Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 4 de 9) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 4 de 9)

Capítulo III: A Princesa Vampira Dourada (Parte 4 de 9)

 

Precisamente no final de uma das passagens laterais havia uma sala que continha uma porta dupla majestosa, com três metros de altura. Em cada lado da porta tinha uma estátua de um ciclope esculpido profundamente nos recantos da parede.

Quando ele tinha tentado entrar no lugar, o Hajime tinha sentido arrepios percorrer sua coluna, e tinha batido em uma retirada rápida, decidindo que o cômodo era perigoso. Obviamente, a retirada era apenas temporária. Ele estava voltando para se preparar, e não tinha nenhuma intenção de ignorar aquele lugar. Afinal de contas, era a primeira coisa que ele tinha cruzado nos últimos 50 pisos que era “diferente”. Não havia forma dele não ir dar uma olhada.

Ele ficou cheio de expectativa e apreensão enquanto pensava naquela porta. Contudo, uma vez que a abrisse, ele sabia que algum tipo de desastre o aguardava. Mesmo assim, era também uma oportunidade para invocar os ventos da mudança nesse inferno interminável.

— É exatamente como a Caixa de Pandora… Bem, me pergunto que tipo de esperança me aguarda quando eu a abrir. — Ele recordou mentalmente suas capacidades, suas armas e suas habilidades. Ele checou cada uma delas, tendo certeza de que ele estava em ótima condição.

Quando todos os seus preparativos estavam completos, o Hajime tirou lentamente o Donner do seu coldre, depois o pressionou lentamente contra a testa quando fechou os olhos. Ele já tinha preparado sua determinação há muito tempo, mas não havia nada de ruim em gastar alguns minutos para se preparar mais um pouco. O Hajime procurou nas profundezas de si mesmo, dando voz ao seu desejo querido mais uma vez.

— Eu quero sobreviver e voltar para casa. Para casa… para o Japão. Qualquer coisa que ficar no caminho desse objetivo é meu inimigo. E os inimigos devem ser… mortos! — Ele abriu os olhos, e com seu sempre presente sorriso destemido, partiu em direção ao desconhecido.

Os passos do Hajime ficavam cada vez mais cautelosos enquanto tentava entrar na sala com as portas duplas. Ele conseguiu chegar até a porta sem encontrar nada.

Ao dar uma olhada mais atenta, o Hajime percebeu que o artesanato das portas era ainda mais impressionante do que ele tinha inicialmente considerado. E que havia um círculo mágico gravado em um pequeno buraco em cada uma das duas.

— Hã? Isso é estranho. Eu estudei bastante no castelo… mas mesmo assim não reconheço essa inscrição. — Atrás, quando ele ainda tinha sido ridicularizado como inútil, o Hajime tinha passado o tempo todo estudando para compensar a sua falta de capacidade em combate. Evidentemente, ele não tinha tido tempo suficiente para aprender tudo que havia para se saber sobre esse mundo, mas mesmo assim era perturbador que ele não conseguisse reconhecer um único símbolo nos círculos.

— Isso quer dizer que esse feitiço é muito velho? — O Hajime ponderou sobre os círculos mágicos enquanto investigava as portas, mas ele não conseguiu descobrir nada notável. A posição visível dos círculos simplesmente gritava “armadilha” para o Hajime, mas ele não tinha conhecimento suficiente para obter alguma dica da sua investigação.

— Acho que minha única opção é transmutar isso como sempre. — Ele já tinha tentado empurrar e puxar as portas, mas elas não tinham se movido. E assim, ele se voltou para sua habilidade fiel de transmutação. Ele colocou sua mão direita na superfície da porta e começou a transmutar.

Mas no momento em que ele começou a injetar mana em sua mão… Zap!

— Uwaah!? — Um raio de luz vermelha percorreu a porta, repelindo a mão do Hajime para longe. Linhas de fumaça surgiram da sua mão. Praguejando, ele bebeu um pouco de Ambrósia para se curar. Um segundo depois, ele ouviu um rugido intenso.

— Uoooooooooooooooh!!! — Repercutiu por todo o lugar.

O Hajime recuou para longe da porta e se agachou com sua mão no coldre, preparado para puxar a qualquer momento. Enquanto esperava, ele ouvia os sons de algo se movendo misturado com o rugido.

— Nossa, mais clichê que isso é impossível. — O Hajime sorria enquanto via as duas estátuas de ciclope subitamente ganhar vida e começar a destruir a parede que os prendia. Suas peles petrificadas rapidamente recuperaram a cor, passando de cinza para verde-escuro.

Os ciclopes se encaixavam na descrição de fantasia com maestria. Cada um deles empunhava uma espada de quase quatro metros de comprimento que tinham tirado só deus sabe de onde. No momento, eles estavam se esforçando para se livrar suas partes inferiores ainda emparedadas, determinados a eliminar o intruso indesejado.

O Hajime disparou o Donner diretamente no olho ofuscante do ciclope da direita. Com um estrondo violento, a bala taur eletricamente acelerada perfurou o olho, fazendo picadinho de seu cérebro e pulverizando a parede atrás dele quando saiu por trás da cabeça.

O ciclope da esquerda olhou atônito para seu companheiro já falecido. Em contrapartida, o morto se contorceu por alguns segundo antes de colapsar para frente, o que fez a sala inteira tremer quando seu corpo enorme se chocou contra o chão, levantando uma grande nuvem de poeira.

— Sinto muito, mas não sou um cara simpático o suficiente para esperar até vocês se libertarem. — O ciclope morto não tinha previsto isso, em mais de um sentido. Para o Hajime, que tinha sobrevivido a inúmeras lutas de vida ou morte, foi apenas uma atitude natural a se tomar. Ainda assim… ele sentiu uma pontada de pena pelo ciclope.

Ele provavelmente não era nada mais do que um simples guardião que tinha sido selado e encarregado de proteger as portas. Ele deve ter passado uma eternidade à espera de alguém, qualquer um, que passasse.

Por fim, alguém capaz o suficiente de sobreviver tanto tempo nas profundezas do inferno e tentando se aprofundar ainda mais tinha aparecido diante dele. É muito possível que ele(?) tenha estado feliz por ter finalmente um propósito. Mas então, antes que ele sequer pudesse começar um combate, seu oponente destruiu seu estimado olho e o matou instantaneamente. Se isso não é lamentável, então não sei o que é.

O ciclope restante tinha uma expressão horripilante no rosto quando se virou para olhar o Hajime. Embora não falasse, seu rosto estava gritando claramente: “Como se atreve, seu bastardo!”.

O Hajime olhou para o ciclope restante, completamente imóvel quando ele encontrou seu olhar. Ele estava agindo cautelosamente devido à sua arma desconhecida e agachado perto do chão, pronto para se esquivar em qualquer direção, enquanto olhava para ele. Dez segundos se passaram, depois vinte… Por fim, o ciclope ficou cansado do concurso de encarar e, com um rugido ensurdecedor, investiu contra o Hajime.

Mas antes mesmo de dar cinco passos, ele caiu de cara no chão.

Assim que ele tinha corrido em frente, toda a força tinha sido drenada das suas pernas, e ele caiu no chão. Confuso, o ciclope tentou se esforçar para se pôr de pé, mas só conseguiu um pouco mais que se agitar impotente no chão.

Ele rugia, incapaz de compreender o que tinha acontecido, enquanto o Hajime andava lentamente até ele. Seus passos ecoando eram como contagem regressiva para a morte do ciclope. Ele parou a centímetros do seu rosto, e colocou a arma na cabeça dele. Então, sem qualquer hesitação, ele apertou o gatilho.

Bum! O som do tiro ecoou por todo o lugar pela segunda vez.

Todavia, algo inesperado aconteceu naquele instante. O corpo do ciclope brilhou brevemente, e depois a sua pele repeliu a bala que deveria ter o matado.

— Hmm? — O Hajime imaginou que foi devido à sua magia especial. Pelo que pôde perceber, dava temporariamente ao ciclope um incremento enorme de defesa. Embora continuasse com o rosto para o chão, o ciclope sorriu desdenhosamente para ele.

Imperturbado, ele retraiu a arma e visou um chute na cabeça do ciclope. Graças à sua habilidade Pernas de Aço, os chutes do Hajime eram tão poderosos quanto os do Coelho Mestrepernada tinham sido. Seu pé traçou um belo arco através do ar antes de bater no ciclope e o virar de barriga para cima. Ele depois encostou o Donner em seu olho.

Embora não pudesse ter certeza, parecia que o ciclope estava em pânico. Mesmo assim, o Hajime não ligou para isso e apertou o gatilho impiedosamente. Como ele esperava, o endurecimento do corpo não abrangia seu olho, e o segundo ciclope teve sua cabeça estourada assim como o primeiro.

— Hmm, levou cerca de vinte segundos dessa vez. Isso é mais lento do que o normal… É porque ele tem um corpo maior? — O Hajime murmurou para si mesmo, analisando os resultados do seu experimento.

Por que tinha esse ciclope colapsado repentinamente antes? Tinha sido graças ao poder da granada de atordoar do Hajime. Ele tinha a feito usando as escamas que ele tinha coletado do sósia do Butterfree. Utilizando uma pequena explosão controlada, ele poderia espalhar as escamas por toda a sala, paralisando tudo nela. No instante em que o ciclope da esquerda tinha sido distraído com a morte de seu companheiro, o Hajime tinha a lançado no ar.

— Bem, tanto faz. Acho que vou recolher a carne mais tarde… — Quando ele olhou novamente para a porta, uma ideia brotou em sua mente.

Ele usou a Garra Ventânica para abrir os ciclopes e extraiu seus cristais de mana. Ignorando o fato deles estarem pingando sangue, ele carregou os dois cristais do tamanho de um punho para a porta dupla e colocou eles nos dois entalhes.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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