Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 1 de 9) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 3 (Parte 1 de 9)

Capítulo III: A Princesa Vampira Dourada (Parte 1 de 9)

 

— Droga, por que não consigo a encontrar…? — Já havia passado três dias desde que o Hajime tinha matado o Garrurso, e ele tinha passado cada momento vasculhando o labirinto por uma escada que levasse para cima.

Nessa altura, ele tinha mapeado mais de 80% do piso. Depois de matar o Garrurso, as estatísticas do Hajime tinham dado outro salto enorme, por isso não havia mais nada no piso que representasse sequer uma ligeira ameaça a ele. Desse modo, embora o piso fosse vasto, sua busca progrediu rapidamente e sem incidentes. Não obstante, ele não conseguiu encontrar nenhuma escada, não importa o quanto ele procurasse.

Na realidade, isso não era inteiramente verdade. Enquanto ele não tinha sido capaz de encontrar nenhuma escada que levasse para cima, ele já tinha descoberto a escadaria que levava para baixo há dois dias. Como o labirinto era dividido estritamente em pisos, havia sentido que houvesse uma escada que conduzisse para cima também, mas não importava o quanto ele procurasse, o Hajime não conseguia a encontrar.

Ele já tinha tentado transmutar sua própria escada até o piso de cima, ignorando as leis da masmorra. A única coisa que ele tinha descoberto como resultado foi que, passado um certo ponto, se ele tentasse subir ou descer, as paredes à sua volta simplesmente parariam de responder a sua habilidade de transmutação. Ele podia transmutar o quanto ele quisesse dentro dos limites do piso, mas as camadas que separavam os pisos pareciam ter algum tipo de proteção mágica lançada nelas. O Grande Labirinto Orcus tinha sido criado durante a Era dos Deuses. Então não era tão estranho que ele ainda contasse com alguns tipos de segredo.

Foi por isso que o Hajime tinha passado o tempo procurando pela escada real, mas ele logo veio a perceber que precisaria fazer uma decisão sobre o que fazer se não a encontrasse. Essa decisão era se devesse ou não investigar mais abaixo em vez disso.

— …Outro beco sem saída. Nesse momento eu já investiguei todos os caminhos. O que diabos está acontecendo aqui? — O Hajime suspirou esgotado, forçado a aceitar que ele não iria encontrar a escada para cima. Resignado, ele começou a voltar ao lugar onde tinha encontrado a escada que conduzia para baixo.

A escadaria que ele tinha descoberto dois dias atrás era esculpida muito rudemente. Era mais parecida com um declive acidentado do que uma escada de fato. Além disso, não havia luminopedra verde iluminando o caminho, e a descida estava mergulhada na escuridão, emitindo um clima sinistro. A escuridão e a forma dela fazia a entrada se assemelhar as mandíbulas escancaradas de alguma besta enorme. Parecia que uma vez que entrasse, ele não seria capaz de voltar.

— Hah! Manda ver! Vou devorar qualquer coisa que você me mandar! — O Hajime se ridicularizou pelo seu tremor, e sorriu destemidamente. E sem qualquer outra hesitação, ele pisou através da escuridão.

Assim que ele começou a descer a escada, a escuridão o envolveu totalmente. Embora fizesse normalmente sentido para um labirinto subterrâneo ser escuro, todos os pisos que ele tinha passado até agora tinha sido iluminado com a luminopedra. Mesmo se não estivesse claro, nunca tinha estado totalmente escuro a ponto do Hajime nem conseguir ver um palmo na sua frente.

Contudo, não havia luminopedra revestindo a escada. O Hajime parou por um tempo, esperando que seus olhos se adaptassem, mas não importava quanto tempo ele esperava, tudo o que seus olhos captavam era o preto.

Não tendo outra opção, o Hajime revirou por dentro da sua mochila improvisada, criada a partir da pele do urso e fio, e pegou uma luminopedra verde para iluminar o seu arredor.

Carregar uma fonte de luz na escuridão era equivalente ao suicídio, mas o Hajime concluiu que ele não tinha nenhum outro meio de seguir em frente. Contudo, ele decidiu ter a certeza de pelo menos, manter sua mão direita livre, então ele amarrou a luminopedra no toco do seu braço esquerdo.

Depois de um tempo andando em frente, o Hajime viu algo brilhar na escuridão, mais à fundo na passagem. Ele forçou seus sentidos, agora atento.

Permanecendo nas sombras tanto quanto possível enquanto avançava, ele de repente sentiu uma sensação sinistra se aproximando pelo seu lado esquerdo. Ele saltou rapidamente para o lado, depois apontou seu cotoco esquerdo à fonte da sensação. Iluminado pela luz verde fantasmagórica estava um lagarto cinza enorme de dois metros de comprimento, e seus olhos dourados estavam encarando diretamente o Hajime.

Os olhos dourados do lagarto brilharam intensamente. Instantes depois…

— Hã!? — Com um ruído estranho de rachaduras, o cotoco esquerdo do Hajime começou a se tornar pedra. A fossilização se espalhou para a luminopedra, e segundo depois, a luminopedra petrificada fez um som de rachaduras e se desintegrou. Sem a sua fonte luminosa, o Hajime mais uma vez foi cercado pela escuridão. A petrificação tinha continuado, fazendo todo o caminho até o ombro.

O Hajime estalou a língua, pegou um frasco de Ambrósia da pele do monstro, a bebendo em um gole, e transmutou o segmento do coldre atado em seu peito. Como tinha esperado, a petrificação parou e começou a retroceder lentamente pelo seu braço esquerdo.

Agora é a sua vez! O Hajime retirou uma granada de luz da sua bolsa em sua cintura e arremessou ela para onde ele tinha visto o lagarto pela última vez. Ele viu outro brilho de luz dourada surgir da escuridão. Apesar da sua incapacidade de ver claramente, o Hajime usou rapidamente o Passo Supersônico para se afastar.

Quando ele olhou para trás, ele viu que a pedra atrás de onde ele tinha estado havia mudado de cor, parecendo muito mais degradada que antes. Esse olhar literalmente petrificador iria ser bastante problemático. O lagarto se assemelhava muito com o tipo de basilisco que o Hajime viu em jogos de RPG.

O Hajime puxou o Donner do coldre e o pôs na frente de seu rosto enquanto fechava firmemente seus olhos. Um segundo depois, a granada de luz explodiu em uma mistura de luz verde com uma explosão silenciosa.

— Kraaaah!? — O Basilisco provavelmente nunca tinha experimentado uma luz tão forte antes, e se contorceu desorientado. Quando ele abriu os olhos, o Hajime mal podia distinguir sua silhueta no meio da escuridão.

Ele disparou o mais rápido possível. Sua bala encontrou o alvo, rasgando através do crânio do basilisco, pulverizando o conteúdo contido nele. A bala passou tranquilamente pela parte de trás da cabeça do basilisco, e perfurou profundamente na parede de pedra por trás dele com um sibilo alto. Pelo fato de suas balas serem aceleradas eletricamente, elas saíam com uma temperatura elevadíssima e queimavam tudo o que atravessavam. Era apenas graças a resistência do taur ao calor que ele era capaz de disparar balas tão poderosas.

Cauteloso com seus arredores, o Hajime se aproximou cuidadosamente do basilisco. Depois que ele confirmou que estava morto, ele rapidamente cortou sua carne e se retirou em segurança. Ele mal conseguia comer ali, onde ele nem sequer conseguia ver o que estava à sua volta. O Hajime decidiu dar prioridade a explorar o novo piso primeiro.

Ele continuou a andar através da escuridão. Ele procurou por dezenas de horas, mas foi incapaz de encontrar uma escada que levasse para baixo. Ele continuou a derrotar inimigos e pegar as pedras que achava no caminho, e em pouco tempo ele se viu carregando mais coisas do que poderia carregar facilmente. Foi aí que ele finalmente decidiu que era hora de fazer uma base para si.

Ele colocou sua mão em uma parede próxima e transmutou. A parede se abriu facilmente, e ele entrou na passagem que ele tinha feito para si. O Hajime continuou transmutando a área à volta dele até que tivesse um espaço de cerca de seis tatames de largura[1]. Depois, antes que esquecesse, ele pegou o cristal azul-claro do tamanho de uma bola de basquete da sua mochila e o colocou em uma cavidade que ele tinha esculpido. Ele tinha, obviamente, trazido a Gema Divina com ele. Ele tinha trazido também os recipientes para guardar a Ambrósia que saia por baixo da gema.

Como o Hajime não estava a par do nome verdadeiro da gema, ele tinha decidido a chamar de “pedra da poção” e a Ambrósia que ela expelia de “poções”. Embora fosse verdade que as poções eram itens padrões de cura na maioria dos jogos, os efeitos da Ambrósia superavam de longe as de uma mísera poção. O apelido insultuosamente simples que ele tinha escolhido só mostrava o quão simples o pensamento do Hajime teve em a nomear.

— Agora que estou devidamente acomodado, é hora de um banquete. — O Hajime tirou toda a carne que ele tinha recolhido de um contêiner de pedra que ele tinha colocado em sua mochila usando transmutação. Depois ele assou tudo com o Campo Elétrico. O menu do dia consistia em carne assada de basilisco, coruja toda torrada com metade de suas penas ainda grudadas, e alguma coisa gato de seis patas todo assado. Não havia temperos.

— Pelo menos eu tenho comida. — Enquanto aproveitava a sua refeição, ele começou a sentir aquela dor familiar em seu corpo. A dor queria dizer que seu corpo estava sendo fortalecido forçosamente mais uma vez. O que significava que os monstros daqui eram pelo menos tão poderosos quanto o Garrurso tinha sido, se não mais. Fazia sentido, já que a combinação das suas magias especiais e a escuridão tinha feito cada um deles inimigos bastante difíceis de se enfrentar. Todavia, o Donner era capaz de pulverizar qualquer coisa que atingia, então o Hajime realmente não tinha notado que eles eram muito mais fortes que seus homólogos do piso superior.


 

 

[1] 1 tatame tem aproximadamente 1 metro e 62 centímetros quadrados, 6 tem aproximadamente 9 metros e 72 centímetros quadrados.

KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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