas palavras.

— O que quer dizer com não podiam a matar?

— …Me curo automaticamente. Não importa que tipo de lesão seja, irá simplesmente se curar por conta própria. Ainda que cortem minha cabeça, eu irei regenerar eventualmente.

— Es-Essa é uma baita capacidade… Então esse é o poder que todo mundo tinha medo?

— Esse também, mas… a coisa importante era que eu podia controlar a mana… diretamente, sem um círculo mágico.

O Hajime assentiu e respondeu com um simples: — Entendi.

Depois de consumir carne de monstro, ele tinha se tornado capaz de manipular livremente sua mana também. Ele não precisava de cânticos ou círculos mágicos para aprimorar seu corpo, ou usar a magia especial que ele tinha adquirido. Era o mesmo para a sua habilidade de transmutação.

Contudo, o Hajime tinha afinidade zero para magia, então, mesmo que pudesse manipular sua mana diretamente, ele ainda precisaria de um círculo mágico enorme para lançar realmente alguma coisa, o que significava que não poderia a usar eficazmente para muita coisa.

Mas com a afinidade mágica dessa garota, sendo capaz de manipular diretamente a mana, a transformava em um ativo insanamente poderoso. Porque, enquanto todos os outros tinham de perder tempo preparando círculos e cânticos para seus feitiços, ela poderia simplesmente lançar magia como se fosse nada. Francamente, não seria muito justo se ela escolhesse enfrentar alguém. E ainda por cima, ela era imortal. Provavelmente não era perfeita, e havia provavelmente uma forma para realmente superar isso, mas mesmo assim ainda era uma habilidade de nível trapaceiro que superava de longe a de qualquer herói.

— …Por favor, me salve… — Ela suplicou baixinho enquanto observava o Hajime afundar nas profundezas do pensamento.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: